domingo, 3 de junho de 2018

Abel Mendonça

Trabalhador incansável do Espiritismo, sóbrio e de grande força de vontade. Militou no Movimento Espírita sempre com real dedicação. Inteligente, de apreciável cultura, defendia a pureza doutrinária, e o estudo do pentateuco de Allan Kardec.

Abel Mendonça nasceu no dia 22 de julho de 1902, na cidade de Pernambuco. filho de Otaviano Mendonça, alagoano e d. Francisca de Paiva Mendonça, pernambucana, ambos protestantes, da Igreja Presbiteriana. Viveu a sua infância na terra natal, onde realizou seus primeiros estudos e o Curso Primário, mantido pela congregação a que pertenciam seus pais.

Muito jovem ficou órfão de pai e logo depois de mãe. Seu irmão mais velho, Otaviano, era engenheiro civil e trabalhava em conceituada firma em Porto Alegre, no Rio Grande do sul. Abel foi morar com o irmão. pretendia continuar os estudos e seguir a mesma carreira. Pouco tempo depois aconteceu a epidemia da gripe espanhola, que dizimou incontáveis criaturas. Seu irmão foi uma das vítimas e desencarnou. Ele ficou desarvorado em terra estranha.

Resolveu viajar para o Rio de Janeiro, onde não foi fácil viver, enquanto não conseguiu empregar-se. Finalmente entrou para o quadro de funcionários do jornal "O Imparcial", onde, por sua inteligência e desejo de progredir, prestou relevantes serviços, inclusive como redator. Diante de todas as vicissitudes, e o esforço físico e mental, sofreu uma pneumonia sendo internado em um ambulatório em Jacarepaguá. Em contato com outros pacientes se fez amigo de um jovem que estava numa situação crítica, cuja mãe era espírita e grata pelo seu companheirismo junto ao filho, conversou sobre "O Livro dos Espíritos'. - Criado no Protestantismo, não deu muita atenção ao que ouvia. Pouco depois o rapaz desencarnou. Retornando ao Ambulatório para apanhar os pertences do filho, a mãe do rapaz falou a Abel que, numa reunião mediúnica, um Espírito Amigo havia se comunicado dizendo-se seu irmão. entregou para ele um papel onde estava escrito: "Abel, preciso conversar com você"- (Ass.) Otaviano". Ele ficou espantado, pois nem para o companheiro que desencarnara, falou sobre o irmão.

Ao deixar o ambulatório, completamente recuperado, Abel foi procurar a senhora que havia deixado o endereço, em Madureira, oferecendo-lhe inclusive hospedagem. sozinho, em ninguém, tornou-se seu hóspede. Em sua companhia pôde comprovar a presença espiritual do irmão e a partir dessa época tornou-se profundo estudioso das obras de Allan Kardec. Foi o marco inicial de uma nova era para Abel Mendonça, passando a freqüentar um Centro Espírita.

Retornou ao jornal onde já era muito estimado. Tempos depois, recebeu uma proposta de "O Imparcial", de Salvador, Bahia, para trabalhar como redator, cargo que já vinha exercendo com muita capacidade no jornal carioca. A redação estava instalada na Praça da Sé. Posteriormente foi convidado para o "Diário da Bahia", aumentando muito a sua popularidade, e o seu prestígio.

Em Salvador ainda, ingressou no Movimento Espírita, sem uma casa definida comparecia à União Espírita Baiana e as instituições nos subúrbios mais longíquos, observando e aprendendo. Conheceu grandes espíritas da Bahia, participava de um Centro Espírita dirigido por Ricardo Machado, que lhe despertou grande admiração pela cultura, pelo caráter íntegro e espírito de trabalho.

Anos depois, em 10 de agosto de 1954, Abel Mendonça fundou a Instituição Espírita "Casa de Emmanuel", da qual foi Presidente, e Benício Fernandes, no setor administrativo, além de uma plêiade de grandes trabalhadores.

Expositor de grande influência, percorreu toda a Bahia na tarefa doutrinária de divulgação do Espiritismo. Fundou o jornal "Convicção", em 1966, como órgão doutrinário da "Casa de Emmanuel", distribuindo-o para todo o Brasil e para o estrangeiro. Como jornalista e profissional no assunto, foi impecável na redação, admirado pelos articulistas e o público leitor da época, como Carlos Imbassahy, Leopoldo Machado e Deolindo Amorim, a trindade baiana que marcou presença e grande popularidade no Espiritismo. Manteve ainda contato, com famosos espíritas de outras nações, como Natálio Ceccarini, Humberto Mariotti e Luiz Di Cristoforo Postiglioni da Argentina.

