domingo, 27 de maio de 2012

Ermance Dufaux - Biografia


Ermance De La Jonchére Dufaux nasceu em 1841, na cidade de Fontainebleau, França. Próxima a Paris, abrigava a residência oficial de Napoleão III e de outros nobres. O pai de Ermance, rico produtor de vinho e trigo, era um deles. Tradicional, a família Dufaux residia num castelo medieval, herança de seus antepassados.
Em 1853, a filha dos Dufaux começou a apresentar inquietante desequilíbrio nervoso e a fazer premonições. Por causa desse problema, seu pai procurou o célebre médico Cléver De Maldigny.
Pelo relato do Sr. Dufaux, o médico disse que Ermance parecia estar sofrendo de um novo distúrbio nervoso, que havia feito diversas vítimas na América e que, agora, estava chegando à Europa. As vítimas da doença entravam numa espécie de transe histérico e começavam a receber hipotéticas mensagens do Além.
O médico aconselhou o Sr. Dufaux a trazer Ermance a seu consultório, o mais rápido possível. Assim foi feito. Alguns dias depois, a mocinha comparecia à consulta.
Maldigny colocou um lápis na mão da menina e pediu que ela escrevesse o que lhe fosse impulsionado. Ermance começou a rir, gracejando, mas, de súbito, seu braço tomou vida própria e começou a escrever sozinho. Ao ver-se dominada por uma força estranha, Ermance assustou-se, largou o lápis e não quis continuar a experiência.
Maldigny examinou o papel e confirmou seu diagnóstico. Os pais de Ermance ficaram extremamente preocupados. Como a família era famosa na corte, a notícia logo se espalhou em Paris e Fontainebleau, chegando aos ouvidos do Marquês de Mirvile, famoso estudioso doMagnetismo.
O Marquês visitou o castelo dos Dufaux e pediu para examinar Ermance. Os pais aquiesceram, mas a mocinha teve que ser convencida. Por fim, Ermance colocou-se em posição de escrever e Mirvile perguntou ao invisível:
- Está presente o Espírito em que penso? Em caso positivo, queira escrever seu nome por intermédio da garota.
A mão de Ermance começou a se mover e escreveu:
- Não, mas um de seus parentes remotos.
- Pode escrever seu nome?
- Prefiro que meu nome venha diretamente à sua cabeça. Pense um instante.
- São Luís, rei de França (1), primo do primeiro nobre de minha família?
- Sim, eu mesmo.
- Vossa Majestade pode dar-me um prova de que é realmente o nosso grande rei?
- Ninguém nesta casa sabe que você e seus parentes me consideram o Anjo da Guarda da família.
Se Maligny via o caso de Ermance como doença, o Marquês também tinha suas explicações preconcebidas. Na sua opinião, ela apenas captava as idéias e pensamentos presentes no ambiente. Isso na melhor das hipóteses. Na pior, a jovem estava sendo intérprete do Diabo, pois, como católico, ele não acreditava que os mortos pudessem se comunicar. Uma análise conclusiva deveria ser feita pela Academia de Ciências de Paris.
O Sr. Dufaux, no entanto, não levou o caso adiante. Embora também fosse católico, ele preferiu acreditar que sua filha não era doente ou possessa, mas apenas uma intermediária entre os vivos e os mortos. A família foi se acostumando com o fato e a faculdade de Ermance passou a ser vista como uma coisa natural e positiva.
Os contatos com São Luís passaram a ser frequentes. Sob seu influxo, ela escreveu a autobiografia póstuma do rei canonizado, intitulada "A história de Luís IX, ditada por ele mesmo". Em 1854, esse texto foi publicado em livro, mas a Censura do Governo de Napoleão III proibiu a sua distribuição. Os censores acharam que algumas passagens podiam ser entendidas como críticas ao Imperador e à Igreja.
O posicionamento favorável dos Dufaux ao neo-espiritualismo (spiritualisme) gerou retaliações. Numa confissão, Ermance recusou-se a negar sua crença nos Espíritos, atribuindo suas mensagens a Satanás, e foi proibida de comungar. A Imperatriz também esfriou seu relacionamento com a família. No entanto, o Imperador Napoleão III ficou curioso e pediu para conhecer a Srta. Dufaux.
Ela foi recepcionada no Palácio de Fontainebleau e recebeu uma mensagem de Napoleão Bonaparte para o sobrinho. A mensagem respondia a uma pergunta mental de Luís Napoleão e seu estilo correspondia exatamente ao de Bonaparte.
Com o tempo, os Espíritos também começaram a falar por Ermance. Em 1855, com 14 anos, Ermance publica seu segundo livro "spiritualiste" (na época, não existiam os termos espírita, mediunidade, etc). O primeiro a ser distribuído e vendido: "A história de Joana D'Arc, ditada por ela mesma" (Editora Meluu, Paris).
Segundo Canuto Abreu, a família Dufaux conheceu Allan Kardec na noite do dia 18 de abril de 1857. O Codificador teria dado uma pequena recepção em seu apartamento e os Dufaux foram levados por Madame Planemaison, grande amiga do professor lionês.
No final da reunião, Ermance recebeu uma belíssima mensagem de São Luís, que, a partir dali, tornaria-se uma espécie de supervisor espiritual dos trabalhos do Mestre. Segundo o ex-rei, Ermance, assim como Kardec, era uma druidesa reencarnada. Os laços entre os dois se estreitaram e ela se tornou a principal médium das reuniões domésticas do Prof. Rivail.
No final de 1857, Kardec teve a idéia de publicar um periódico espírita e quis ouvir a opinião dos guias espirituais. Ermance foi a médium escolhida e, através dela, um Espírito deu várias e ótimas orientações ao Mestre de Lion. O órgão ganhou o nome de "Revista Espírita" e foi lançado em Janeiro do ano seguinte.
Como o apartamento de Allan Kardec ficou pequeno para o grande número de frequentadores da sua reunião, alguns dos participantes decidiram alugar um local maior.
Para isso, porém, precisavam de uma autorização legal. O Sr. Dufaux encarregou-se de obter o aval das autoridades, conseguindo em quinze dias o que, normalmente, levaria três meses. Conquistada a liberação, o Codificador e seus discípulos fundaram a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em Abril de 1858. Ermance foi uma das sócias fundadoras.
Durante o ano de 1858, Ermance recebeu mais duas autobiografias mediúnicas. Desta vez, os autores foram os reis franceses Luís XI e Carlos VIII. O Codificador elogiou o trabalho da Srta. Dufaux (2) e transcreveu trechos das "Confissões de Luís XI" na Revista Espírita(3). Nesse mesmo ano, Kardec divulgou três mensagens psicografadas pela jovem sensitiva (4). Não temos notícia sobre a possível publicação das memórias de Carlos VIII.

Canuto Abreu revelou que Rivail a utilizou como médium na revisão da 2ª edição de O Livro dos Espíritos.
Em 1859, Ermance não é mais citada como membro da SPEE nas páginas do mensário kardeciano. Isso leva-nos a crer que ela teria saído da Sociedade. Outro indício dessa suposição é que São Luís passou a se comunicar através de outros sensitivos (Sr. Rose, Sr. Collin, Sra. Costel e Srta. Huet). Não há, igualmente, registros da continuidade do seu trabalho em outros grupos.
O que teria acontecido com Ermance? Teria casado e deixado a militância, como Ruth Japhet e as meninas Baudin? Teria se desentendido com Kardec? Teria mudado da França? Teria desanimado com o Espiritismo? São perguntas que só ela poderia responder. Seja como for, o Codificador continuou a divulgar seu trabalho. Em 1860, ele noticiou a reedição de "A história de Joana D'Arc ditada por ela mesma", pela Livraria Lendoyen de Paris.
Em 1861, enviou vários exemplares desse livro, junto com suas obras, para o editor francês Maurice Lachâtre, que se encontrava exilado em Barcelona, Espanha. O objetivo era a divulgação do Espiritismo em solo espanhol. Esses volumes acabaram confiscados e queimados em praça pública pela Igreja Católica no famoso Auto-de-fé de Barcelona.
"A história de Luís IX ditada por ele mesmo", foi liberada pela Censura e finalmente publicada pela revista La Verité de Paris em 1864. No início de 1997, a editora brasileira Edições LFU traduziu "A história de Joana D'Arc" para o português.
NOTAS:
(1) Rei francês, filho de Luís VIII e Branca de Castela, nascido em 1215, coroado em 1226 e morto em 1270. Luís IX teve um reinado bastante conturbado. Até 1236 enfrentou a Revolta dos Vassalos e a Guerra dos Albigenses. Venceu duas batalhas contra os ingleses em 1242. Em 1249, organizou uma Cruzada, foi vencido e aprisionado. Resgatado, ficou na Palestina até 1252, quando voltou à França. Empreendeu mais uma Cruzada e morreu de peste ao desembarcar em Tunis. Foi canonizado pela Igreja em 1297.
(2) Página 30 do Volume 1858, EDICEL.
(3) Páginas 73, 148 e 175, ibidem.
(4) Páginas 137, 167 e 317, ibidem.

