quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Mensagem de Eurípedes Barsanulfo



"Sempre estamos protegidos por nossos "Anjos" a nos alimentar o bom ânimo!"

Irmãos Queridos.

Diante dessa crise que se abate sobre o nosso povo, face a essa onda de pessimismo que toma conta dos brasileiros, frente aos embates que o país atravessa, nós, os seus companheiros, trazemos na noite de hoje a nossa mensagem de fé, de coragem e de estímulo. Estamos irradiando-a para todas as reuniões mediúnicas que estão sendo realizadas neste instante, de norte a sul do Brasil. Durante vários dias estaremos repetindo a nossa palavra, a fim de que maior número de médiuns possa captá-la. Cada um destes que sintonizar nesta faixa vibratória dará a sua interpretação, de acordo com o entendimento e a gradação que lhe forem peculiares.

Estamos convidando todos os espíritas para se engajarem nesta campanha. Há urgente necessidade de que a fé, a esperança e o otimismo renasçam nos corações. A onda de pessimismo, de descrédito e de desalento é tão grande que, mesmo aqueles que estão bem intencionados e aspirando realizar algo de construtivo e útil para o país, em qualquer nível, vêem-se tolhidos em seus propósitos, sufocados nos seus anseios, esbarrando em barreiras quase intransponíveis.

É preciso modificar esse clima espiritual. É imperioso que o sopro renovador de confiança, de fé nos altos destinos de nossa nação, varra para longe os miasmas do desalento e do desânimo. É necessário abrir clareiras e espaços para que brilhe a luz da esperança. Somente através de esperança conseguiremos, de novo, arregimentar as forças de nosso povo sofrido e cansado.

Os espíritas não devem engrossar as fileiras do desalento. Temos o dever inadiável de transmitir coragem, infundir ânimo, reaquecer esperanças e despertar a fé! Ah! a fé no nosso futuro! A certeza de que estamos destinados a uma nobre missão no concerto dos povos, mas que a nossa vacilação, a nossa incúria podem retardar. Responsabilidade nossa. Tarefa nossa.
Estamos cientes de tudo isto e nos deixamos levar pelo desânimo, este vírus de perigo inimaginável.

O desânimo e seus companheiros, o desalento, a descrença, a incerteza, o pessimismo, andam juntos e contagiam muito sutilmente, enfraquecendo o indivíduo, os grupos, a própria comunidade. São como o cupim a corroer, no silêncio, as estruturas. Não raras vezes, insuflado por mentes em desalinho, por inimigos do progresso, por agentes do caos, esse vírus se expande e se alastra, por contágio, derrotando o ser humano antes da luta. Diante desse quadro de forças negativas, tornam-se muito difíceis quaisquer reações. Portanto, cabe aos espíritas o dever de lutar pela transformação deste estado geral. Que cada Centro, cada grupo, cada reunião promova nossa campanha. Que haja uma renovação dessa psicosfera sombria e que as pessoas realmente sofredoras e abatidas pelas provações, encontrem em nossas Casas um clima de paz, de otimismo e de esperança! Que vocês levem a nossa palavra a toda parte. Aqueles que possam fazê-lo, transmitam-na através dos meios de comunicação. Precisamos contagiar o nosso Movimento com estas forças positivas, a fim de ajudarmos efetivamente o nosso país a crescer e a caminhar no rumo do progresso.

São essas forças que impelem o indivíduo ao trabalho, a acreditar em si mesmo, no seu próprio valor e capacidade. São essas forças que o levam a crer e lutar por um futuro melhor. Meus irmãos, o mundo não é uma nau à matroca. Nós sabemos que Jesus está no leme! e que não iremos soçobrar. Basta de dúvidas e incertezas que somente retardam o avanço e prejudicam o trabalho. Sejamos solidários, sim, com a dor de nosso próximo. Façamos por ele o que estiver ao nosso alcance. Temos o dever indeclinável de fazê-lo.
Sobre tudo transmitindo o esclarecimento que a Doutrina Espírita proporciona. Mas também, que a solidariedade exista em nossas fileiras, para que prossigamos no trabalho abençoado, unidos e confiantes na preparação do futuro de paz por todos almejado. E não esqueçamos de que, se o Brasil é o coração do mundo, somente será a pátria do Evangelho se este Evangelho estiver sendo sentido e vivido por cada um de nós.

Eurípedes Barsanulfo

Mensagem recebida no Centro Espírita Jesus no Lar
Médium - Suely Caldas Schubert
Recebida aos 24/06/12

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

ATITUDE DE AMOR



Bezerra de Menezes apresenta Plano Estratégico para o Movimento Espírita

Transcorria o Congresso Espírita Brasileiro de Goiânia, em 1999, quando, paralelo ao evento, cerca de cinco mil espíritos, entre encarnados e desencarnados, foram convidados a participarem de uma conferência do “médico dos pobres” Adolfo Bezerra de Menezes. A platéia era bastante eclética e formada por personalidades espíritas e não espíritas. A fala de Bezerra, porém, trazia uma novidade, aquilo que defino como um verdadeiro plano estratégico para o movimento espírita mundial para os próximos setenta anos.
Num primeiro momento, o conferencista faz um diagnóstico do ambiente institucional espírita de Kardec até os dias atuais, apresentando uma evolução cronológica das idéias espiritistas em duas fases de setenta anos. A primeira teve início com o grande movimento neo-espiritualista, em várias partes do mundo, que originou, na França, por volta da década de 60, do século XIX, o Espiritismo. Era o tempo da legitimação da ciência e da filosofia espírita, finalizando-se em torno da realização do Congresso Espírita de Paris, em 1925. A segunda foi o tempo da proliferação do conhecimento espírita com a multiplicação dos centros espíritas para ampliar a sua difusão e se encerrou por volta do final do milênio. Agora, um novo ciclo de setenta anos tem começo: o da maioridade das idéias espíritas. Para cumprimento desta nova fase, assim como ocorreu nos séculos XIX e XX, igualmente se apronta uma geração nova de espíritos para reencarnar e tornar realidade este plano. Plano este sobre o qual Bezerra se adianta em alertar que se trata da autoria do próprio Espírito Verdade, de quem, obediente, é apenas porta-voz.

Ainda dentro do diagnóstico, Bezerra de Menezes caracteriza o atual estágio, afirmando que foi o apego institucional que marcou a segunda fase do movimento espírita mundial. Por conta dele, o serviço de unificação caminhou em passos lentos. Este institucionalismo exacerbado teve sua origem, na realidade, nas heranças psíquicas dos representantes espíritas. A causa deste apego reside no orgulho, manifestado em expressões inferiores como a inflexibilidade, o perfeccionismo, o autoritarismo, a intolerância, o preconceito e a vaidade, que devem ser percebidas como oportunidades de melhoria. Como conseqüência, originaram-se o dogmatismo, a fé cega, a hierarquização e o sectarismo.