Além de jornalista, foi orador nato, e nessas condições visitou diversos Estados. Tivemos oportunidade de ouvi-lo e conhece-lo quando pronunciou magistral palestra no Centro Espírita "Seara Fraterna", no Catete, Rio de Janeiro, na Presidência de Ederlino Sá Roriz, que com ele conviveu na Bahia.

Abel Mendonça era casado com D. Rosa Leite de Mendonça e deixou um filho, Marcos Cícero Leite de Mendonça, que o substituiu na Presidência da "Casa de Emmanuel".

Dedicado à velhice desamparada, mostrou-se o homem operoso e ativo no setor da filantropia. Na construção da sede própria da "Casa de Emmanuel", trabalhava até altas horas da noite. Não tendo condições físicas para o trabalho pesado, ficava com os companheiros, orientando e incentivando desejoso de ver a obra pronta. Foi um sucesso a confortável sede, espaçosa que, nem por isto, comportava o número de ouvintes de suas substanciosas palestras.

A sua desencarnação ocorreu no dia 6 de maio de 1977, próximo a completar 75 anos de idade. Foi uma grande vida, recordando os feitos desse genuíno trabalhador do Bem , na magnitude da Caridade e do amor ao próximo.

Deus o abençoe!

Fonte: http://gotinhasdeluz.blogspot.com/2015/07/abel-mendonca.html


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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Elísio da Rocha Dórea

Conhecido na seara da caridade como Dórea, cognominado “o Apóstolo anônimo da Caridade” pelo nosso querido Élzio Ferreira, nasceu na cidade de Cachoeira  no Estado da Bahia, em 14 de Junho de 1914. Teve seus primeiros contatos com a Doutrina dos Espíritos em torno de 1947, quando da freqüência às reuniões dirigidas pelo confrade Guaraci de Carvalho Lima e esposa, mais tarde filiando-se ao Centro Espírita Obreiros do Bem.

Espírito franco e dedicado profundamente ao serviço filantrópico, auxiliando diretamente ao “pobre”, ao desfavorecido socialmente, fundou o  Lar dos Velhinhos em Alagoinhas, o Lar do Irmão Velho em Feira de Santana, o Centro Espírita Irmão Salustiano em Ribeiro do Pombal, bem como o nosso Grupo da Fraternidade Leopoldo Machado; além de implantar a Campanha do Quilo em todas as cidades onde residiu.

Espírita convicto, defensor e praticante do Esperanto, da macrobiótica, e da meditação, Dórea é a representação viva do destemor pelo amor profundo em Deus. Suas obras foram e serão sempre lembradas pelo lema da Fraternidade entre as criaturas, pela ação corajosa e permanente demonstração da fé em seus atos


Elísio da Rocha Dórea foi o primeiro presidente da UEVC, após sua fundação oficial. Era muito conhecido por sua generosidade e entusiasmo. Gerente do Banco do Brasil, em 1954 deixou o movimento espírita conquistense, quando foi transferido para a agência de Feira de Santana. Na nova cidade fundou uma casa espírita e um lar para idosos. Em todas as cidades em que morava fundava uma instituição espírita e deixava um relevante trabalho de amparo social. Na foto acima, flagrante de uma Semana Espírita no Centro Espírita Humberto de Campos. À esquerda, o Dr. Élzio Ferreira de Souza, palestrante e promotor de justiça, leitor voraz, possuidor de grande cultura, que desencarnou em 2006 em Salvador, aos 80 anos. No centro, em pé, o Dr. Luiz Barreto. Em 1973 Dórea fundou em Salvador (última cidade onde trabalhou), juntamente com sua esposa Janete, o Grupo da Fraternidade Leopoldo Machado. Desencarnou em 14 de março de 1985.

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História do Centro Espírita Grupo da Fraternidade Leopoldo Machado


Em 28 de Setembro de 1973 o nosso querido e respeitado Elísio da Rocha Dórea, criou essa Instituição de Filantropia Cristã, amparado pela luz dos espíritos e dos amigos, mas, principalmente, pelo brilho fiel de sua querida esposa Janete e filhos, talvez não imaginassem a amplitude de seu enorme gesto, no que concernem as oportunidades de serviços que se abriram como “Campo Fértil” a permitir a semeadura do trabalho com amor sob as mais diversas formas de expressões. 

