domingo, 22 de janeiro de 2012

“Garoto de 10 anos é apontado como reencarnação do espírito de Emmanuel.”


O ‘ESCOLHIDO’

Novo iluminado para o espiritismo

Divulgação

Guia de Chico Xavier reencarna em menino de São Paulo
Um menino de dez anos é o iluminado. Ele poderá se tornar uma referência para quase 30 milhões de simpatizantes da doutrina espírita no Brasil. Pouco se sabe sobre ele. Nem mesmo o nome. Conta-se que mora com os pais no interior de São Paulo e será um professor que difundirá o espiritismo. Na tarefa, contará com auxílio importante. O seu mentor seria o espírito de Chico Xavier. O garoto é apontado como a reencarnação de Emmanuel, mentor na maior parte dos 92 anos do médium mineiro. A missão para os dois vai além da vida e da morte. Nas comemorações pelo centenário de Chico, a história do menino é o maior enigma. Há muita curiosidade sobre onde está o jovem e do que é capaz.
Amigo de Chico, Divaldinho Mattos conta que o médium - morto aos 92 anos, chegou a conhecer o bebê em 2000 ou 2001. "Chico visitou a família, numa cidade do interior paulista. Os pais são de boa condição financeira", diz ele, diretor do Centro Espírita Maria de Nazaré, em Votuporanga (SP). O médium, porém, manteve segredo sobre as vidas anteriores do garoto. Ninguém mais teria tido acesso ao jovem. "Não se pode saber quem é o menino. A família não teria sossego", defende Wanda Joviano, colega de Chico.Para Divaldinho, nem Emmanuel terá consciência de seu passado. "Daqui a alguns anos, quando despertar na área da Educação, ele terá uma vidência.
O mundo espiritual tem de resguardá-lo", observa. O escritor Geraldo Lemos Neto, 48, conversou com o próprio médium sobre o assunto. "Chico dizia que ele teria grande capacidade sensitiva. "Muita gente vai dizer que ele é Emmanuel. Mas ninguém terá certeza", afirma Divaldinho.
Muitos apostam que o menino já tenha começado a manifestar dons espirituais. Outros acreditam que ainda é muito cedo. Chico começou aos 17 anos. Portanto, teremos que esperar mais uns 5 ou 7 anos para conhecer o dom deste menino, acreditam os estudiosos.
Chico Xavier não voltará a terra
A maioria dos amigos não acredita que o médium volte a reencarnar para fazer companhia a Emmanuel.
"Chico afirmou que a tarefa dele no século 21 será a de guiar o Emmanuel reencarnado para as tarefas da difusão dos ensinamentos de Jesus sob a ótica da doutrina espírita", explica Geraldo Lemos Neto.
No entanto, os dois já teriam estado juntos na Terra. Segundo os mais próximos, Chico e Emmanuel foram, respectivamente, os padres jesuítas José de Anchieta e Manuel da Nóbrega no Brasil colonial.
Para outros adeptos, Chico teria sido Flávia, a filha doente do senador romano Publio Lentulus, a mais conhecida encarnação atribuída a Emmanuel. Pai e filha teriam morrido na erupção do Vesúvio, em 79. No livro "Deus conosco", Chico descreve as 12 reencarnações de Emmanuel. A última como padre paraense morto no início do século passado no Rio.

    segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

    Biografia de Frederico Fígner

    Israelita de nascimento viveu no lar paterno os preconceitos de sua raça contra o Carpinteiro   de Nazaré.   Na   verdade,   porém, Fígner, como muitos outros judeus, não tinha religião alguma.  Foi no Brasil e quando já negociante próspero, com seu estabelecimento comercial e industrial no Rio de Janeiro e uma sucursal em São Paulo, que Fígner foi chamado a conhecer a verdade. Nos últimos anos do século passado ou nos primeiros deste século, Fígner travou relações de amizade com Pedro Sayão, filho  do saudoso doutrinador Antônio Luís Sayão, pai da célebre cantora Bidu Sayão. Pedro Sayão, durante cerca de dois anos, lhe freqüentava a loja e palestrava sobre Espiritismo e  Cristianismo, sem que Fígner se impressionasse muito pelo assunto; porém, numa de suas visitas ao seu estabelecimento de São Paulo, Fígner ouviu a dolorosa história de um seu empregado, cuja esposa se achava gravemente enferma e necessitada de melindrosa intervenção cirúrgica. Ao regressar ao Rio, Fígner pediu a Pedro Sayão lhe obtivesse receita para cura da enferma de São Paulo. Veio a receita e a cura da doente, sem intervenção alguma dos médicos. Foi esse fato que inclinou Fígner a favor do Espiritismo.

    Já impressionado com a cura da doente mediante uma receita mediúnica, Fígner foi procurado em sua loja por um pobre, pai de família desempregado, em penosa situação econômica. Ouviu-lhe o relato de suas aflições, deu-lhe um pouco de dinheiro e disselhe que voltasse oito dias mais tarde. Ao sair o necessitado, pela primeira vez na vida Fígner fez um pedido ao Carpinteiro de Nazaré: "Se é como dizem os cristãos que Tu tens poder, ajuda a esse pobre pai de família; arranja-Lhe trabalho e meios de vida!"  Oito dias mais tarde, voltava o homem com   o   sorriso   dos   felizes   e   lhe   narrava:   "Já estou trabalhando e brevemente virei restituir seu dinheiro, Sr. Fígner. Fui procurado por uma pessoa que me convidou para um emprego inteiramente inesperado".

    Fígner se entusiasmou e repetiu semelhantes pedidos, com resultados sempre positivos. Em vez de pedir a Jesus, passou a pedir a Maria e igualmente os resultados não se faziam esperar. Encheu-se de fé que transporta montanhas e estudou com entusiasmo o Espiritismo e o Cristianismo. Passou a consagrar sua vida ao serviço dos outros.

    Não se sabe ao certo quando se deu essa conversão, mas em 1903 já se encontram vestígios das atividades espíritas de Fígner na Federação Espírita Brasileira.  Por ocasião da gripe "espanhola ", em 1918, com 14 doentes em seu próprio lar e ele mesmo adoentado e febril, passava os dias inteiros na Federação, atendendo a doentes e necessitados que lá iam, em avalanches, buscar recursos para situações aflitivas.