Em função do orgulho humano, reeditou-se, em larga amplitude, os ambientes estéreis à propagação dos ensinamentos evangélicos. Bezerra identifica o orgulho como o principal inimigo a ser vencido nesta nova etapa do movimento espírita que necessita ser fortalecido por uma cultura de raciocínios lógicos e coerentes, e por atitudes afinadas com a ética do amor. Existiria uma nobre causa a ser defendida que é a libertação da mensagem de Jesus dos círculos impregnados de bazófia e fascinação e para isto exige-se sacrifício, renúncia e obstinação.

A grande missão deste Plano Estratégico seria ainda aprendermos a amarmos uns aos outros. A visão, isto é, como se imagina estar no futuro, estaria pautada em dois pontos: (1) a introdução, nos próximos setenta anos, dos postulados espiritistas como alavanca de transformações sociais e humanas, influenciando a cultura, as artes, a ciência, as leis, a filosofia e a religião, conduzindo assim as comunidades a absorverem tais princípios que determinarão novos rumos para o bem do homem através da mudança do próprio homem e (2) a promoção da unificação ética do movimento espírita.

Para se chegar à missão e a visão definidas, Bezerra enumera alguns objetivos estratégicos: (1) promoção do ecumenismo afetivo; (2) disseminação da Cultura da Alteridade; (3) mudança cultural dos ambientes doutrinários; (4) construção de um eficiente programa de renovação moral; (5) formação de pólos de congraçamento ecumênico; (6) promoção da Casa Espírita em núcleo de renovação social e humana e (7) estruturação de entidades específicas.

Os valores que nortearão este Plano Superior seriam a ética do amor, a humildade, a alteridade, a fraternidade, a coerência e a solidariedade. Duas diretrizes básicas devem ser utilizadas como parâmetros permanentes que são o desenvolvimento de atitudes de amor e a instrumentalização e capacitação dos espíritas para as mudanças culturais a serem implantadas mediante ação educacional. O lema kardequiano de trabalho, solidariedade e tolerância nunca esteve tão atual. A partir daí, Bezerra de Menezes sugere algumas ações práticas para a materialização dos objetivos estratégicos, mas deixa, propositadamente, para o próprio movimento espírita mundial inserir novas contribuições, afinal, o plano não é de uma mão só.

Sinteticamente, o plano identifica o orgulho como o maior inimigo das hostes espíritas. Para vencê-lo somente o amor, meta essencial. A diretriz insuperável seria a renovação de atitudes e o caminho de solução: a educação.

A palavra de Bezerra é firme e antecipa que muitos estranharão o seu tom mais enérgico, no entanto, justifica que a hora é inadiável, é de ação, e que não se deve se surpreender com a rejeição que muitos terão com a proposta renovativa.

O amor, porém, que fala, não deve ser confundido com ações passivas ou apenas discursos eloqüentes e emotivos, mas, sobretudo, por atitudes vivenciais, notoriamente com aqueles que pensam diferente do que a gente. Por isso, o desenvolvimento da cultura da alteridade será fundamental, dentro e fora do movimento espírita.

É um novo tempo que se inicia. “Estamos em campanha. Campanha pela unificação com amor. Campanha pela renovação das atitudes. Temos um problema na Seara: as más atitudes. Temos uma solução para a Seara: novas atitudes. Seja essa a nossa campanha no bem pelos tempos novos a que todos somos chamados. (...). Rememoremos como fonte inspiradora de nossa campanha a sublime e inesquecível fala de nosso Mestre: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”, encerra Bezerra.

Raciocínio extraído da mensagem Atitude de Amor, do espírito Cícero Pereira, contido no livro Seara Bendita, psicografado por Maria José C. Soares de Oliveira e Wanderley Soares de Oliveira, Editora INEDE.

Carlos Pereira
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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Aristóteles Damasceno Peixinho



O nobre Aristóteles Damasceno Peixinho, nasceu no município de Uauá em 01 de Novembro de 1920 de família humilde, homem simples sentia presença dos espíritos desde os 06 anos de idade. Quando seu irmão Jaime que desencarnou muito jovem devido uma doença da época, apareceu no seu velório, a criança Aristóteles o viu e disse: “Mãe não chore Jaime esta vivo”. Em 1946 já morando em Serrinha - Bahia, com 26 anos começa o seu mandato mediúnico, convidado pelas entidades superiores:
- Irmão Estrela, um espírito asteca
- Marco Antonio, Um Romano
- Vilas Boas, um português
Esses espíritos manifestaram através do jovem médium Lourival da Silva Lima para dizerem ao jovem Aristóteles a sua missão de restaurar a bandeira da imortalidade no sertão da Bahia, a partir dai surgi o CENTRO ESPÍRITA DEUS CRISTO E CARIDADE como marco inicial do espiritismo no sertão, logo depois começa a inauguração de centros espíritas em varias cidades: Conceição do Coité, Valente, Santa Luz, Queimadas, Araci, Teofilandia, Tucano e outras. Portador de várias qualidades medianímicas: Vidência, Clarividência, Efeitos Físicos, sempre viveu para servir, um dia foi procurado em sua casa por uma família que sofria com uma mulher louca que vivia amarrada, e ele disse: “Pode solta-la”, e Marco Antonio manifestou e retirou a entidade que provocava a loucura e a mulher saiu curada. Hoje com 87 anos continua intimorato nos serviços fiel a Jesus e Kardec.