Marcando uma etapa profundamente voltada para a assistência social, Dórea, o homem-atitude, era o retrato vivo da caridade imediata, corajosa e desinteressada. Firmou o GFLM-Caridade (1973-a 1976). Mais tarde,  veio o nosso Ricardo Wagner, o homem-humildade, com sua brandura “franciscana” criando na Bahia a saudosa “campanha do quilo”. Firmou o GFLM-Humildade (1977). Veio então o nosso Rubem Prates, o homem-reflexão com sua habitual alegria e espírito aberto a idéias e conceitos orientais como a meditação, a qual praticava. Firmou o GFLM-solidariedade (1978). Com gosto acentuado pelas reuniões mediúnicas, o nosso César Otoniel, o homem-esperança, foi um assíduo freqüentador das campanhas de distribuição da sopa, e mantenedor do incentivo ás atividades de assistência social. Reafirmou o GFLM-Caridade(1979)inicia-se com a companheira Eunice Bastos, a mulher-carisma, um período de grandes transformações, baseadas na  afetuosidades , e estímulo ás criaturas, na alegria e espírito de comunidade em que lhe são características marcantes. Firmou o GFLM-Família (1980). Com a posso do nosso Luiz Barreto. O homem-exortação, o campo doutrinário é enriquecido pelas suas estimulantes exposições nas quais invariavelmente ouvíamos o “Vivas a Jesus” como “grito de amor” Iniciou a característica do GLFM-Escola (1981).

Voltando a nossa Eunice Bastos à direção, consolida o clima de família. Atuando com firmeza e determinação, contando com a inestimável colaboração dos nossos companheiros Carlos Bernardo Loureiro e Djalma Motta Argollo, tanto na área doutrinária como na mediúnica. Reafirmou o GLFM-Família (1982-1985). Numa seqüência natural, o grande amigo Djalma Argollo, o homem-saber, assume a coordenação do GFLM, imprimindo-lhes clima renovador de estudos, práticas mediúnicas de socorro e obsedados, e iniciando o ciclo de seminários nas datas de aniversário (1986). Firmou o GLFM – Assistência Mediúnica (1986-1989). Passando a administração para Manoel Messias, o homem-dinamismo, que manteve as tarefas em andamento e criou novos campos de trabalho, reorganizando coordenações, e incentivando o ingresso de novos colaboradores na seara do trabalho-amor, os quais criaram a Semana da Arte, a Semana do Evangelho e o núcleo de artes Elisio Dórea. Firmou o GFLM-Organização (1991-1993). Com muito júbilo para todos volta a nossa  Eunice Bastos, auxiliada pelo fiel André Napomuceno, o homem-serenidade, brilhando num trabalho incansável  para manter a integridade, o respeito e a confiança, nas diversas coordenações e seus respectivos trabalhadores.Firmou o GFLM-Tolerância(1994-1995). Nilza Mascarenhas a nossa querida mulher-abnegação (1996-1999).

Também nossa mulher-serena e Cativante Margarete Prates faz um brilhante trabalho em nossa casa. (2003-2005) nosso ilustríssimo Marcio Cardoso na sua primeira gestão, vivemos um GFLM amadurecido em vários aspectos. Sucedido por Célia de Almeida, mulher dinâmica que concentrou esforços no departamento de Ação Social. Em 2010 assume a coordenação Josetti Soares promovendo  uma reestruturação no departamento Mediúnico. Em seguida o nosso querido Fernando Barbalho que com seu carisma atraiu um grande número de colaborados para o trabalho da casa. Para o biênio 2016/2017, assume a coordenação da casa Nadja Ramos Silva que vem  dando ênfase aos cursos. “Espíritas Instruir-vos”. E assim segue o nosso GFLM consolidando seu nome no movimento espírita baiano, atendendo a variada gama de atividades doutrinárias, mediúnicas e assistenciais com mais de  28 equipes distribuídas  de segunda a sábado.

Todas as realizações, é claro, são frutos da colaboração e sacrifício de inúmeros “formiguinhas laboriosas e amoráveis” encarnadas e desencarnadas, a quem esta casa deve muito carinho, respeito e gratidão, reafirmando o que dizia Kardec: Trabalho, Solidariedade e Tolerância.

