http://www.mansaodocaminho.com.br/
“Divaldo Franco e Nilson de Souza Pereira se conheceram em agosto de 1945, quando Divaldo lecionava na Escola de Datilografia N. S. do Carmo, no bairro dos Quinze Mistérios, em Santo Antônio, Salvador, e ali Nilson se matriculou.
Nasceu então uma amizade, uma fraternidade espiritual que, alicerçada e fomentada pelo Espiritismo, duraria para toda a vida. Aliás, para além das atuais encarnaçóes dos dois, com certeza.
Hoje, a Mansão do Caminho é um admirável complexo educacional e assistencial, contando com 50 edificaçôes, fora as construçôes em andamento, distribuídas em ruas, bosques e lago, onde são atendidas três mil crianças e jovens de fa-mílias de baixa renda.
São desenvolvidas diversas atividades socioeducacionais, como: Enxovais, Pré-Natal, Creche, escolas de ensino Pré-Escolar, Básico e Fundamental, Informática, Cerâmica, Panificação, Bordado, Tapeçaria, Reciclagem de Papel, Centro Médico, Laboratório de Análises Clínicas, Atendimento Fraterno, Caravana Auta de Souza, Casa da Cordialidade e Bibliotecas.
Para movimentar toda essa engrenagem, a Diretoria conta com mais de 200 funcionários, além de 400 colaboradores voluntários permanentes.”
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Heigorina Cunha
BIOGRAFIA DE HEIGORINA CUNHA
Nasci , em 16.4.1923, uma criança normal e, por algum tempo gozei, como qualquer outra, de grande robustez.
Certa manhã, acordei tristonha e abatida. Mamãe dispensou-me todo o cuidado, empregando, desde logo, os recursos necessários para tirar-me daquele estado, quase inesperado de prostração. Contudo, atendendo à harmonia das Leis do Universo, iniciava-se naquele dia, 23.4.1924, um processo de renovação que deveria atingir a mim e a toda a comunidade de apoio terreno de que desfrutava, num desdobramento de lições inesquecíveis e sumamente proveitosas.
É que se iniciava ali, naqueles dias tranquilos do passado, um processo de regeneração que nos chegava através da paralisia infantil.
Desde pequenina, já era uma enamorada do céu, que exercia sobre mim uma atração fora do normal. Durante o dia, acompanhava o passeio das nuvens e a sua metamorfose contínua de formas nas quais procurava descobrir figuras de pessoas e coisas; à tarde, tinha encontro certo com o pôr-do-sol para extasiar-me no seu espetáculo de cores e, à noite, deixava-me fascinar pelas estrelas distantes sem poder, contudo, decifrar-lhes o significado e a grandeza.
É que, imobilizada pela paralisia, presa a uma cadeira ou à cama, sempre pedia à Mamãe que me pusesse à janela, para que eu pudesse vislumbrar o mundo exterior. E, através daquela abertura iluminada, até hoje, sinto-me presa a contemplação do firmamento.
Nos devaneios que nasciam nessa contemplação sublime, invariavelmente surgiam perguntas: como poderia andar? onde encontrar forças e recursos inabituais para vencer os impedimentos gerados pela enfermidade? como poderia Deus, Nosso Pai, me ajudar mais de perto?
Foi quando, com a vontade de vencer as dificuldades e confiante em Deus, comecei a sentir a presença de Benfeitores Espirituais junto a mim, ganhando a convicção de que, com o auxílio deles, haveria de encontrar solução. Adquiri a certeza de que o pensamento é força criadora e que essa força, pela vontade de Deus, com o apoio dos Amigos Espirituais, poderia dar vida à minha perna paralítica, e poderia andar.
Depois de longos anos de esforços para pôr em prática os exercícios físicos e mentais recomendados pelos Espíritos que me ajudavam, alcancei minha mocidade andando com o apoio de abençoada bengala e agradecendo a bênção da vida ao lado de meus Pais queridos, Ataliba José da Cunha e Eurídice Miltan Cunha (Sinhazinha).
A dedicação e a sensibilidade de Mamãe ajudaram-me a isentar-me de complexos psicológicos que costumam acompanhar os processos de regeneração aos quais muitas criaturas devem se submeter, como eu, nos desdobramentos das lições da vida, e, moça, sentia-me uma pessoa normal, como outra qualquer, com a vida sorrindo ao meu derredor e com a alegria de levar de vencida a paralisia.
Os anos de felicidade juvenil, no entanto, se desfazem a partir do dia 2 de novembro de "1961, quando Mamãe, meu apoio maior, e a verdadeira bengala a sustentar-me na luta, regressa ao Mundo Maior, deixando aos meus cuidados, juntamente com uma irmã solteira, Papai imobilizado na cama já há seis anos, em razão de um acidente. Órfão, como nós, pela partida física daquele coração generoso que nos tutelava a existência, Papai passou a se apoiar em nós, seus filhos, que o cercavam até que, em 1971, também retornasse ao Mundo Maior.
Conto estes lances de minha vida sem qualquer idéia de valorização pessoal, mas para demonstrar aos queridos leitores que a Doutrina Espírita é manancial inesgotável de força criadora e vivificante, no qual poderemos banhar nossa alma para livrar-nos das feridas que costumam abrir-se nos corações desalentados antes os fatos naturais da vida.
Foi em 1962, quase um ano após a partida de Mamãe, em uma tarde amena, quando contemplava, melancólica, o pôr-do-sol, que senti mais nítida a sua presença, e, a partir daí, comecei a penetrar os dois planos da vida com mais frequência.
Mas foi no dia 2 de março de 1979, quando vivi a mais fascinante experiência de minha vida. Vi-me saindo do corpo, conduzida por um Espírito que não pude identificar, seguindo para uma cidade espiritual que depois soube tratar-se da cidade "Nosso Lar", da qual André Luiz, no livro que leva o mesmo nome traça-lhe um perfil magnífico e esclarecedor.
Via a cidade com alguns detalhes, guardando, ao despertar, toda a recordação da experiência daquela noite maravilhosa que se interrompeu, em pleno amanhecer, quando o Espírito que me acompanhava convidou-me a regressar à Terra.
Não podia perder a visão de tão belo acontecimento e, assim, resolvi desenhar, retratando o que me foi possível conhecer naquela rápida visita. Esclareço que não sou desenhista, por isso, os desenhos que elaborei, procurando retratar o que vi, não podem ter pretensão técnica nem bastarem para refletir inteiramente a beleza das formas, gravadas no papel.
Apesar disso, fiz o desenho e guardei-o sem revelar nada a ninguém. Depois de três anos, repetiu-se a experiência, com mais nitidez, e pude ver além do que havia visto, enquanto volitava sobre a cidade, embebendo-me nos detalhes de sua paisagem. O Amigo Espiritual que me conduzia deixou-me num Departamento, na cidade, e foi para outro, atender a tarefas que lhe competiam. Permaneci à sua espera e, algum tempo depois, chamaram-me através de um aparelho de comunicação interna, à feição de telefone, para informar-me que deveria ficar naquela seção, uma vez que não convinha ir-me para onde ele estava, nas Câmaras, onde havia muito sofrimento, prevenindo-me que me buscaria para o regresso.
Acordei com um encaixamento brusco no corpo, sentindo ainda uma espécie de tontura da volitação, mas com a consciência integral de tudo o que havia visto. Dessa viagem, saiu o segundo desunho ou planta baixa da cidade "Nosso Lar" e que corresponde ao Plano Piloto, segundo esclareceu depois Francisco Cândido Xavier (nosso querido Chico).
Devo esclarecer, no entanto, que, embora a forma seja a verdadeira, a cidade não se circunscreve ao número de casas e de quadras indicadas no desenho apenas para efeito ilustrativo, uma vez que se trata de uma cidace de vastas dimensões, que abriga cerca de um milhão de habitantes.
Entusiasmada com o segundo desenho, mostrei-o a algumas pessoas mais íntimas e de minha confiança.
Uma delas foi um primo, que levou a notícia a Francisco Cândido Xavier. O bondoso médium de Uberaba se interessou e pediu-me que lhe levasse os desenhos, e qual não foi a minha surpresa quando me afirmou se tratar da cidade "Nosso Lar", correspondendo-lhe exatamente à forma.