Marco Antônio

Eu vejo Deus no imenso mar profundo
Na natureza a obra de harmonia
Eu vejo Deus no roto vagabundo
Nos estertores das últimas agonia
Eu vejo Deus nas estrelas serenatas
E o pleninúndio iluminando a multidão
Eu vejo Deus no romper da alvorada
Quando o galo canta a sua canção"
Marco Antônio


Aristóteles Damasceno Peixinho
Primeiro de novembro de 1920!Nas terras do Uauá, em pleno sertão baiano castigado pela seca e pela escassez de recursos, nasce Aristóteles Damasceno Peixinho, filho de Belarmino da Silva Peixinho e Adelaide Damasceno Peixinho. De tez morena, olhar penetrante, cabelos pretos, testa larga, mais parecia um Tibetano naquele rincão sertanejo. Aos seis anos de idade, a mediunidade desponta com a vidência e a audiência, o que, naquela época, constituía um fato singular. Cresce, em contato com os Espíritos, aprendendo, desde cedo, a lidar com esse “mundo” de seres incorpóreos, com toda a sua complexidade. Por forças das circunstâncias, e por que não dizer: providenciais, a família transfere-se para Serrinha, Bahia. O nosso biografado, com 23 anos de idade, agora respirando outros ares, toma conhecimento de um movimento incipiente que alguns interessados lideram. Eram os primeiros fenômenos mediúnicos que ali surgiam, acordando a comunidade serrinhense para o Espiritismo. Portador de uma mediunidade ostensiva, ingressa nesse movimento e, junto de outros, funda o Centro Espírita Deus, Cristo e Caridade, sob a égide dos Espíritos Irmão Estrela, Vilas Boas e Marco Antônio, que orientam as bases legais e ensinam como dirigir a instituição nascente. A partir daí, entrega a sua vida, numa dedicação exclusiva, à Causa Espírita, buscando, sabiamente, conciliar as responsabilidades da família constituída com as da sua crença. As lutas enfrentadas para a instauração do Espiritismo numa comunidade eminentemente católica, eram imensas! Todavia, seu poder de liderança, sua figura carismática e a mediunidade a serviço do bem foram ferramentas por ele utilizadas para a implantação das ideias espíritas, difundido as sementes do Evangelho de Jesus no coração do povo serrinhense. Junto a uma equipe de colaboradores, transformou o Centro Espírita Deus, Cristo e Caridade em um polo estruturante que ampliou sua ação para as regiões circunvizinhas, vindo a fundar 13 Instituições Espíritas, fruto da sua perseverança e determinação. A partir de um encontro, pela vidência, com o Espírito Madre Teresa de Calcutá, que o convida a vivenciar toda a teoria espírita apreendida, desenvolve um trabalho de assistência social, voltado para a promoção do homem, onde famílias numerosas foram agraciadas por recursos materiais, na construção e reformas de casas para a população de baixa renda. Ao lado da confreira Oliva A. Mendonça, já desencarnada, funda a Associação Mansão Marco Antônio, de amparo à velhice, obra que se mantém de pé com outros continuadores, incansáveis trabalhadores do bem. Foram seis décadas de trabalhos ininterruptos, desde sua dedicação nas câmaras mediúnicas como ser interexistencial, até o seu labor diário, contribuindo para o bem-estar coletivo, numa entrega total e esquecimento de si mesmo. Os que tiveram a graça de com ele partilhar as experiências numinosas levarão consigo, como marcas indeléveis, a certeza da imortalidade e a segurança nos princípios doutrinários, tocados que foram pelas clarinadas do Evangelho de Jesus. Como resumir em poucas linhas uma vida dedicada ao bem coletivo que, aos noventa anos, volta à Pátria Espiritual como cidadão do infinito, deixando impregnado nas almas o doce aroma do seu exemplo? A Aristóteles, o nosso preito de profunda gratidão por sua presença entre nós! Pelas experiências compartilhadas, pelas lágrimas secadas, pela consolação prodigalizada. Parafraseando Winston Churchill, afirmamos: “Nunca Tantos deveram tanto a tão poucos!”

(Margarida Moura Cardoso e Silva Souza, diretora-presidente do Centro Espírita Deus, Cristo e Caridade, de Serrinha-BA


NOTA DE FALECIMENTO

Amigos,
Comunicamos que retornou ao plano espiritual o irmão Aristóteles Peixinho, carinhosamente chamado de Tio Peixe (Pai de André Luiz Peixinho). O sepultamento ocorreu hoje, 13/01/11 em Serrinha-BA.
Rogamos a Jesus que ampare esse missionário da Doutrina Espírita do sertão baiano e que nossas vibrações e orações o auxilie.
Conselho Federativo



domingo, 22 de julho de 2012

Francisco Peixoto Lins (Peixotinho)




Nasceu na cidade de Pacatuba, Estado do Ceará, no dia 1º de fevereiro de 1905, desencarnando na cidade de Campos, Estado do Rio de Janeiro, em 16 de junho de 1966.

Seus pais foram Miguel Peixoto Lins e Joana Alves Peixoto. Bem cedo ficou órfão de pai e mãe e passou a conviver com seus tios maternos, em Fortaleza, Estado do Ceará, onde fez o curso primário. Em seguida matriculou-se no Seminário Católico, de acordo com o desejo de seus tios, que desejavam vê-lo seguir a carreira eclesiástica. No Seminário, sofreu várias penas disciplinares por manifestar a seus educadores dúvidas sobre os dogmas da Igreja. Observando as desigualdades humanas, tanto no campo físico como no social, ficou em dúvida no tocante à paternidade e bondade de Deus. Se todos eram seus filhos, por que tantas diversidades?− ele indagava. Por que razões insondáveis uns nascem fisicamente perfeitos e outros deformados? Uns portadores de virtudes angelicais e outros acometidos de mau caráter? Dizia então: Se Deus existe, não é esse ser unilateral de que fala a religião católica. Desejava saber e inquiria os seus confessores, os quais, diante das indagações arrojadas do menino, usavam o castigo e a penitência como corretivo.

Aos 14 anos de idade, desistiu do Seminário e, com a permissão dos tios, transferiu-se para o Estado do Amazonas, em busca de melhores dias, enfrentando os trabalhos árduos dos seringais. Ali trabalhou cerca de dois anos, resolvendo voltar para Fortaleza. Nessa fase de sua vida, nele se manifestaram os primeiros indícios de sua extraordinária mediunidade, sob a forma de terrível obsessão. Envolvido por Espíritos menos esclarecidos, era tomado de estranha força física, tornando-se capaz de lutar contra vários homens e vencê-los, apesar de ter menos de 18 anos e ser fisicamente franzino. Esse estado anômalo acontecia a qualquer hora e Peixotinho, temendo consequências mais graves, deliberou não mais sair de casa. Ali ficou acometido de nova influenciação dos Espíritos trevosos, ficando desprendido do corpo cerca de 20 horas, num estado cataléptico, quase chegando a ser sepultado vivo, pois seus familiares o tinham dado como desencarnado.

Depois desse episódio, sofreu uma paralisia que o prostrou num leito de dor durante seis meses. Nessa fase, um dos seus vizinhos, membro de uma sociedade espírita de Fortaleza, movido de íntima compaixão pelos seus sofrimentos, solicitou permissão à sua família, para prestar-lhe socorro espiritual com passes e preces. Ninguém em sua casa tinha conhecimento do Espiritismo e seus familiares também não atinavam com o verdadeiro estado do paciente, uma vez que o tratamento médico a que se submetia não lhe dava qualquer esperança de restabelecimento. O seu vizinho iniciou o tratamento com o Evangelho no Lar, aplicando-lhe passes e dando-lhe de beber água fluida. A fim de distrair-se, Peixotinho começou a ler alguns romances espíritas e posteriormente as obras da Codificação Kardequiana. Em menos de um mês apresentava sensível melhora em seu estado físico e progressivamente foi libertando-se da falsa enfermidade.