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Livro "O desconhecido"

https://books.google.com.br/books?id=UDpPBQAAQBAJ&pg=PA32&lpg=PA32&dq=elizio+da+rocha+dorea&source=bl&ots=_C-mJZzc3f&sig=xXu8cIN4UasK7eiwiQzPgeG8sS4&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwjVhczCwpbZAhUGjZAKHWrrB68Q6AEIQDAE#v=onepage&q=elizio%20da%20rocha%20dorea&f=false



sábado, 29 de outubro de 2016

CENTRO ESPÍRITA FILHOS DO CALVÁRIO

CENTRO ESPÍRITA FILHOS DO CALVÁRIO

No dia 7 de agosto de 1955, um grupo de pessoas adeptas e simpatizantes do espiritismo reuniu-se em casa do Dr. Elzio Ferreira de Souza, então Promotor Público da Comarca, com finalidade de examinar as possibilidades da fundação de um centro espírita em Queimadas. A idéia teve calorosa receptividade e, ato contínuo foi providenciado um abrigo provisório onde o centro pudesse logo funcionar como ponto de apoio para a prática de caridade espiritual e material de pessoas desassistidas. O nome proposto: CENTRO ESPÍRITA FILHOS DO CALVÁRIO, foi imediatamente aceito.
Os estatutos da nova entidade foram logo elaborados e deles constam, como finalidade precípua, o estudo do espiritismo e sua ilimitada propagação através de ensinamentos, exemplos e estudo da doutrina sob seus aspectos filosóficos, científicos e morais.
Para atingir seus objetivos básicos, o Centro se propôs a desenvolver as seguintes atividades: sessões privativas para a obtenção de fenômenos mediúnicos; realização de palestras e conferências de cunho doutrinário; criação de uma biblioteca denominada " José de Alencar" com a finalidade de instruir os sócios, constituída sobretudo por obras espíritas e de educação moral e cívica; criação de um abrigo para pobres com o nome de " Lar Rosa do Infinito"; escola para as crianças carentes, cursos para pessoas pobres; organização de auxílio à mulher decaída, visando sua recuperação; assistência aos necessitaados através da distribuíção gratuita de medicamentos, alimentos, peças de vestuário, auxílio em dinheiro. Para a juventude engajar-se nas campanhas de auxílio e doutrinação, criou-se um órgão próprio, com função definida, denominado:" Juventude Espírita Marco Antônio".
O grupo pioneiro para a organização do Centro, incubido de desenvolver a campanha para aquisição de recursos indispensáveis ao cometimento, foi constituído pelas seguintes pessoas: Dr. Elzio Ferreira de Souza, João Morgado, Juvenal Fernandes da Silva, João Graciliano de Queiroz, Luiza Pastora Lopes, Osvaldo Vieira Cabral, Zima da Silva Cabral, Antônio Berto de Oliveira, Raul Torres do Nascimento, Edeilda Caribé Morgado, Américo Leite Souza.
A primeira Diretoria eleita foi a seguinte:

Presidente - Dr. Elzio Ferreira de Souza
Vice-Presidente - Luiza Pastora Lopes
1º Secretário - João Graciliano de Queiroz
2º Secretário - Juvenal Fernandes da Silva
Tesoureiro - Raul Torres do Nascimento

Conselho Fiscal:
João Morgado
Antônio Berto de Oliveira
Osvaldo Vieira Cabral

O trabalho persistente e eficaz dos pioneiros produziu os resultados almejados. Já em 1962 estava edificado o prédio que abrigaria a sede do Centro Espírita Filhos do Calvário (foto). Em 27 anos de proveitosa atuação, se amplia a ação social da entidade que hoje se caracteriza pelas seguintes iniciativas assistenciais: distribui dois enxovais para recém-nascidos por mês; oferece uma vez por semana, uma sopa de carne e verdura a uma centena de crianças e adultos carentes; faz complementação alimentar, semanalmente, para algumas famílias necessitadas; distrubui durante o Natal, roupas e brinquedos para as crianças pobres; distribui gratuitamente medicamentos aos enfermos desamparados, além de muitos outros benefícios que presta em situações emergenciais.
A parte social, evangélica e recreativa do Centro é enriquecida por palestras, conferências e representações teatrais. Sociólogos, psicológos, assistentes sociais, doutrinadores, como o grande Divaldo Franco, têm prestigiado com a sua inteligência e os seus conhecimentos a obra benemérita do Centro Espírita Filhos do Calvário que vem imprimindo à cidade de Queimadas o sinal positivo da sua presença dirigida para o bem comum.
O grupo dirigente da instituição está assim constituído, atualmente: Serapião Andrade, Edméa Andrade Torres, Silene Silva, Nair Barreto, Zima Cabral, Cideilda Lantyer, Maria Alves de Andrade, Floriano Oliveira, Paulo Marcelo Lantyer Marques, Antonio Berto, Maria Elita Salles e outros.(dados de 1983)
O Centro Espírita Filhos do Calvário é de orientação Kardecista e tem prestado, através dos seus anos de existência, relevantes serviços à comunidade queimadense.