Sob estímulo de seu carinho e compreensão, procurei grafar outros detalhes da cidade. Depositei nas mãos de Francisco Cândido Xavier, que se incumbiu generosamente dos detalhes complementares e do encaminhamento do material para o Instituto de Difusão Espírita, de Araras, que, afinal o editou.
Na oportunidade, devo agradecer a Deus e aos Bons Espíritos pela participação que tive neste trabalho, rogando escusas, inclusive aos leitores, pelas deficiências naturais impostas pelas minhas limitações pessoais.
HEIGORINA CUNHA Sacramento, 4 de fevereiro de 1983.
No dia 11 de agosto desencarnou Heigorina Cunha querida trabalhadora espírita, nascida em Sacramento, MG, em 16 de abril de 1923, sobrinha de Eurípedes Barsanulfo, filha de sua irmã “Sinhazinha”. Através dela surgiram os desenhos que descrevem como são algumas cidades espirituais, inclusive a cidade espiritual “Nosso Lar”. Seus desenhos foram feitos através de suas observações realizadas durante suas saídas do corpo (desdobramento) em março de 1979, conduzidas e orientadas pelo espírito Lucius. São encontrados nos livros “Cidade no Além” e “Imagens do Além”, os dois de sua autoria. Diariamente, Heigorina mantinha uma reunião de preces, pela manhã, em Sacramento.
terça-feira, 23 de julho de 2013
Vergílio Zoppi
Nascido numa Fazenda de café, a Fazenda do Conde, em Santa Gertrudes, então distrito de Rio Claro, São Paulo, o garoto veio ao mundo no dia 01 de agosto de 1929. Na pia batismal recebeu o nome de Vergílio Zoppi, em homenagem a seu avô materno o Sr. Vergílio Carità. De uma família profundamente religiosa, seus pais o Senhor Nazareno Zoppi já falecido e sua mãe Da. Teresa Carità, também já falecida, procuraram encaminhar o filho primogênito pelos caminhos de Deus.
Cursou o primário em várias escolas rurais e conseguiu tirar o diploma na Escola Heitor Penteado de Americana, São Paulo, para onde finalmente a família havia se transferido. Ali foi coroinha, fez parte da Congregação Mariana e foi sempre acompanhado e orientado por seu primo José Zoppi, um cristão praticante.
Começou cedo a trabalhar em fábrica de tecidos, para ajudar nas despesas da casa. Encantando com a atitude e a presença de dois seminaristas, que vinham passar as férias com a família, sentiu despertar dentro de si o desejo de se tornar sacerdote. O primo José o encorajou e o ajudou na preparação para entrar no seminário. Deixando o emprego, foi para o Seminário Santa Cruz em Rio Claro, São Paulo, aonde chegou no dia 23 de abril de 1944. A Congregação escolhida foi a dos Padres Estigmatinos. Na Escola Apostólica Santa Cruz cursou todo o ginásio. Em 1948 foi para o Seminário Gaspar Bertoni de Ribeirão Preto, São Paulo, onde fez o curso do segundo grau, fez o noviciado, no término do qual fez sua primeira profissão religiosa no dia 16 de fevereiro de 1952. Em seguida no mesmo Seminário cursou filosofia. Em setembro de 1953, com vários companheiros, foi para a Itália e na cidade de Verona fez o curso teológico. O primeiro ano foi feito na Casa dos Estigmas e os três anos restantes foram feitos no novo Seminário de São Leonardo. Foi ordenado sacerdote no dia 29 de junho de 1957, na mesma Catedral de Verona, onde fora ordenado sacerdote e nosso Fundador São Gaspar Bertoni. Após a ordenação fez um curso de pastoral, por um ano e na metade de 1958 retornou ao Brasil e celebrou sua primeira missa para seus pais, irmãos, familiares e amigos na igreja matriz Santo Antônio de Americana, São Paulo.
Na Província Santa Cruz prestou seus serviços pastorais em vários lugares do Estado de São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Bahia e Paraná. Em 1981 foi transferido para a nova Província São José, onde prestou seus serviços em Ituiutaba, Minas Gerais, Goiânia, Goiás, Brasília, Distrito Federal, Luziânia, Goiás, primeiramente como orientador de nossos estudantes e depois como Vigário paroquial. Atualmente reside na Residência Provincial em Goiânia, Goiás e presta sua colaboração na Paróquia Nossa Senhora das Graças, no Jardim América, como Vigário paroquial e presta sua ajuda na Cúria Provincial, como secretário da mesma
Aos 84 anos, morre o padre Vergílio Zoppi
Zoppi atuava como vigário paroquial em Goiânia; ele celebrou sua primeira missa na Matriz de Santo Antônio de Americana, em 1958
Faleceu nesta segunda-feira (22) pela manhã, em Goiânia, o padre Vergílio Zoppi, aos 84 anos. Ele celebrou sua primeira missa na então Matriz de Santo Antônio, em Americana, no ano de 1958.
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Morreu nesta madrugada o Padre Vergílio Zoppi, figura importante no crescimento de Barra da Estiva. O Padre Vergílio Zoppi chegou na cidade no dia 03 de abril de 1968, acompanhado do Bispo D. Hélio Paschoal e de Nercy Antônio Duarte. Além de assumir a paróquia, o Padre Vergílio foi um dos principais envolvidos na evolução da educação de Barra da Estiva, implantando o magistério, visando a formação de professores. Ele foi um dos primeiros professores da instituição. O Padre ganhou justas homenagens da cidade, que possui uma rua e um colégio municipal com o seu nome.
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Nascido em Santa Gertudes, Zoppi veio para Americana ainda menino e foi aluno da Escola Heitor Penteado. Ele chegou a trabalhar como tecelão, mas logo sentiu o desejo em se tornar sacerdote. Começou sua vida religiosa em 1944, quando foi para o Seminário Santa Cruz em Rio Claro. Foi ordenado sacerdote no dia 29 de junho de 1957 na Catedral de Verona, na Itália, e voltou para o Brasil um ano depois.
Vergílio Zoppi prestou seus serviços pastorais em vários lugares do Estado de São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Bahia, Paraná, Goiânia e Goiás. Atualmente ele morava em Goiânia e prestava sua colaboração na Paróquia Nossa Senhora das Graças como vigário paroquial.
O corpo do padre chegará em Americana pela madrugada e o sepultamento está programado para acontecer na terça-feira, às 15h, no Cemitério da Saudade de Americana.
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Sinopse - Menino na nuvem - Vergilio Zoppi
Este opúsculo quer ser uma singela homenagem às pessoas simples e generosas, que dedicam sua vida ao bem do próximo, tentando levar um pouco de luz às mentes e uma chama de amor aos corações. Deseja ainda exautar a figura de uma pessoa bem especial, de um homem sem estudo acadêmico, mas rico de grande sabedoria e perspicácia, que saiba expressar em termos usuais e caseiros nobres sentimentos, ditos gentis e profundos pensamentos.
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Livros:
- Retalhos da Vida Estigmativa, Pe. Vergílio Zoppi
- Os Seroes de Tia Maria, Vergilio Zoppi
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quarta-feira, 17 de abril de 2013
FRANCISCO BISPO SE TRANSFERE PARA A PÁTRIA ESPIRITUAL
Pai extremado, esposo dedicado, amigo em todas as horas, funcionário federal exemplar, cidadão idôneo, grande trabalhador na área do movimento espírita da Bahia,exercendo a presidência da Federação Espírita do Estado da Bahia e, por vários anos, a Secretaria da Comissão Regional Nordeste, órgão do Conselho Federativo Nacional - Federação Espírita Brasileira, Francisco Bispo dos Anjos retornou à pátria espiritual, no dia 13 de abril.
A comunidade espírita baiana reconhece na sua figura e seu trabalho o maior exemplo de vivência federativa e unificacionista nos últimos 60 anos de atuação, sendo o principal gestor e articulador da reorganização do movimento federativo logo após o Pacto Áureo tanto na fase da União Social Espírita da Bahia como na organização da atual Federação Espírita do Estado da Bahia. Hábil em superar as divergências e implementar os consensos deixa um precioso legado de paciência, perseverança e amor ao ideal espírita.
Por: Edinólia Peixinho
Fonte: http://cr03.blogspot.com.br/2013/04/francisco-bispo-se-transfere-para.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+ConselhoRegionalEspirita03+(CONSELHO++REGIONAL+ESPIRITA++03)
domingo, 7 de abril de 2013
COMO FOI PSICOGRAFADO O LIVRO MEMÓRIAS DE UM SUICIDA 28/10/2010
Material extraído do livro Pelos Caminhos da Mediunidade Serena. Em agosto de 1975, o extinto periódico carioca Obreiro do Bem, publicou mais uma entrevista de Yvone Pereira. Uma entrevista histórica, em que a pupila de Charles fala sobre os primeiros contatos com o espírito Camilo Castelo Branco. Obreiros do Bem – Todos os espíritas reconhecem memórias de um suicida como uma autêntica obra prima, desses livros que aparecem a cada cem anos. Como se travou seu conhecimento com Camilo Castelo Branco e quais as circunstâncias que cercaram a captação do livro? Yvone Pereira - Creio que meu conhecimento com Camilo seja até de vidas passadas, porque, segundo as referencias que tenho a respeito de meu pretérito, eu residi, ou pelo menos desencarnei, em Lisboa, Portugal, e a primeira vez que o vi, nesta presente existência, contava doze anos, somente, não sabia que fosse ele Camilo Castelo Branco. Vi aquele espírito muito triste, torturado, mas, repito, não sabia que era Camilo. No ano de 1956, depois de ter sido dado a público, Memórias de um Suicida, em novembro de 1955, fui pela primeira vez, a Pedro Leopoldo. Nunca havia conversado com o Chico, do mesmo modo, portanto, que nunca havíamos trocado ideias sobre esse assunto. Estávamos, então, na residência de Chico, onde, na sala, conversávamos com D. Esmeralda Bittencourt, de quem ele era muito amigo, e a qual havia perdido dois filhos, em circunstâncias trágicas. Chico Consolava-a muito. Foi quanto recebeu para d. Esmeralda uma comunicação do filho que havia falecido depois do que escreveu alguma coisa que passou às minhas mãos, dizendo tratar-se de um soneto de Antero de Quental, a mim endereçado. “Diz ele”, continuou o Chico, que, quando se deu o seu suicídio em Lisboa, ele era mocinho e recorda-se muito dos comentários da sociedade, a esse respeito. Aceitei plenamente a comunicação, porque Chico não sabia de nada do que se havia passado comigo,nem mesmo na existência presente. Procurei, então, saber a época em que viveu Antero de Quental: e vim a constatar que foi justamente o tempo de Camilo Castelo Branco. Quanto às circunstancias de captação do livro, não creio haja acontecido de algo especial, propriamente. Apenas um belo dia, em 1926, depois do receituário que desenvolvia no centro espírita de Lavras, senti o braço escrever, vi Camilo, e começaram desde então a surgir os episódios de memórias de um suicida. Acontece que o escritor dava apenas as narrativas, sem nenhum comentário doutrinário. Como fosse muito nova e conhecesse pouco à doutrina,eu passei a achar que talvez se tratasse de mistificação; mas, como gostasse, no fundo, do que por assim dizer surgia no papel, continuei a escrever, diariamente, na instituição já citada, após o receituário abundantíssimo. Só vinte e cinco anos, após, quando eu morava no Rio de Janeiro, tendo os espíritos me orientado no sentido de rever o livro bem como termina-lo, porque ele não estava completo, foi que se apresentou Léon Denis e auxiliou Camilo a elaborar o conteúdo doutrinário existente da obra. Notas: 1- Divaldo P. Franco, em entrevista a mim concedida para a composição do livro Yvone Pereira: uma heroína silenciosa, afirmou que Francisco Candido Xavier, lhe havia contado impressões do espírito André Luiz sobre Memórias de um suicida. Andre Luiz, dizia a Chico, considerava-o o livro dos últimos cinquenta anos e dos próximos cinquenta, ou seja, uma obra que viera marcar um século. 2-Antero T. Quental era originário de Açores, tendo nascido em Ponta Delgada a 18 de abril de 1842, vindo a cometer suicídio 11 de setembro de 1891, também em Açores. Poeta e escritor, invulgar e foi licenciado em direito, tendo deixado textos políticos, poemas líricos-filosoficos, prosas sócio-históricas e outros. A considerar o que o texto afirma o suicídio de Yvone, em Lisboa, teria acontecido entre os anos de 1854 a 1867, considerando uma margem de erro razoável, em relação à mocidade aludida por Antero. Fonte: Pelos caminhos da Mediunidade Serena/ Yvone do Amaral Pereira – 1ª Ed., 1ª reimp. – São Paulo, SP: Lachâtre, 2007, pag.35-36. Imagem: Google.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Maria Máximo: A grande mentora da caridade em Santos
Cirso Santiago
Esse Espírito de elevada hierarquia reencarnou numa localidade denominada Rio Dades, em Portugal, no dia 14 de dezembro de 1884. Seus pais, Aurélio Augusto Mesquita de Azevedo e Ismênia de Jesus deram-lhe o nome de Maria da Piedade. Sua infância e juventude certamente ocorreram em Rio Dades. Mas dessas duas fases importantes de sua vida não há testemunhos. O que se sabe mesmo é que ela consorciou-se com o jovem Miguel Máximo e daí para frente adotou o sobrenome do esposo. Maria Máximo e Miguel Máximo eram artistas de teatro e viviam das glórias da ribalta, colhendo em Portugal e, depois, em vários outros países europeus os merecidos aplausos de platéias seletas e amantes da bela Arte Cênica.
Tornaram-se conhecidos artisticamente como o "Duo Max", cuja fama atravessou o Oceano Atlântico e chegou ao Brasil, onde empresários desse meio artístico esperavam ansiosos por novidades.
Não passara muito tempo e o "Duo Máx" desembarcara no porto de Santos. Viera contratado, a fim de se apresentar em palcos brasileiros. Tanto quanto na Europa, o casal Maria e Miguel Máximo alcançou grande sucesso aqui também. A cada uma de suas apresentações em palcos diferentes as platéias delirantes aplaudi-os de pé, demonstrando superlativo agrado.
Depois de anos de trabalho em palcos brasileiros um novo acontecimento mudou o rumo da vida do casal. O Alto convocou-os a ingressarem num outro palco da vida, em que os cenários e as platéias eram outros bem deferentes.
Por força de compromissos espirituais Maria Máximo viu-se portadora de mediunidade aflorada e percebeu logo que essa ferramenta de trabalho não lhe viera de graça. Era preciso fazer jus para mantê-la ativa e em progresso. Confabulou com o esposo sobre sua nova responsabilidade e ele, sempre dócil, aceitou também a nova tarefa como auxiliar de sua amada.
As tradicionais e amplas cortinas de veludo vermelho se fecharam. As luzes da ribalta foram apagadas e o "Duo Max" se desfaz artisticamente, mas o casamento se mostra firme como rocha de granito e eles continuam operando com a mesma alegria de sempre num outro palco: o palco da caridade. O cenário aqui representa sempre a pobreza e por vezes a miséria material e também a espiritual. As novas platéias em vez de serem compostas de criaturas abastadas que riem por qualquer bagatela, eram de criaturas sofredoras, angustiadas, embora algumas até não tivessem necessidade de ajuda material, mas eram carentes de bens espirituais, a desafiarem suas capacidades de amor, de fraternidade e paciência.
Não tiveram grandes dificuldades para se adaptarem à Arte da Caridade, mormente Maria Máximo que era mais preparada para essa tarefa. O que é justificável porque sabemos que os artistas são criaturas mais ou menos sensíveis às inspirações que lhe chegam do Alto.
Corroborando com essa assertiva, Sylvio Brito Soares diz em sua extraordinária obra: "Grandes Vultos da Humanidade e o Espiritismo", o seguinte: "O Espiritismo, e quando assim nos expressamos referimo-nos à ação dos Espíritos desencarnados, o Espiritismo, repetimos, tal como o sopro divino, se espalha por toda a parte, penetra em todas as camadas sociais, tem luz apropriada a todos os graus da inteligência humana. Ele tem sido tão necessário, como o será, por todo o sempre, à evolução dos homens, da mesma forma que o oxigênio o é para a manutenção da vida orgânica!
Não nos receamos de afirmar que os Espíritos desencarnados têm influído, continuam e continuarão influenciando os homens de ciência e os cultivadores das artes, (grifamos) muito embora grande parte desses favorecidos os desconheçam completamente, e, quando se admiram de haverem tomado esta ou aquela atitude decisiva em suas pesquisas, ou de terem idéias magníficas, atribuem, simploriamente, à sorte, à casualidade, à sua boa estrela, ou à inspiração feliz!
Sabemos, porém, que essa inspiração, boa estrela, casualidade, sorte, tudo enfim, nada mais é do que a inspiração amiga, oculta e desinteressada de nossos irmãos da Espiritualidade!
E os Espíritos que se comprazem em auxiliar seus irmãos encarnados, para que eles consigam avançar na senda do progresso e possam melhor sentir a grandeza divina, não se agastam quando os homens não reconhecem neles os seus mentores nas várias atividades a que se entregam aqui na Terra."
Como veremos na seqüência desse nosso trabalho jornalístico, Maria Máximo conhecia décor e salteado essa Cartilha da mediunidade. Tanto que convenceu o esposo e largaram a Arte Cênica, embora estivessem no auge do sucesso artístico, e passaram de mala e cuia para o Proscênio da Arte Mediúnica caritativa.
Tinham consciência, entretanto, de que para exercerem bem essa nova função precisavam de um novo palco. Eis que Maria Máximo, com o apoio irrestrito do esposo, funda em janeiro de 1937, o Centro Espírita "Ismênia de Jesus", à Rua Pereira Barreto, 34, no bairro Gonzaga, na cidade de Santos, prestando, assim, justa homenagem àquela que lhe trouxe à luz deste mundo. Aproximadamente um ano após, muda a instituição para a Av. Conselheiro Nébias, n° 490.
Logo ampliam-se as condições para se ter uma sede própria ampla e confortável. Maria Máximo não vacila e vai à uma nova luta. Se envolve com uma nova construção, a fim de materializar o seu ideal de sede própria. E em dezembro de 1939 inaugura, com seus companheiros da época, a sede própria na Rua Campos Melo, n° 312, com um salão para 600 pessoas e um berçário, em que ela acolheu de imediato mais de vinte crianças abandonadas.
O Centro Espírita "Ismênia de Jesus" , a partir dessa época recebe um cognome muito especial e adequado à sua característica social: " Casa dos Pobres" , até hoje mantido gravado no cimento em sua fachada.
Tudo isso para muitos já era o suficiente para trabalhar muitos anos e certamente bastava. Mas, para Maria Máximo era os primeiros passos da caminhada contratada no mundo espiritual. Por isso mesmo seu espírito empreendedor e sua vontade de solidarizar-se com o sofrimento alheio queria mais, muito mais...
Eis que em 1941 vamos vê-la inaugurando no mesmo terreno ampla cozinha e um refeitório com 225 metros quadrados, onde passa a distribuir alimentos preparados a mais de 150 pessoas, diariamente. Essa iniciativa venceu o tempo e continua até hoje, sem interrupção de um só dia, desde 24 de agosto de 1941.
Maria Máximo, como vemos, não se limitou tão somente à parte doutrinária e nem tampouco estacionou na tarefa mediúnica. Sua força empreendedora inesgotável estava sempre sondando novas formas de servir. Sentiu o drama da infância abandonada e dos famintos desesperançados e olhando mais longe percebeu que não bastava dar-lhes o peixe. Era necessário e mais produtivo ensinar-lhes o manejo da pesca, mormente à juventude que vinha florescendo... E a Educação saltou de imediato sob seus olhos atentos. Estava definida sua nova vereda de ação comunitária. No dia 7 de setembro de 1944, um novo prédio de três andares , com 1.200 metros quadrados era inaugurado no terreno da Av. Conselheiro Nébias, 425, onde passou a atender mães solteiras carentes. Três anos depois seria instalada nesse mesmo prédio a Escola Espiritualista "Ordem e Progresso", que mantém os cursos Pré-Primário, Primário e o Segundo Grau.
Em fevereiro de 1947 a Prefeitura Municipal de Santos expediu o alvará de habitabilidade de n° 45. Em março do mesmo ano, o Prof. Alcides Hipólito Luiz Alves, como Diretor do Colégio "Ordem e Progresso" recebeu a Professora Maria José Gomes, a qual foi contratada para ser regente do Colégio. Ainda no mesmo mês de março chegou a Autorização n° 358 de funcionamento da Escola. A mesma foi entregue pelo então Delegado Regional do Ensino, o Sr. Luiz Damasco Pena e expedida pela então Secretaria dos Negócios da Educação e Saúde Pública. A autorização manteve os Cursos Pré-Primário, Primário fundamental. A liberação do Curso Colegial veio tempos depois. E no dia 10 de abril de 1947, acontecia festivamente a Aula Inaugural da Escola.
Nos últimos 56 anos, a Escola "Ordem e Progresso" participou de Campanhas, Cursos e atividades municipais, estaduais, e internacionais, sempre com destaque, enfim, integrou-se completamente à comunidade santista. Recebeu diplomas de Mérito, como aconteceu na Campanha de Defesa das Utilidades públicas e Privadas, ocorrida em dezembro de 1967. Bem como na Comemoração da Semana do Exército também efetivada em 1967. E na exposição de Desenhos da Enciclopédia Britânica do Brasil, em 1994 e na Segunda Micro Bienal Santista do livro acontecida em 1995 entre outras.
Na atualidade, essa Escola possui mais de quinhentos alunos, distribuídos da 1a a 8a séries. Possui laboratório e sala de vídeo, destinada às aulas de Audio-Visual. Tem uma boa estrutura técnico-pedagógica. Suas vagas são muito disputadas, pois, além de tudo, tem o privilégio de ser uma das melhores escolas da cidade de Santos. E já formou mais de 12 turmas da oitava série.
Histórico da Instituição "Ismênia de Jesus"
Localizada na Rua Campos Melo, 312, em Santos, SP- Telefone: ( 13) 3233- 3095 ocupa uma área de 6.000 metros quadrados, com os seguintes Departamentos: Centro Espírita Ismênia de Jesus, que divulga a Doutrina Espírita através de várias atividades doutrinárias e sociais, todos os dias. A "Casa dos Pobres, que serve sopa diariamente, sem interrupção. A Creche que assiste e educa cerca de 300 crianças diariamente. O Colégio, que atende mais de 500 alunos do Pré-primário, do 1o e do 2o Graus, entre outros departamentos coadjuvantes. Há ainda a Sub-Sede em Ribeirão Pires, construída numa área de 287.800 metros quadrados à Rua Cap. José Galo, 1074 e 1514 -Telefone: (11) 4828-3103 , onde funciona um centro espírita, denominado também "Ismênia de Jesus", que mantém semanalmente reuniões doutrinárias, assistência espiritual, cursos e palestras, e o Lar Escola "Ismênia" de Jesus, onde cerca de 50 crianças socialmente carentes recebem, diariamente, refeições e orientações educacionais. Uma administração inteligente e enxuta consegue acionar e manter todo esse trabalho com um custo entre 130 a 140 mil reais/ mês. A Sub-sede, com 1.800 metros quadrados de construção tem um Diretor autônomo, o Sr. Wilson Gonçalves Couto, 56 anos, espírita de berço, que é apoiado por sua esposa, a Sra. Vera Lúcia Couto que ocupa o cargo de Secretária. Ali, também, funciona uma Granja, em que são produzidos ovos, e hortaliças para uso da instituição em geral.
Maria Máximo administrou sua obra enquanto teve forças para tal empreitada. Realizou muito numa época de crise nacional e internacional, 1939 a 1945, período em que se desenvolveu na Europa a Segunda Grande Guerra. Além de tudo não podemos esquecer que naqueles tempos a mulher era muito discriminada não só pelo sexo masculino, mas também pela Sociedade como um todo. A mulher era educada para o casamento, cuidar do lar, dos filhos e do esposo. Qualquer vôo mais alto que quisesse alçar já lhe cortavam as asas. Maria Máximo rompeu tudo isso e nos legou uma belíssima Obra, onde o trabalho doutrinário e social de qualidade vem se desenvolvendo há tantos anos consecutivos.
A preocupação com os sofrimentos alheios empurrava-a sempre para novas iniciativas. Um trabalho dessa envergadura certamente fora programado em paragens espirituais e obedecia vontades superiores e a nossa biografada recebia o apoio e orientações de seu guia espiritual, do Espírito "Pai Aurélio", que fora seu genitor, o Dr. Aurélio Augusto de Azevedo. Esse ex-médico português, segundo palavras de sua filha, incentivava-a constantemente, dizendo-lhe que o "Banco da Misericórdia Divina não a deixaria sem recursos para a Obra e que os mesmos apareceriam de forma inesperada", instando-a sempre a construir e prosseguir confiante e segura.
Maria Máximo, mulher bondosa, inteligente, médium clarividente, audiente, psicógrafa, de desdobramento, de transfiguração, de psicofonia e de excepcional capacidade curadora, atendia diuturnamente as pessoas que a procuravam, vindas de toda parte, algumas de muito longe. Oradora inspirada, era ouvida por grande assistência em absoluto silêncio. Pessoas das camadas sociais mais simples até as de grande cultura e elevada posição social e financeira, buscavam-na sequiosos de esclarecimentos e consolo.
A assistência material e a assistência espiritual multiplicaram-se em número e grau e ocupavam o tempo de Maria Máximo integralmente. Ela dispensava qualquer sugestão de descanso e se dedicava a esses trabalhos de corpo e alma, como se diz entre nós, os brasileiros. Essa benfeitora era uma rocha granítica e não se deixava abater espiritualmente, reciclando suas forças nas necessidades alheias, esquecida de si mesma. Mas, como sabemos, o tempo não perdoa ninguém. Maria Máximo, como qualquer mortal, também foi envelhecendo e apesar do seu espírito lutador, o seu corpo físico foi sentindo a luta exacerba e continua, a ponto de trazer preocupações a muitos de seus companheiros de trabalho que começaram a pressioná-la para que repousasse, a fim de recuperar as energias orgânicas. Ela, no entanto, ainda que polidamente, rechaçava toda e qualquer sugestão que lhe fizessem nesse sentido. O mais aconselhável, então, era apelar para alguém de respeitabilidade que pudesse persuadi-la de que o trabalho é importante, mas o descanso em qualquer área de atividade não é indispensável.
Maurício de Jesus Mariano, então Primeiro Secretário da Diretoria Executiva enviou uma carta ao médium Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier), em que noticiava, entre outras coisas: "Nossa irmã Maria Máximo está muito enfraquecida em sua matéria, rogai a Jesus para que a fortifique e muito particularmente vos peço, lhe aconselheis bastante repouso, que é o que ela mais necessita e à única coisa que se torna rebelde, apesar das muitas recomendações de Pai Aurélio (seu guia espiritual). A carta de Mariano foi escrita no dia 19 de janeiro de 1946. Eis que no dia 26 do mesmo mês ela mesma em carta que enviou ao Chico Xavier, com quem mantinha correspondência e visitas pessoais, diz: "Quero pedir-te um grande favor que, por certo não me negarás. Pai Aurélio pede-me repouso, Dr. Carneiro , pede-me repouso, mas as mensagens que recebo são sempre estímulo ao trabalho e, como sabes, sou filha carnal de Pai Aurélio, pedia-te orientação dada por Emmanuel, para sossego de meu espírito, pois não sei se estou obedecendo ou desobedecendo."
Há de se compreender que ela estava consciente do seu desgaste físico e também sofria preocupações, mas acima de tudo para ela estava o seu dever cristão. Assim, tornava-se-lhe irrelevante o sofrimento imposto pela enfermidade. Lutava pelo seu idealismo: servir sempre, impugnando o descanso, que se aceitasse seria muito merecido. Como se fizesse uma viagem em águas rebuliças, remava o quanto podia para vencê-las até mesmo além de suas forças, a fim de não deixar de atender a tudo e a todos.
Esta é Maria Máximo! A grande Obreira da Caridade, que atuou, por tantos anos a fio na cidade de Santos, com denodo incomensurável, como excelente médium consoladora e de cura. Trabalho este, que apesar de ser gratificante, espiritualmente considerando, é muito árduo e desgastante, pois as necessidades vinham de todas as partes, em avalanches bater à sua porta.
O agravamento progressivo e acentuado de seu estado físico levou seus parceiros de luta e de ideal espírita/cristão a transferi-la para a Granja "Fé, Esperança e Caridade", propriedade deveras agradável do "Ismênia de Jesus", localizada na hoje Estância de Ribeirão Pires, onde as crianças assistidas por ela no Internato de Santos, passavam suas férias.
Afastando-a do palco das lutas mais acerbas, obrigaram-na a aceitar o repouso por ela tão adiado e tão necessário. Conseguiram, em parte, o intento, pois mesmo distante 60 quilômetros de Santos, Maria Máximo arrumou um jeito de dar continuidade ao seu trabalho em benefício dos desvalidos. Ela passou a freqüentar a reunião de desobsessão no centro espírita local, em que atendia os espíritos sofredores, que compareciam espontaneamente em busca de consolação, ou eram trazidos por bons samaritanos espirituais, a fim de que ouvissem a tertúlia evangélica e fossem esclarecidos quanto à sua situação de desencarnados e convencidos a tomarem outros rumos em suas caminhadas. Aí também seu canal mediúnico era usado pelos mentores espirituais que eram pródigos em incentivar o grupo a se manter unido e dar continuidade à tarefa normal, houvesse o que houvesse. Nesse "exílio" a nossa expoente permaneceu dois anos, sem jamais deixar de cumprir seu missionato um dia sequer.
Intimorata, cheia de fé ela foi em frente até que seu corpo físico depauperado entregou os pontos. Aos 10 de agosto de 1949 o seu coração, que tanto amor dispensou por onde passara, parou. A luta, a perda do esposo, que desencarnou em 24 de agosto de 1940, separação forçada, que muito a abateu, pois entre eles havia um companheirismo verdadeiro, que os uniu como artistas e também no palco denominado, por ela com muito carinho de Casa Espírita "Ismênia de Jesus. Outras razões houveram para o seu enfraquecimento: o excesso de trabalho e as incompreensões que sempre impõem barreiras ao trânsito dos verdadeiros missionários, que agem em nome de Deus e de Jesus. Na chácara "Esperança e Caridade", em Ribeirão Pires, onde cumpria repouso forçado, ninguém poderia imaginar que dentro em pouco ela retornaria para despedir-se dos fiéis companheiros.
Enquanto alguns irmãos presentes na hora de sua passagem para o "outro mundo", tudo faziam para reanimá-la, os amigos espirituais preparavam-na para dar sua primeira comunicação após o desencarne.
Não fazia ainda duas horas que seu coração havia parado e eis que ela se serve de um companheiro médium que estava no local e foi logo dizendo: "Minha carta de alforria chegou". E despediu-se confortando e encorajando os companheiros a continuarem a zelar pela sua plantação.
Pela força de seu Espírito, pelo vigor do seu ideal, pelo seu desprendimento e trabalho, sua Obra continua e continuará a produzir frutos sazonados e em quantidade admirável!
A título de ilustração, narremos aqui um caso insólito, mas muito positivo proporcionado pelos recursos mediúnicos de Maria Máximo, quando ela ainda estava na cidade de Santos à frente do Centro Espírita "Ismênia de Jesus". Ela teve necessidade de ausentar-se da instituição por algum tempo e deixou a Casa por conta de alguns dos seus colaboradores. No retorno, ela encontrou na Secretaria um cheque de alto valor, que um senhor deixara lá como doação. Maria Máximo, acostumada a lidar com doações que chegavam à instituição, encabulou-se diante do referido cheque e se pôs a matutar... Após raciocinar e investigar sobre o doador, concluiu que ele, talvez, tivesse se enganado na hora de preencher o cheque e resolveu procurá-lo, a fim de esclarecer aquela doação altíssima.
No dia seguinte, bem cedo, ela seguiu, com alguns auxiliares, para a Capital à procura do misterioso doador de tão significativo valor.
Em bela mansão, localizada num dos bairros mais importantes da cidade de São Paulo, Maria Máximo e seus acompanhantes foram recebidos cortesmente por um cidadão bem posto, barba bem feita, cabelos alinhados, apresentando na altura das têmporas respeitáveis cãs. Era o mesmo que esteve no Centro Espírita "Ismênia de Jesus", conforme atestou um dos seus acompanhantes. A visitante se apresentou e explicou a razão de sua visita ao dono da mansão.
O Cel. Adindo Ribeiro solicitou-lhe que entrasse em sua casa e lá dentro manifestou sua alegria por ver tanta honestidade numa pessoa que tinha tanto o que fazer com os recursos monetários que chegavam à sua instituição. Depois de dizer isto, pediu-lhe o cheque e olhando-o disse com tranqüilidade: "Não houve engano nenhum. Eu quis doar realmente este valor à sua instituição. Leve-o de volta e aplique-o como quiser!"
Maria Máximo agradeceu a generosidade do Cel. e já se preparava para despedir-se dele, quando o Pai Aurélio lhe surpreendeu com o seguinte recado:
- "O cheque foi só uma desculpa que encontramos para que você pudesse adentrar nesta mansão, onde há um jovem manietado em camisa-de-força, esperando o socorro da sua faculdade mediúnica..."
Maria Máximo incontinente revelou ao Coronel o que acabara de ouvir de seu guia espiritual. Ele, como era de se esperar, espantou-se e pensou: "Como ela soube desse meu segredo?" Pois, ele, realmente tinha um filho completamente louco confinado num dos cômodos da mansão, sob os cuidados ininterruptos de dois enfermeiros. Mas isso não era do conhecimento público, pois sendo ele um homem rico e político influente não podia expôr essa chaga familiar ao conhecimento alheio. Hoje pode parecer estranho a alguns dos nossos leitores que um pai mantivesse sob seu teto um filho nessas condições. De fato é estranho e até mesmo pouco cristão. Ocorre que naquela época e até bem mais tarde no Brasil os hospitais para tratamento de doentes mentais, os chamados manicômios eram raros. Nós mesmos, na infância testemunhamos um caso semelhante. Um filho, o Sr. Pedro Rocha, que mantinha sua própria mãe reclusa num quarto, onde ela era assistida inclusive por um médico.
Diante daquele homem agitado, Maria Máximo não teto um filho nessas condições. De fato é estranho e até mesmo pouco cristão. Ocorre que naquela época e até bem mais tarde no Brasil os hospitais para tratamento de doentes mentais, os chamados manicômios eram raros. Nós mesmos, na infância testemunhamos um caso semelhante. Um filho, o Sr. Pedro Rocha, que mantinha sua própria mãe reclusa num quarto, onde ela era assistida inclusive por um médico.
Diante daquele homem agitado, Maria Máximo não perdeu tempo e acionada por Pai Aurélio, pediu permissão para visitar tal criatura. O Cel. se mostrou reticente e logo esclareceu que isto era arriscado, porque o rapaz era muito agressivo. Em franca obediência ao seu Guia, ela continua insistindo até ser liberada pelo receoso pai.
Chegando ao quarto em que o moço está confinado, o Coronel chama os enfermeiros e lhes recomenda atenção porque àquela mulher quer ver o enfermo, embora ele já tenha prevenido-a dos riscos que estaria sujeita. A porta é aberta e ela vê-o, manietado pela camisa-de-força encolhido num canto do cômodo, olhos arregalados, cabelos ouriçados, semelhante à uma fera. Maria Máximo solicita que os enfermeiros o libertem da camisa-de-força. Eles obedecem e ela destemida vai se aproximando do rapaz... Era como a força dos seus olhos o mantivesse imóvel. A cena, apesar de dramática, era comovente para quem não duvidava da misericórdia do Pai. Maria Máximo estende as mãos sobre a cabeça do jovem e esse se estrebucha e diz algumas coisas desconexas. Ela continua dispensando-lhe os recursos terapêuticos do Passe e dentro de alguns instantes o rapaz levantou-se, demonstrando estar consciente e senhor do seu corpo físico. Maria Máximo conversou com ele por alguns minutos e despediu-se, desejando-lhe toda a felicidade do mundo. Bastou-lhe aquele abençoado passe para que sua obsessão virasse apenas uma boa história para ser contada às novas gerações...
O Coronel Arlindo Ribeiro do Amaral, vendo seu filho completamente curado, tornou-se grande amigo da médium Maria Máximo e de sua instituição. Amplamente agradecido aproxima-se ainda mais da Obra de Maria Máximo, em Santos, e passa a injetar ali mais dinheiro. Agora mais integrado à instituição, verificou o quanto se lutava lá dentro para desenvolver as atividades beneméritas. Preocupado com a perenidade dessas atividades, vendeu uma de suas fazendas e depositou o dinheiro dessa venda no Banco do Brasil, que aplicava todo o capital e repassava, mensalmente, os juros à Entidade "Ismênia de Jesus".
Em Ribeirão Pires, o Cel Arlindo Ribeiro do Amaral adquiriu uma gleba e doou à Instituição "Ismênia de Jesus". Mais tarde ele comprou de sua própria filha a propriedade vizinha e presenteou, mais uma vez, essa instituição. Na Escritura definitiva foram juntadas as duas propriedade que somam alguns alqueires, onde depois foi erigido o Centro Espírita "Ismênia de Jesus", no. 2. Diversas vezes o Cel Arlindo Ribeiro do Amaral deu dinheiro sonante à Maria Máximo, recomendando-lhe que comprasse propriedades em Santos.
O amigo leitor, deve estar questionando: "Por que esse Coronel abrira sua "burra" tantas vezes, à Maria Máximo. Seria somente pela cura filho?"
Bem, essa é uma razão fortíssima para justificar a bondade desse político/militar. Contudo, sua atitude em relação ao "Ismênia de Jesus" não deixa de ser intrigante. Mais à frente, veremos que sua vocação benemérita tinha muito a ver com o seu passado arbitrário e delituoso.
Revelações póstumas
Conforme preceitos da Doutrina Espírita, tudo no universo se encadeia. Nada há independente. Do mais ínfimo ser até o mais amplo corpo celeste são partes de uma mesma esteira evolutiva que avança em direção ao infinito, regida por leis divinas. Olhando por esse prisma doutrinário, nós, espíritas, admitimos a evolução do Espírito através das existências múltiplas neste mundo material e em muitos outros, sempre formando e reformando grupos afins.
Embasado nesses conceitos, o Sr. Camilo Lourenço, presidente da Instituição Espírita "Ismênia de Jesus" diz que na Instituição há arquivadas informações mediúnicas seguras de grande importância para o movimento espírita, a saber:
Primeira informação: Maria Máximo era a Dona Domitila de Castro Canto e Melo reencarnada - a Marquesa de Santos (1797 -1867).
Segunda informação: O médico Aurélio Augusto Mesquita de Azevedo, genitor de Maria Máximo (Pai Aurélio) fora a reencarnação de Dom Pedro I - o Infante.
Terceira informação: Ismênia de Jesus, genitora de Maria Máximo fora a reencarnação da Imperatriz Leopoldina.
Quarta informação: O coronel Arlindo Ribeiro do Amaral, no tempo do Império no Brasil fora um político influente e desonesto, que aproveitando-se de sua posição política confiscou muitas propriedades de Dona Domitila de Castro Canto Melo - a Marquesa de Santos, que mais tarde se apresentou na Terra como Maria Máximo. É o mesmo Espírito em duas roupagens carnais diferentes, em épocas distintas.
De modo que o Cel. Arlindo Ribeiro do Amaral, reencarnando-se na mesma época que Domitila reencarnou como Maria Máximo, reviu o seu passado delituoso e se justificou perante a Lei de Deus, devolvendo à Maria Máximo tudo que havia roubado da Marquesa de Santos, ou seja ela mesma.
Como disse Jesus, nada sobre a Terra fica encoberto e nem impune perante as leis divinas. O que por direito for de um homem, por justiça retornará a esse mesmo homem, ainda que por vezes demore séculos...
Não foi sem razão que os espíritas franceses mandaram gravar no frontispício do túmulo do mestre Allan Kardec, localizado no Cemitério Pere Lachaise, em Paris, a seguinte frase: "Nascer, morrer, renascer e progredir sempre. Essa é a lei".
(Veja os box sobre Domitila, Dom Pedro e a Imperatriz Leopoldina)
A imperatriz Leopoldina - Arquiduquesa da Áustria, Leopoldina casou-se por procuração com o príncipe D. Pedro I e, a caminho do Brasil, ficou retida na Itália por causa do movimento revolucionário em Pernambuco. Recusou-se a voltar para Viena e insistiu em juntar-se ao marido para a seu lado correr os riscos do momento revolucionário.
Carolina Josefa Leopoldina, que no Brasil passou a usar os nomes de Leopoldina e Maria Leopoldina, imperatriz do Brasil, nasceu em Viena. Áustria, em 22 de janeiro de 1797. Era filha do imperador Francisco I da Áustria e II da Alemanha, da casa real dos Habsburgos, e de D. Maria Isabel de Bourbon Nápoles. Sua união com o príncipe português resultou de conversações diplomáticas no Congresso de Viena.
Muito culta, D. Leopoldina interessava-se especialmente por botânica e promoveu a vinda ao Brasil de naturalistas europeus como Von Martius e Von Spix. Em agosto de 1822 exerceu a regência do Brasil quando o marido, por razões políticas, seguiu para São Paulo, onde proclamou a Independência. Teve seis filhos, entre eles, D. Pedro de Alcântara, que subiu ao trono como D. Pedro II. D. Leopoldina morreu no Rio de Janeiro em 11 de dezembro de 1826, em conseqüência de parto prematuro. Seus restos mortais repousam no monumento do Ipiranga em São Paulo.
Domitila de Castro Canto e Melo - a Marquesa de Santos - Nasceu em 27 de dezembro de 1797. Seu pai era João de Castro Canto e Melo, coronel reformado e primeiro visconde de Castro. Ela casou-se em 1813, aos 16 anos com o alferes Felício Coelho Pinto de Mendonça, com quem teve três filhos. Entretanto, teve o seu casamento anulado em 1849 por interferência real. Motivo: durante dois anos houveram muitas brigas violentas, todas motivadas pelo ciúme, ela recebeu duas facadas na perna e ele sumiu.
Em agosto de 1822, pouco antes da proclamação da Independência, o então regente do reino do Brasil, D. Pedro I realizou uma viagem à cidade de São Paulo, tendo conhecido Domitila, que quando sorria enlouquecia os jovens do seu tempo. Ela era uma morena perturbante! Bem formada de corpo e de rosto, tinha olhos profundamente negros e o olhar esperto e malicioso. Os cabelos também negros, com as pontas encaracoladas. O rosto brejeiro e róseo, a boca carnuda e vermelha, muito úmida, possuía uma covinha em cada lado. Segundo os cronistas da época, os jovens se esmurravam por ela em público, era um verdadeiro escândalo, brigavam até na missa.
Logo depois da proclamação da Independência, D. Pedro I a levou para a corte, onde viveu durante sete anos. A favorita de D. Pedro I residiu até 1829 junto ao paço de São Cristóvão, num palacete que foi adaptado e decorado pelo artista Francisco Pedro do Amaral e doado pelo imperador à Domitila.
Introduzida na corte como primeira dama da imperatriz Leopoldina, Domitila recebeu o título de viscondessa de Santos em 1825. No ano seguinte foi elevada a marquesa.
Da ligação amorosa com D. Pedro I, Domitila teve quatro filhos: Isabel Maria Alcântara, nascida no Rio de Janeiro em 23 de maio de 1824, a qual foi dado o título de duquesa de Goiás; Pedro, que morreu na infância; Maria Isabel, que também desencarnou prematuramente e uma outra Maria Isabel, que nasceu em São Paulo, em fevereiro de 1830, após o rompimento dos pais. Esta última Maria Isabel tornou-se, depois do casamento, condensa de Iguaçu. De todos seus filhos legítimos, D. Pedro I preferia a Duquesa de Goiás. Tanto é que no seu testamento recomendou-a aos cuidados da imperatriz Maria Amélia, que a enviou para estudar em colégios de Paris e Munique. Maria Isabel casou-se em 1843 com Ernesto Ficher, conde de Treuberg e deixou numerosa descendência.
A presença de Domitila na corte após a morte da imperatriz Leopoldina criava dificuldades para o casamento de D. Pedro com dona Maria Amélia. Em 1829, Domitila e o imperador romperam o romance e ela voltou para São Paulo. Possuindo considerável fortuna, Domitila passou a viver maritalmente com Rafael Tobias de Aguiar, um dos homens mais ricos da região e destacado político liberal, com quem teve seis filhos, mas eles só casaram de fato em 1842.
Domitila, pelo que consta era uma mulher que despertava grandes paixões e sua fortuna crescia na medida em que se unia a outro homem. Gerou treze filhos e enviuvou-se em 1857, ainda mais rica. A História lhe faz justiça registrando que ela foi uma grande benemérita, virtude esta que se exacerbou quando ela viveu novamente na Terra como Maria Máximo. Domitila morreu em São Paulo, no dia 3 de novembro de 1867.
Adelaide Câmara - Aura Celeste
Adelaide Câmara
Grandes Espíritas do Brasil
Adelaide Augusta Câmara foi uma das mais devotadas figuras femininas do Espiritismo no Brasil, bem conhecida pelo seu pseudônimo de Aura Celeste.
Encarnou na cidade de Natal, Estado do Rio Grande do Norte, em 11 de janeiro de 1874, e desencarnou na cidade do Rio de Janeiro, em 24 de outubro de 1944.
Aura Celeste veio para a antiga Capital Federal em janeiro de 1896, graças ao auxílio de alguns militantes do Protestantismo, a cuja religião pertencia, os quais lhe propiciaram a oportunidade de lecionar no Colégio Ram Williams, o que fez com muita proficiência, durante algum tempo, até que organizou em sua própria residência, um curso primário, onde muitos homens ilustres do meio político e social brasileiro aprenderam com ela as primeiras letras.
Foi nesse período de sua vida, no ano de 1898, que começou a sentir as primeiras manifestações de suas faculdades mediúnicas. Nessa época, o grande Bezerra de Menezes dirigia os destinos da Federação Espírita Brasileira, revestido daquela auréola de prestígio e de respeito que crentes e descrentes lhe davam, e o Espiritismo era o assunto de todas as conversas, não só pelos fenômenos e curas mediúnicas, como pela propaganda falada, pelos livros e pela imprensa.
Sob a sábia orientação de Bezerra de Menezes começou a sua notável carreira mediúnica como psicografa, no Centro Espírita Ismael. O grande apóstolo do Espiritismo brasileiro, pela sua conhecida clarividência, prognosticou, certa vez, que Adelaide Câmara, com as prodigiosas faculdades de que era dotada, um dia assombraria crentes e descrentes. E essa profecia de Bezerra não se fez esperar, pois em breve Adelaide Câmara, como médium auditiva, começou a trabalhar na propagação da Doutrina, fazendo conferências e receitando, com tal acerto e exatidão, que o seu nome se irradiou por todo o País.
Com a desencarnação do inolvidável mestre, doutor Bezerra de Menezes, em 1900, Adelaide Câmara aproximou-se do grande seareiro que foi Inácio Bittencourt e, nas sessões do Círculo Espírita "Cáritas", passou a emprestar o seu concurso magnífico como médium e como propagandista de primeira grandeza.
Contraindo núpcias em 1906, os afazeres do lar, e a educação dos filhos mais tarde, obrigaram-na a afastar-se da propaganda ativa nos Centros, mas, nem por isso, ficou inativa. Nas horas de lazer, entrava em confabulação com os guias espirituais, e pôde receber e produzir páginas admiráveis, que foram dadas à publicidade na obra "Do Além", em 21 fascículos, e no livro "Orvalho do Céu".
Foi aí que adotou o pseudônimo de AURA CELESTE, nome com que ficou conhecida no Brasil inteiro.
Em 1920, retorna à tribuna e aos trabalhos mediúnicos, com tal vigor e entusiasmo, que o seu organismo de compleição franzina ressentiu-se um pouco, mas, nem por isso, deixou ela de cumprir com os seus deveres. O Dr. Joaquim Murtinho era o médico espiritual que, por seu intermédio, começou a trabalhar na cura dos enfermos e necessitados, diagnosticando e curando a todos quantos lhe batiam à porta, desenvolvendo-lhe, espontaneamente, diversas faculdades mediúnicas nesse período.
Além das mediunidades de incorporação, audição, vidência, psicográfica, curadora, intuitiva, possuía Adelaide Câmara, ainda, a extraordinária faculdade da bilocação. Muitas curas operou em diferentes lugares do Brasil, a eles se transportando em "desdobramento fluídico", sendo visível o seu corpo perispirítico, como aconteceu em Juiz de Fora e Corumbá (provadamente constatado), por enfermos que, sob os seus cuidados, a viram aplicar-lhes "passes".
Poetisa, conferencista, contista, e educadora sobretudo, deixou excelentes obras lítero-doutrinárias, em prosa e verso, assinando-os geralmente com o seu pseudônimo. É assim que deu a público "Vozes d"Alma", versos; "Sentimentais", versos; "Aspectos da Alma", contos; "Palavras Espíritas", palestras; "Rumo à Verdade" e "Luz do Alto". Esparsos em revistas e jornais espíritas, há muitas poesias e artigos doutrinários de sua autoria.
O grande jornalista e literato Leal de Souza, referiu-se a Adelaide Câmara como "a grande Musa moderna, a Musa espiritualista".
Em 1924, teve as suas vistas voltadas para o campo da assistência às crianças órfãs e à velhice desamparada. Centralizou todos os seus esforços no propósito de materializar esse antigo anseio de sua alma. Pouco, entretanto, pôde fazer em quase três anos de lutas. Aconteceu, então, que um confrade, João Carlos de Carvalho, estava angariando donativos e meios para a fundação de uma instituição dessa natureza, e, um dia, faz-lhe entrega da lista de donativos a fim de que Adelaide Câmara arranjasse novos óbolos para tão humanitário fim. Dias depois, João Carvalho desencarna, e ela fica de posse da lista e do dinheiro arrecadado.
Passados alguns meses, o Sr. Lopes, proprietário da Casa Lopes, que andava estudando a Doutrina, mostrou-se interessado na organização de uma instituição de amparo e assistência aos órfãos e Adelaide lhe informa possuir uma lista com alguns donativos para esse fim. A idéia foi recebida com entusiasmo e logo concretizada. Alugaram uma casa em Botafogo e aí foi instalado, no dia 13 de março de 1927, o Asilo Espírita "João Evangelista", sendo ela a sua primeira diretora. Compareceu a essa festiva inauguração o doutor Guillon Ribeiro, então 2o. secretário da Federação Espírita Brasileira e representante desta naquela solenidade. Adelaide Câmara, em breves palavras, exprimiu o júbilo de sua alma, afirmando realizado o ideal de toda a sua existência – "ser mãe de órfãos, graça do céu que não trocaria por todo o ouro e todas as grandezas do mundo".
Dedicou, daí por diante, todo o seu tempo a essa grandiosa obra de caridade, emprestando-lhe as luzes do seu saber e de sua bondade até o dia em que serenamente entregou a alma a Deus.
Com extremosa dedicação, trabalhou Aura Celeste em várias sociedades espíritas beneficentes da cidade do Rio de Janeiro, dando a todas elas o melhor de suas energias e de sua inteligência.
No Asilo Espírita "João Evangelista", porém, foi onde realizou sua tarefa máxima, não só como competente educadora, mas também como hábil orientadora de inumeráveis jovens que ali receberam, como ainda recebem, instrução intelectual e educação moral.
A vida e a obra de Adelaide Câmara foram uma escada de luz, uma afirmação de fé e humildade, e um perene testemunho de amor. Era a grande educadora que ensinava educando e educava ensinando, pelo exemplo.
Médium sem vaidades, sincera e de honestidade a toda prova, praticava a mediunidade como verdadeiro sacerdócio.
Dotada de sólida cultura teria, se quisesse, conquistado fama no mundo das letras. Poetisa de vastos recursos, oradora convincente e natural, senhora de estilo vigoroso e de fulgurante imaginação, tudo deu e tudo fez, com o cabedal que possuía, para o bom nome e o engrandecimento da Doutrina Espírita.
O Asilo Espírita "João Evangelista", no Rio de Janeiro, aí está ainda, em sede própria, atestando a obra e o devotamento à causa do bem daquela nobre mulher que se chamou Adelaide Augusta Câmara.
Adelaide Augusta Câmara, mais conhecida por Aura Celeste, foi a grande médium conhecida no Brasil inteiro, dado o vulto do seu trabalho no seio do Espiritismo.
Nasceu na cidade de Natal, Rio Grande do Norte, em 11 de Janeiro de 1874 e desencarnou no Rio de Janeiro, em 25 de Outubro de 1944.
Aura Celeste veio para antiga Capital Federal em Janeiro de 1896, graças ao auxílio de alguns militantes do Protestantismo, a cuja religião pertencia, os quais lhe propiciaram a oportunidade de lecionar no Colégio Ram Williams, o que fez com muita desenvoltura durante algum tempo, até que organizou, em sua própria residência, um curso primário, onde muitos homens eminentes do meio político-social brasileiro aprenderam com ela as primeiras letras.
Foi no ano de 1898 que começou a sentir as primeiras manifestações de suas faculdades mediúnicas. Nessa época, o grande Dr. Bezerra de Menezes pontificava a verdade espírita, revestido daquela auréola de prestígio e de respeito, que crentes e descrentes lhe davam, e o Espiritismo era o assunto de todas as conversas, não só pelos fenômenos e curas mediúnicas, como pela propaganda falada, pelos livros e pela imprensa, como, por exemplo, os artigos de Bezerra de Menezes no famoso jornal "O Paiz".
Adelaide Câmara, sempre ávida de luz e sequiosa de saber, lia essas crônicas admiráveis e consigo mesma resolveu ir ver de perto o que era o Espiritismo, não obstante o sectarismo da religião protestante a que estava filiada.
Sob a sábia orientação de Bezerra de Menezes começou a sua carreira mediúnica, como médium psicógrafa, no Centro Espírita "Ismael". O grande apóstolo do Espiritismo brasileiro, na sua desmedida clarividência, prognosticou, certa vez, que Adelaide Câmara, com as prodigiosas faculdades que era dotada, um dia, assombraria crentes e descrentes. E essa profecia de Bezerra de Menezes não se fez esperar, pois, em breve, Adelaide, como médium auditiva, começou a trabalhar na propaganda da Doutrina dos Espíritos, fazendo conferências e receitando, com tal acerto e exatidão, que o seu nome se irradiou por todo o país.
Com a desencarnação de Bezerra de Menezes em 11 de Abril de 1900, Adelaide Câmara aproximou-se do grande seareiro que foi Inácio Bittencourt e, nas sessões do Círculo Espírita Cáritas, passou a emprestar o seu concurso magnífico como médium e como propagandista de primeira grandeza.
Contraindo núpcias em 1906, os afazeres do lar e a educação dos filhos, mais tarde, obrigaram-na a afastar-se da propaganda espírita nos Centros, mas, nem por isso, ficou inativa. Nas horas de lazer, entrava em contato com seus guias espirituais e conseguiu receber e produzir páginas admiráveis, que foram dadas a público com o título de "Flores do Céu" e o fascículo denominado "Do Além".
Foi aí que adotou o pseudônimo de Aura Celeste, nome com que ficou conhecida no Brasil inteiro.
Em 1920, retorna a tribuna e os trabalhos mediúnicos, com tal entusiasmo, que seu organismo de compleição fransina ressentiu-se um pouco, mas nem por isso deixou de cumprir os seus deveres. O Dr. Joaquim Murtino era um médico espiritual que, por seu intermédio, começou a trabalhar na cura dos enfermos e necessitados, diagnosticando e curando todos quantos lhe batiam à porta.
Além das faculdades mediúnicas de incorporação, audição, vidência, psicografia, receitista, curadora, intuitiva, possuia Adelaide Câmara a faculdade transporte, faculdade rara. Ela foi vista com seu corpo perispiritual, em várias cidades do Brasil, como Juiz de Fora e Corumbá, aplicando passes em enfermos que estavam sob os seus cuidados.
Em 1927 teve as suas vistas voltadas para o grande campo da assistência aos necessitados de um lar, as crianças órfãs e à velhice desamparada. Neste ano fundou o Asylo Espírita João Evangelista.
A vida e a obra de Adelaide Câmara foram uma escada de luz, um exemplo de fé e um perene testemunho de amor. Foi grande educadora, que ensinava educando e educava ensinando. Poetisa de vastos recursos, oradora convincente, senhora de um estilo vigoroso, possuidora de uma imaginação prodigiosa, tudo deu e tudo fez para o bom nome do Espiritismo.
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