Logo que conseguiu andar, passou a frequentar o Centro Espírita onde militava o major Vianna de Carvalho, que, na época, estava prestando serviço ao Exército Nacional em Fortaleza. A terrível obsessão foi a sua Estrada de Damasco. O conhecimento da lei da reencarnação veio equacionar os velhos problemas que atormentavam a sua mente, dirimindo todas as dúvidas que o Seminário não conseguira desfazer. Passou assim a compreender a incomensurável bondade de Deus, dando a mesma oportunidade a todos os seus filhos na caminhada rumo à redenção espiritual.

Orientado pelo major Vianna de Carvalho, Peixotinho iniciou o seu desenvolvimento mediúnico. Tornou-se um dos mais famosos médiuns de materializações e efeitos físicos. Por seu intermédio, produziram-se as famosas materializações luminosas e uma série dos mais peculiares fenômenos, tudo dentro da maior seriedade e nos moldes preceituados pela Doutrina Espírita.

Em 1926, foi convocado para o serviço militar e transferido para o Rio de Janeiro, sendo incluído em um batalhão do exército, na cidade fluminense de Macaé. Ali se dedicou com amor à prática do Espiritismo e, com um grupo de abnegados companheiros, fundou o Centro Espírita Pedro, instituição que, por muito tempo, foi a sua oficina de trabalho.

Em 1933, consorciou-se com Benedita Vieira Fernandes, de cujo matrimônio tiveram vários filhos. Por força da sua carreira militar, foi transferido várias vezes, servindo em Imbituba, Santa Catarina; Santos, São Paulo; no antigo Distrito Federal e em Campos, Rio de Janeiro. Onde chegava, procurava logo servir à causa espírita.

No ano de 1945, na cidade do Rio de Janeiro, encontrou-se com vários confrades, dentre eles Antônio Alves Ferreira, velho companheiro no Grupo Espírita Pedro, de Macaé. Nessa época passou a frequentar o Culto Cristão no Lar, realizado sistematicamente na residência daquele confrade. Posteriormente, unindo-se a Jacques Aboab e Amadeu Santos, resolveram fundar o Grupo Espírita André Luiz, que inicialmente funcionou na Rua Moncorvo Filho, 27, onde se produziram, pela sua mediunidade, as mais belas sessões de materializações luminosas, as quais ensejaram ao Dr. Rafael Ranieri a oportunidade de lançar um livro com esse mesmo título. Peixotinho prestava também o seu valioso concurso como médium receitista e curador.

No ano de 1948, encontrando-se pela primeira vez com o médium Francisco Cândido Xavier, na cidade de Pedro Leopoldo, teve a oportunidade de propiciar aos confrades daquela cidade, belíssimas sessões de materializações e assistência aos enfermos.

Em 1949, foi transferido definitivamente para a cidade de Campos, onde participou dos trabalhos do Grupo Joana D’Arc. Fundou também o Grupo Espírita Araci, em homenagem ao seu guia espiritual.

Peixotinho sofria de broncopneumonia, enfermidade que lhe causava muitos dissabores, porém ele suportava tudo com estoicismo, o mesmo podendo-se dizer das calúnias de que foi vítima, como são vítimas todos os médiuns sérios que se colocam a serviço do Evangelho de Jesus, dando de graça o que de graça recebem.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Francisco Velloso


Dados Biográficos de Francisco Velloso (1882- 1962)



(Por Maria Aparecida Bergman, nascida Velloso de Aguiar)