Fonte: ( Nonato Marques. Santo Antônio das Queimadas. pag.173/174 )

terça-feira, 19 de julho de 2016

Joana de Cusa


      Entre a multidão que invariavelmente acompanhava a Jesus nas pregações do lago, achava-se sempre uma mulher de rara dedicação e nobre caráter, das   mais altamente colocadas na sociedade de Cafarnaum. Tratava-se de Joana, consorte de Cusa, intendente de Ântipas, na cidade onde se conjugavam interesses vitais de comerciantes e de pescadores.

      Joana possuía verdadeira fé; contudo, não conseguiu forrar-se às amarguras domésticas, porque seu companheiro de lutas não aceitava as claridades do Evangelho. Considerando seus dissabores íntimos, a nobre dama procurou o Messias, numa ocasião em que ele descansava em casa de Simão, e lhe expôs a longa série de suas contrariedades e padecimentos. O esposo não tolerava a doutrina do Mestre. Alto funcionário de Herodes, em perene contacto com os representantes do Império, repartia as suas preferências religiosas, ora com os interesses da comunidade judaica, ora com os deuses romanos, o que lhe permitia viver em tranqüilidade fácil e rendosa. Joana confessou ao Mestre os seus  temores, suas lutas e desgostos no ambiente doméstico, expondo suas amarguras em face das divergências religiosas existentes entre ela e o companheiro.

      Após ouvir-lhe a longa exposição, Jesus lhe ponderou:

      – Joana, só há um Deus, que é o Nosso Pai, e só existe uma fé para as nossas relações com o seu amor. Certas manifestações religiosas, no mundo, muitas vezes não passam de vícios populares nos hábitos exteriores. Todos os templos da Terra são de pedra; eu venho, em nome de Deus, abrir o templo da fé viva no coração dos homens. Entre o sincero discípulo do Evangelho e os erros milenários do mundo, começa a travar-se o combate sem sangue da redenção espiritual. Agradece ao Pai o haver-te julgado digna do bom trabalho, desde agora. Teu esposo não te compreende a alma sensível? Compreender-te-á um dia. eviano e indiferente? Ama-o, mesmo assim. Não te acharias ligada a ele se não houvesse para isso razão justa. Servindo-o com amorosa dedicação, estarás cumprindo a vontade de Deus. Falas-me de teus receios e de uas dúvidas. Deves, pelo Evangelho, amá-lo ainda mais. Os sãos não precisam de médico. Além disso, não poderemos colher uvas nos abrolhos, mas podemos amanhar o solo que produziu cardos envenenados, a fim de cultivarmos nele mesmo a videira maravilhosa do amor e da vida.

      Joana deixava entrever no brilho suave dos olhos a íntima satisfação que aqueles esclarecimentos lhe causavam; mas, patenteando todo o seu estado dalma, interrogou:

      – Mestre, vossa palavra me alivia o espírito atormentado; entretanto, sinto dificuldade extrema para um entendimento recíproco no ambiente do meu lar. Não julgais acertado que lute por impor os vossos princípios? Agindo assim, não estarei reformando o meu esposo para o céu e para o vosso reino?

      O Cristo sorriu serenamente e retrucou:

      – Quem sentirá mais dificuldade em estender as mãos fraternas, será o que atingiu as margens seguras do conhecimento com o Pai, ou aquele que ainda se debate entre as ondas da ignorância ou da desolação, da inconstância ou da indolência do espírito? Quanto à imposição das idéias – continuou Jesus, acentuando a importância de suas palavras -, por que motivo Deus não impõe a sua verdade e o seu amor aos tiranos da Terra? Por que não fulmina com um raio o conquistador desalmado que espalha a miséria e a destruição, com as forças sinistras da guerra? A sabedoria celeste não extermina as paixões: transforma-as. Aquele que semeou o mundo de cadáveres desperta, às vezes, para Deus, apenas com uma lágrima. O Pai não impõe a reforma a seus filhos: esclarece-os no momento oportuno. Joana, o apostolado do Evangelho é o de colaboração com o céu, nos grandes princípios da redenção. Sê fiel a Deus, amando o teu companheiro do mundo, como se fora teu filho. Não percas tempo em discutir o que não seja razoável. Deus não trava contendas com as suas criaturas e trabalha em silêncio, por toda a Criação. Vai!… Esforça-te também no silêncio e, quando convocada ao esclarecimento, fala o verbo doce ou enérgico da salvação, segundo as circunstâncias! Volta ao lar e ama o teu companheiro como o material divino que o céu colocou em tuas mãos para que talhes uma obra de vida, sabedoria e amor!… Joana de Cusa experimentava um brando alívio no coração.