BIBLIOGRAFIA:

ABREU, 1992.
KARDEC, 1993.
KARDEC, ?
_____________
Algumas Informações Adicionais sobre Ermance Dufaux (GEAE)
Pesquisando na Internet verificamos que Ermance Dufaux publicou livros na década de 1880 que foram citados em obras de outros autores e traduzidos para outras linguas. Edições impressas ainda existem a venda em sites de livros raros e versões digitalizadas podem ser encontradas no site da Biblioteca Nacional da França.
Algumas das referências que encontramos:
1) No site da Biblioteca do Congresso Americano há uma página dedicada a preservação da memória americana com a digitalização de obras raras (http://memory.loc.gov/ammem/index.html). Encontramos nesse site um livro de 1909 - Traité Pratique et Thèorique de La Danse (Tratado Teórico e Prático da Dança, BOURGEOIS, 1909) - que traz na sua bibliografia a indicação de duas obras em nome de Ermance Dufaux. Não há dadas de publicação indicadas:
Le savoir-vivre dans la vie ordinaire et les cérémonies civiles et religieuses, par Ermance Dufaux. 1 vol. in-18 (O saber viver na vida cotidiana e nas cerimônias civis e religiosas).
L'enfant, hygiène et soins médicaux pour le premier âge; par Ermance Dufaux de la Jonchère. Nombreuses gravures. 1 vol. in-18 (A criança, higiene e cuidados médicos na primeira idade).

2) No site da Amazon Books em francês há a indicação de uma obra histórica de Ermance Dufaux de 1885:
La vie du vaillant bertrand du guesclin, de d'Aprés les Chanson de Geste du Trouvère, Tx Rajeuni par E. Dufaux de la Jonchere. Description: dos léger , cartonnage perca. décoré édition tranche dorées, illustration de Tofani in et hors texte Garnier , 1885. (A vida do Valoroso Bertrand du Guesclin, conforme as canções de gesta dos trovadores, em prosa contemporânea por E. Dufaux de la Jonchere).

3) A página do DICTIONNAIRE DES AUTEURS / ECRIVAINS traz a seguinte relação de obras de Ermance Dufaux:
Auteur : DUFAUX DE LA JONCHERE ERMANCE
Livre : LE SAVOIR-VIVRE DANS LA VIE ORDINAIRE ET DANS LES CEREMONIES CIVILES ET RELIGIEUSES
Edité par Garnier freres - Paris en s.d.(ca 1883)
Auteur : DUFAUX DE LA JONCHERE (MLLE E.)
Livre : LA VIE DU VAILLANT BERTRAND DU GUESCLIN, D'APRES LA CHANSON DE GESTE DU TROUVERE CUVELIER ET LA CHRONIQUE EN PROSE CONTEMPORAINE. Edité par Garnier - Paris en 1885
Auteur : DUFAUX ERMANCE
Livre : HISTOIRE DE JEANNE D'ARC PAR ELLE MEME
Edité par Philman - Paris le 25/09/2000
Auteur : DUFAUX ERMANCE
Livre : LE SAVOIR-FAIRE DANS LA VIE ORDINAIRE ET DANS LES CEREMONIES CIVILES ET RELIGIEUSES
Paris en 1883

4) O livro de Ermance Dufaux sobre higiene e cuidados na infância teve uma tradução para o espanhol em 1888. Esta informação foi encontrada em um site de leilões: Durán Sebastas de Artes (acesso 25/09/2006):
DUFAUX DE LA JONCHERE, Erm.- "EL NIÑO Higiene y cuidados maternales dela infancia PARA USO DE LAS MADRES JOVENES Y DE LAS NODRIZAS... Versión castellana anotada y arreglada por D. Gonzalo de Lorenzo". París, Garnier Hermanos. 1888. 8º, tela edit., estamp. 475 pgs. Figuras en texto.
5) No site Gallica da Biblioteca Nacional da França está disponível para consulta e download o livro Le Saivoir-Vivre e no seu início há uma carta datada de 1883.
6) No mesmo site há outro livro dela de 1884:
Ce que les maîtres et les domestiques doivent savoir [Texte imprimé] / par Mlle E. Dufaux de la Jonchère (O que os patrões e os criados domésticos devem saber). Paris : Garnier frères, 1884. 461-36 p. Sujet: Employeur et employé (droit) -- 19e siècle.

Vários livros de autoria espiritual de Ermance Dufaux foram psicografados através do médium Wanderley Soares de Oliveira a partir de 2000. Segundo o site da Livraria Espírita Candeia, Wanderley atua em Belo Horizonte (MG) como expositor e médium. Os livros são publicados pela editora Dufaux:
Seara Bendita (2000 - em parceria com outros espíritos)
Laços de Afeto (2002)
Mereça ser Feliz (2002)
Reforma Íntima sem Martírio (2003)
Unidos Pelo Amor (2004 - em parceria com outros espíritos)
Atitude de Amor (opúsculo - em parceria com outros espíritos)
Lírios de Esperança (2005)
Escutando Sentimentos (2006)

Referências Bibliográficas
ABREU, S. C. O Livro dos Espíritos e sua Tradição Histórica e Lendária. São Paulo: Edições LFU, 1992.
BOURGEOIS, E. Traité pratique et théorique de la danse. Paris: Garnier frères, 1909. Disponível em: http://memory.loc.gov/cgi-bin/query/r?ammem/musdi:@field(DOCID+@lit(musdi235)). Acesso em 25 de setembro de 2006.
DOYLE, A. C. The History of Spiritualism - Vol I. Australia: Projeto Guttemberg, 2003. Disponível em: http://gutenberg.net.au/ebooks03/0301051.txt

DUBY. G. Histoire de La France. 3. ed. Paris: Larousse, 2003
KARDEC, A. Coleção da Revista Espírita. São Paulo: EDICEL, ?
______. Obras Póstumas (Coleção das Obras Completas de Allan Kardec - Volume XIX). São Paulo: EDICEL, 1976.
______. Obras Póstumas. Rio de Janeiro: FEB, 1993
______. Revista Espírita - 1858. Tradução Salvador Gentile. 1.a ed. São Paulo: Mundo Maior Editoria, 2003.
MORAL, A. M. El Segundo Imperio. Historia y Vida - n° 413. Barcelona (Espanha): Editora Mundo Revistas, agosto de 2002.

WANTUIL, Z.; THIESEN, F. Allan Kardec. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1979

WIKIPEDIA. Bernadette Soubirous. In: WIKIPEDIA, The Free Encyclopedia. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/St_Bernadette. Acesso em 19 de setembro de 2006.
Boletim GEAE 519

Parábola contada pelo espírito Joanna de Ângelis a Divaldo Franco.


