domingo, 5 de setembro de 2010

O TESTEMUNHO MORAL DE LÉON DÉNIS.

Testamento moral

No final de minha vida, nesta hora crepuscular em que uma nova etapa termina, em que as sombras crescem sem cessar e cobrem todas as coisas com seu manto melancólico, recordo o caminho percorrido desde minha infância; depois, dirijo meu olhar para adiante, para essa porta que brevemente se abrirá para mim, para o Além e suas eternas claridades.
Nessa hora, minha alma se recolhe e se desprende, antecipadamente, dos liames terrenos; ela vê e compreende o objetivo da vida.
Consciente de seu papel neste mundo, reconhecida pelos benefícios divinos, sabendo por que veio e por que atuou, bendiz a vida por todas as alegrias, todas as dores, todas as provas salutares que experimentou e agradece os instrumentos de sua educação e de seu progresso.
Bendiz a vida terrena, convencida, quando a deixar, de que retornará mais tarde, numa nova existência, para ainda trabalhar, sofrer, aperfeiçoar-se e contribuir, por seus esforços, para o progresso deste mundo e da humanidade.
Consagrei esta existência ao serviço de uma grande causa: O Espiritismo ou Espiritualismo Moderno, que será, certamente, a crença universal, a religião do futuro.
Consagrei à sua divulgação todas as minhas forças, toda a minha capacidade e todos os recursos de meu espírito e meu coração.
Tenho sido sempre, e poderosamente, sustentado por meus amigos invisíveis, por aqueles a quem irei juntar-me, brevemente.
Pela causa do Espiritismo, renunciei a todas as satisfações materiais, mesmo as da vida familiar e da vida pública, aos títulos, às honrarias e funções, vagando pelo mundo, muitas vezes só e triste, porém, no fundo, feliz de assim pagar minha dívida do passado e de me aproximar dos que me aguardam, no Além, na Luz Divina.
Abandonando a Terra, quero que os recursos por mim deixados sejam consagrados ao serviço dessa mesma causa. É com este pensamento e com esta firme vontade que organizei a lista de meus herdeiros.
Inicialmente, com o objetivo de propaganda doutrinária, deixo ao Sr. Jean Meyer, residente na Vila Montmorency, Avenida des Tilleuls, 11, Paris, 16º, a propriedade de minhas obras que figuram na Biblioteca de Filosofia Espiritualista Moderna e das Ciências Psíquicas, que ele fundou.
Além disso, deixo ao dito Jean Meyer, todos os volumes e brochuras em depósito na tipografia Arrault, em Tours, assim como os clichês, impressões e anexos referentes a essas obras.
Se, por morte do Sr. Jean Meyer, o funcionamento de sua biblioteca, acima designada, se achar comprometido, minhas obras cairão no domínio público e todos os interessados poderão reproduzi-las, com a condição de seguirem escrupulosamente o texto de cada última edição, sob o controle e vigilância de meus executores testamentários.[i]
Léon Dénisfonte:Instituto Léon Dénis