      Enviando a Jesus um olhar de carinhoso agradecimento, ainda lhe ouviu as últimas palavras:

      – Vai, filha!… Sê fiel!

*

      Desde esse dia, memorável para a sua existência, a mulher de Cusa experimentou na alma a claridade constante de uma resignação sempre pronta ao bom trabalho e sempre ativa para a compreensão de Deus. Como se o ensinamento do Mestre estivesse agora gravado indelevelmente em sua alma, considerou que, antes de ser esposa na Terra, já era filha daquele Pai que, do Céu, lhe conhecia a generosidade e os sacrifícios. Seu espírito divisou em todos os labores uma luz sagrada e oculta. Procurou esquecer todas as características inferiores do companheiro, para observar somente o que possuía ele de bom, desenvolvendo, nas menores oportunidades, o embrião vacilante de suas virtudes eternas. Mais tarde, o céu lhe enviou um filhinho, que veio duplicar os seus trabalhos; ela, porém, sem olvidar as recomendações de fidelidade que Jesus lhe havia feito, transformava suas dores num hino de triunfo silencioso em cada dia. Os anos passaram e o esforço perseverante lhe multiplicou os bens da fé, na marcha laboriosa do conhecimento da vida. As perseguições políticas desabaram sobre a existência do seu companheiro. Joana, contudo, se mantinha firme. Torturado pelas idéias odiosas de vingança, pelas dívidas insolváveis, pelas vaidades feridas, pelas moléstias que lhe verminaram o corpo, o ex-intendente de Ântipas voltou ao plano espiritual, numa noite de sombras tempestuosas. Sua esposa, todavia, suportou os dissabores mais amargos, fiel aos seus ideais divinos edificados na confiança sincera. Premida pelas necessidades mais duras, a nobre dama de Cafarnaum procurou trabalho para se manter com o filhinho que Deus lhe confiara. Algumas amigas lhe chamaram a atenção, tomadas de respeito humano. Joana, no entanto, buscou esclarecê-las, alegando que Jesus igualmente havia trabalhado, calejando as mãos nos serrotes de modesta carpintaria e que, submetendo-se ela a uma situação de subalternidade no mundo, se dedicara primeiramente ao Cristo, de quem se havia feito escrava devotada.

      Cheia de alegria sincera, a viúva de Cusa esqueceu o conforto da nobreza material, dedicou-se aos filhos de outras mães, ocupou-se com os mais subalternos afazeres domésticos, para que seu filhinho tivesse pão. Mais tarde, quando a neve das experiências do mundo lhe alvejou os primeiros anéis da fronte, uma galera romana a conduzia em seu bojo, na qualidade de serva humilde.

*

      No ano 68, quando as perseguições ao Cristianismo iam intensas, vamos encontrar, num dos espetáculos sucessivos do circo, uma velha discípula do Senhor amarrada ao poste do martírio, ao lado de um homem novo, que era seu filho.

      Ante o vozerio do povo, foram ordenadas as primeiras flagelações.

      – Abjura!… – exclama um executor das ordens imperiais, de olhar cruel e sombrio.

      A antiga discípula do Senhor contempla o céu, sem uma palavra de negação ou de queixa. Então o açoite vibra sobre o rapaz seminu, que exclama, entre lágrimas:

      – “Repudia a Jesus, minha mãe!… Não vês que nos perdemos?! Abjura!.. . por mim, que sou teu filho!…

      Pela primeira vez, dos olhos da mártir corre a fonte abundante das lágrimas. As rogativas do filho são espadas de angústia que lhe retalham o coração.

      – Abjura!… Abjura!

      Joana ouve aqueles gritos, recordando a existência inteira. O lar risonho e festivo, as horas de ventura, os desgostos domésticos, as emoções maternais, os fracassos do esposo, sua desesperação e sua morte, a viuvez, a desolação e as necessidades mais duras… Em seguida, ante os apelos desesperados do filhinho, recordou que Maria também fora mãe e, vendo o seu Jesus crucificado no madeiro da infâmia, soubera conformar-se com os desígnios divinos. Acima de todas as recordações, como alegria suprema de sua vida, pareceu-lhe ouvir ainda o Mestre, em casa de Pedro, a lhe dizer: – “Vai filha! Sê fiel!” Então, possuída de força sobre-humana, a viúva de Cusa contemplou a primeira vítima ensangüentada e, fixando no jovem um olhar profundo e inexprimível, na sua dor e na sua ternura, exclamou firmemente:

      – Cala-te, meu filho! Jesus era puro e não desdenhou o sacrifício. Saibamos sofrer na hora dolorosa, porque, acima de todas as felicidades transitorias do mundo, é preciso ser fiel a Deus!