    Sua vida normal durante longos anos consistia em ir de manhã e a tarde à Federação tomar ditados de receitas de diversos médiuns, chegando a tomar 150 a 200 receitas por dia e a dar passes em numerosos doentes. Levantava-se às cinco horas da manhã e, antes de ir à loja, ia à Federação, de onde só saía quando terminava esse serviço de tomar ditados de receitas. Às quatro horas da tarde lá estava de novo para orar e dar passes emdoentes. E curava mesmo os enfermos, pois que seus "fregueses", como ele lhes chamava na intimidade, cresciam sempre de números.

     Como propagandista da Doutrina, manteve sempre uma seção no "Correio da Manhã"
    que era lida no País todo. Em 1921 polemicou com o Padre Florêncio Dubois pela
    "Folha do Norte ", do Pará. Promoveu a publicação de muitos livros, custeando as
    edições. Foi à Inglaterra visitar o célebre "Circle of Crew", onde o médium Willy Hope
    obtinha as famosas fotografias de extras; visitou, então, Sir Arthur Conan Doyle e
    outros grandes vultos do Espiritismo inglês.
     Em 1920 perdeu a filha primogênita, e sua esposa ficou inconsolável. Ouvindo ele falar
    da médium de materialização D. Ana Prado, de Belém do Pará, decidiu-se a partir para
    o Norte. No dia 1º de Abril de 1921, embarcou com toda a família. O que sucedeu
    naquelas sessões acha-se relatado no livro do Dr. Nogueira de Faria, intitulado O
    Trabalho dos Mortos, pela senhora D. Esther Fígner, esposa de Frederico Fígner, a qual,
    apenas regressando das sessões e assistida por sua filha Leontina, escrevia relato
    minucioso de tudo que ocorrera.
     Frederico Figner nasceu na madrugada de 2 de Dezembro de 1866, na casa humilde de
    n.º 37 da rua Teynska, em Milevsko, perto de Tabor, Tchecoeslováquia, então Boêmia e
    parte do Império austro-húngaro.
     Era, portanto, compatriota de outro missionário que como ele vinha cumprir sua tarefa
    no Brasil, durante longa existência como  brasileiro, entre os melhores, Francisco
    Valdomiro   Lorenz,   nascido   em   Zbislav,   perto   de   Tcháslav,   e   chegado   ao   Brasil   dois
    anos depois de Fígner. Ambos vinham da Pátria dos grandes mártires do Cristianismo,
    João Huss e Jerônimo de Praga, divulgar aqui os ideais superiores que conduziram os
    dois heróis aos tormentos da Inquisição. Fígner e Lorenz gravitaram para a Federação
    Espírita Brasileira que era muito jovem quando eles chegaram ao Brasil. Fígner venceu
    galhardamente a escorregadiça e perigosa prova da riqueza, Lorenz venceu com igual
    bravura os tormentos da pobreza e se tornou um dos mais cultos esperantistas do
    mundo, com várias obras publicadas.
     Filho de pais pobres, Fígner tinha que imigrar para o Novo Mundo, como faziam os
    jovens da Europa Central, naquele tempo. Aos treze anos sai do lar paterno e vai para a
    cidade de Bechim aprender um ofício. Em 1882, aos 16 anos, deixa definitivamente a
    terra natal. Parte com sua maleta de emigrante par Bremershafen, de onde, a bordo do
    vapor "Elbe" (como passageiro de terceira classe) , ruma para os Estados Unidos só
    levando dinheiro para a travessia. Contava Fígner um pormenor interessante dessa
    viagem . Sua mãe fizera e lhe dera para a viagem uma trança de pão doce. Chegando a
    bordo, nota que a alimentação de terceira classe é absolutamente insuportável. Divide
    então o seu pão doce, de sorte a bastar para todo tempo da travessia que durou 14 dias.
    Foi essa a sua única alimentação durante duas semanas.
     Levava como modelo de conduta a tenacidade dos pais. Era o exemplo a imitar para
    vencer na vida.
     Uma tempestade violenta foi o único incidente da travessia, mas foi-lhe rude a luta para
    adquirir estabilidade econômica de sorte a manter-se e ajudar os pais e irmãos. Estados
    Unidos, México, América Central e, finalmente, América do Sul, foram seus campos deluta econômica. No Brasil, esse filho de Israel encontrou sua Canaã . Estabeleceu-se,
    prosperou, conheceu uma jovem de peregrinas virtudes e alma de artista, D. Esther de
    Freitas Reys, filha de família ilustre.
     Em 1897, Frederico Fígner e D. Esther de Freitas Reys fundavam, pelo matrimônio,
    seu lar feliz. Recebia ele o prêmio de suas grandes lutas de trinta anos, mas não sonhava
    repouso, que não era ideal de seu caráter vibrante. Desse feliz enlace nasceram seis
    filhos: Rachel, Aluízio, Gabriel, desaparecidos do mundo antes do venerado genitor;
    Leonilda, Helena e Lélia, muito devotados ao seu velho pai.
     O serviço de Figner nas obras de assistência e no trabalho profissional afastava-o muito
    do lar, mas isso não prejudicava o cultivo de um afeto extremo entre pai e filhos.
    Amavam-se com ardor e respeitavam reciprocamente as idéias e crenças particulares de
    cada um.
     Ainda nos últimos dias de sua vida, distribuía ele principescamente donativos por
    instituições e pessoas pobres de sua amizade, guiando-se pelo coração e nem sempre
    pelo cérebro, e só respeitando a fortuna das filhas.
    Trabalhou e serviu abnegadamente até que a enfermidade o prendeu ao leito, poucos
    dias antes da partida. Completou oitenta anos em 2 de Dezembro de 1946, e em 19 de
    Janeiro de 1947, às 20 horas, partiu para o mundo espiritual, deixando abertos caminhos
    de luz sobre a Terra que pisara por tanto tempo.
     Ao funeral compareceu uma multidão de amigos e admiradores. Diante da câmara
    mortuária, o Presidente da Federação pronunciou palavras de despedida e o VicePresidente fez uma prece. Ao descer o ataúde ao jazigo, no Cemitério de São Francisco
    Xavier, falaram com sentimento os Drs. Miranda Ludolf, Lins de Vasconcellos e o
    Capitão Silva Pinto.
     A Federação Espírita Brasileira, após a morte de Fígner, publicou-lhe alguns dos
    escritos no livro intitulado - "Crônicas Espíritas ".
    Grandes Espíritas do Brasil. FEB

    Cristo nasceu? Onde? Quando?