Francisco Velloso em 1952



FRANCISCO VELLOSO, inspirado nos ensinamentos da Doutrina Consoladora, foi um dos grandes pioneiros anônimos da Causa Espírita em terras brasileiras.
No jornalismo, escreveu em jornais dele próprio e de outros; nas tribunas de todo o Estado de São Paulo, proferiu tocantes palestras, quando lotavam os salões dos Centros Espíritas para ouvi-lo, pois foi possuidor de belíssimo dom de oratória.
Muito lutou em defesa dos hansenianos ou leprosos, dos “loucos”, dos oprimidos e perseguidos, dos prisioneiros dos cárceres no plano físico e das obsessões, dos animais, e do meio-ambiente.
Atuou na sociedade de várias cidades paulistas, como dentista, escrivão de polícia, jornalista, escritor, tradutor, orador e polemista espírita, fundador e diretor de Centros Espíritas, doutrinador, amigo, tio, pai, marido e depois avô devotado, e exerceu ainda, muitas outras funções. Sobretudo foi fiel seguidor da Doutrina do Divino Mestre Jesus.
Por volta de 1913 a 1916, ia ele, juntamente com alguns seus companheiros espíritas e cristãos intrépidos como ele mesmo, para os arredores da cidade onde viviam (Bebedouro – S. Paulo) em Busca dos hansenianos, que apodreciam em vida, esmolando, escorraçados para os arrabaldes como seres impuros e ameaçadores.
Levavam-lhes medicamentos, curativos, comida, roupas confeccionadas em sua casa, etc.. Recebiam dos doentes cartas que esses escreviam para serem postadas, pois eram proibidos de entrarem nas cidades. Francisco Velloso e esposa com as mãos enluvadas e com extremos cuidados higiênicos colocavam essas cartas em novos envelopes, subscritavam-nas e levavam para serem postadas. Com o tempo, depois de realizarem muitas campanhas nos Centros Espíritas e entre a população pobre da cidade, conseguiram levantar um abrigo, que aos poucos foi se transformando em hospital para aqueles seres banidos da sociedade de então.
Muitas vezes Francisco Velloso levou leprosos, como também, grandes criminosos, depois de cumprirem pena, para viverem em sua casa, junto de sua família, onde com o apoio incondicional de sua esposa, Dna. Mariquinhas, (Maria Carneiro Rangel Velloso – 15.04.1887 – 28.09.1933) médium, detentora de diferentes tipos de mediunidades, tratava e cuidava deles, até que ficassem curados ou melhorassem, ajudando-os a reintegrar-se na sociedade, e por outras vezes fazendo-lhes, piedosamente o sepultamento dos restos mortais.
Alguns jovens, filhos de infelizes socorridos por ele, cresceram em sua casa, como filhos adotivos seus, e, tanto quanto seus filhos legítimos (que foram quinze, sendo que somente sete cresceram e procriaram) os sobrinhos, os cunhados, o amavam como pai, mestre e benfeitor, todos venerando e bendizendo seu nome.
Muitos anos depois da desencarnação de Francisco Velloso, possivelmente na década de 1970, seus filhos receberam um convite, vindo de autoridades legislativas da cidade de Bebedouro, convidando-os a participar de uma cerimônia solene, que seria prestada em homenagem àquele que fora ali ilustre e benemérito cidadão. Seria inaugurada, naquela cidade, uma rua em sua memória, a Rua Francisco Velloso.
Atendendo ao convite estava presente naquela solenidade, acompanhada por seu tio José Carneiro Rangel e alguns de seus irmãos, a filha mais velha de Francisco Velloso: Irene Rangel Velloso de Aguiar (1909-2002).  Ela era alí a única pessoa que vivenciara e que retinha na memória os fatos ocorridos naqueles idos tempos do começo do século XX, em que seu pai, sua mãe, ela própria, e a comunidade dos espíritas de Bebedouro e cidades próximas, dedicaram-se aos nobres trabalhos filantrópicos.
Foi então que, chorando de sentida emoção e fazendo chorar a quantos tomaram conhecimento do fato, Irene reconheceu que, naquele exato lugar onde se situa a rua com o nome de seu pai, antes arrabaldes da cidade, havia sido antigamente o local onde Francisco Velloso e outros companheiros haviam levantado o primeiro abrigo da cidade, para socorro dos  hansenianos, “casualidade” esta, da qual nenhuma outra pessoa tinha conhecimento.
Irene afirmava que seu pai, Francisco Velloso, fundara em 1908, juntamente com Miguel Stamato, José Garcia, João Gagliardi e outros companheiros, o “Centro Espírita do Calvário ao Céu”, na cidade de Bebedouro.
Francisco Velloso foi amigo íntimo e colaborador nos labores espiritistas de grandes vultos do Espiritismo no Brasil, como Cairbar Schutel, Pedro de Camargo e muitos outros, amigo e companheiro nas atividades espíritas das  famílias Stamato, Garcia, Gagliardi, Volp e outras de Bebedouro e arredores.
Um de seus filhos, Kardec Rangel Velloso, casou-se com a filha de João Leão Pitta, que tornou-se a Sra. Eugenia Pitta Velloso, professora e diretora de escolas, na cidade de Itanhaém – S.P., onde o casal muito trabalhou também, na seara espírita.
Francisco Velloso desencarnou em 16.10.1962, na cidade de Lorena-S.P., quando faltavam apenas dois meses para completar seus 80 anos de vida utilíssima. Era natural da cidade de Rio Pardo do Norte (atualmente Rio Pardo de Minas) no Estado de Minas Gerais, nascido a 26 de dezembro de 1882. Teve como genitores José Antonio Velloso e Epiphania Ambrozina Caldeira Velloso.


(Texto e fotos recebidos de Maria Aparecida Bergman, Estocolmo, Suécia)

Espíritas de Bebedouro - ano  1913 ou 14  (no alto Cairbar Schutel com uma criança ao colo.)
A família Velloso no ano de 1926 ou 1927
Francisco Velloso, Cairbar Schutel e José Maria Gonçalves-foto do livro Uma Grande Vida, pág.49, de Leopoldo Machado-Ed.O Clarim.
 
Maria Carneiro Rangel Velloso e Francisco Velloso (1930 ou 1932) e
Francisco Velloso aos 25 de dezembro de 1952
Irene Velloso e João Aguiar, mãe e pai de Cidinha Bergman, em Aparecida do Norte-SP., no ano de 1931
1948 ou 1949.  Eugenia Pitta Velloso, filha de João Leão Pitta e esposa de Kardec Rangel Velloso, um dos irmãos de Irene.
1992-Irene Rangel Velloso de Aguiar, mãe de Cidinha Bergman.
Rua Francisco Velloso na Vila Nunes em Lorena, SP.
Na foto irmãos de Irene Velloso e um tio


terça-feira, 17 de julho de 2012

Porque creio que Chico foi Kardec


Porque creio que Chico foi Kardec

Carlos A. Baccelli

Os motivos que me levam a uma convicção pessoal de que Chico Xavier tenha sido a reencarnação de Allan Kardec tão numerosos e distintos são que passarei a expor alguns deles, sem o menor propósito de polemizar em torno do assunto.

Tendo convivido com o médium por mais de 25 anos, não observei diferença significativa entre a sua personalidade e a do Codificador. Consideremos, segundo nos é dado depreender das informações prestadas pelos principais biógrafos de Kardec e dos escritos de sua própria lavra, que ambos eram, quando necessário, austeros e amáveis, determinados e bons.

Chico Xavier - creio que todos concordam a respeito - foi o legítimo continuador de Kardec, no que tange ao desdobramento da codificação e à tarefa de difundi-la, através da palavra e do exemplo.

Após o 2 de Abril de 1910, data do nascimento de Chico, o espírito de Allan Kardec não mais estabeleceu, ele mesmo, qualquer contato mediúnico confiável com os encarnados.

O Espírito Verdade, coordenador espiritual de imensa equipe que o assessorava e um dos seus Protetores, havia lhe informado, em mais de uma ocasião, que, dentro de pouco tempo, ele tornaria a reencarnar para dar seqüência à obra encetada.

O próprio Kardec, elaborando os cálculos, deduziu que a sua volta à Terra se daria no final daquele século ou no começo do outro.

Chico Abraçou a mediunidade aos 17 anos de idade; os Espíritos haviam dito a Allan Kardec que, quando ele voltasse à Terra seria em condições que lhe permitissem trabalhar desde cedo.

Emmanuel, um dos Espíritos Codificadores, foi, ao lado do Dr. Bezerra de Menezes e tantos outros, o coordenador da tarefa mediúnica de Chico Xavier.

O Mentor da "Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas" fundada por Kardec, era São Luis; o do Centro Espírita de Pedro Leopoldo, fundado por Chico Xavier, é São Luis Gonzaga.

Se Chico não foi a reencarnação do Codificador, conclui-se naturalmente que ele não reencarnou e que, portanto, o Espírito Verdade se enganou no que lhe disse, o que - convenhamos - colocaria em questão a sua condição espiritual.

Se a espiritualidade superior tivesse mudado de planos - o que é inconcebível, depois de anunciá-los -, porque o grande silêncio de Allan Kardec, através da maior antena psíquica do século: Chico Xavier?