      A esse tempo, com os aplausos delirantes do povo, os verdugos lhe incendiavam, em derredor, achas de lenha embebidas em resina inflamável. Em poucos instantes, as labaredas lamberam-lhe o corpo envelhecido. Joana de Cusa contemplou com serenidade a massa de povo que lhe não entendia o sacrifício. Os gemidos de dor lhe morriam abafados no peito opresso. Os algozes da mártir cercaram-lhe de impropérios a fogueira:

      – O teu Cristo soube apenas ensinar-te a morrer? – perguntou um dos verdugos.

      A velha discípula, concentrando a sua capacidade de resistência, teve ainda forças para murmurar:

      – Não apenas a morrer, mas também a vos amar!…

      Nesse instante, sentiu que a mão consoladora do Mestre lhe tocava suavemente os ombros, e lhe escutou a voz carinhosa e inesquecível: tem bom ânimo!… Joana Eu aqui estou!…



(do Livro Boa Nova, pelo Espírito Humberto de Campos, psicografia de Francisco Cândido Xavier)

domingo, 17 de abril de 2016

Johann Heinrich Pestalozzi - Biografia

Conheça alguns dados sobre o instrutor pedagógico de Allan kardec

Johann Pestalozzi nasceu em Zurique, Suíça, em 1746 e faleceu em 1827.

Exerceu grande influência no pensamento educacional e foi um grande adepto da educação pública.

Democratizou a educação, proclamando ser o direito absoluto de toda criança ter plenamente desenvolvidos os poderes dados por Deus. Seu entusiasmo obrigou governantes a se interessarem pela educação das crianças das classes desfavorecidas. Podemos dizer que ele psicologizou a educação, pois quando ainda não havia a estruturação de uma ciência psicológica e embora seus conhecimentos da natureza da mente humana fossem vagos, viu claramente que uma teoria e prática corretas de educação deviam ser baseada em tal tipo de conhecimentos.

Em 1782, em seu primeiro livro: Leonardo e Gertrudes, expressa suas idéias educacionais, mas, a obra não foi considerada como um tratado educativo pelas figuras importantes da época.

Pestalozzi decide ser mestre-escola, e vai então, em sua escola, procurar aplicar suas idéias educacionais. Para ele a escola deveria aproximar-se de uma casa bem organizada, pois o lar era a melhor instituição de educação, base para a formação moral, política e religiosa.
Em sua escola, mestres e alunos (meninos e adolescentes ) permaneciam juntos o dia todo, dormindo em quartos comuns.

Vídeo do método de Pestalozzi




Organização da escola:
As turmas eram formadas com os menores de oito anos, com os alunos entre oito e onze anos e outra turma com idades de onze a dezoito anos.
As atividades escolares duravam das 8:00 as 17:00 horas e eram desenvolvidas de modo flexível; os alunos rezavam, tomavam banho, faziam o desjejum, faziam as primeiras lições, havendo um curto intervalo entre elas.
Duas tardes por semana eram livres, e os alunos realizavam excursões.
Os problemas disciplinares eram discutidos à noite; ele condenava a coerção, as recompensas e punições.

Situação educacional vigente enquanto Pestalozzi introduzia suas reformas educacionais:

A igreja controlava praticamente todas as escolas e não havia preocupações com a melhoria da qualidade; as classes privilegiadas desprezavam o povo, os professores não possuíam habilitação, existiam pouquíssimos prédios escolares e a ênfase educacional era dada à memória. A revolução suíça ocorrida em 1799 havia liberado a classe desfavorecida e, segundo Pestalozzi, somente a educação poderia contribuir para que o povo conservasse os direitos conquistados, isto é, a educação poderia mudar a terrível condição de vida do povo.

Princípios Educacionais e Contribuições de Pestalozzi
O desenvolvimento é orgânico, sendo que a criança se desenvolve por leis definidas; a gradação deve ser respeitada; o método deve seguir a natureza; a impressão sensorial é fundamental e os sentidos devem estar em contato direto com os objetos; a mente é ativa; o professor é comparado ao jardineiro que providência as condições propícias para o crescimento das plantas.
Crença na educação como o meio supremo para o aperfeiçoamento individual e social.
Fundamentação da educação no desenvolvimento orgânico mais que na transmissão de idéias memorizáveis.
A educação começa com a percepção de objetos concretos e conseqüentemente com a realização de ações concretas e a experimentação de respostas emocionais reais.
O desenvolvimento é uma aquisição gradativa, cada forma de instrução deve progredir de modo lento e gradativo.
Conceituação de disciplina baseada na boa vontade recíproca e na cooperação entre aluno e professor.
Introdução de novos recursos metodológicos.
Deu impulso à formação de professores e ao estudo da educação como uma ciência.