    Marta Antunes Moura





    São indagações que compõem o título de belíssima página doutrinária escrita pelo espírita Pedro de Camargo (1878-1966), mais conhecido como Vinícius, encontrada em seu livro Em Torno do Mestre, publicado pela FEB em 1939, cuja última edição, a nona, data de 2009. Com admirável criatividade, o autor analisa o significado e o contexto do nascimento do Cristo, utilizando a entrevista como recurso literário, então direcionada a sete conhecidas personalidades do Evangelho, tendo como referência este registro evangélico:

    O verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e verdade, e vimos a sua glória como de unigênito do Pai. Mas a todos os que o receberam, aos que creem em seu nome, deu Ele o direito de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus. (João, 1:4.)
    A íntegra da entrevista deVinícius, com destaques nossos, é a que se segue:

    Perguntemos a Paulo – onde e quando Jesus nasceu? Ele nos dirá: Foi na estrada de Damasco, quando eu, então intolerante e fanatizado por uma causa inglória, me vi envolvido na sua divina luz. Dali por diante – “já não sou eu mais que vive, mas o Cristo é que vive em mim”.

    Indaguemos de Madalena, onde e quando nasceu Jesus. Ela nos informará: Jesus nasceu em Betânia, certa vez em que sua voz, ungida de pureza e santidade, despertou em mim a sensação de uma vida nova, com a qual, até então, jamais sonhara.

    Ouçamos o depoimento de Pedro, sobre a natividade do Senhor, e ele assim se pronunciará: Jesus nasceu no átrio do paço de Pilatos, no momento em que o galo, cantando pela terceira vez, acordou minha consciência para a verdadeira vida.Daí por diante, nunca mais vacilei diante dos potentados do século, quando me era dado defender a Justiça e proclamar a verdade, pois a força e o poder do Cristo constituíram elementos integrantes de meu próprio ser.

    Chamemos à baila João Evangelista e peçamos nos diga o que sabe acerca do natal do Messias, e ele nos dirá: Jesus nasceu no dia em que meu entendimento, iluminado pela sua divina graça, me fez saber que “Deus é amor”.1

    Dirijamo-nos a Zaqueu, o publicano, e eis o seu testemunho: Jesus nasceu em Jericó, numa esplêndida manhã de Sol, quando eu, ansioso por conhecê-lo, subi numa árvore, à beira do caminho por onde Ele passava, contentando-me com o ver de longe. Eis que Ele, amorável e bom, acena-me, dizendo: “Zaqueu, desce, importa que me hospede contigo”. Naquele dia entrou a salvação no meu lar.

    Interpelemos Tomé, o incrédulo: Quando e onde nasceu o Mestre? Ele, por certo, retrucará: Jesus nasceu em Jerusalém, naquele dia memorável e inesquecível em que me foi dado testificar que a morte não tinha poder sobre o Filho de Deus. Só então compreendi o sentido de suas palavras: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.

    Apelemos, finalmente, para Dimas, o bom ladrão: Onde e quando Jesus nasceu? Ele nos informará: Jesus nasceu no topo do Calvário, precisamente quando a cegueira e a maldade humanas supunham aniquilá-lo para sempre; dali Ele me dirigiu um olhar repassado de piedade e de ternura, que me fez esquecer todas as misérias deste mundo e antegozar as delícias do paraíso. Desde logo, senti-o em mim e eu nele.2

    As respostas transmitidas pelos entrevistados nos fazem ver que o nascimento do Cristo, o local e a data, representam, efetivamente, o exato momento do despertar da nossa consciência para a sublimidade do Amor, ensinado e exemplificado por Jesus.

    Para a Doutrina Espírita, Jesus é e sempre será “o tipo mais perfeito que Deus já ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo”.3 É válido, porém, deixar registrado que no meio acadêmico e entre os historiadores do Cristianismo configura-se nova metodologia de estudo da figura ímpar de Jesus, denominada Jesus Histórico. Trata-se de estudo crítico que não considera os axiomas religiosos e teológicos tradicionais nem os determinismos bíblicos que, na generalidade, revelam o Mestre Nazareno como o Filho de Deus ou o Messias prometido para a salvação da Humanidade.

    Embora as reconstruções históricas variem, são concordantes em dois pontos: Jesus era um rabino judeu, que atraiu um pequeno grupo de galileus e, após um período de pregação, foi crucificado pelos romanos na Palestina, sob instigação dos sacerdotes judeus, durante o governo de Pôncio Pilatos.

    A busca pelo Jesus Histórico foi iniciada pelo filósofo deísta alemão Hermann Samuel Reimarus (1694-1768) que, junto com outros estudiosos, passaram a duvidar da historicidade relatada pelos textos sagrados, aceita sem controvérsias até o século XVIII, quando surgiu o movimento iluminista na Europa.Após a Primeira Guerra Mundial, os teólogos alemães Martin Dibelius (1883-1947) e Rudolf Karl Bultmann (1884-1976) compararam a mensagem original de Jesus (do Novo Testamento) à de outros textos, provenientes da época da igreja primitiva, identificando pontos concordantes e discordantes. Empregaram, então, dois métodos para chegarem às conclusões finais, publicadas posteriormente:

    a) Redação criticista – trata-se de uma investigação a respeito de como cada escritor do Evangelho compilou seu livro, seguida de comparação com outros escritos e, também, com fontes orais;
    b) Crítica formal – concluíram que os evangelhos (segundo Mateus,Marcos, Lucas e João) não foram escritos completos, originalmente, tal como os conhecemos nos dias atuais.Na verdade, são coleções de fatos separados, de tradições orais, mitos ou parábolas, propositalmente agrupados para formar uma coletânea, artificialmente elaborada, e destinada a divulgar práticas da igreja antiga. Dessa forma, a crítica formal tenta reconstruir os episódios originais, separando o que é fato histórico e o que é inclusão artificial.
    Há outro ponto relevante: na busca pelo Jesus Histórico, alguns estudiosos fundamentam-se na chamada Fonte Q (de Quelle, nome alemão para fonte), uma coleção de Ditos de Jesus, que é uma tradição, oral ou escrita – não se sabe ao certo – amplamente difundida no mundo cristão da primeira metade do século I, e que serviu de base para a escritura dos evangelhos sinóticos, assim como para alguns apócrifos. Sendo assim, o documento Q, ou fonte Q, é hipoteticamente considerado como sendo o primeiro texto evangélico escrito, e que teria sido utilizado, mais tarde, por Mateus e Lucas, mas não por Marcos, na redação dos seus escritos, fato que justificaria as coincidências presentes no Evangelho de Lucas e de Mateus, e as diferenças com o de Marcos.

    Em suma, munidos dos novos instrumentos da pesquisa hodierna, tais como história antiga, crítica literária, crítica textual, filologia, papirologia, arqueologia, geografia, religião comparada, os atuais pesquisadores tentam reconstruir o ambiente sociocultural de Jesus, de modo a experimentar o efeito que as palavras do Mestre produziram nos ouvintes da sua época. Nesse esforço, procura-se evitar juízos preconcebidos, premissas rígidas, preconceitos étnicos, deixando que a mensagem se estabeleça ainda que contrariamente às expectativas dos crentes atuais. No entanto, ao montar o quebra-cabeça da história do Cristianismo Primitivo com as escassas peças disponíveis, nem sempre é possível ao pesquisador humano dispensar certa dose de imaginação.4

    Uma evidência poderosa já se destaca das conclusões dos pesquisadores: a grandeza do Cristo e a sublimidade da sua mensagem. Parâmetros pelos quais devemos nos guiar, sem jamais perder de vista qual é a plataforma do Mestre, como ensina Emmanuel:

    Anunciou-nos a celeste revelação que Ele viria salvar-nos de nossos próprios pecados, libertar-nos da cadeia de nossos próprios erros, afastando-nos do egoísmo e do orgulho que ainda legislam para o nosso mundo consciencial.5

    Assim, ante a bênção de mais um Natal, enderecemos ao Mestre a nossa eterna gratidão, louvando-o por meio dos vibrantes sentimentos do poeta Amaral Ornellas, expressos no poema Ante Jesus, reproduzido nesta página.6






    Referências:

    1VINÍCIUS. Em torno do mestre. 9. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. Cristo nasceu? Onde? Quando?. p. 236.
    2_____. _____. p. 236-237.
    3KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Q. 625.
    4DIAS, Haroldo Dutra. Cristianismo redivivo: história da era apostólica, Novas perguntas. In: Reformador, ano 126, n. 2.146, p. 34(32)-36(34), jan. 2008.
    5XAVIER, Francisco C. Vinha de luz. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 174, p. 386.
    6_____. Antologia mediúnica do natal. Por Espíritos diversos. 6. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 69.

    domingo, 24 de julho de 2011

    CIDADES NO PLANO ESPIRITUAL*


    D. Guiomar Albanesi – Rogamos ao nosso Chico, se possível, tentar a psicografia de uma página dos Nossos Amigos Espirituais.
    (Pausa)
    134 – MENSAGEM


    Alma querida, escuta,
    Nos momentos de dor, de aflição ou de luta,
    Não te prendas ao fel, à revolta, ao pesar,
    Não deixes de servir, nem canses de esperar.


    Na sombra mais espessa
    Ou quando o dia tomba e na estrada anoiteça,
    Em pleno vendaval, caia o granizo em monte,
    Alça o próprio ideal ante a clara certeza
    De que o sol voltará de horizonte a horizonte.


    Em tudo o que se apura e se alteia de nível,
    Onde a fé predomine e o progresso resplenda,
    Perseverança e paz é a sublime oferenda
    Do amor que, frente ao tempo, ignora o impossível.


    A própria Natureza é um livro sempre aberto;
    Tudo o que serve e ampara, louva a disciplina,
    Do firmamento ao chão, da cidade ao deserto,
    Persistir para ser é a mensagem divina.


    Insistindo na luz, constelações remotas
    Criam vida e calor nos espaços profundos;
    Cada império estelar acende as próprias rotas,
    E a lei faz no Universo a harmonia dos mundos.


    À dura solidão a rocha se sujeita,
    Por milênios guardando o vale em derredor;
    E o vale mostra em si a humildade perfeita,
    Em que o solo produz para a vida melhor.


    A fonte encontra a lama e prossegue por norma,
    Purificando a lama a sorrir e a cantar
    E, mantendo-se fonte, aos poucos, se transforma
    Em riqueza do rio e sustento do mar.


    Podado na pressão da lâmina severa,
    O tronco se desfia a golpes agressores
    E quando o campo espalha o som da primavera,
    Ei-lo forte e feliz a cobrir-se de flores.


    Segue, pois, dia-a-dia, passo a passo,
    Mesmo à frente da mágoa que te oprime,
    Varando provação, amargura ou cansaço,
    Nada te tolha a fé, nada te desanime.


    E, servindo, recorda, alma querida e boa:
    Das trevas abismais aos Sóis do Mais Além,
    Em tudo o que se eleva e aperfeiçoa
    Deus ama, persevera e trabalha também.