Em 1962, Divaldo passou por uma grande provação, ficando vários dias sem condições de conciliar o sono, hora nenhuma, o que lhe trouxera constante dor de cabeça.
Numa ocasião, não suportando mais, quando Joanna lhe apareceu, ele lhe falou:
- Minha irmã, a senhora sabe que eu estou passando por um grande problema, uma grande injustiça, e não me diz nada?
- Por isso mesmo eu não te digo nada, porque é uma injustiça. E como é uma injustiça, não tem valor, Divaldo.
- Tu és quem está dando valor e quem dá valor à mentira, deve sofrer o efeito da mentira.
Porque, se tu sabes que não é verdade, por que estás sofrendo? Eu não já escrevi por tuas mãos:
“Não valorizes o mal”?
- Não tenho outro conselho a dar-te.
- Mas, minha irmã, pelo menos me diga umas palavras de conforto moral, porque eu não tenho a quem pedir.
- Então, ela falou:
- Vou dar-te palavras de conforto. Não esperes muito.
- E contou-lhe a seguinte parábola:
Havia uma fonte pequena e insignificante, que estava perdida num bosque. Um dia, alguém por ali passando, com sede, atirou um balde e retirou água, sorvendo-a em seguida e se foi.
A fonte ficou tão feliz que disse de si para consigo:
Como eu gostaria de poder dessedentar os viandantes, já que sou uma água preciosa!
E orou a Deus:
- Ajuda-me a dessedentar!
Deus deu-lhe o poder. A fonte cresceu e veio à borda. As aves e os animais começaram a sorvê-la e ela ficou feliz.
A fonte propôs:
- Que bom é ser útil, matar a sede. Eu gostaria de pedir a Deus que me levasse além dos meus limites, para umedecer as raízes das árvores e correr a céu aberto.
Veio então a chuva, ela transbordou e tomou-se um córrego.
Animais, aves, homens, crianças e plantas beneficiaram-se dela.
A fonte falou:
- Meu Deus, que bom é ser um córrego! Como eu gostaria de chegar ao mar!
E Deus fez chover abundantemente, informando:
Segue, porque a fatalidade dos córregos e dos rios é alcançar o delta e atingir o mar. Vai!
E o riacho tomou-se um rio, o rio avolumou as águas. Mas, numa curva do caminho, havia um toro de madeira.
O rio encontrou o seu primeiro impedimento.
Em vez de se queixar, tentou passar por baixo, contornar, mas o tronco de madeira cerceava-lhe os passos. Ele parou, cresceu e o transpôs tranquilamente.
Adiante, havia seixos, pequeninas pedras que ele carregou e outras inamovíveis, cujo volume ele não poderia remover. Ele parou, cresceu e as transpôs, até que chegou ao mar. Compreendeste?
Mais ou menos.
- Todos nós somos fontes de Deus – disse ela.
- E como alguém um dia bebeu da linfa que tu carregavas, pediste para chegar à borda, e Deus, que é amor, atendeu-te.
- Quiseste atender aos sedentos, e Deus te mandou os Amigos Espirituais para tanto. Desejaste crescer, para alcançar o mar e Deus fez que a Sua misericórdia te impelisse na direção do oceano. Estavas feliz.
- Agora, que surgem empecilhos, por que reclamas?
- Não te permitas queixas.
- Se surge um impedimento em teu caminho, cala, cresce, transpõe-no, porque a tua fatalidade é o mar, se é que queres alcançar o oceano da Misericórdia Divina.
- Nunca mais lamentes a respeito de nada.


sábado, 26 de maio de 2012

Prisca e Áquila (Os amigos do jovem de Tarso)


Matéria publicada no Jornal Mundo Espírita - novembro/2005

Foi no oásis de Dan, distante mais de 50 milhas de Palmira, cidade no deserto siro-arábico, fortificada pelo rei judeu Salomão, que Saulo, que viria se tornar o Apóstolo dos gentios, os viu pela primeira vez.

Era um casal harmonioso, onde "o respeito mútuo, a perfeita conformidade de idéias, a elevada noção de deveres...e sobretudo, a alegria sã..." (5) irradiavam de seus menores gestos.

Prisca, também chamada Priscila, tinha servido, quando menina e órfã desamparada, como serva da esposa do irmão de Gamaliel, mestre de Saulo.

Bons operários, segundo o comerciante Ezequias, que os empregava, eram, quando ali chegou Saulo, para o seu exílio espontâneo de 3 anos, os únicos habitantes.

Dedicavam-se à preparação de tapetes de lã e de tecidos resistentes de pelo caprino, para barracas de viagem. Viviam ambos a mocidade e, dotados de bom ânimo, trabalhavam com expressões de alegria.

Prisca era a expressão do carinho. Apreciava entoar velhas canções hebraicas, que ressoavam no grande silêncio do deserto. Concluía as tarefas domésticas e se postava junto ao marido, nas lides do tear, até às horas avançadas do crepúsculo.

Áquila era extremamente dedicado às responsabilidades que lhe competiam, trabalhando sem descanso, à sombra das árvores acolhedoras.

Quando caía a tarde, o casal, depois acompanhado por Saulo, estudava as anotações do apóstolo Levi.

Ambos tinham vivido em Jerusalém e freqüentado as reuniões na Casa do Caminho. Contudo, quando se desencadearam as perseguições comandadas pelo então orgulhoso rabino de Tarso, eles foram presos.

Áquila tinha uma tenda de tecelão e seu pai, uma padaria, que era motivo da cobiça de um certo Jochaí, que várias vezes a desejara adquirir, sem êxito.

Munido de autoridade, o infeliz personagem mandou prender o casal e o pobre velho. Esse, por sua vez, nem era seguidor de Jesus, embora simpatizasse com as idéias.

Áquila e Prisca foram soltos mas o dono da padaria logo teve todos seus bens confiscados e sofreu nas mãos dos algozes as piores torturas. Quando foi devolvido à casa do filho, morreu no dia seguinte. Parecia um fantasma ao ser trazido pelos guardas: ossos quebrados, feridas abertas, o corpo lanhado pelos açoites. Apesar de tudo, o casal não odiava Saulo, pois haviam aprendido com Pedro a perdoar e abençoar o perseguidor.

Quando, passados meses, Saulo se identifica como o perseguidor Saulo de Tarso, recebe o abraço fraterno de Áquila e as melhores considerações de Prisca. Ele já lhes havia conquistado os corações, pela humildade e longos diálogos em torno da Boa Nova.

Ante as revelações do extraordinário encontro de Saulo com Jesus, às portas de Damasco, decidiram que deveriam sair do deserto para proclamar os favores de Jesus pelo mundo inteiro.

Além do Evangelho, tinham agora também as notas da visão de Jesus ressuscitado para ilustrar a sua palavra. Seu sonho maior era ir a Roma e anunciar o Cristo aos irmãos da antiga Lei.

Foi assim que deixaram o oásis, ao ensejo da passagem de uma grande caravana que os conduziu a Palmira, onde foram inicialmente acolhidos com desvelado carinho, pela família de Gamaliel.

Pelo ano 50, Áquila e Prisca tornariam a se reencontrar com Paulo, em Corinto. "Áquila e a companheira falaram longamente dos serviços evangélicos, aos quais haviam sido chamados pela misericórdia de Jesus".(4)

Conforme seu plano, haviam estado em Roma, por algum tempo, fazendo as primeiras pregações do Evangelho. Os judeus lhes haviam declarado guerra e, certa noite, contou Prisca que, estando sozinha, umgrupo de israelitas lhe invadiu a casa e a açoitaram, duramente.

Quando Áquila chegou, a encontrou banhada em sangue. Tudo narram, entre exclamações de regozijo pela honra de servir ao Cristo.

A instâncias de Paulo, empreendem esforços para a fundação de uma Igreja em Corinto.

Em 52, acompanharam Paulo a Éfeso, ali se instalando. Quando um certo Apolo, judeu eloqüente, natural de Alexandria, veio a Éfeso, foram Áquila e Prisca que lhe expuseram minuciosamente a Boa Nova, tendo ele se tornado um pregador.

Com ele, foram a Corinto e pela veemência de sua pregação, convencia publicamente os judeus, mostrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo.