Pestallozzi e sua equipe elaboram materiais pedagógicos, voltados a linguagem, Matemática, ciências, geografia, história e música. E assim, ele afirma: (Apud: SEE-RJ - http://www.riojaneiro.rj.gov.br/rio.html)


"A Educação se constrói numa tensão permanente entre os desejos do homem natural individual e o desenvolvimento da natureza humana universal. A educação produzirá a universalidade a partir das particularidades e da mesma forma a particularidade a partir da universalidade".

Fonte: www.centrorefeducacional.com.br

domingo, 27 de março de 2016

Miguel de Oliveira Couto




Médico clínico geral e sanitarista, político e professor brasileiro nascido na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império, que dedicou parte de sua vida profissional à melhoria das condições de saúde popular, pela pesquisa e divulgação dos princípios de higiene e deixou extensa obra nesse setor. Era filho de Francisco de Oliveira Couto e de Maria Rosa do Espírito Santo, freqüentou o Colégio Briggs e diplomou-se pela Academia Imperial de Medicina (1883), no Rio de Janeiro. Tornou-se assistente da cadeira de Clínica Médica até se doutorar (1885), dois anos em que foi interno da Santa Casa de Misericórdia e ao mesmo tempo assistente, por concurso, da cadeira de clínica médica, regida por João Vicente Torres Homem. Foi admitido na Academia Nacional de Medicina (1896), como membro titular, com o trabalho Desordens funcionais do pneumogástrico na influenza. Ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro como lente, por concurso (1898) e tornou-se professor de clínica propedêutica (1901), substituindo o notável professor Francisco de Castro. Foi eleito presidente da Academia Nacional de Medicina (1914) e reconduzido ao cargo sucessivamente. Membro da Academia Brasileira de Letras (1916) e empossado trÊs anos depois (1919), tornou-se presidente honorário da Associação Brasileira de Educação (1927). Na cerimônia em que lhe foi conferido o título, proferiu conferência cujo título se tornou um lema da ABE na época: No Brasil só há um problema: a educação do povo. Eleito deputado pelo Distrito Federal, atual cidade do Rio de Janeiro, para a Assembléia Nacional Constituinte (1933), obteve a aprovação do projeto que destinava dez por cento das rendas da União para a instrução popular. Membro de numerosas instituições científicas nacionais e internacionais, como da Société Médicale des Hôpitaux de Paris, e doutor honoris causa da Universidade de Buenos Aires, recebeu as medalhas da Instrução Pública da Venezuela e da Coroa da Bélgica.  Poliglota e profundo conhecedor da língua portuguesa., participou de vários congressos de Medicina nos quais se destacou pela sua competência profissional, sendo considerado um dos mais notáveis clínicos de sua época e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, então capital da República, aos 69 anos. De sua vasta obra, entre suas obras destacaram-se Clínica médica (1923), Nações que surgem, nações que imergem (1925) e A medicina e a cultura (1932), além de Contribuição para o estudo das desordens funcionais do pneumogástrico na influenza, A gangrena gasosa fulminante e Diagnóstico precoce da febre amarela pelo exame espectroscópico da urina. Radical em seus conceitos, uma das suas teses político-científicas mais famosas e polêmicas foi sobre o darwinismo social e de eugenia racial. Esta idéia propunha a necessidade do branqueamento da população brasileira e o fim da imigração dos degenerados aborígenes orientais. O resultado foi a aprovação por larga maioria de uma emenda constitucional que estabelecia cotas de imigração sem fazer menção a raça ou nacionalidade e proibia a concentração populacional de imigrantes. Segundo o texto constitucional, o Brasil só poderia receber em por ano no máximo 2% do total de ingressantes da cada nacionalidade que tinha sido recebida nos últimos 50 anos. Esta política de cotas não afetou a imigração de europeus, mas prejudicou a imigração de japoneses e, futuramente, de chineses e coreanos. Pai de Miguel Couto Filho, e de Elza Couto Bastos Netto, em sua homenagem foi nomeado o famoso Hospital Municipal Miguel Couto, na cidade do Rio de Janeiro, referência nacional em ortopedia e traumatologia.
Figura copiada de página do site do IHGS:
http://www.ihgs.com.br/


https://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_Couto_Filho