    MARIA DOLORES

    135 - ESTADO COMATOSO E LUCIDEZ

    DONA GUIOMAR – Agora vamos passar às perguntas que nos foram feitas por alguns companheiros. Vamos formulá-las ao nosso companheiro e amigo Chico Xavier, e ele no-las responderá:
    No estado comatoso, há momentos de lucidez plena ou apenas intervalos intermitentes?
    CHICO XAVIER – Rogo desculpas aos prezados ouvintes, pelo fato de estar tentando responder às indagações de nossos amigos, dentro da minha reconhecida insipiência.
    No caso da lucidez em estado comatoso, segundo os Amigos Espirituais nos inspiram a fim de que a nossa palavra possa ser ouvida, isso varia muito de acordo com as criaturas, segundo os graus de espiritualidade superior ou de mergulho da mente nas impressões da vida material.
    Na maioria das ocasiões, quando partimos do Plano Físico obedecendo aos ditames de enfermidade longa e laboriosa, o estado comatoso é seguido de lucidez: ouvimos, compreendemos aquilo que ouvimos, estamos dentro de indefinível expectativa, conquanto em paz, ou naquele estado de inquietação que se experimenta perante o desconhecido.
    Ainda aí, porém, somos impelidos a entender que a alteração dos centros de percepção sensorial deve ser considerada, porque, conforme a condição do doente, esses núcleos estão, muitas vezes, obliterados ou parcialmente semidestruídos, sem que o espírito, eterno, possa se fazer exprimir através das potencialidades cerebrais, assim como um violinista que, apesar muita competência, por vezes, sente-se frustrado quando está diante de um instrumento desafinado ou desarticulado.
    Nos processos de desencarnação violenta, é natural que se entenda a lucidez por estado mental muito difícil de reter-se; o cérebro entra em choque violento, a destrambelhar-se, portanto nas mais íntimas estruturas.
    Em vista disso, os Amigos Espirituais afirmam que na desencarnação de improviso, somos habitualmente acometidos por um sono profundo, do qual despertamos entre aqueles que nos dedicam assistência e afeição na Vida Espiritual.

    136 – CAUSAS DOS SUICÍDIOS

    PERGUNTA -
     – O suicídio é conseqüência de fatores psicológicos em desagregação ou de influências espirituais em evolução?
    CHICO XAVIER – Todos sabemos: cada espírito é senhor de seu próprio mundo individual.
    Quando perpetramos a deserção voluntária dos nossos deveres, diante das leis que nos governam, decerto que imprimimos determinadas deformidades no corpo espiritual. Essas deformidades resultam das causas cármicas estabelecidas por nós mesmos, pelas quais sempre recebemos de volta os efeitos das próprias ações.
    Cometido o suicídio, nessa ou naquela circunstância, geramos lesões e problemas psicológicos na própria alma, dificuldades essas que seremos chamados a debelar na próxima existência, ou nas próximas existências, segundo as possibilidades ao nosso alcance.
    Assim, formamos, com um suicídio, muitas tentações a suicídio no futuro, porque em nos reencarnando, carregamos conosco tendências e inclinações, como é óbvio, na recapitulação de nossas experiências na Terra.
    Quando falamos “tentações” não nos referimos a esse tipo de tentações que acreditamos provir de entidades positivamente infelizes, cristalizadas na perseguição às criaturas humanas. Dizemos tentação oriunda de nossa própria natureza.
    Sabemos que a tentação em si, na verdadeira acepção da palavra, nasce dentro de nós. Por isso mesmo poderíamos ilustrar semelhante argumento lembrando um prato de milho e um brilhante de alto preço: levado o brilhante de alto preço à percepção do cavalo, por exemplo, é certo que o eqüino não demonstraria a menor reação; mas em apresentando a ele o prato de milho, fatalmente que ele reagirá, desejando absorver a merenda que lhe está sendo apresentada.
    Noutro ponto de vista, um homem não se interessaria por um prato de milho, no entanto se interessaria compreensivelmente pelo brilhante.
    Justo lembrar que a tentação nasce dentro de nós.
    Quando cometemos suicídio, plasmamos causas de sofrimento muito difíceis de serem definitivamente extirpadas. Por isso, muitas vezes, os irmãos suicidas são repetentes na prova da indução ao suicídio, descendo, desprevenidos, à desconsideração para consigo próprios.
    Benfeitores da Vida Maior são unânimes em declarar que, em todas as ocasiões nas quais sejamos impulsionados a desertar das experiências a que Deus nos destinou na vida terrestre, devemos recorrer à oração, ao trabalho, aos métodos de autodefesa e a todos os meios possíveis da reta consciência, em auxílio de nossa fortaleza e tranqüilidade, de modo a fugirmos de semelhante poço de angústia.

    137 – PRODUÇÃO E FOME

    PERGUNTA -
     – Pode-se esperar uma grande fome para os próximos anos?
    CHICO XAVIER - Esse assunto tem sido estudado por técnicos das nações de vanguarda no progresso econômico e cultural da humanidade; vale observar, porém, na condição de criaturas convencidas quanto à existência de Deus e da sobrevivência do espírito, que não podemos guardar qualquer impressão negativa, quanto ao problema, porque o trabalho é sempre um prodígio da natureza humana e, através desse recurso mágico a que chamamos trabalho, descobriremos, cada vez mais, novas técnicas de produção, novos melhoramentos e sabemos que nos achamos muito longe ainda de explorar todos os recursos do Planeta, em favor da nossa própria alimentação.
    Façamos um parêntese no assunto e recordemos que, se todos nos dedicarmos no Brasil a plantar mais um pouco, e a trabalhar um tanto mais, além de nossos próprios deveres, indubitavelmente conseguiremos prover-nos com todos os recursos de que temos necessidade ainda, em nosso relacionamento comum.

    138 - A CIDADE “NOSSO LAR”

    PERGUNTA -
     – Poderíamos falar sobre o livro “Nosso Lar”, por exemplo, sobre as realidades do livro, sobre a distância da Colônia, sobre alguma coisa das belezas do Nosso Lar?
    CHICO XAVIER – A literatura mediúnica em outros países atesta a existência de outras cidades semelhantes a Nosso Lar, uma das comunidades no chamado Espaço Brasileiro.
    Quando estávamos recebendo, mediunicamente, o primeiro livro de André Luiz, que traz esse título, impressionamo-nos vivamente com respeito ao assunto, porque a nossa perplexidade era indisfarçável e, sendo o nosso assombro um motivo para perturbar a recepção do livro, o nosso André Luiz promoveu, em determinada noite, a nossa ausência do corpo físico para observar alguns aspectos, os aspectos mais exteriores, da chamada cidade “Nosso Lar”. Mundo novo que somos chamados a perceber, a estudar, porque se relaciona com o futuro de cada um de nós. Ainda que não sejamos acolhidos na referida colônia, outros lares nos esperam após a desencarnação.
    Isso é muito importante.
    Há muita gente que considera esse assunto demasiadamente remoto para que venhamos a nos preocupar com ele.
    Entretanto, na lógica terrestre, somos obrigados a cuidar dos estoques de determinados materiais – gasolina, óleo, medicamento, cereais. Se nos interessamos por isso, no trânsito sobre a Terra, por que admitir por ocioso esse tema da espiritualidade que nos espera inevitavelmente a todos?
    O Espírito de André Luiz, registrando-nos o espanto, porquanto a estranheza era enorme da parte dos companheiros de Pedro Leopoldo e Belo Horizonte, aos quais mostrávamos as páginas em andamento, teve o cuidado de mostrar-nos determinada faixa de Nosso Lar, onde jaziam centenas de irmãos hospitalizados, ocupando a atenção de médicos, de instrutores, enfermeiras, sacerdotes e pastores das diversas religiões.
    Devemos assinalar esse fato, de vez que, freqüentemente, depois da morte são obrigados a compartilhar-nos crenças e concepções com respeitos às verdades eternas do espírito, quando a caridade de Nosso Senhor Jesus Cristo nos espera a todos, quanto a discernimento e compreensão.
    Cada criatura, nessa cidade, é chamada gradativamente para um estado mais amplo de entendimento. Nosso Lar é o retrato de muitas das colônias que nos aguardam, mas não é propriamente o retrato único, porque possuímos, além da Terra, além da vida física, muitas e muitas cidades de natureza superior e outras de natureza inferior a que chegaremos, inevitavelmente, segundo as nossas escolhas e méritos neste mundo.

    139 – HOMOSSEXUALISMO

    PERGUNTA -
     – Como nossos Amigos Espirituais conceituam o problema homossexual?
    CHICO XAVIER – O problema da homossexualidade sempre existiu em todas as nações, no entanto, com a extensão demográfica no Planeta, o assunto adquiriu características de grande intensidade, ou de mais intensidade, porque, nos últimos 50 anos, a ciência psicológica tem-se preocupado detidamente e com razão, no que se refere aos ingredientes mais íntimos de nossa natureza pessoal.
    Estamos efetuando a descoberta de nós mesmos, para além dos padrões psicológicos conhecidos ou milimetrados pelos conhecimentos que possuímos, dentro dos preceitos e preconceitos respeitáveis, que nos regem o comportamento social e humano.
    No caso, é justo observar que os impositivos da disciplina e da educação devem oferecer-nos barreiras construtivas para que o abuso não destrua quaisquer benefícios estabelecidos em leis.
    Cremos que tendências à homossexualidade surgem na criatura, após muitas existências dessa mesma criatura, nas condições de feminilidade ou vice-versa. Pensamos assim, na base da reencarnação, porquanto, além dos sinais morfológicos, a individualidade é a própria individualidade em si, com todas as suas existências anteriores.
    Em vista disso, a homossexualidade pode ser examinada hoje proporcionando ao homem vasto campo de estudos, quanto à natureza bissexual do Espírito.
    O tema é, porém, objeto para simpósios de cientistas, e instrutores da Humanidade, até que possamos encontrar a fórmula exata para decidir do ponto de vista legal, quanto ao destino dos nossos companheiros num sexo ou noutro, que trazem a inversão por clima de trabalho a ser laboriosamente valorizado pela pessoa que se faz portadora de semelhante prova ou de semelhante condição para determinadas tarefas.
    Sabemos que grandes civilizações, como por exemplo, a civilização greco-romana, depois de alcançarem avanço espetacular no campo da inteligência, ao perquirirem a natureza complexa do homem, encontraram problemas de sexo muito profundos, que os legisladores de então não quiseram ou não puderam reconhecer. Esses problemas, no entanto, explodindo sem a cobertura de preceitos legais, em plenitude de intemperança nas manifestações afetivas cooperaram na decadência de ambas as civilizações grega e romana, que se perderam no tempo, sob o ponto de vista de respeitabilidade e domínio.
    Esperemos que os Mensageiros da Vida Maior inspirem os nossos dignos representantes da Ciência e da Justiça na Terra para que a solução do problema apareça oportunamente favorecendo a paz e a concórdia nos vários campos de evolução da Humanidade.

    140 – PUBLIUS LENTULUS

    PERGUNTA -
     – Quem era mais evoluído, Publius Lentulus ou sua mulher?
    CHICO XAVIER – Já pude dizer aos amigos presentes que o Espírito de Emmanuel, que está aqui conosco, dedica àquela que lhe foi esposa ao tempo de Nosso Senhor Jesus Cristo, a máxima veneração. E diz que, do ponto de vista do sentimento e do coração ela trazia, já naquela época qualidades evangélicas que ele Emmanuel, nunca cansou de admirar.
    É o que eu posso transmitir.

    141 – REENCARNAÇÃO E MUDANÇA DE SEXO

    PERGUNTA – (Feita pelo Dr. Athaide Lima Siqueira): A mudança de sexo e profissão acarreta ao espírito dificuldades ao seu processo de aperfeiçoamento em reencarnações futuras?
    CHICO XAVIER – Essa modificação, quando súbita, segundo ensinamentos que temos recebido dos Amigos Espirituais, imprime certas dificuldades ao espírito, no seu relacionamento com os outros e na adaptação aos processos de vivência no campo físico, mas não no seu próprio aperfeiçoamento, porque essa mesma alteração e mudança são motivadas para que o espírito, entrando no campo da autocrítica, encontre em si estímulos e razões para se elevar, aperfeiçoar, buscando sublimar as suas próprias qualidades, sentimentos e pensamentos.

    142 – ESGOTAMENTO FÍSICO E FACULDADES INTELECTUAIS

    PERGUNTA -
             Por que o indivíduo no plano físico, sob o influxo do excesso de trabalho, pelo esgotamento, sente um grande déficit em suas faculdades intelectuais?
    CHICO XAVIER – É o problema do instrumento quando se faz desajustado nas mãos do artista. As teclas do piano, entrando em desajuste, não permitem que o pianista se expresse com o vigor ou com a perfeição de que ele seja mensageiro. Assim, também, o nosso espírito, quando reencarnado na Terra. Nós estamos sempre subordinados a determinadas condições da vida orgânica, especialmente às condições do cérebro. Por isso mesmo, nós sabemos que há muitas criaturas que tiveram a inteligência cassada por determinado tempo na Terra, que nós encontramos na posição de idiotia, como observamos, do ponto de vista da ciência, criaturas que são, às vezes, detentoras de alto grau de tesouros culturais em si mesmo, mas que pedem semelhante prova para se entregarem a pensamentos, ao retiro espiritual, à auto-análise, à auto-observação por muitos e muitos anos.

    143 – TEMPO E CONSEQÜÊNCIA DA OBSESSÃO

    PERGUNTA -
     (Feita pelo Prof. Afrânio Piemonte)
    - “Até onde e até quando um ou mais espíritos obsessores podem causar danos no plano físico a indivíduos desprovidos de certo amparo no plano espiritual?”
    CHICO XAVIER – Nossos amigos espirituais observam sempre que não há desamparo no Universo. A misericórdia de Deus nos alcança em todos os setores e em todas as situações, e desde que tenhamos já algum conhecimento para ensaiar os nossos passos nas estradas evolutivas, por nós mesmos, vamos criando em nós recursos de autoproteção.
    Então, nós podemos observar: se temos cuidados especiais para com os nascituros, para com aqueles que ainda não chegaram à vida física e que estão em trânsito para o nosso campo de trabalho, com o concurso de nossas grandes benfeitoras que são as nossas mães, se temos cuidados especiais para com aqueles que vão chegando, organizando casas especializadas de socorro, de assistência, se o nosso próprio lar é um ninho de amor e proteção para a criança, quando a criança demanda esse auxílio pela fraqueza em que ela se encontra na obra de Deus, também os espíritos que se encontram ainda muito insipientes no conhecimento próprio merecem considerações e bênçãos especiais dos Espíritos Superiores.
    Então, devemos catalogar os assuntos de obsessão, encarando esses assuntos de acordo com a nossa própria natureza. Um espírito obsessor terá tanto poder sobre nós quanto seja o poder que facultamos a esse espírito de nos obsedar. O obsessor tem sobre nós a influência do tamanho da nossa capacidade de atraí-lo para o nosso campo de ação. Poder-se-á observar, por exemplo, que muitas vezes, encontramos, nos sanatórios, irmãos nossos em condições precárias da mente, do cérebro, e que já não podem mais criar qualquer fibra de resistência, mas aí o assunto já transcendeu à nossa possibilidade de estudar, porque nós estamos estudando o caso conosco que estamos conscientes das nossas responsabilidades.
    Se nós não guardarmos, se não nos defendermos, se não nos liberarmos antes do complexo de culpa, nessa calamidade que nós chamamos remorso, então nós vamos atravessando as linhas fronteiriças da perturbação e depois o império das forças inferiores sobre nós, então o assunto já é pertinente a considerações outras que não as desta hora em que estamos estudando o problema da obsessão com a nossa inteireza de conhecimentos para sabermos muito bem discernir o que é o bom e o que não serve para nós.

    DONA GUIOMAR – Chico, nós agradecemos ao nosso amigo espiritual Emmanuel que, como você disse ao iniciar, está aqui conosco, inspirando você e ajudando em suas respostas. A esses benfeitores que aqui estiveram, pedimos que guardem por muitos e muitos anos o nosso médium aqui conosco para que, através dele, possamos obter tantos ensinamentos valiosos.
    Que Jesus o ampare e lhe dê saúde, paz e tranqüilidade para que, junto conosco, você possa dar um caminho mais longo, mais claro, mais suave do Cristianismo, do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

    144 – PRECE

    CHICO XAVIER – Não tenho palavras para agradecer ao Centro Espírita Perseverança, à nossa querida irmã Dona Guiomar Albanesi, aos diretores desta instituição, às autoridades que nos visitam, aos amigos e queridas irmãs que compareceram à nossa reunião, a todos os companheiros que deram, nesta hora, um testemunho de tanta bondade e de tanta tolerância para comigo, que nada mereço, e que espero estejam aqui não por Chico Xavier, mas pela Doutrina que nos irmana, pela Doutrina que é Luz e Alimento de nossas almas.
    Peço permissão, assim, à nossa irmã Dona Guiomar Albanesi, para traduzir a minha gratidão com uma prece. É tudo o que eu posso fazer.

    Nosso Divino Mestre e Senhor!
    Nós Te agradecemos a bendita oportunidade do reencontro nesta Casa de Amor e Luz, de Paz e Fraternidade que Te pertence!
    Não temos palavras, para dizer aos amigos, a emoção que nos envolve, nos recessos do espírito. Por isso mesmo, nós Te pedimos licença para a nossa gratidão a todos, com a prece que nos permites endereçar-Te, rogando o amparo e a bênção para cada um de nós!
    Senhor! Nesta hora em que todos procuramos um caminho de paz e amor para viver e conviver e também para sobreviver às nossas próprias dificuldades, nós Te rogamos apoio.
    Rogamos, Amado Jesus, que nos abençoe e conserve-nos a fé viva em ti. Não nos deixes o coração tresmalhado nas vacilações do caminho terrestre ou na agressividade exagerada que tantas vezes nos surpreendem depois da infância e da adolescência, nas quais aprendemos a pedir-te a bênção no colo de nossas mães!
    Disseste-nos que aqueles que não se fizerem crianças não serão dignos do Reino de Deus. Faze-nos, pois, simples de coração! Ajuda-nos a considerar que precisamos trabalhar uns pelos outros. Que todos somos chamados para nos tolerarmos reciprocamente em nossas dificuldades e problemas, a fim que a nossa vida possa produzir paz, luz, amor, e alegria, no progresso a que estamos destinados por Ti em nome do nosso Pai Supremo!

    Ampara-nos! Que nossos templos dedicados à Tua memória, seja qual for a faixa de conhecimento e veneração em que nos expressemos, sejam preservados, agora e no futuro, a fim de que, por eles e com eles, venhamos a construir na Terra a nossa felicidade imortal.

    ( * )  Entrevista concedida a Sra. Guiomar Albanesi, no Centro Espírita Perseverança, São Paulo, Capital, em Outubro de 1974.
    Livro: “A Terra e o Semeador” – Psicografia de Francisco C. Xavier – Espírito Emmanuel    

    sábado, 23 de julho de 2011

    Retrato de Jesus


    Retrato de Jesus feito por Publio Lentulus


    RETRATO DE JESUS (ESCRITO POR EMMANUEL EM SUA ENCARNAÇÃO NA ÉPOCA DE CRISTO) Retrato de Jesus feito por Publio Lentulus
    Retrato de Jesus feito por Publio Lentulus, procônsul da Galiléia, a Tibério César, imperador romano.
    O presente documento foi encontrado no arquivo do Duque de Cesadini, em Roma. Essa carta, onde se faz o retrato físico e moral de Jesus, foi mandada de Jerusalém ao Imperador Tibério César, em Roma, ao tempo de Jesus.
    Publius era senador romano e fez esse retrato de Jesus por ocasião da doença de sua filha Flávia, quando foi diretamente à presença de Cristo e pediu que a curasse da lepra.
    Respondendo à pergunta de Tibério César – Quem é este homem Jesus?, Publio Lentulus escreveu:
    “Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, existe nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é o filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado.
    “Em verdade, ó César, cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, em uma só palavra.
    “É um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto. Há tanta majestade em seu rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo.
    “Tem os cabelos da cor da amêndoa bem madura; são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas; são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio de sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso pelos nazarenos.
    “O seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno. Nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face, de uma cor moderada. O nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, separada pelo meio. Seu olhar é muito afetuoso e grave; tem os olhos expressivos e claros. O que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar. Faz-se amar e é alegre com gravidade.
    “Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos. Na palestra, contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele se aproxima, verifica-se que é muito modesto na presença e na pessoa.
    “É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua Mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo jamais visto por estas partes uma mulher tão bela.
    “Porém, se a Majestade Tua, ó Cesar, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dai-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível.
    “De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes.
    “Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus. Muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de Tua Majestade. Eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus.
    “Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo: aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido.
    “Vale, da Majestade Tua, fidelíssimo e obrigadíssimo. ..” Publio Lentulus, presidente da Judéia. Lindizione setima, luna seconda”.

    sexta-feira, 22 de julho de 2011

    Irena Sendler

    Irena Sendler morreu...sabes quem era?


     
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Irena_Sendler




    Nem sempre o prêmio é atribuído a quem mais o merece... Uma senhora de 98 anos chamada Irena faleceu há pouco tempo.   


    Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações.

    Mas os seus planos iam mais além... Sabia quais eram os planos dos nazistas relativamente aos judeus (sendo alemã!) 

    Irena trazia crianças escondidas no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco de sarapilheira na parte de trás da sua caminhoneta (para crianças de maior tamanho). Também levava na parte de trás da caminhoneta um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados nazis quando entrava e saia do Gueto. 

    Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.
    Enquanto conseguiu manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças. 

    Por fim os nazistas apanharam-na e partiram-lhe ambas as pernas, braços e prenderam-na brutalmente.   

    Os nazis souberam dessas atividades e em 20 de Outubro de 1943 ; Irena Sendler foi presa pela Gestapo e levada para a infame prisão de Pawiak onde foi brutalmente torturada . Num colchão de palha encontrou uma pequena estampa de Jesus Misericordioso com a inscrição: “Jesus, em Vós confio ”, e conservou-a consigo até 1979, quando a ofereceu ao Papa João Paulo II.

    Ela, a única que sabia os nomes e moradas das famílias que albergavam crianças judias, suportou a tortura e negou-se a trair seus colaboradores ou as crianças ocultas. Quebraram-lhe os 
    ossos dospés e das pernas, mas não conseguiram quebrar a sua determinação. Foi condenada à morte. Enquanto esperava pela execução, umsoldado alemão levou-a para um "interrogatório adicional". Ao sair, gritou-lhe em polaco "Corra!". No dia seguinte Irena encontrou o seu nome na lista de polacos executados. Os membros da Żegota tinham conseguido deter a execução de Irena subornando os alemães, e Irena continuou a trabalhar com uma identidade falsa.


    Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, que guardava num frasco de vidro enterrado debaixo de uma árvore no seu jardim. 

    Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir a família. A maioria tinha sido levada para as câmaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adotivos. 

    No ano passado foi proposta para receber o Prêmio Nobel da Paz... mas não foi selecionada. Quem o recebeu foi Al Gore por uns dispositivos sobre o Aquecimento Global.

    Não permitamos que alguma vez esta Senhora seja esquecida!!  



    Estou transportando o meu grão de areia, reenviando esta mensagem. Espero que faças o mesmo.


    Passaram já mais de 60 anos, desde que terminou a 2ª Guerra Mundial na Europa. Este e-mail está a se reenviando como uma cadeia comemorativa, em memória dos 6 milhões de judeus, 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos e 1.900 sacerdotes católicos que foram assassinados, massacrados, violados, mortos à fome e humilhados com os povos da Alemanha e Rússia olhando para o outro lado. 
    Agora, mais do que nunca, com o Iraque, Irã e outros proclamando que O Holocausto é um mito, é imperativo assegurar que o Mundo nunca esqueça. 
    A intenção deste e-mail é chegar a 40 milhões de pessoas em todo o mundo.
    Une-te a nós e sê mais um elo desta cadeia comemorativa e ajuda a distribuí-la por todo o mundo..
     

     
    "A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância. Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade." - Irena Sendler