Chico , com freqüência, se referia a Jesus e aos Espíritos amigos, mas pouco mencionava o nome de Allan Kardec.

Para os íntimos, Chico revelava um conhecimento da vida do Codificador que não encontramos em nenhuma de suas biografias. Contou a mim e a outros , por exemplo, que um de seus sobrinhos, após o seu desenlace, entrou na justiça reivindicando parte dos direitos autorais das obras da Codificação, o que, segundo o médium, atrasou a divulgação da Doutrina em 50 anos: Coincidência ou não, Chico teve um sobrinho que lhe criou sérios problemas, em caluniosa difamação plenamente infundada.

Chico não se casou e, embora Kardec tenha se consorciado, segundo o médium, ele e D. Amélie Gabrielle Lacomb Bouded, que era 9 anos mais idosa do que ele, cultivavam um amor puro: ela nutria por ele verdadeiro zelo maternal. Isto me foi dito pelo próprio Chico, conforme a Dra. Marlene Rossi Severino Nobre, que também estava presente na ocasião, escreveu em um artigo da "Folha Espírita".

Outras "coincidências" nos fazem pensar: Kardec desencarnou em 31 de março e foi sepultado no dia 2 de abril, data do nascimento de Chico Xavier, tendo o seu corpo ficado exposto à visitação pública durante 48 horas; o mesmo pedido foi feito por Chico Xavier aos seus amigos.

Era hábito de Kardec efetuar doações financeiras a amigos em dificuldades, encaminhando-as em nome dos Bons Espíritos; o mesmo fazia Chico Xavier, inclusive empregando a mesma terminologia do Codificador. Diga-o quem, neste sentido, tenha sido beneficiado pelo médium.

Existem fotos de Kardec e Chico que poderiam ser sobrepostas, tal a semelhança de postura entre os dois; é espantosa a semelhança revelada entre as mãos de um e de outro, além do costume de Chico sempre usar paletó, mesmo sendo o Brasil um país de clima tropical.

Em Uberaba, e acreditamos em outras cidades, vários médiuns confirmavam que Chico era a reencarnação de Allan Kardec, inclusive notável medianeira Antusa Ferreira Martins, que era surda-muda e analfabeta, portanto incapaz de ser influenciada por especulações neste sentido.

Entre os que contestam ser Chico a reencarnação de Kardec, há os que afirmam que o Codificador não teria sido tão tolerante quanto Chico o foi com o que lhe sucedia ao redor, envolvendo irmãos de ideal e outros, esquecendo-se de que, em "Obras Póstumas", o Codificador não hesita ao confessar que a "Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas" havia se transformado em um foco de intrigas contra ele e que enfrentara inúmeros dissabores inclusive traição.

Chico jamais confirmou ser a reencarnação de Allan Kardec; ao contrário quando não fazia questão de negá-lo, inclusive em entrevistas, respondia reticentemente em torno do assunto.

Poderiam, perfeitamente, ser de Chico Xavier as seguintes palavras de Allan Kardec: "Sentia que não tinha tempo a perder e não perdi; nem em visitas inúteis, nem em cerimônias estéreis. Foi a obra de minha vida. Dei-lhe todo o meu tempo, sacrifiquei-lhe o meu repouso, a minha saúde, porque diante de mim o futuro estava escrito em letras irrecusáveis.

Chico e Kardec eram assim: "Aos domingos - escrevia ainda Leymarie -, sobretudo nos últimos dias de sua vida, convidava amigos para jantar em sua Vila Ségur (Chico os convidava aos sábados, para almoçar). Então, o grave filósofo, depois de haver batido os pontos mais difíceis e mais controvertidos da Doutrina, esforçava-se para entreter os convidados. Mostrava-se expansivo, espalhando bom-humor em todas as oportunidades".

Kardec e Chico, acima de tudo, tinham e têm um acendrado compromisso com o Evangelho de Jesus, em sua obra e em sua vida.
Ao terminar, esclareço que, sendo adepto de uma doutrina de livre expressão, qual é o Espiritismo, reivindico para mim o direito de pensar como penso e deixo exarado neste testemunho, sem, evidentemente, negar a qualquer outro o direito de discordar de minhas convicções, sem que me sinta, necessariamente constrangido a transformar o assunto em polêmica sem proveito, com responder a objeções que o tempo, e somente o tempo, haverá de fazer.

Matéria contida na revista "Goiás Espírita" Ano7 - nº 23 - 2003.