De retorno a Éfeso, Áquila e Prisca sofreram novas perseguições. Sua oficina singela foi totalmente destruída, quebrados os teares, atiradas à rua as peças de couro. O casal foi preso e somente libertado, após a movimentação dos melhores empenhos de Paulo.
Renan, o autor francês, ao se referir à fundação da Igreja de Roma afirma que não se sabe, com exatidão, quem a teria fundado. Afirma, contudo, que com certeza, os membros mais antigos dessa Igreja seriam Áquila e Prisca.

Para Paulo, desde o oásis de Dan foram queridos amigos, que ele tornaria a encontrar em Roma. Chamou-os seus cooperadores em Jesus Cristo, afirmando que expuseram as suas cabeças pela vida dele.

A eles dirigiu, em suas Epístolas, inúmeras saudações, como podem ser encontradas na Primeira Epístola aos Coríntios, 16:19, na Epístola aos Romanos, 16:3-5 e na Segunda Epístola a Timóteo, 4:19.

Bibliografia:

1. MIRANDA, Hermínio C. Os amigos. In:___. As marcas do Cristo. Rio [de Janeiro]: FEB, 1984. v. 1, cap. 4, item Áquila e Prisca.
2. ROPS, Daniel. Para Roma, pelo sangue. In:___. São Paulo, conquistador de Cristo. 2. ed. Portuguesa. Porto: Tavares Martins, 1960. cap. 5, item O prisioneiro de Cristo.
3. VAN DER OSTEN, A . José. In:___. Dicionário enciclopédico da bíblia. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1985, verbetes Áquila, Palmira e Prisca.
4. XAVIER, Francisco Cândido. As Epístolas. In:___. Paulo e Estêvão. ed. especial. Rio de Janeiro: FEB, 2002. pt. II, cap. VII.
5. ______. O tecelão. Op. cit. pt. II, cap. II.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Inácio de Antioquia


Inácio de Antioquia

Seu nome deriva do latim: igne - fogo e natus - nascido. Nascido do fogo, o que corresponde muito bem à sua personalidade: ardente, eloqüente, apaixonado por Cristo e pelo forte desejo de imitar seu Mestre.

Também é cognominado Theoforos - carregado por Deus, por ser identificado como a criança que Jesus tomou nos braços, para dar exemplo da verdadeira pureza (Mateus, 18:2-6).

De sua vida se conhecem alguns dados através de Eusébio de Cesaréia, através de sua História Eclesiástica, que o identifica como tendo assumido a chefia da Igreja de Antioquia.

Antioquia foi fundada por volta do ano 300 a.C., por Seleuco Nicátor, com o nome de Antiokheia (cidade de Antíoco). Tornou-se a capital do império selêucida e grande centro do Oriente helenístico.

Conquistada pelos romanos, por volta de 64 a.C. Conservou seu estatuto de cidade livre e foi a terceira cidade do Império depois de Roma e Alexandria, chegando a abrigar até 500 mil habitantes.

Mereceu a evangelização de Pedro, Paulo e Barnabé. Atualmente é a cidade de Antakya, da Turquia.

Inácio foi encontrado por João, mais ou menos quatro anos após o drama da cruz. Tendo se retirado para Éfeso, onde ganhara um pedaço de terra cultivável, o Apóstolo morava com Maria, a mãe de Jesus.

O local era um ponto geográfico privilegiado, aconchegante, de rara beleza. Logo além podia-se ver o mar bordado pelas velas coloridas das embarcações.

Miosótis, flores miúdas e tamareiras completavam a harmonia do local.

O menino tinha então seus 8 anos e vendo-o, João se lembrou do petiz de perninhas magras, pendendo frouxas e confiantes do colo do Divino Amigo. Pareceu rever, na tela da alma, as divinas mãos acariciando os cabelos desgrenhados daquela criança.

Com ternura, resolveu adotá-lo e o levou para sua casa. Ali, o pequeno cresceu sob a ternura e os carinhos de Maria, enquanto João lhe cultivou o caráter nos ensinos cristãos.

Já adulto, propagador entusiasta da Boa Nova, Inácio de Antioquia foi preso. Tornou-se célebre por sua peregrinação forçada, em cadeias, de Antioquia a Roma.

Qual Paulo de Tarso, em seu caminho para Roma, foi recebendo a visita de cristãos de outras Igrejas, em todo o percurso. Nas paradas que fazia para descanso, escrevia às comunidades que o tinham recebido ou que lhe enviavam representantes. São sete as cartas conhecidas, todas de imenso valor para o conhecimento da história dos primeiros cristãos.

Em sua Epístola a Policarpo de Esmirna (cidade marítima da Ásia Menor, a oeste de Éfeso. Pesquisas arqueológicas a identificam com a colina de Hacimutsoste, a oito quilômetros da atual cidade de Izmir, na Turquia) ele recomenda à comunidade, a união e confessa a sua fé em Jesus Cristo.

"O cristão", afirma ele no cap. 7:3, "não tem poder sobre si mesmo, mas está livre para servir a Deus."

Na Epístola aos Romanos,cap. 4:1-3, temeroso de que, amigos que tinham influência na corte imperial o poderiam impedir de alcançar o martírio, ele escreve: "Eu vos suplico, não mostreis comigo uma caridade inoportuna. Permiti-me ser pasto das feras, por meio das quais me é concedido alcançar a Deus. Sou trigo de Deus, e serei moído pelos dentes das feras, para que me apresente como trigo puro de Cristo.

Ao contrário, acariciai as feras, para que se tornem minha sepultura, e não deixem nada do meu corpo, para que, depois de morto, eu não pese a ninguém...Não vos dou ordens como Pedro e Paulo; eles eram apóstolos, eu sou um condenado. Eles eram livres, e eu até agora sou um escravo. Contudo, se eu sofro, serei um liberto de Jesus Cristo, e ressurgirei nele como pessoa livre. Acorrentado, aprendo agora a não desejar nada."

No cap. seguinte refere-se à luta "...contra as feras, por terra e por mar, de noite e de dia, acorrentado a dez leopardos, a um destacamento de soldados; quando se lhes faz bem, tornam-se piores ainda. Todavia, por seus maus tratos, eu me torno discípulo melhor, mas ‘nem por isso justificado'."

Finalmente, num dia ensolarado e quente, desembarcando no Porto de Óstia, cercado por legionários, seguiu pela Via Ápia. Chegando ao cume de uma colina que circundava a cidade, ele começou a sorrir.

Aquele homem alquebrado, sorria a ponto de comover-se até as lágrimas. Um legionário se aproximou dele, bateu-lhe na face e colérico, lhe falou:

"Tu deves estar louco. Por que sorris?"

Inácio, ainda emocionado, respondeu:

"Sorrio diante de tanta beleza que os meus olhos descortinam. Sorrio porque chego a Roma e vejo uma cidade imponente. Sorrio ao olhar o casario de mármore, as estátuas que rutilam ao sol, as águas prateadas do Tibre que circundam as montanhas como um alaúde. Sorrio..."

Antes que Inácio pudesse prosseguir, o soldado lhe gritou:

"Mas tu vais morrer, miserável. Como podes sorrir?"

"Sorrio", continuou o pregador do Evangelho, "sorrio de felicidade porque agora eu posso ter uma dimensão do amor de Deus. Porque, se para vós, que sois corrompidos, se para vós que sois criminosos, Deus concede uma cidade tão bela e tão harmônica, o que não haverá de oferecer para aqueles que lhe são fiéis?

Sorrio de felicidade, antecipadamente, e desejo que o sofrimento que me apontas venha logo, a fim de que ele me leve..."

Colocado em um subterrâneo, encontrou amigos de fé. Ali, ele se recordou de Jesus e, por várias horas falou-lhes a respeito das bem-aventuranças do reino de Deus.

Uma semana depois, milhares de espectadores lotaram o circo e a arena ovalada se encheu de feras vindas de várias partes do mundo.

Eram feras que não tinham sido alimentadas por uma semana e sobre as quais se atiravam pedaços de carne ensangüentados, cheios de vida para lhes espicaçar o paladar.

Naquela arena, os cristãos foram lançados e os animais, de forma rápida, despedaçaram aqueles corpos frágeis de anciãos, homens, mulheres e crianças, que não se intimidavam diante da morte.

Contudo, de uma forma estranha, Inácio, que se encontrava entre eles, não foi tocado. Esperou que uma patada no tórax lhe despedaçasse os ossos e os músculos. Entretanto, nenhuma fera lhe arrebentou o corpo.

Vendo que os cadáveres dos seus companheiros já estavam sendo rejeitados pelas feras saciadas, ele se ajoelhou na arena ensangüentada e orou a Jesus:

"Por quê? Por que fui poupado? Por que não tive a honra de morrer?"

Então, um ser espiritual se lhe apresentou à visão psíquica e lhe respondeu:

"Inácio, morrer é muito fácil. Perder o corpo numa só vez é um testemunho pequeno para ti. Tu, que amas tanto Jesus, mereces algo mais penoso. Tu viverás. Viverás entre pessoas que não te compreendem, que desconfiarão de ti.

Estar firme no Ideal, Inácio, no momento das dificuldades, este é o sacrifício maior. O Mestre deseja que vivas, para que a Sua mensagem saia da tua boca e experimentes a perseguição continuada, sem desanimar. A morte na arena é uma morte muito rápida para os que são bons e fiéis."

Inácio saiu da arena. Os cristãos supuseram que ele houvesse prestado sacrifício aos deuses de Roma, para ter a sua vida poupada.

A calúnia, a maledicência e a intriga semearam, na comunidade cristã toda sorte de desconfianças.

Inácio jamais se defendeu, porque quem ama Jesus não tem tempo a perder com defesas improdutivas.

Jamais se justificou, porque ele deveria prestar contas ao seu rei, Jesus, e não aos seus pares, súditos como ele.

Não disse uma palavra. Os anos demonstraram a sua grandeza. Ele passaria a ser o modelo do cristão verdadeiro, o modelo daquele servidor primitivo de Jesus, elevado à categoria de bem-aventurado por seu testemunho de amor.

Sua morte é assinalada como tendo ocorrido no ano de 110, durante o reinado de Trajano, em Roma.
 
Matéria publicada no Jornal Mundo Espírita - maio/2003

 

Bibliografia:

01.FRANCO, Divaldo Pereira. Palestra pública.

02.______. Trigo de Deus. In:___. Trigo de Deus. Pelo espírito Amélia Rodrigues. Salvador:LEAL, 1993.

03.COELHO, Rogério. O holocausto maior. Revista Reformador, Rio de Janeiro:FEB, p. 70, mar. 2001.
04.http://www.newadvent.org
www.nlink.com.br/~lume/antioquia.htm
www.terravista.pt/Portosanto/3718/biografgeocities.yahoo.com.br/montealverne/sinacio.html
www.veritatis..com.br/aartigo.asp
www.freineylor.hpg.com.br

domingo, 13 de maio de 2012

Manoel Philomeno de Miranda



Mais conhecido como Philomeno de Miranda, foi, por muitos anos, destacado colaborador do Movimento Espírita da Bahia, culminando com a sua eleição para a Presidência da União Espírita Baiana, em substituição a José Petitinga, quando este retornou ao Pano Espiritual, em 25 de março de 1939, em Salvador.
Manoel Philomeno de Baptista de Miranda nasceu no dia 14 de novembro de 1876, em Jangada, Município do Conde no Estado da Bahia.  Foram seus pais Manoel Baptista de Miranda e D. Umbelina Maria da Conceição.
Diplomou-se pela Escola Municipal da Bahia, hoje Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal da Bahia, colando grau na turma de 1910, como Bacharel em Comércio e Fazenda.  Exerceu sua profissão com muita probidade, sendo um exemplo de operosidade no campo profissional.  Ajudava sempre aqueles que o procuravam, pudessem ou não retribuir os seus serviços. Foi tão grande em sua conduta, como na modéstia.  Debilitado por uma enfermidade pertinaz, em 1914, e tendo recorrido a diversos médicos, sem qualquer resultado positivo, foi curado pelo médium Saturnino Favila, na cidade de Alagoinhas, com passes e água fluidificada, complementando a cura com alguns remédios da Flora Medicinal. Nessa época, indo a Salvador, conheceu José Petitinga, que o convidou a freqüentar a União Espírita Baiana.  A partir daí Philomeno de Miranda interessou-se pelo estudo e prática do Espiritismo, tornando-se um dos mais firmes adeptos de seus ensinamentos. Fiel discípulo de Petitinga, foi autêntico diplomata na trato com o Movimento Espírita da Bahia, com capacidade para resolver todos os assuntos pertinentes às Casas Espíritas. A serviço da Causa, visitava periodicamente as Sociedades Espíritas, da Capital e do Interior, procurando soluções para qualquer dificuldade.  Delicado, educado, porém decidido na luta, não dava trégua aos ataques descabidos, arremetidos por religiosos e cientistas que tentavam destruir o trabalho dos espíritas.
Mesmo modesto, não pôde impedir que suas atividades sobressaíssem nas diversas frentes de trabalho que empreendeu em favor da Doutrina. Na literatura escreveu \"Resenha do Espiritismo na Bahia\" e \"Excertos que justificam o Espiritismo\", que publicou omitindo o próprio nome. Em resposta ao Padre Huberto Rohden, publicou um opúsculo intitulado \"Por que sou Espírita\".
Dedicou-se com muito carinho às reuniões mediúnicas, especialmente às de desobsessão.  Achava imprescindível que as Instituições espíritas se preparassem convenientemente para o intercâmbio espiritual, sendo de bom alvitre que os trabalhadores das atividades desobsessivas se resguardassem ao máximo, na oração, na vigilância e no trabalho superior. Salientava a importância do trabalho da caridade, para se precaverem de sofrer ataques das Entidades que se sentem frustradas nos planos nefastos de perseguições. É o caso de muitas Casas Espíritas que, a título de falta de preparo, se omitem dos trabalhos mediúnicos.
Importante conhecer-se como se deu o relacionamento do médium Divaldo Pereira Franco com esse amoroso Benfeitor. É o próprio Divaldo quem esclarece:
\"Numa das viagens a Pedro Leopoldo, no ano de 1950, Chico Xavier psicografou para mim uma mensagem ditada pelo Espírito José Petitinga, e no próximo encontro uma outra ditada pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda.  \"Eu era muito jovem e, como é compreensível, fiquei muito sensibilizado.  Guardei as mensagens, bebi nelas a inspiração, permanecendo confiante em Deus.
\"No ano de 1970, no mês de janeiro, apareceu-me o Espírito Manoel Philomeno de Miranda, dizendo que, na Terra, havia trabalhado na União Espírita Baiana, atual Federação, tendo exercido vários cargos, dedicando-se, especialmente à tarefa do estudo da mediunidade e da desobsessão.
\"Quando chegou ao Mundo Espiritual foi estudar em mais profundidade as alienações por obsessão e as técnicas correspondentes da desobsessão.
\"Fora uma pessoa que, no mundo, se dedicava à escrituração mercantil, portanto afeito a uma área de informações de natureza geral sobre o comércio.
\"Mas, tendo convivido muito com Petitinga, que foi um beletrista famoso, um grande latinista, amigo íntimo de Carneiro Ribeiro - que também se notabilizou pela réplica e tréplica com Ruy Barbosa - ele, Miranda, houvera aprimorado os conhecimentos lingüísticos que levara da Terra, com vistas a uma programação de atividades para a Doutrina Espírita, pela mediunidade, no futuro.
\"Convidado por Joanna de Ângelis, para trazer o seu contributo em torno da mediunidade, da obsessão e desobsessão, ele ficou quase trinta anos realizando estudos e pesquisas e elaborando trabalho que mais tarde iria enfeixar em livros.
\"Ao me aparecer, então, pela primeira vez, disse-me que gostaria de escrever por meu intermédio.
\"Levou-me a uma reunião, no Mundo Espiritual, onde reside, e ali mostrou-me como eram realizadas as experiências de prolongamento da vida física através de transfusão de energia utilizando-se do perispírito.  \"Depois de uma convivência de mais de um mês, aparecendo-me diariamente para facilitar o intercâmbio psíquico entre ele e mim, começou a escrever Nos Bastidores da Obsessão, que são relatos, em torno da vida espiritual, das técnicas obsessivas e de desobsessão\".
A partir daí seguiram-se outros livros sobre o problema obsessivo, classificado por Philomeno de Miranda como \"tormentoso flagício social\". Nos seus livros, caracterizados e lidos como \"romances\", encontra-se meticuloso exame da mediunidade atormentada e das patologias obsessivas, em páginas de profundo teor didático que permitem ao leitor melhor compreensão da narrativa central.
Além de Nos Bastidores da Obsessão, ditou ao médium Divaldo Pereira Franco as seguintes obras: Grilhões Partidos, Nas Fronteiras da Loucura, Loucura e Obsessão, Trilhas da Libertação, Painéis da Obsessão, Temas da Vida
e da Morte, Tramas do Destino, Sexo e Obsessão, Tormentos da Obsessão e Entre os Dois Mundos.  Philomeno de Miranda foi amigo de Leopoldo Machado, patrocinando grandes conferências desse inesquecível trabalhador, que deixou um marco de luz em sua passagem pela Terra.
Exerceu na União Espírita Baiana, hoje Federação Espírita do Estado da Bahia, os cargos de 2º secretário, de 1921 a 1922, e de 1º secretário, de 1922 a 1939, juntamente com José Petitinga e uma plêiade de grandes trabalhadores. Em 1939, substituiu Petitinga. Ele já vinha no serviço ativo daquela Federativa por mais de vinte e quatro anos consecutivos, trabalhando na administração, no socorro espiritual como grande doutrinador, nos serviços da caridade, zelando sempre pelo bom nome da Doutrina, com todo o desvelo de que era possuído.
Sofrendo do coração, subia as escadas a fim de não faltar às sessões, sorrindo e sempre animado. Queria extinguir-se no seu cumprimento.
Sentia imensa alegria em dar os seus dias ao serviço do Cristo. Sobre as suas últimas palavras, assim escreve A. M. Cardoso e Silva: \"Agora sim! Não vou porque não posso mais. Estou satisfeito porque cumpri o meu dever. Fiz o que pude... o que me foi possível. Tome conta dos trabalhos, conforme já determinei.\" Era antevéspera da sua desencarnação, ocorrida no dia 14 de julho de 1942. Querido de quantos o conheceram - porque quem o conhecia não podia deixar de amá-lo -, até o último instante demonstrou a firmeza da tranqüilidade dos justos, proclamando e testemunhando a grandeza imortal da Doutrina Espírita.


As obras de Manoel Philomeno, psicografados pela mediunidade de Divaldo Franco, têm sido publicados pela Federação Espírita Brasileira e pela Editora Leal, de Salvador. Entre os principais títulos, destacam-se:
  • Nos Bastidores da Obsessão 1970 FEB
  • Grilhões Partidos 1974 LEAL
  • Tramas do destino 1976 FEB
  • Nas Fronteiras da Loucura 1982 LEAL
  • Painéis de Obsessão 1984 LEAL
  • Temas da Vida e da Morte 1996 FEB
  • Trilhas da Libertação 1996 FEB
  • Tormentos da Obsessão 2001 LEAL
  • Sexo e Obsessão 2003 LEAL
  • Entre os Dois Mundos 2006 LEAL
  • Reencontro com a Vida 2006 LEAL
  • Entre os Dois Mundos 2006 LEAL
  • Reencontro com a Vida 2006 LEAL
  • Transtornos Psiquiátricos e Obsessivos 2009 LEAL
  • TRANSIÇÃO PLANETÁRIA 2010 LEAL
O mais recente lançamento 'Mediunidade-Desafios e Bênçãos' , 2012 LEAL
Mais uma vez, o mestre Manoel Philomeno de Miranda nos presenteia com esta extraordinária joia psicografada por Divaldo Franco, o incansável operário do Espiritismo por mais de seis décadas.
A completude – sem esgotar-se o tema –, a objetividade e a clareza desta obra não encontram par em nenhuma outra de mesmo gênero, sem que haja nisso demérito para as demais.
Aos Estudiosos, pesquisadores, aos espíritas em geral e aos médiuns em particular, este belo livro proporciona lições e orientações de inestimável valor doutrinário, ético, moral, filosófico e espiritual, constituindo-se mesmo num poderoso mecanismo de defesa as perigosas e sutis ciladas das entidades infelizes do Plano Espiritual.
Nenhum valor material paga o valor intrínseco desta grandiosa obra!
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sexta-feira, 11 de maio de 2012

HELEN KELLER - Biografia



Helen Keller e a professora Anne Sullivan (1887)


            “O dia mais importante de toda minha vida foi o da chegada de minha professora Sullivan. Fico profundamente emocionada, quando penso no contraste imensurável das duas vidas que se juntaram. Ela chegou no dia 3 de março do 1887, três meses antes de eu completar 7 anos”
“Belos dias como estes, fazem o coração bater ao compasso de uma musica que nenhum silêncio poderá destruir. É maravilhoso ter ouvidos e olhos na alma. Isto completa a glória de viver”.
HELEN KELLER


 A vida do Helen Adams Keller a história de uma criança que aos dezoito meses de idade ficou cega e surda e de sua luta árdua e vitoriosa para se integrar na sociedade, tornando-se além de celebre escritora, filosofa e conferencista, uma personagem famosa pelo trabalho incessante que desenvolveu para o bem estar das pessoas portadoras de deficiências.
Nasceu em 27 de junho de 1880 em Tuscumbia, Alabama, descendendo de família tradicional do Sul dos Estados Unidos. Seu pai, Capitão Arthur Keller, era homem de influência em sua comunidade, editor do Jornal “The Tuscumbia Alabamian” e foi nomeado Prefeito do Alabama do Norte em 1685.
Helen Keller perdeu subitamente a visão e a audição devido a uma doença que foi diagnosticada naquela época, como febre cerebral, sondo provável que tenha sido escarlatina. Passou Os primeiros anos de sua infância sem orientação adequada que lhe permitisse desenvolver-se aprendendo sobre o mundo ao seu redor.
Alguns meses antes de Helen completar 7 anos de idade, Anne Sullivan, uma professora de vinte a um anos, foi morar em sua casa para ensina-la. A chegada de Anne na case do Helen dou-se no dia 3 do março de 1687.
A professora Anne Sullivan havia estudado na Escola Perkins para Cegos (Perkins School for the Blind) pois, quando criança tinha sido cega, mas recuperou a visão através de nove operações. Sua indicação para ensinar Helen foi feita por Alexander Graham Bell, que havia sido procurado pelos pais de Helen. Desde essa época, professora e aluna, tornaram-se inseparáveis até a morte do Anne Sullivan em 1935.
Até a chegada da professora, Helen Keller ainda não falava e não compreendia o significado das coisas.
Anne Sullivan assumiu a tarefa de ensinar Helen e para isso necessitou de muita coragem a persistência. As alunas cegas da Escola Perkins fizeram-lhe uma boneca pare levar A Helen. o vestido dessa boneca to feito por Laura Bridgman, primeira cega-surda educada na Perkins. Anne Sullivan iniciou seu trabalho com Helen utilizando a boneca e tentando relacionar o objeto à palavra atreves da soletração da palavra “BONECA” pelo alfabeto manual. Helen logo aprendeu a repetir as letras correta­mente, mas não sabia que as palavras significavam coisas. Aprendeu através desse método, um tanto incompreensível para ela, a soletrar, com o uso das mãos, varias palavras.
No dia 5 do abril de 1887 Helen e sua professora estavam no quintal da casa. perto de um poço, bombeando água. A professora Sullivan colocou a mão de Helen na água fria o sobre a outra mão soletrou a palavra “água” primeiro vagarosamente, depois rapidamente. De repente, os sinais atingiram a consciência de Helen agora com um significado. Ela aprendeu que “água” significava algo frio e fresco que escorria entre suas mãos. A seguir, tocou a terra e pediu o nome daquilo e, a anoitecer já havia relacionado trinta palavras a seus significados.
Este foi o começo da educação de Helen Keller. Numa sucessão rápida ela aprendeu os alfabetos braille e manual, facilitando assim, sua aprendizagem da escrita e leitura. Em 1890 ela surpreendeu a “Professora” (como chamava à Anne Sullivan) pedindo para aprender a falar. Helen Keller aprendeu a falar aos dez anos. “Eu tinha dez anos quando Annie *Annie é o tratamento familiar de Anne* me levou a primeira lição de linguagem falada em casa de Miss Sarah Fuller (Diretoria da Escola de Surdos Horace Mann). Os poucos sons que eu então produzia, eram ruídos inexpressivos, quase sempre roucos, pelo esforço que empregava para obtê-los. Pondo minha mão em seu rosto, para que eu sentisse a vibração de sua voz, Miss Fuller ia repetindo vagarosamente e muito claro, o som *ahm*, enquanto Miss Sullivan soletrava a palavra *ahm* na minha mão. Eu ia imitando come podia, conseguindo ao fim de algum tempo, articular o som a contento da mestra. Ao final de minha décima primeira lição, fiz uma surpresa para Annie, puxei-a pelo braço, coloquei a posição da língua e disse claramente: “EU NÃO SOU MAIS MUDA”.
Sob a orientação de Anne Sullivan, matriculou-se no Instituto Horace Mann para Surdos de Boston e depois na Escola Wright-Humason Oral de Nova Yorque onde, durante dois anos, recebeu lições de linguagem falada e de leitura pelos lábios.
Helen Keller além de aprender a ler, escrever e falar demonstrou, também, excepcional eficiência no estudo das disciplinas do currículo regular.
Quando pequena, Helen Keller costumava dizer: “Algum dia cursarei uma faculdade” e de fato cursou. E 1898 entrou na Escola Cambridge para Mocas; em 1900, para a Universidade Radcliffe onde, em 1904, recebeu seu diploma de bacharel em filosofia. Durante seu período de estudante a professora Anne Sullivan foi sua orientadora constante transmitindo todas as aulas para Helen, através do alfabeto manual, encorajando-a e estimulando-a. todos os livros de consulta que não existiam em braille eram laboriosamente soletrados nas mãos de Helen. Além das aulas da Universidade, Anne soletrava aulas de francês, latim e alemão.
Com a obtenção de seu grau de bacharel, acabaram-se os dias de educação formal de Helen. Todavia, através de toda sua vida, continuou a estudar e manter-se informada sobre todos os assuntos de importância para o mundo moderno. Em reconhecimento de sua capacidade e realizações acadêmicas, Helen Keller recebeu títulos e diplomas honorários das Universidades Temple e de Harward e das Universidades da Escócia (Glasgow)! Alemanha (Berlim), índia (Nova Delhi) e de Witwaterstrand (Johannesburg. África do Sul).
Em 1905 a professora Anne Sullivan casou-se com John A. Macy, eminente critico literário. o casamento não interrompeu o relacionamento de aluna e professora. Helen Keller foi morar com o casal que continuou auxiliando-a em seus estudos e outras atividades. Antes de se formar Helen Keller fez sua estréia na literatura escrevendo sua autobiografia “A História de Minha Vida”, publicada em 1902, e em seguida no Jornalismo  com uma serie de artigos no “Ladies Home Journal”. A partir dessa data não parou mais de escrever. Em seus trabalhos literários Helen usava a máquina de datilografia braille preparando os manuscritos e depois copiava-os numa máquina de datilografia comum.
Escreveu inúmeros artigos para revistas e alem da “História de Minha Vida”, escreveu vários livros entre os quais:
“Otimismo - um ensaio”
“A Canção do Muro de Pedra
“O Mundo em que Vivo
“Lutando Contra as Trevas” (Minha professora Anne Sullivan Macy).
“Minha Religião”
“Minha Vida de Mulher”
“Paz no Crepúsculo”
“Helen Keller na Escócia”
“O Diário de Helen Keller
“Vamos ter Fé”
“Dedicação de Uma Vida”
“A Porta Aberta”
Seus livros foram transcritos em várias línguas. Em 1954, “A História de Minha Vida”, após cinqüenta anos de sua primeira publicação como livro, foi traduzido em cinqüenta línguas.
Poucos anos antes de sua morte, Mark Twain disse: “As duas personalidades mais interessantes do Século XIX são Napoleão e Helen Keller”.
William James escreveu sobre Helen Keller: “Mas o que quer que você tenha sido ou é, você é uma benção. Sou capaz de matar a quem disser que não”.
Esses sentimentos expressos por dois amigos de sua juventude foram partilhados durante anos por homens e mulheres famosos e proeminentes de todo o mundo, cuja amizade Helen Keller manteve.
Helen Keller recebeu numerosos prêmios de grande distinção. Em junho de 1952 foi feita Cavaleiro da Legião de Honra da França.
Em reconhecimento ao estimulo que seu exemplo e presença deram aos trabalhos para cegos nos paises que visitou, os governos do Brasil, Japão, Filipinas e Líbano conferiram-lhe, respectivamente, as seguintes condecorações: Ordem do Cruzeiro do Sul, do Tesouro Sagrado, do Coração de Ouro e Medalha de Ouro de Mérito.
Helen Keller recebeu também, o Prêmio Américas para a União Interamericana, o premio Medalha de Ouro do Instituto Nacional de Ciências Sociais e outros.
Tornou-se membro honorária de sociedades científicas e organizações filantrópicas dos cinco continentes.
No Qüinquagésimo aniversário de sua graduação, a Universidade Radcliffe outorgou-lhe o “Prêmio Destaque a Aluno”.
Uma grande honraria foi também concedida a Helen Keller, em 1954, quando seu local de nascimento, Ivy Green, em Tuscumbia, foi transforma­do em museu permanente. A cerimônia realizou-se em 7 de malo de 1954, com a presença de diretores da American Foundation for the Blind e de outras autoridades. Juntamente com esse acontecimento, realizou-se, também, a premier do filme biográfico de Helen Keller, “Os Inconquistados” o fume posteriormente recebeu novo titulo “Helen Keller e sua História”. Em 1955 esse filme ganhou o prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, como o melhor documentário de longa metragem do ano.  

 Em 1955, quando tinha 75 anos, Helen Keller realizou mais uma de suas longas e árduas viagens, percorrendo 40.000 milhas, durante cinco meses, através da Ásia. Por onde viajou, sempre levou uma nova coragem para milhares de pessoas cegas e muitos dos esforços para melhorar as condições entre os cegos no mundo podem ser atribuídos diretamente as suas visitas.
Durante sua vida, Helen Keller viveu em vários lugares diferentes: Tus­cumbia, Alabama; Cambridge e Wrentham, Massachusetts; Forest Hills, Nova Yorque, mas talvez sua residência favorita tenha sido a última, a casa em Westport, Connecticut, chamada Arcan Ridge”, de estrutura branca, para onde se mudou, após a morte de Anne Sullivan. E foi “Arcan Ridge”, que ela chamou do lar pelo resto de sua vida. Apbs a morte da “Professora”, Polly Thomson, uma senhora escocesa que já vivia em casa de Helen Keller desde 1914, assumiu a tarefa de auxilia-la em seu trabalho. Após a morte de Polly Thomson, em 1960, uma companheira e enfermeira, a Sra Winifred Corbally, assistiu-a até seu último dia.
Helen Keller fez sus ultima aparição em publico num encontro do Lions Club de Washington, D.C. Nesse encontro ela recebeu o “Prêmio Humanitário Lions” por sua vida dedicada a servir a humanidade e por inspirar a adoção de programas de ajuda aos cegos e conservação da visão do Lions International. Durante sua viagem a Washington, foi recebida pelo Presidente Kennedy. Na ocasião, um repórter perguntou quantos presidentes havia conhecido e Helen Keller respondeu que não sabia quantos, mas que conheceu a todos desde Grover Cleveland.
Após 1961, Helen Keller viveu tranqüilamente em “Arcan Ridge”, onde recebia a família, amigos íntimos e membros da American Foundation for the Blind e da American Foundation for Overseas Blind (hoje Helen Keller International Incorporated). Passava a maior pane do seu tempo lendo. Seus livros favoritos foram a Bíblia e volumes de poesia e filosofia.
Apesar de seu afastamento da vida pública, Helen Keller não foi esquecida. Em 1964 recebeu a “Medalha Presidencial da Liberdade”, a maior honra de seu país.
Em 1965, foi uma das vinte eleitas para o Hall da Fama Feminina, na Feira Mundial de Nova Yorque. Helen Keller e Eleanor Roosevelt receberam a maioria dos votos entre as cem mulheres indicadas.
Helen Keller faleceu em 19 de junho de 1968, em “Arcan Ridge”, sigumas semanas antes de completar 88 anos. Suas cinzas foram depositadas no lado das de Anne Sullivan Macy e Polly Thomson na Capela de São José, na Catedral de Washington. A cerimônia compareceram sua família e amigos, autoridades do governo, pessoas proeminentes de todos os setores e delegações da maioria das organizações para cegos e surdos.
No seu ultimo adeus, o Senador Lister Hill, do Alabama, expressou ss sentimentos de todo o mundo quando disse a respeito de Helen Keller:
-- “Ela viverá; ela foi um dos poucos nomes, imortais, que não nasceu para morrer. Seu espírito perdurarA enquanto o homem puder ler e história puderem ser contadas sobre a mulher que mostrou ao mundo que não existem limitações para a coragem e a fé”.
Helen Keller foi por si mesma uma grande obra de educação, pois dedicou sua vida ao trabalho para o bem estar das pessoas cegas e surdo-cegas, influenciando na criação de legislação e serviços especializados.
E por tudo isso ela foi chamada por seus amigos americanos “A primeira mulher de coragem do mundo”.
Os escritos e pensamentos de Helen Keller traduzem espírito de coragem e força de vontade.
Estas são algumas freses extraídas de suas obras:
“Não há melhor maneira de agradecer a Deus pela visão, do que dar ajude a alguém que não a possui”.
“Se metade do dinheiro hoje gasto em curar cegueira, fosse utilizado em preveni-la, a sociedade ganharia em termos de economia sem mencionar considerações de felicidade para a humanidade”.
“Que toda criança cega tenha oportunidade de receber educação e todo adulto cego, uma oportunidade para treinamento e trabalho útil”,
“Quando uma porta de felicidade fecha-se, uma outra se abre; mas muitas vezes, nós olhamos tão demoradamente para a porta fechada que não podemos ver aquela que se abriu diante de nós”.
É maravilhoso ter ouvidos e olhos na alma. Isto completa a alegria de viver”.
“Não há barreiras que o ser humano não possa transpor”.
“Por muitos anos, não dispusemos de criada alguma, por falta de recursos. Aprendi a fazer tudo o que podia, para ajudar minha professora. Todas as manhãs, ela levava o marido de carro à estação, onde ele tomava o trem pata Boston, para depois se ocupar das compras. Eu tirava a mesa, lavava a louça e arrumava os quartos. Podiam estar clamando por mim montanhas de cartas, livros e artigos para escrever, mas, a casa era a casa, alguém tinha de fazer as camas, colher flores, catar lenha, por o moinho de vento a andar e para-lo quando a caixa estivesse cheia, enfim, ter em mente essas coisas imperceptíveis que fazem a felicidade da família. Quem gosta de trabalhar sabe como é agradável a gente estar ajudando as pessoas a quem estimamos nas tarefas diárias de casa”.
 
 
 
FONTES DE CONSULTA
AMERICAN FOUNDATION FOR THE BLIND, INC. - Helen Keller ENCICLOPÉDIA SARSA - RJ/SP. Encyclopedia Britannica Editores Ltda, 1967
FUNDAQAO PARA O LIVRO DO CEGO NO BRASIL - Arquivos ENCICLOPÉDIA GLOBO - R.S., Globo, 1969 ENCICLOPCDIA OBJETIVA UNIVERSAL. SP/RJIPR, Expel Distribuição exclusiva, s/d
KELLER, Helen - Lutando contra as trevas. RJ, Fundo de Cultura, C. 1957.


Helen Keller 1880-1968


domingo, 22 de janeiro de 2012

“Garoto de 10 anos é apontado como reencarnação do espírito de Emmanuel.”


O ‘ESCOLHIDO’

Novo iluminado para o espiritismo

Divulgação

Guia de Chico Xavier reencarna em menino de São Paulo
Um menino de dez anos é o iluminado. Ele poderá se tornar uma referência para quase 30 milhões de simpatizantes da doutrina espírita no Brasil. Pouco se sabe sobre ele. Nem mesmo o nome. Conta-se que mora com os pais no interior de São Paulo e será um professor que difundirá o espiritismo. Na tarefa, contará com auxílio importante. O seu mentor seria o espírito de Chico Xavier. O garoto é apontado como a reencarnação de Emmanuel, mentor na maior parte dos 92 anos do médium mineiro. A missão para os dois vai além da vida e da morte. Nas comemorações pelo centenário de Chico, a história do menino é o maior enigma. Há muita curiosidade sobre onde está o jovem e do que é capaz.
Amigo de Chico, Divaldinho Mattos conta que o médium - morto aos 92 anos, chegou a conhecer o bebê em 2000 ou 2001. "Chico visitou a família, numa cidade do interior paulista. Os pais são de boa condição financeira", diz ele, diretor do Centro Espírita Maria de Nazaré, em Votuporanga (SP). O médium, porém, manteve segredo sobre as vidas anteriores do garoto. Ninguém mais teria tido acesso ao jovem. "Não se pode saber quem é o menino. A família não teria sossego", defende Wanda Joviano, colega de Chico.Para Divaldinho, nem Emmanuel terá consciência de seu passado. "Daqui a alguns anos, quando despertar na área da Educação, ele terá uma vidência.
O mundo espiritual tem de resguardá-lo", observa. O escritor Geraldo Lemos Neto, 48, conversou com o próprio médium sobre o assunto. "Chico dizia que ele teria grande capacidade sensitiva. "Muita gente vai dizer que ele é Emmanuel. Mas ninguém terá certeza", afirma Divaldinho.
Muitos apostam que o menino já tenha começado a manifestar dons espirituais. Outros acreditam que ainda é muito cedo. Chico começou aos 17 anos. Portanto, teremos que esperar mais uns 5 ou 7 anos para conhecer o dom deste menino, acreditam os estudiosos.
Chico Xavier não voltará a terra
A maioria dos amigos não acredita que o médium volte a reencarnar para fazer companhia a Emmanuel.
"Chico afirmou que a tarefa dele no século 21 será a de guiar o Emmanuel reencarnado para as tarefas da difusão dos ensinamentos de Jesus sob a ótica da doutrina espírita", explica Geraldo Lemos Neto.
No entanto, os dois já teriam estado juntos na Terra. Segundo os mais próximos, Chico e Emmanuel foram, respectivamente, os padres jesuítas José de Anchieta e Manuel da Nóbrega no Brasil colonial.
Para outros adeptos, Chico teria sido Flávia, a filha doente do senador romano Publio Lentulus, a mais conhecida encarnação atribuída a Emmanuel. Pai e filha teriam morrido na erupção do Vesúvio, em 79. No livro "Deus conosco", Chico descreve as 12 reencarnações de Emmanuel. A última como padre paraense morto no início do século passado no Rio.