domingo, 15 de julho de 2012

A influência dos Chakras

A influência dos Chakras Entenda como funciona o fluxo energético humano através dos chakras, que desempenham a função de captar e irradiar energia Por Dalton Roque Campos O sânscrito é uma língua erudita da antiga Índia criada principalmente para entoar mantras. Termos que hoje são populares e bem conhecidos como karma e chakras vêm do sânscrito.Todo esse conhecimento antigo consta dos Vedas (estima-se de 5 mil anos a.C. ou mais), divididos em quatro livros sagrados, denominados Rig-veda, Sama-veda, Yajur-veda e Atharma-veda, também referidos como Lei do Eterno ou Sanatdharma. O sânscrito, com 50 caracteres (chamados devanagari), consistia no idioma dos iniciados da antiga Índia. Aproveitamos o ensejo para explicar que hinduísta ou hindu é quem segue os vedas e indiano é quem nasce na Índia. Há indianos que não são hinduístas, a exemplo das comunidades muçulmana, budista e católica. Hinduístas e iogues (rishis), há cerca de 5 a 8 mil anos, já estudavam os chakras, rodas, pontos de energia ou centros de força específicos, que fazem parte do corpo bioenergético (também chamado de duplo etérico, holochacra, energossoma ou campo bioelétrico). Sua função principal radica nas trocas de energia (prana) do meio ambiente para o interior do campo energético e físico. Chakra é a denominação sânscrita dada aos centros de força existentes nos corpos espirituais do ser humano, também chamados lótus ou rodas. Quando inativos, assemelham-se a rodas. Quando despertam, tomam a aparência de uma flor (lótus) aberta, irradiante, de cor clara fulgurante, em razão da frequência da energia das pétalas. No ser humano comum, cada chakra principal possui dois ou três centímetros de diâmetro e fraca luminosidade. As formas e as características luminosas vão se ampliando com o aperfeiçoamento extrafísico.Quanto mais evoluído o ser, mais percebe e emprega com inteligência as funções dos chakras. O Mundaka Upanishad define o chakra como o local onde os nádis ou meridianos se encontram, como os raios no meio de uma roda de carruagem. Os centros são formados pelo encontro dessas linhas de força, do mesmo modo que os plexos, no corpo físico, são formados pelo encontro de nervos. Plexos são concetrações ou feixes do sistema nervoso do corpo físico.Grandes plexos do corpo são associados aos chakras (mas, favor não confundir plexos com chakras). O plexo solar, na altura do estômago, por exemplo, é conhecido da medicina terrena. Já o chakra que se associa ao mesmo, não, pois não se encontra no corpo físico e sim no duplo etérico, portanto, longe do alcance dos equipamentos atuais, embora possa ser constatado facilmente pela clarividência. Quanto mais alto o chakra no corpo humano, maior o número de pétalas, mais elevada e mais alta é a sua frequência. Os sete chakras mais importantes (na ordem de cima para baixo): chakra coronário (cocuruto), chacra frontal ( no meio da testa, entre as sobrancelhas), chakra laríngeo (base da garganta), chakra cardíaco ( no meio do peito), chakra umbilical ou gástrico (dois centímetros acima do umbigo), chakra sacro (sexual) e chakra básico (radical ou perineal). O chakra esplênico (baço) é um chakra secundário, pois não está associado a nenhuma glândula. Desbloqueio energético Os chakras podem estar bloqueados ou sadios, lentos ou rápidos. Dependendo da forma que você conduz sua vida, poderá ter uns ou outros chakras mais desenvolvidos. Há um conceito popular que diz que os chakras se desalinham, mas isto não é verdade. Os chakras podem estar obstruídos, mas nunca desalinhados, embora em deformidades físicas possam estar alterados, conforme o caso. Quem costumeiramente ministra passes ou realiza cirurgias têm os chakras das mãos (palmo-chakras) desenvolvidos. Quem pratica caridade de forma desinteresseira, afetuosa e frequente, floresce o chakras cardíaco. Quem estuda com afinco, profundidade e constância, desenvolve o chakra frontal. O mesmo se aplica ao que vive em função do sexo, no tocante ao chakra sexual, ao emotivo, em relação ao chacra umbilical, e ao orador, locutor e docente, que desenvolve o chakra laríngeo. Quem é muito espiritualizado (independente de professar religião ou não) tem o chakra coronário robusto. Como a conduta (interior e exterior) do indivíduo determina quais os seus chakras mais bem desenvolvidos, há pesquisadores de bioenergias que dividem os segmentos da humanidade em grupos homogêneos, unidos e rotulados em face de seus integrantes priorizarem o(s) mesmo(s) chakra(s). Exemplo: "João é muito umbilicochakra." Leia-se: João possui sentimentos e pensamentos muito densos, relativos ao chakra umbilical, como raiva, inveja, e ciúme. Possui, segundo a Conscienciologia, subcérebro abdominal predominante. Outro exemplo: "Maria é muito cardiochakra." Significa dizer que Maria é muito emotiva. Em outras palavras, os sete principais chakras acima aludidos (coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico) espelham a mentalidade e o modo de vida diário de cada ser. Quando se disser que o chakra coronário é o que prevalece na vida de determinada pessoa, entenda que ela é muito espiritualizada. Porém, se "vive pelo chacra umbilical", trata-se de indivíduo mais animalizado. Por outro lado, se nele predomina o cardíaco, nele prepondera a índole afetuosa. A seguir, trecho retirado do excelente livro Influências Energéticas Humanas, de Francisco de Carvalho, em produção independente: "Para cada palavra falada, o chacra laríngeo emite uma energia própria. E o chacra frontal também emite energia mental, porque a fala é produto do pensamento. Para cada ato sexual, o chacra genésico emite energia sexual. E o chacra frontal também emite energia mental, porque o ato sexual também é produto do pensamento. E o chacra umbilical também emite energia emocional, porque o ato sexual gera emoção. E o chacra cardíaco poderá também emitir energia sentimental, se o ato sexual gerar sentimento. Quando o ser humano está em meditação sublime, aquele estado de pureza d'alma ativará o chakra coronário, que emitirá suas energias próprias, que são as mais elevadas que o ser humano pode gerar. Além disto, também os seus chakras frontal e cardíaco emitirão as mais elevadas energias mentais e sentimentais, respectivamente." Descrição dos sete chakras No corpo humano há sete chakras principais ou centros de energia. Normalmente listados de cima para baixo ou vice-versa. Depende do escritor. Fato é que os sete chakras são alinhados ao longo de um eixo verticalmente corrente pelo corpo, que provê uma geometria natural nos chakras. Seguindo-se este eixo vertical que se encaixa dentro da coluna vertebral humana, em sua extremidade superior temos o chakra coronário e na inferior o chakra básico. Há autores e espiritualistas que consideram o chakra esplênico como um dos sete principais, o que é um grande erro. Ele é um chakra secundário. Destaca Pierre Weil que os chakras não estão isolados uns dos outros; eles mantêm uma influência recíproca. "Os chacras inferiores retêm o homem na vida animal, propiciando-lhe, no entanto, as energias necessárias à sobrevivência, enquanto os superiores buscam acelerar a evolução do indivíduo." No Yoga se afirma que cada chakra é constituído metade dele mesmo e metade dos seis chacras restantes. As características funcionais de um chacra seriam, assim influenciadas pelos outros chacras." (Vide Pierre Weil, op. Cit.). Os chakras não são simples centros energéticos, mas também centros de consciência. A esse respeito, esclarece o Lama Anagarika Govinda: "Enquanto que, de acordo com as concepções ocidentais, o cérebro é a sede exclusiva da consciência, a experiência iogue mostra que nossa consciência cerebral é apenas "uma" entre muitas formas possíveis de consciência, e de acordo com suas funções e natureza, pode ser localizada ou centralizada em vários órgãos do corpo.Estes "órgãos" que coletam, transformam e distribuem as forças que fluem através deles são chamados de chacras ou centros de força. Deles irradiam correntes secundárias de força psíquica, comparáveis aos raios de uma roda, às varetas de um guarda-chuva, ou às pétalas de um lótus. Jung os considera também centros de consciência, ou seja, "uma espécie de graduação de consciência que vai desde a região do períneo até o topo da cabeça" (fundamentos de psicologia Analítica, Vozes, 1972, pg.26). E reafirmou na conversação: "Os chacras são centros de consciência. Os inferiores são centros de animal. Existem outros centros ainda abaixo do Muladhara."(pg.72). Coronário: do sânscrito,Sahashara "o lótus das mil pétalas". Localizado no topo da cabeça, ligado à glândula pinel (epífise). Bijamantra: não tem. O despertamento deste chakra se dá em decorrência do desenvolvimento dos outros chakras, principalmente o frontal. Favorece a expansão da consciência, do nirvana (Budismo), samadhi ou consciência cósmica. Atua na memória, quando de retorno das saídas do corpo (viagens astrais). Possui 972 "pétalas", exatamente, onde 12 são internas e 960 são externas. Estas 12 pétalas internas possuem íntima ligação com o chacra cardíaco, obrigando ao ser humano evoluir pelo amor. Frontal: Ajna "centro de comando". Na testa, ligado à glândula hipófise (pituitária). Bijamantra: OM. Quem sente o frontal vibrar, pulsar ou latejar, é porque já despertou a kundalini, ocorrência comum nos médiuns desenvolvidos. Quando ativado, desperta a clarividência e a intuição e dá as seguintes sensações na testa: pulsações, ardência, rachadura, intumescimento. Possui 96 pétalas. Laríngeo: vishudda, "o purificador". Localizado na garganta, ligado à glândula tireoide (e paratireoides). Bijamantra: ham. Ligado às cordas vocais (comunicação), boca (mastigação e salivação) e traqueia e laringe ( respiração). Quando bem desenvolvido, favorece a comunicação. Médiuns de psicofonia possuem o chakra laríngeo desenvolvido. Possui 16 pétalas. Cardíaco: Anahata, "invicto", "inviolado". No meio do peito, ligado à glândula timo.Bijamantra: yam. Trabalha a área cárdiorrespiratória e os sentimentos. O coração sofre a ação do que a consciência sente em nível afetivo. Possui 12 pétalas. Umbilical: Manipula, "cidade das jóias". Cerca de dois centímetros acima do umbigo (controla toda a região do plexo solar), ligado à glândula pâncreas; Bijamantra: ram (pronuncia-se "ra"m). Também chamado de cérebro abdominal ou coração-moral-das-entranhas. Quando está aberto , funciona como um radar psíquico. Sente sem ver, instinto. Alimentação viscosa bloqueia este chakra, como: nozes, cafeína, castanha de caju, amendoim e chocolate, do qual médiuns e projetores devem evitar próximo ao momento de seus trabalhos espirituais. Este chakra é responsável pelas emoções mais instintivas (média da humanidade): ódio, inveja, ciúme,raiva, orgulho, vaidade, medo, egoísmo e outros sentimentos densos. Possui 10 pétalas. Sexual: Swdhistana, "morada do Prazer". Na região do baixo ventre (pela sua própria localização no corpo, esse chakra seria melhor denominado como "gênito-urinário"), ligado às gônadas (homem: testículos: mulher: ovários); Bijamantra: vam. Possui 6 pétalas. Básico: Muladhara, "base e fundamento", "suporte". Na base da coluna, ligado às glândula suprarrenais. Bijamantra: lam. Sede da kundalini, fogo serpentino ou poder ígneo. Quando bem desenvolvido, propicia autoconfiança, segurança e prazer em viver. Possui 4 pétalas. Quanto aos chakras básicos e sexual: a ligação desses dois chakras é estreita demais. Isso se deve ao fato de que parte da energia kundalini é veiculada do básico para dentro do chakra sacro (sexual). Em função desse fator, alguns tibetanos consideram esses dois chakra um único centro. Há muito mais chakras do que os sete principais. Há chakras secundários nas palmas das mãos (palmochakras), plantas dos pés, pulmões, fígado, estômago, orelhas, mandíbulas, ombros, joelhos, entre as escápulas (omoplatas). Na verdade, os chakras estão espalhados por todo corpo. Para cada poro do corpo, há um pequeno chakra em correlação direta, no campo vibratório correspondente. Os chakras, o Livro dos Espíritos e os Upanishads A referência aos chakras como centros de consciência permite-nos entender melhor uma passagem de O Livro dos Espíritos, que, literalmente entendida, já se mostrava defasada na época de sua recepção. Na questão de n* 146, Allan Kardec registrou o ensinamento dos espíritos sobre a sede da alma: "146- A alma tem sede determinada e circunscrita no corpo? R.- Não, mas ela está particularmente na cabeça dos grades gênios, em todos aqueles que pensam muito, no coração daqueles que sentem muito e cujas ações dizem respeito a toda humanidade. - Que se deve pensar da opinião daqueles que colocam a alma num centro vital? R- Quer dizer que o espírito habita de preferência nessa parte de vosso organismo, pois que ali desembocam todas as sensações. Aqueles que a colocam no que eles consideram como o centro de vitalidade a confundem com o fluido ou o princípio vital. Pode, todavia, dizer-se que a sede da alma está particularmente no órgãos que servem às manifestações intelectuais e morais". Do mesmo modo que os plexos são formados pela concetração da rede nervosa, os chakras ou centros de força o são pela concentração das nadis. A Mundaka Upanishad define o chakra como o local "onde as nadis se encontram como os raios no cubo de uma roda de carruagem". Segundo Michel Coquet, os chakras maiores seriam o resultado da junção de 21 nadis, os menores seriam o resultado da junção de 14 ou de 7 nadis. Tara Michel, todavia, entende que a disposição das nadis está relacionada com o número de pétalas que eles apresentam: o número e a posição das nadis que circundam o chakra seria responsável pelo número delas. Em geral, costuma-se fazer referência a sete chakras. São os chakras maiores, mas não únicos. O destaque dá-se porque eles estão envolvidos com o desenvolvimento epiritual do indivíduo e cada um deles está ligado à determinada glândula do corpo humano. No entanto, existem muitos outros, inclusive abaixo da coluna vertebral, como os situados na planta dos pés (atala), no dorso dos pés (vitala), na articulação superior da perna com o pé (nitala), no joelho (sutala), na parte inferior da coxa (mahatala), parte média da coxa (talatala) e a parte superior da coxa (rasatala). Além desses, é importante destacar o chakra mesentérico (esplênico ou do baço), em geral omitido pela literatura hindu. Esse chakra, apesar de sua importância para a saúde e para o sistema imunológico, não tem especial função no sistema de desenvolvimento espiritual e não está ligado a uma glândula, sendo, por isso, possivelmente omitido naquelas escrituras. Leadbeater refere-se à existência de um segundo chakra secundário à altura do coração, abaixo do cardíaco, mas Aurobindo o nega: "Nunca ouvi falar de dois lótus no centro do coração; mas ele é a sede de dois poderes: na frente, o mais vital, mais alto ou ser emocional, atrás, e escondido, o ser psíquico ou alma".   Trecho de artigo publicado na                                      revista Caminho Espiritual 02, do Dr. Elzio Ferreira de Souza Postado por Casa Espírita Raio de Sol às 17:05 Nenhum comentário: