terça-feira, 5 de junho de 2012

O Passe


SEF – Sociedade Espírita Fraternidade
Estudo Teórico-prático da Doutrina Espírita

Ä Introdução: A Sublime doação.
“E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isto te dou. Em nome
de Jesus-Cristo, o Nazareno levanta-te e anda”. (Atos, 3:6.).

À porta do templo, chamado Formosa, o Apóstolo Pedro e o deficiente físico.
Entre ambos um momento de expectativa.
Da alma cansada e sofrida – que espera.
Da alma plena de fé e estuante de amor – que doa.
Não há indagação nem hesitações.
Apenas a sublime doação.
Eis aí o significado profundamente belo e sublimado do passe:
A doação de alma para alma.
(estuante - adj. 2 gên. Que estua; ardente; febril; agitado. (Do lat. aestuante.))
“É muito comum a faculdade de curar pela influência fluídica e pode desenvolverse por meio do exercício; mas, a de curar instantaneamente, pela imposição das mãos
(g.n.), essa é mais rara e o seu grau máximo se deve considerar excepcional”. (Allan
Kardec – A Gênese, Cap. XIV, item 34).
Ä Definições e menções não espíritas com relação ao Passe:
Preliminarmente, analisaremos algumas definições e menções (menção - s. f.
Referência; alusão; tenção; registro; gesto de quem se dispõe a praticar um ato. (Do lat. mentione.)
não espíritas com relação aos passes, para que, na seqüência, bem possamos situá-lo
dentro do conceito doutrinário/espírita.
1) – Conforme o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, editora Nova Fronteira, Aurélio
Buarque de Holanda Ferreira:
Passes: Ato de passar as mãos repetidamente ante os olhos de uma pessoa para
magnetizá-la, ou sobre uma parte doente de uma pessoa para curá-la.
2) – De acordo com o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, MEC – Fename,
Francisco da S. Bueno:
Passes: Ato de passar as mãos repetidas vezes por diante dos olhos de quem se quer
magnetizar ou sobre a parte doente da pessoa que se pretende curar pela força mediúnica
(grifo nosso). (essa definição, por sinal, é a mesma encontrada no Dicionário da Academia
Brasileira de Letras).
Unidade 56
TEMA : O PASSE: Introdução.  Definições e menções não espíritas com
relação ao Passe. Definições Espíritas e dos Espíritos acerca do Passe.
Citações acerca do Passe no Velho Testamento. Citações acerca do Passe
no Novo Testamento. Diferença entre Passe e Imposição das Mãos.
Explicação da Mecânica. Os objetivos do Passe.3) – Conforme o Dicionário Enciclopédico Espiritismo Metapsíquica Parapsicologia -
Editora Bels S. A . de João Teixeira de Paula:
Passes: Movimentos com as mãos, feitos pelos médiuns passistas, nos indivíduos com
desequilíbrios psicossomáticos ou apenas desejosos de uma ação fluídica benéfica. (...)
Os passes espíritas são uma imitação dos passes hipnomagneticos, com a única
diferença de contarem com a assistência, invocada e sabida dos protetores espirituais.
Ä Definições Espíritas e dos Espíritos acerca do Passe:
O Passe é uma transfusão de energias psíquicas (...) Emmanuel (O Consolador, Cap. V,
questão 98).
O Passe é uma transfusão de energias, alterando o campo celular. Áulus – André Luiz
(Nos Domínios da Mediunidade, Cap. XVII).
O Passe, como gênero de auxilio, invariavelmente aplicado sem qualquer contraindicação, é sempre valioso no tratamento devido aos enfermos de toda classe (...) André
Luiz – (Mecanismos da Mediunidade, Cap. XII, Passe e Oração).
O Passe é, antes de tudo, uma transfusão de amor. Divaldo Pereira Franco (Diálogo
com Dirigentes e Trabalhadores Espíritas – O Passe – propriedades e efeitos).
O Passe é um ato de amor na sua expressão mais sublimada. Suely Caldas Schubert.
(Obsessão/Desobsessão – A importância da fluidoterapia).
Ä Citações acerca do Passe no Velho Testamento:
“Então Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, lava-te sete vezes no
Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo. Naamã, porém, muito se indignou,
e se foi, dizendo: Pensava eu que ele sairia a ter comigo, por-se-ia de pé, invocaria o
nome do Senhor seu Deus, moveria a mão sobre o lugar da lepra (grifo nosso), e
restauraria o leproso.” (II Reis, Cap. V, vv. 10 e 11”).
“Josué, filho de Num estava cheio do espírito de sabedoria, porquanto Moisés
havia posto sobre ele suas mãos (gn): assim os filhos de Israel lhe deram ouvidos, e
fizeram como o Senhor ordenara a Moisés. (Deuteronômio, Cap. XXXIV, vv. 9 a 12”).
Ä Citações acerca do Passe no Novo Testamento:
“Quando Jesus desceu do monte, grandes multidões o seguiram. E eis que veio
um leproso e o adorava, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo.
“E Jesus, estendendo a mão (gn), tocou-lhe dizendo: Quero, fica limpo! E
imediatamente ele ficou limpo de sua lepra”. (Mateus, Cap. VIII, v. 3).
“Então Ananias foi e, entrando na casa, impôs as mãos sobre ele (gn) dizendo:
Saulo, irmão, o Senhor me enviou, a saber, o próprio Jesus que te apareceu no caminho
por onde vinhas, para que recupere a vista e fiques cheio do Espírito Santo”. (Atos, Cap.
IX, v. 17).
“Tendo Jesus passado de novo no barco para o outro  lado, ajuntou-se a ele uma
grande multidão; e ele estava à beira do mar.
Chegou um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo e, logo que viu a Jesus,
lançou-se-lhe aos pés. E lhe rogava com instância, dizendo: Minha filhinha está nas últimas; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos (g.n.) para que sare e viva. (Marcos,
Cap. 5, vv. 21 à 23).
(Instância - s. f. Pedido feito com insistência; ato de instar; qualidade do que é instante; jurisdição;
foro. (Do lat. instantia.))
Ä Diferença entre Passe e Imposição das Mãos:
Em termos espíritas, passes tanto pode ser entendido como o conjunto de
recursos de transferências fluídicas levadas a efeito com fins fluidoterápicos, como uma
das maneiras pela qual se faz tais transferências. No primeiro caso, a imposição de mãos
seria um dos recursos; no segundo, uma das maneiras.
Assim sendo, de forma literal, o passe e imposição de mãos não são a mesma
coisa; em termos de uso, contudo, tem-se a imposição de mãos como uma técnica de
passe, tanto que é comum se falar de um querendo-se dar a entender o outro.
É importante se observar a ponderação da Dalva Silva Souza, na Revista
Reformador de janeiro de 1.986, p. 16 que menciona: “A palavra passe é um deverbal
(substantivo que é derivado do verbo; o mesmo que pós-verbal – ex. caça, venda, compra)
(obs. nossa) de passar, verbo que, sem dúvida, transmite a idéia de movimento. Por outro
lado, imposição de mãos já deixa bem induzido que se trata de atitude estática, sem
movimento, posto que, derivado do verbo impor, imposição, nesse sentido, quer dizer: ato
de fixar, estabelecer”.
Ä Passe – Explicação da Mecânica:
O passe é uma transfusão de energias psíquicas e espirituais; isto é, a passagem
de um para outro indivíduo de uma certa quantidade de energias fluídicas vitais
(psíquicas) ou espirituais propriamente ditas.
Há pessoas que têm uma capacidade de maior absorção e armazenamento
dessas energias que emanam do Fluido Cósmico Universal e da própria intimidade do
Espírito. Tal requisito as coloca em condições de transmitirem esse potencial de energias
a outras criaturas que eventualmente estejam necessitando. A aglutinação (s. f. Ação ou
efeito de aglutinar - v. tr. dir. Fazer aderir; colar, unir, reunir: grudar; soldar; (Do lat. agglutinare.)
dessa força se faz automaticamente e também, atendendo aos apelos do passista (prece),
que, então, municiado (verbo municionar - v. tr. dir. Abastecer, prover de munições.) com essa
carga, a transmite através da imposição das mão sobre a cabeça do paciente, sem a
necessidade de tocar-lhe o corpo, por que a força se projeta de uma para outra aura,
estabelecendo uma verdadeira ponte de ligação.
O fluxo energético se mantém e se projeta às custas da vontade do passista,
como também de entidades espirituais desencarnadas que o auxiliam na composição dos
fluídos, não havendo, portanto necessidade de incorporação mediúnica. O passista
age somente sob a influência da entidade, e por isso, não precisa falar, aconselhar ou
transmitir mensagens concomitantes (adj. 2 gên. Que se manifesta ao mesmo tempo que outro;
simultâneo; que acompanha; acessório. (Do lat. concomitante.) ao passe.
As forças fluídicas vitais (psíquicas) dependem do estado de saúde do passista e
as espirituais do seu grau de desenvolvimento moral. Assim é que o passista deverá estar,
o mais possível, em perfeito equilíbrio orgânico e moral.
Ä Os Objetivos do Passe:
Conforme a objetividade e a lucidez do Espírito André Luiz, o que nos faz meditar
com grande proveito, quando nos ensina que: “O passe não é unicamente transfusão de
energias anímicas. É o equilíbrio ideal da mente, apoio eficaz de todos os tratamentos (...)
Se usamos o antibiótico no campo físico, porque não adotar o passe por agente capaz de
impedir as alucinações depressivas, no campo da alma? Se atendemos a assepsia (s. f. (med.) Conjunto de métodos que visam a impedir a introdução de germes patogênicos no organismo.
(Do gr. a+sepsis.), no que se refere ao corpo, porque descurar (v. tr. dir. Descuidar; não tratar
de; desprezar; tr. ind. não tratar, não cuidar: descurar de suas obrigações.) dessa mesma
assepsia no que tange ao espírito?” (André Luiz Opinião Espírita – O Passe, Cap. 55).
Quando André Luiz então nos ensina que o passe é  o equilibrante ideal da
mente, funcionando como coadjuvante em todos os tratamentos, não só físicos, mas
igualmente da alma, fica bem caracterizado que os objetivos a serem alcançados estão
em dois campos: Material e Espiritual.
Corroborando (corroborar - v. tr. dir. Fortalecer; confirmar; comprovar; pr. fortalecer-se.
(Do lat. corroborare.) com isso, encontramos Martins Peralva no seu Livro “Estudando a
Mediunidade”, Cap. 26 – Passes, que ensina: “O socorro através de passes, aos que
sofrem do corpo e da alma (gn), é instituição de alcance fraternal que remonta aos mais
recuados tempos”.
Bibliografia:
KARDEC, Allan. A Gênese. Cap. XIV, item 34.
XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida. Pelo Espírito Emmanuel. Capítulo 153.
XAVIER, Francisco Cândido. Religião dos Espíritos. Pelo Espírito Emmanuel. Capítulo ”Fenômeno
Magnético”.
XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Capítulo V, questão 98.
XAVIER, Francisco Cândido. Nos domínios da Mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. Capítulo 17, página
170.
XAVIER, Francisco Cândido. Mecanismos da Mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. Cap. XII, Passe e
Oração.
XAVIER, Francisco Cândido. Opinião Espírita.. Pelo Espírito André Luiz. – O Passe, Cap. 55.
FRANCO, Divaldo Pereira. Diálogo com Dirigentes e Trabalhadores Espíritas – O Passe – propriedades
e efeitos.
SCHUBERT, Suely Caldas. Obsessão/Desobsessão . A Importância da Fluidoterapia.
PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade.  Capítulo XXVI – Passes.
MELO, Jacob Luiz de. O Passe – Seu estudo, suas técnicas, sua prática. Capítulo VIII – As Técnicas, 6
Outros usos do passe, 6.1 O passe à distância (Irradiações), páginas 223/224.
SOUZA, Dalva Silva. Revista Reformador. Janeiro de 1.986, p. 16.
Apostila do COEM – Centro de Orientação e Educação Mediúnica – do Centro Espírita Luz Eterna de
Curitiba. 10.ª sessão de exercício prático – Passes.
Dicionário Brasileiro Globo Multimídia.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Editora Nova Fronteira.
BUENO, Francisco da S. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa. MEC – Fename.
PAULA, João Teixeira de. Dicionário Enciclopédico Espiritismo Metapsíquica Parapsicologia - Editores
Bels S. A .
Bíblia Sagrada Multimídia – Tradução de João Ferreira de Almeida. II Reis, Cap. V, vv. 10 e 11”;
Deuteronômio, Cap. XXXIV, vv. 9 a 12”;  Mateus, Cap. VIII, v. 3;  Atos, Cap. IX, v. 17.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Amélia Rodrigues - Biografia


Amélia Augusta do Sacramento Rodrigues (Amélia Rodrigues)
1861-1926

Foto e Texto de Ismael Gobbo
Amélia Rodrigues Mentora de Divaldo Franco-Salve!
Imagem da Internet

Mais conhecida como Amélia Rodrigues, foi, quando encarnada, notável poetisa, professora emérita, escritora consagrada, teatróloga, legítimo expoente cultural das Letras na Bahia.
Amélia Augusta do Sacramento Rodrigues nasceu na Fazenda Campos, freguesia de Oliveira dos Campinhos, Município de Santo Amaro da Purificação, no Estado da Bahia, em 26 de maio de 1861. Era filha de Felix Rodrigues e D. Maria Raquelina Rodrigues.
Qualquer de seus conterrâneos, por mais jovem que seja, conhece a vida dessa extraordinária mulher, de seu esforço a fim de chegar aos seus ideais. Estudou com o Cônego Alexandrino do Prado, em seguida foi aluna dos Professores Antônio de Araújo Gomes de Sá e Manuel Rodrigues M. de Almeida. Sua vocação para o magistério era inata. A par disso matriculou-se no Colégio mantido pela professora Cândida Álvares dos Santos e começou a lecionar no Arraial da Lapa.
Alguns anos depois, enfrentou um concurso, disputando uma vaga para lecionar em Santo Amaro da Purificação. Sendo aprovada, lecionou ali por oito anos consecutivos.
Em 1891, pelo seu amor à causa do ensino, conquistou mais uma vitória. Diante de sua capacidade ímpar na tarefa de ensinar, pelo grande conceito na comunidade, foi transferida para Salvador, sendo lotada na Escola Central do bairro Santo Antonio.
Um de seus alunos, adolescente ainda, em 1905, foi selecionado para lecionar inglês pelo sistema do filósofo Spencer. Amélia Rodrigues não só o ajudou a compreender o pensamento daquele filósofo, como complementou o seu aprendizado. Disse a ele:
"O jovem precisa de educação moral que é o princípio fundamental da disciplina social; sem apelar para o coração, educar é formar no homem as mais duradouras forças da ordem social."
O pensamento de Amélia Rodrigues se identifica com o pensamento de Fénelon, contido em "O Evangelho segundo o Espiritismo", que solicita a certa altura: "Educar é formar homens de Bem, e não apenas instruí-los."
No Plano Espiritual continuou seu trabalho esclarecedor e educativo, baseada principalmente no Evangelho de Jesus, fonte inspiradora, quando encarnada, para muitos dos seus trabalhos.Desencarnada, encontrou na Espiritualidade - seara infinita da imortalidade - maior expansão para seu Espírito sequioso de conhecimento e faminto de amor, dando vazão aos anseios mais nobres, aprofundando-se na Mensagem de Jesus, e, na atualidade, participando da falange de Joanna de Ângelis, mentora de Divaldo Pereira Franco. Pela psicografia do abnegado medianeiro, vem trazendo páginas de beleza intraduzível, abordando os mais variados assuntos sobre o Evangelho, tema predileto, extraindo lições edificantes para aqueles que estão cansados e sobrecarregados, consolando e instruindo os seus leitores, tendo brindado o Movimento Espírita com as seguintes obras:

Até o fim dos tempos
Há flores no caminho
Luz do mundo
O Semeador (infantil)
Pelos caminhos de Jesus
Primícias do reino
Quando voltar a primavera
Trigo de Deus

Quando de sua aposentadoria, foi difícil ficar repousando. O seu ideal de ensinar continuava vivo. Recuperadas as suas energias, retornou ao Magistério, de forma ainda mais marcante. Nessa oportunidade foi responsável pela fundação do Instituto Maternal "Maria Auxiliadora", que mais tarde transformou-se na "Ação dos Expostos".
Aproveitando o tempo disponível, dedicou-se à literatura e ao jornalismo, colaborando em publicações religiosas, entre as quais: "O Mensageiro da Fé". Depois, na revista " A Paladina" e, mais tarde, em " A Voz".
Escreveu algumas peças teatrais, entre as quais "Fausta" e "A Natividade". Colaborou ainda com poesias: "Religiosa Clarisse" e "Bem me Queres". Escreveu ainda obras para literatura infantil, didáticas e romances.
Amélia Rodrigues desencarnou em Salvador, com 65 anos de idade, em 22 de agosto de 1926, deixando a sua marca de trabalho inigualável, tanto na Educação como na Literatura e na Assistência Social.

Fonte: Até o fim dos tempos, ed. Leal, 2000

domingo, 27 de maio de 2012

Irmãs Fox



 
Em 11 de dezembro de 1847, a família Fox instalou-se em modesta casa no vilarejo de Hydesville, Estado de New York, distante cerca de 30 km da cidade de Rochester.

O nome da família Fox origina-se do sobrenome Voss, depois Foss e finalmente Fox. Eram de origem alemã, da parte paterna; e francesa, holandesa e inglesa, da parte materna. Seus antecessores foram notoriamente dotados de faculdades paranormais.

O grupo compunha-se do chefe da família, Sr. John D. Fox, da esposa D. Margareth Fox e mais duas filhas; Kate, com 7 anos e Margareth, com 10 anos. O casal possuia mais filhos e filhas. Entre estas, convém destacar Leah, que morava em Rochester, onde lecionava música. Devido aos seus casamentos, foi sucessivamente conhecida como Mrs. Fisch, Mrs. Brown e Mrs. Underhill.

Leah escreveu um livro, "The Missing Link", New York, 1885, no qual ela faz referência as faculdades paranormais de seus parentes anteriores. Inicialmente, tomaram parte nos acontecimentos somente Kate e Margareth, mas posteriormente Leah juntou-se a elas e teve participação ativa nos episódios subseqüentes ao de Hydesville.

A CASA DE HYDESVILLE JÁ ERA ASSOMBRADA




Lucretia Pulver era jovem que servira como dama de companhia do casal Bell, quando elas habitavam a referida casa até 1846. Ela contou uma curiosa história de um mascate que se hospedara com os Bells. Na noite em que o vendedor passou com aquele casal, Lucretia foi mandada a dormir na casa dos pais. Três dias depois tornaram a procurá-la. Então disseram-lhe que o mascate fora embora. Ela nunca mais viu esse homem.

Depois disso, passado algum tempo, aproximadamente em 1844, começaram a dar-se fenomenos estranhos naquela casa. A mãe de Lucretia, Sra. Ann Pulver, que mantinha relações com a família Bell, relata que, em 1844, quando visitara a Sra. Bell, indo fazer tricô em sua companhia, ouvira desta uma queixa, Disse-lhe que se sentia muito mal e quase nao dormia à noite. Quando lhe perguntou qual a causa, a Sra. Bell declarou que se tratava de rumores inexplicáveis; parecera-lhe ter ouvido alguém a andar de um quarto para outro; acordou o marido e fe-lo levantar-se e trancar as janelas. A princípio, tentou afirmar à Sra. Pulver que possivelmente se tratasse de ratos. Posteriormente, confessou não saber qual a razão de tais rumores, para ela inexplicáveis.

A jovem Lucretia Pulver também testemunhou os fenômenos insólitos observados naquela casa. Os Bells terminaram por mudar-se.

Em 1846, instalou-se ali a família Weekman: Sr. Michael Weekman, Sra. Hannah Weekman e suas filhas. Alguns dias após terem-se alojado na referida casa, passaram a ser perturbados por ruídos insólitos: batidas na porta da entrada, sem que ninguém visível o estivesse fazendo; passos de alguém andando na adega ou dentro de casa. A família Weekman, como era de esperar-se, não permaneceu muito tempo naquela casa sinistra. Em fins de 1847 deixou-a vaga, saindo de lá definitivamente.

Desse modo, atingimos a data de 11 de dezembro de 1847, quando a referida casa passou a ser ocupada pela família Fox, conforme já mencionamos no início deste artigo.

A NOITE DAS PRIMEIRAS TRANSCOMUNICAÇÕES

Inicialmente os Fox não sofreram nenhum incômodo em sua nova residência. Entretanto, algum tempo depois, mais precisamente nos dois primeiros meses de 1848, os mesmos ruídos insólitos que perturbaram os antigos inquilinos voltaram a manifestar-se outra vez. Eram batidas leves, sons semelhantes aos arranhões nas paredes, assoalhos e móveis, os quais poderiam perfeitamente ser confundido com rumores naturais produzidos por vento, estalos do madeiramento, ratos, etc. Por isso a família Fox não deveria ter-se sentido molestada ou alarmada. Entretando, tais ruídos cresceram de intensidade, a partir de meados de março de 1848. Batidas mais nítidas e sons de arrastar de móveis começaram a fazer-se ouvir, pondo as meninas em sobressalto, ao ponto de negarem-se a dormir sozinhas no seu quarto, e passarem a querer dormir no quarto dos pais. A princípio os habitantes da casa, ainda incrédulos quanto à possível origem sobrenatural dos ruídos, levantavam-se e procuravam localizar a causas natural dos mesmos.

Na noite de 31 de março de 1848, desencadeou-se uma série de sons muito forte e continuados. Aí, então, deu-se o primeiro lance do fantástico episódio, que ficou como um marco inamovível na história da fenomenologia paranormal. A garota de sete anos de idade - a Kate Fox - em sua espontaneidade de criança teve a audácia de desafiar a "força invisível" a repetir, com os golpes, as palmas que ela batia com as mãos! A resposta foi imediata, a cada estalo um golpe era ouvido logo a seguir! Ali estava a prova de que a causa dos sons seria uma inteligência incorpórea. Para apreciar-se bem o sabor desta incrível aventura, vamos transcrever alguns trechos do depoimento da Sra. Margareth Fox.

"Na noite de sexta-feira, 31 de março de 1848, resolvemos ir para a cama um pouco mais cedo e não nos deixamos perturbar pelos barulhos; íamos ter uma noite de repouso. Meu marido que aqui estava em todas as ocasiões, ouviu os ruídos e ajudou a pesquisar.
Naquela noite fomos cedo para a cama - apenas escurecera. Achava-me tal alquebrada e com falta de repouso que quase me sentia doente. Meu marido não tinha ido para a cama quando ouvimos o primeiro ruído naquela noite. Eu apenas me havia deitado. A coisa começou como de costume. Eu distinguia de qualquer outro ruído jamais ouvido. As meninas, que dormiam em outra cama no quarto, ouviram as batidas e procuraram fazer ruídos semelhantes, estalando os dedos. Minha filha menor, Kate, disse, batendo palmas: "Senhor Pé Rachado, Faça o que eu faço." Imediatamente seguiu-se o som, com o mesmo número de palmadas. Quando ela parou, o som logo parou. Então Margareth
disse brincando: "Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro" e bateu palmas. Então os ruídos se produziram como antes. Ela teve medo de repetir o ensaio. Então Kate disse, na simplicidade infantil: "Oh! mamãe! eu já sei o que é. Amanhã é
primeiro de abril e alguém quer nos pregar uma mentira." "Então pensei em fazer um teste que ninguém seria capaz de responder. Pedi que fossem indicadas as idades de meus filhos, sucessivamente. Instantaneamente foi dada a exata idade de cada um, fazendo pausa de um para outro, a fim de separar, até o sétimo, depois do que se fez uma pausa maior e três batidas mais fortes foram dadas, correspondendo a idade do menor, que havia morrido.

"Então perguntei: Eh um ser humano que me responde tão corretamente? Não houve resposta. Perguntei: É um espírito? Se for, de duas batidas. Duas batidas foram ouvidas assim que fiz o pedido. Então eu disse: Se for um espírito assassinado dê duas batidas. Essas foram dadas instantaneamente, produzindo um tremor na casa. Pergutei: Foi assassinado nesta casa? A resposta foi como a precedente. A pessoa que o assassinou ainda vive? Resposta idêntica, por duas batidas. Pelo mesmo processo verifiquei que fora um homem que o assassinaram nesta casa e os seus despojos enterrados na adega; que a família era constituída de esposa e cinco filhos, dois rapazes e três meninas, todos vivos ao tempo de sua morte, mas que depois a esposa morrera. Então perguntei: Continuará a bater se chamarmos os vizinhos para que também escutem? A resposta afirmativa foi alta."

Desse modo foram chamados vários vizinhos, os quais por sua vez convocaram outros, de maneira que, mais tarde e nos dias subseqüentes, o número de curiosos era enorme. Naquela noite compareceram o Sr. Redfield, o Sr. e Sra. Duesler e os casais Hyde e Jewell.

"Mr. Duesler fez muitas perguntas e obteve as respostas. Em seguida indiquei vários vizinhos nos quais pude pensar, e perguntei se havia sido morto por algum deles, mas não obtive resposta. Após isso, Mr. Duesler fez perguntas e obteve as respostas. Perguntou: Foi assassinado? Resposta afirmativa. Seu assassino pode ser levado ao tribunal? Nenhuma resposta. Pode ser punido pela lei? Nenhuma resposta. A seguir disse: Se seu assassino não pode ser punido pela lei de sinais. As batidas foram ouvidas claramente. Pelo mesmo processo Mr. Duesler verificou que ele tinha sido assassinado no quarto do leste, a cinco anos passado, e que o assassínio fora cometido à meia noite de uma terça-feira, por Mr......; que fora morto com um golpe de faca de açougueiro na garganta; que o corpo havia sido enterrado; tinha passado pela dispensa, descido a
escada e enterrado a dez pés abaixo do solo. Também foi constatado que o móvel fora dinheiro.

"Quanta a quantia: cem dólares? Nenhuma resposta. Duzentos? Trezentos? etc. Quando mencionou quinhentos dólares as batidas confirmaram. "Foram chamados muitos dos vizinhos que estavam pescando no ribeirão. Estes ouviram as mesma perguntas e respostas. Alguns permaneceram em casa naquela noite. Eu e as meninas saímos. Meu marido ficou toda a noite com Mr. Redfield. No sábado seguinte a casa ficou superlotada. Durante o dia não se ouviram os sons, mas ao anoitecer recomeçaram. Diziam que mais de trezentas pessoas achavam-se presentes. No domingo os ruídos foram ouvidos o dia inteiro por todos quantos se achavam em casa".

Estes são os principais trechos do depoimento da Sra. Margareth Fox, que mais nos interessam para dar uma descrição viva dos acontecimentos de Hydesville, na sinistra noite de 31 de março de 1848.

AS ESCAVAÇÕES NA ADEGA

Os mais interessados em esclarecer o caso resolveram escavar a adega, visando encontrar os despojos do suposto assassinado. Eis que, através de combinação alfabética com as pancadas produzidas, chegaram à identidade da vítima. Tratava-se de um mascate de nome Charles B. Rosma, o qual tinha trinta e um anos quando, há quatro anos passado, fora assassinado naquela casa e enterrado na adega. O assassino fora um antigo inquilino. Só poderia ter sido o Sr. Bell... Mas onde a prova do fato, o cadáver da vítima? A solução seria procurá-lo na adega, onde estaria enterrado.

As escavações, porém, não levaram a resultados definitivos, pois deram n'água, sem que se tivessem encontrado quaisquer indício. Por essa razão foram suspensas.

No verão de 1848, o próprio Sr. David Fox auxiliado por alguns interessados retomou o empreendimento. A uma profundidade de um metro e meio, encontraram uma tábua. Aprofundada a cova, encontraram o carvão, cal, cabelos e alguns fragmentos de ossos que foram reconhecidos por um médico como pertencentes a esqueleto humano; mais nada.

As provas do crime eram precárias e insuficientes, razão talvez pela qual o Sr. Bell não foi denunciado.

A DESCOBERTA DO ESQUELETO

Em o número de 23 de novembro de 1904, do Boston Journal, foi notificada a descoberta do esqueleto de um homem cujo Espírito se supunha ter ocasionado os fenômenos na casa da família Fox em 1848. Meninos de uma escola achavam-se brincado na adega da casa onde moravam os Fox. A casa tinha fama de ser malassombrada. Em meio aos escombros de uma parede - talvez falsa - que existira na adega, os garotos encontraram as peças de um esqueleto humano.

Junto ao esqueleto foi achada uma lata de uma espécie costumeira usada por mascates. Esta lata encontra-se agora em Lilydale, a sede central regional dos Espiritualistas Americanos, para onde foi transportada a velha casa de Hydesville.

Como pode ver-se, cinquenta e seis anos depois, em 22 de novembro de 1904 (data do encontro do esqueleto do mascate), parece não haver dúvida de que foram confirmadas as informações obtidas em 1848 a respeito do crime ocorrido naquela casa. Este
episódio constitui-se em um notável caso de TCD(transcomunicação direta). As evidências são muito fortes.

O MOVIMENTO ESPALHA-SE

As duas garotas, Margareth e Kate, foram afastadas de sua casa, pois suspeitava-se que os fenômenos eram ligados sobretudo à sua presença. Margareth passou a morar com seu irmão David Fox. A Kate mudou-se para Rochester, onde ficou em casa de sua irmã Leah, então casada e agora Sra. Fish. Entretanto, os ruídos insistiam em acompanhar as irmãs Fox; onde elas se achavam, ocorriam os fenômenos. Parece que agora se observava uma espécie de contágio, pois, Leah Fish, a irmã mais velha, passou a apresentar também os mesmos fenômenos. Logo mais, começaram a surgir em outras famílias:

"Era como uma nuvém psíquica, descendo do alto e se mostrando nas pessoas suscetíveis. Sons idênticos foram ouvidos em casa do Rev. A.H.Jervis, ministro metodista residente em Rochester. Poderosos fenômenos físicos irromperam na família do Diacono Hale, de Greece, cidade vizinha de Rochester. Pouco depois Mrs. Sarah A. Tamlin e Mrs. Benedict de Auburn, desenvolveram notável mediunidade (...)".

O movimento espalhar-se-ia, mais tarde, pelo mundo, conforme fora afirmado em uma das primeiras comunicações através das irmãs Fox. As próprias forças invisíveis insistiram para que se fizessem reuniões públicas onde elas pudessem manifestar-se
ostensivamente. Era uma nova mensagem que vinha do mundo dos Espíritos, conclamando os homens para uma outra posição filosófico-religiosa.

"SPIRITUALISMO" E ESPIRITISMO

A "Onda Espiritualista" passou da América para a Europa, cujo terreno já se encontrava preparado pelo desenvolvimento científico, e onde os fenômenos de TC (transcomunicação) iriam ser estudados mais tarde, com rigor e profundidade pelos fundadores da "Psychical Reserch" e da Metapsiquica.

A forma bastante comum sob a qual a manifestações de TC (transcomunicação) se apresentaram na Europa, foi a das "mesas girantes". Vamos focalizar mais adiante e resumidamente esse período, do qual tambem se originou o Espiritismo na França,
gracas às investigações científicas e ao método didático do ilustre intelectual lionês, Denizard Hypplite Leon Rivail (Allan Kardec).

Nunca é supérfluo enfatizar que não se deve confundir o "Spiritualism" com o espiritismo. O primeiro nasceu como um movimento popular, provocado por evidências a favor da crença na existência, sobrevivência e comunicabilidade do Espírito. Posteriormente o "Spiritualism"adquiriu a forma de um religiao organizada que aspira, também, ser uma Ciência e uma Filosofia.

Agora, um ponto importante: o "Spiritualism" não incorporou a idéia da reencarnação. Ele admite apenas a continuidade da vida após a morte, sem inferno ou céu, porém em contínuo aprendizado e evolução no "Mundo Espiritual".

Há algumas diferenças entre os princípios básicos do "Spiritualismo" e do Espiritismo. A mais profunda é a questão da "reencarnação". O Espiritismo não só aceita o renascimento, como admite a Lei do Carma, considerando serem estes os fatores naturais da evolução do Espírito. Embora Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, considere Sócrates e Platão como os precursores da idéia cristã e do Espiritismo, a sua atenção para a realidade da comunicação dos Espíritos foi despertada pelo fenômeno das "mesas girantes".

REPERCUSSÃO ENTRE INTELECTUAIS

A partir do episódio das irmãs Fox, a transcomunicação, aqui no ocidente, passou atrair a atencao de um pequeno grupo de cientistas. Inicialmente, tais investigadores achavamse, em sua maioria, imbuidos de forte cepticismo acerca do fenômenos paranormais que passaram a ganhar popularidade inusitada na Europa. Somente a curiosidade diante da estranheza de tais ocorrências conseguiu levar esses poucos cientistas a observá-las.
Logo no começo da fase, as pesquisas conduziram à formação de três categorias de pessoas, conforme suas opiniões acerca da natureza dos referidos fenômenos.

O primeiro grupo consistiu nos que viram nesses fatos uma confirmação de suas crencas na sobrevivência, na comunicabilidade e progresso dos Espíritos. A natureza do homem, para eles, era dual, e continha um componente espiritual além do material. Desta interpretação, surgiu um aspecto religioso como decorrência imediata do reconhecimento da natureza espiritual da criatura humana. O "Spiritualism", na Inglaterra, e o Espiritismo, na França, são exemplos dessa interpretação, embora ambos reivindiquem, também, para suas doutrinas, os aspectos filosóficos e científicos.

Um segundo grupo constituiu-se, em sua maioria, por cidadãos de acentuado interesse científico. Alguns já eram cientistas profissionais, professores e investigadores em diversas áreas de conhecimento teórico e prático. Outros, com títulos e formação
superior, embora nao especialistas em disciplinas científicas, sentiram-se também interessados em investigar de maneira racional os referidos fatos, denominados, na época, "fenômenos psiquicos". Daí a designação usual desta atividade: "Psychical Research" (Pesquisa Psiquica). Na França, Charles Richet deu-lhe outro nome: "Metapsiquica".

No segundo grupo, figuravam, indistintamente, os espiritualistas, os indiferentes e os materialistas. Apenas os seguintes objetivos pareciam movê-los: confirmar ou negar os propalados fenômenos e, no caso afirmativo, descibrir a sua real causa eficiente.

Finalmente, um terceiro grupo, compreendendo a maioria dos interessados, colocou-se em franco antagonismo relativamente aos dois primeiros. Compunha-se de cientistas, intelectuais em geral, jornalistas e pessoas comuns. Alguns eram fieis ou chefes de
religiões instituídas. Grande número desses cidadãos, especialmente os intelectuais, achava-se impregnado de filosofias materialistas e havia absorvido as ideias positivistas. Revelaram-se profundamente céticos e procuraram liquidar com a crença nos aludidos fenômenos. Para eles, os fenômenos paranormais eram manifestações de superstição, ilusões e fraudes, ou alienação mental. Para alguns religiosos, poderiam ser armadilhas do "demônio", ou tentativas de indivíduos mal intencionados que visavam abalar as bases das religiões tradicionais. Outros chegavam a acreditar que se tratava da revivescencia da Magia e do Ocultismo, numa tentativa de dominio de opinião pública.

CONCLUSÃO

Foi neste clima que se desenrolaram as dramáticas transcomunicações, cuja iniciativa, ao que parece, partiu do Plano Espiritual. As manifestações mais em evidência foram as chamadas "Mesas Girantes". Este episódio inaugurou o Período Espíritico, conforme a classificação de Charles Richet. Segundo este sábio, tal período vai das irmãs Fox ate as pesquisas de Sir Willian Crookes, em 1872.


Dolores Bacelar - Sua Biografia


Dolores Bacelar, médium que permaneceu sob o anonimato por muitos anos e sua história,

por Izabel Vitusso

Dolores Bacelar dedicou grande parte da vida em prol da doutrina espírita. Psicografou diversos títulos, auxiliou instituições de caridade e, por opção, permaneceu praticamente no anonimato

Pelo menos dentre os espíritas mais antigos, vai ser difícil encontrar alguém que não tenha lido ou ouvido falar em A mansão Renoir. Um romance espírita psicografado que se tornou um clássico, pelo enredo, qualidade literária e enquadramento doutrinário.
Porém, sobre a médium psicógrafa, Dolores Bacelar, é difícil dizer a mesma coisa. Por um simples motivo. Ela seguiu à risca a orientação que recebera de Alfredo, um dos espíritos responsáveis pela orientação da médium: que ela se mantivesse na discrição. Dolores fez mais do que isso; manteve-se quase no anonimato.
Nascida em 10 de novembro de 1914, era sobrinha de tio com fortes vínculos com a Igreja – o monsenhor Francisco Apolônio Jorge Sales. Estudou por seis anos em colégio de irmandades. Assim que se casou, mudou-se de Pernambuco para o Rio de Janeiro. E foi lá, alguns anos depois, já com três de seus quatro filhos, que a mediunidade de Maria Dolores de Araújo Bacelar começou a dar seus primeiros sinais, poucos anos antes de a cidade maravilhosa se despedir da década de 40.

Dolores e seu marido

Potencial mediúnico
Assustar-se e gritar com pedestres nas vias públicas, por achar que estavam prestes a ser atropelados, era fato corriqueiro para a médium. Na verdade, o que Dolores via eram os espíritos transitando – essa foi a causa de ter sido aconselhada pelo espírito Alfredo para que não se aventurasse no volante.
Levada a uma casa espírita, no Rio de Janeiro, conheceu Ismael Gomes Braga, que imediatamente percebeu o potencial mediúnico a ser colocado em ação. Tendo ao lado o esposo, Luiz Gonzaga da Silveira Bacelar, Dolores não apenas abriu a vertente das diversas sensibilidades mediúnicas, como também trabalhou extenuadamente pela divulgação do epiritismo. Primeiro foi na Casa Espírita do Coração, em Ipanema, RJ. Mais tarde, fundou com o esposo mais duas instituições de assistência: a Sociedade Espírita Seara dos Filhos de Deus, em Copacabana, transferida depois para Botafogo, ainda em atividade; e a Casa Assistencial Lar Amigo, destinada ao amparo de meninas órfãs. Mesmo com a grande importância dada ao trabalho assistencial, Dolores dedicou-se atenção especial à família. “Mamãe sempre foi muito dedicada ao lar. Colocava a família como prioridade. Ela dizia que Deus havia lhe dado primeiro os filhos e a mediunidade veio depois”, revelou Rômulo Bacelar, o segundo filho do casal, além de Fernando Antonio, Ana Cristina e Primavera.

Apoio aos órfãos
Devolver a dignidade ao ser humano era o que a médium discreta perseguia em suas frentes de trabalho. Tanto que não faltou o seu apoio ao coronel Jaime Rolemberg de Lima, quando pensou em implantar a unidade para atendimento às famílias carentes, no Lar Fabiano de Cristo, em Copacabana, que recebeu o nome de Casa de Alfredo.

Quando ficou viúva, em 1988, Dolores estava com 74 anos; era já avó de oito netos, mas se sentia em forma para assumir mais trabalho. Há anos realizando atividades com crianças órfãs no Lar Amigo, ela ainda aceitou a presidência da Sociedade Espírita Seara dos Servos de Deus.

Trabalhar junto a crianças órfãs era algo que lhe atraía. Talvez tenha sido esse o motivo que a levou, em 1980, a visitar o Lar da Criança Emmanuel – primeira instituição de assistência fundada em São Bernardo do Campo, SP – pelos espíritas Ismael Sgrignolli, Raymundo Espelho, Manoel Romero, José Corrêa e outros.

Ao conhecer o trabalho da entidade, onde fora levada pelo escritor Jorge Rizzini, a médium manifestou interesse imediato em ceder àquelas crianças os direitos autorais de todas as obras por ela psicografadas. Entre as razões que levaram Dolores a tal gesto, permanecia a idéia de sempre vincular seu trabalho, principalmente a psicografia, à assistência da criança carente.

Foi então que o romance A mansão Renoir – que narra a história de transformação ocorrida em uma importante família de descendência francesa –, ganhou, em 1980, forma e público, por meio da própria editora vinculada ao Lar Emmanuel, a Correio Fraterno, fundada em 1967.

Dolores ao centro abraçada com Jorge Rizzini

Instrumento do bem
Além de A mansão Renoir, Dolores Bacelar recebeu pela psicografia inconsciente mais nove livros: A Canção do destino, Novos cânticos, A rosa imortal e À sombra do olmeiro, e a série Às Margens do Eufrates da qual fazem parte as obras: O alvorecer da espiritualidade, Guardiães da verdade, Veladores da luz, O Vôo do pássaro azul e o último, Jonathan, o pastor. Todos assinados por Espíritos com perfil semelhante ao da médium, que preferem se revelar pelas obras, e não pelo nome. Assinam simplesmente como: Um Jardineiro, Josepho ou Alfredo.
“Apesar de ter a mediunidade totalmente inconsciente, mamãe sabia o teor do trabalho que psicografaria. Os Espíritos apresentavam o livro antes a ela”, contou Rômulo – com quem Dolores viveu nos últimos tempos. “De todos os livros que recebera, À sombra do olmeiro, de autoria do Espírito Um Jardineiro, era a obra de que ela mais gostava. Adorava também a série Às margens do Eufrates”, finalizou.
Afetiva, Dolores transmitia seu carinho aos amigos que fizera ao longo dos anos, trocando cartas com os mais distantes – como os amigos do Correio Fraterno e também com o médium Chico Xavier –, e mostrando a suavidade de sua presença aos mais próximos. Dolores veio a desencarnar, no dia 6 de outubro de 2006, por causas naturais, poucos dias antes de completar 92 anos, no Rio de Janeiro. Dois meses depois, sua presença em Espírito, já foi sentida entre os familiares, no Rio de Janeiro e São Paulo, onde ela deixou uma mensagem, que lembram as expressões de sua preferência:
“A mão que antes fere, hoje ilumina. A arma que desfere para o mal, hoje se transforma em instrumento do bem. Cada sonho despetalado transforma-se em sementes que irão germinar. E só o amor é capaz de encubar toda semente lançada à terra. Assim são as palavras que consolam, regadas pelo sentimento”, pelo espírito de Dolores Bacelar.

Fonte: http://correiofraterno.com.br/nossas-secoes/15-baudememorias/725-ilustre-desconhecida
 

Ermance Dufaux - Biografia


Ermance De La Jonchére Dufaux nasceu em 1841, na cidade de Fontainebleau, França. Próxima a Paris, abrigava a residência oficial de Napoleão III e de outros nobres. O pai de Ermance, rico produtor de vinho e trigo, era um deles. Tradicional, a família Dufaux residia num castelo medieval, herança de seus antepassados.
Em 1853, a filha dos Dufaux começou a apresentar inquietante desequilíbrio nervoso e a fazer premonições. Por causa desse problema, seu pai procurou o célebre médico Cléver De Maldigny.
Pelo relato do Sr. Dufaux, o médico disse que Ermance parecia estar sofrendo de um novo distúrbio nervoso, que havia feito diversas vítimas na América e que, agora, estava chegando à Europa. As vítimas da doença entravam numa espécie de transe histérico e começavam a receber hipotéticas mensagens do Além.
O médico aconselhou o Sr. Dufaux a trazer Ermance a seu consultório, o mais rápido possível. Assim foi feito. Alguns dias depois, a mocinha comparecia à consulta.
Maldigny colocou um lápis na mão da menina e pediu que ela escrevesse o que lhe fosse impulsionado. Ermance começou a rir, gracejando, mas, de súbito, seu braço tomou vida própria e começou a escrever sozinho. Ao ver-se dominada por uma força estranha, Ermance assustou-se, largou o lápis e não quis continuar a experiência.
Maldigny examinou o papel e confirmou seu diagnóstico. Os pais de Ermance ficaram extremamente preocupados. Como a família era famosa na corte, a notícia logo se espalhou em Paris e Fontainebleau, chegando aos ouvidos do Marquês de Mirvile, famoso estudioso doMagnetismo.
O Marquês visitou o castelo dos Dufaux e pediu para examinar Ermance. Os pais aquiesceram, mas a mocinha teve que ser convencida. Por fim, Ermance colocou-se em posição de escrever e Mirvile perguntou ao invisível:
- Está presente o Espírito em que penso? Em caso positivo, queira escrever seu nome por intermédio da garota.
A mão de Ermance começou a se mover e escreveu:
- Não, mas um de seus parentes remotos.
- Pode escrever seu nome?
- Prefiro que meu nome venha diretamente à sua cabeça. Pense um instante.
- São Luís, rei de França (1), primo do primeiro nobre de minha família?
- Sim, eu mesmo.
- Vossa Majestade pode dar-me um prova de que é realmente o nosso grande rei?
- Ninguém nesta casa sabe que você e seus parentes me consideram o Anjo da Guarda da família.
Se Maligny via o caso de Ermance como doença, o Marquês também tinha suas explicações preconcebidas. Na sua opinião, ela apenas captava as idéias e pensamentos presentes no ambiente. Isso na melhor das hipóteses. Na pior, a jovem estava sendo intérprete do Diabo, pois, como católico, ele não acreditava que os mortos pudessem se comunicar. Uma análise conclusiva deveria ser feita pela Academia de Ciências de Paris.
O Sr. Dufaux, no entanto, não levou o caso adiante. Embora também fosse católico, ele preferiu acreditar que sua filha não era doente ou possessa, mas apenas uma intermediária entre os vivos e os mortos. A família foi se acostumando com o fato e a faculdade de Ermance passou a ser vista como uma coisa natural e positiva.
Os contatos com São Luís passaram a ser frequentes. Sob seu influxo, ela escreveu a autobiografia póstuma do rei canonizado, intitulada "A história de Luís IX, ditada por ele mesmo". Em 1854, esse texto foi publicado em livro, mas a Censura do Governo de Napoleão III proibiu a sua distribuição. Os censores acharam que algumas passagens podiam ser entendidas como críticas ao Imperador e à Igreja.
O posicionamento favorável dos Dufaux ao neo-espiritualismo (spiritualisme) gerou retaliações. Numa confissão, Ermance recusou-se a negar sua crença nos Espíritos, atribuindo suas mensagens a Satanás, e foi proibida de comungar. A Imperatriz também esfriou seu relacionamento com a família. No entanto, o Imperador Napoleão III ficou curioso e pediu para conhecer a Srta. Dufaux.
Ela foi recepcionada no Palácio de Fontainebleau e recebeu uma mensagem de Napoleão Bonaparte para o sobrinho. A mensagem respondia a uma pergunta mental de Luís Napoleão e seu estilo correspondia exatamente ao de Bonaparte.
Com o tempo, os Espíritos também começaram a falar por Ermance. Em 1855, com 14 anos, Ermance publica seu segundo livro "spiritualiste" (na época, não existiam os termos espírita, mediunidade, etc). O primeiro a ser distribuído e vendido: "A história de Joana D'Arc, ditada por ela mesma" (Editora Meluu, Paris).
Segundo Canuto Abreu, a família Dufaux conheceu Allan Kardec na noite do dia 18 de abril de 1857. O Codificador teria dado uma pequena recepção em seu apartamento e os Dufaux foram levados por Madame Planemaison, grande amiga do professor lionês.
No final da reunião, Ermance recebeu uma belíssima mensagem de São Luís, que, a partir dali, tornaria-se uma espécie de supervisor espiritual dos trabalhos do Mestre. Segundo o ex-rei, Ermance, assim como Kardec, era uma druidesa reencarnada. Os laços entre os dois se estreitaram e ela se tornou a principal médium das reuniões domésticas do Prof. Rivail.
No final de 1857, Kardec teve a idéia de publicar um periódico espírita e quis ouvir a opinião dos guias espirituais. Ermance foi a médium escolhida e, através dela, um Espírito deu várias e ótimas orientações ao Mestre de Lion. O órgão ganhou o nome de "Revista Espírita" e foi lançado em Janeiro do ano seguinte.
Como o apartamento de Allan Kardec ficou pequeno para o grande número de frequentadores da sua reunião, alguns dos participantes decidiram alugar um local maior.
Para isso, porém, precisavam de uma autorização legal. O Sr. Dufaux encarregou-se de obter o aval das autoridades, conseguindo em quinze dias o que, normalmente, levaria três meses. Conquistada a liberação, o Codificador e seus discípulos fundaram a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em Abril de 1858. Ermance foi uma das sócias fundadoras.
Durante o ano de 1858, Ermance recebeu mais duas autobiografias mediúnicas. Desta vez, os autores foram os reis franceses Luís XI e Carlos VIII. O Codificador elogiou o trabalho da Srta. Dufaux (2) e transcreveu trechos das "Confissões de Luís XI" na Revista Espírita(3). Nesse mesmo ano, Kardec divulgou três mensagens psicografadas pela jovem sensitiva (4). Não temos notícia sobre a possível publicação das memórias de Carlos VIII.

Canuto Abreu revelou que Rivail a utilizou como médium na revisão da 2ª edição de O Livro dos Espíritos.
Em 1859, Ermance não é mais citada como membro da SPEE nas páginas do mensário kardeciano. Isso leva-nos a crer que ela teria saído da Sociedade. Outro indício dessa suposição é que São Luís passou a se comunicar através de outros sensitivos (Sr. Rose, Sr. Collin, Sra. Costel e Srta. Huet). Não há, igualmente, registros da continuidade do seu trabalho em outros grupos.
O que teria acontecido com Ermance? Teria casado e deixado a militância, como Ruth Japhet e as meninas Baudin? Teria se desentendido com Kardec? Teria mudado da França? Teria desanimado com o Espiritismo? São perguntas que só ela poderia responder. Seja como for, o Codificador continuou a divulgar seu trabalho. Em 1860, ele noticiou a reedição de "A história de Joana D'Arc ditada por ela mesma", pela Livraria Lendoyen de Paris.
Em 1861, enviou vários exemplares desse livro, junto com suas obras, para o editor francês Maurice Lachâtre, que se encontrava exilado em Barcelona, Espanha. O objetivo era a divulgação do Espiritismo em solo espanhol. Esses volumes acabaram confiscados e queimados em praça pública pela Igreja Católica no famoso Auto-de-fé de Barcelona.
"A história de Luís IX ditada por ele mesmo", foi liberada pela Censura e finalmente publicada pela revista La Verité de Paris em 1864. No início de 1997, a editora brasileira Edições LFU traduziu "A história de Joana D'Arc" para o português.
NOTAS:
(1) Rei francês, filho de Luís VIII e Branca de Castela, nascido em 1215, coroado em 1226 e morto em 1270. Luís IX teve um reinado bastante conturbado. Até 1236 enfrentou a Revolta dos Vassalos e a Guerra dos Albigenses. Venceu duas batalhas contra os ingleses em 1242. Em 1249, organizou uma Cruzada, foi vencido e aprisionado. Resgatado, ficou na Palestina até 1252, quando voltou à França. Empreendeu mais uma Cruzada e morreu de peste ao desembarcar em Tunis. Foi canonizado pela Igreja em 1297.
(2) Página 30 do Volume 1858, EDICEL.
(3) Páginas 73, 148 e 175, ibidem.
(4) Páginas 137, 167 e 317, ibidem.

BIBLIOGRAFIA:

ABREU, 1992.
KARDEC, 1993.
KARDEC, ?
_____________
Algumas Informações Adicionais sobre Ermance Dufaux (GEAE)
Pesquisando na Internet verificamos que Ermance Dufaux publicou livros na década de 1880 que foram citados em obras de outros autores e traduzidos para outras linguas. Edições impressas ainda existem a venda em sites de livros raros e versões digitalizadas podem ser encontradas no site da Biblioteca Nacional da França.
Algumas das referências que encontramos:
1) No site da Biblioteca do Congresso Americano há uma página dedicada a preservação da memória americana com a digitalização de obras raras (http://memory.loc.gov/ammem/index.html). Encontramos nesse site um livro de 1909 - Traité Pratique et Thèorique de La Danse (Tratado Teórico e Prático da Dança, BOURGEOIS, 1909) - que traz na sua bibliografia a indicação de duas obras em nome de Ermance Dufaux. Não há dadas de publicação indicadas:
Le savoir-vivre dans la vie ordinaire et les cérémonies civiles et religieuses, par Ermance Dufaux. 1 vol. in-18 (O saber viver na vida cotidiana e nas cerimônias civis e religiosas).
L'enfant, hygiène et soins médicaux pour le premier âge; par Ermance Dufaux de la Jonchère. Nombreuses gravures. 1 vol. in-18 (A criança, higiene e cuidados médicos na primeira idade).

2) No site da Amazon Books em francês há a indicação de uma obra histórica de Ermance Dufaux de 1885:
La vie du vaillant bertrand du guesclin, de d'Aprés les Chanson de Geste du Trouvère, Tx Rajeuni par E. Dufaux de la Jonchere. Description: dos léger , cartonnage perca. décoré édition tranche dorées, illustration de Tofani in et hors texte Garnier , 1885. (A vida do Valoroso Bertrand du Guesclin, conforme as canções de gesta dos trovadores, em prosa contemporânea por E. Dufaux de la Jonchere).

3) A página do DICTIONNAIRE DES AUTEURS / ECRIVAINS traz a seguinte relação de obras de Ermance Dufaux:
Auteur : DUFAUX DE LA JONCHERE ERMANCE
Livre : LE SAVOIR-VIVRE DANS LA VIE ORDINAIRE ET DANS LES CEREMONIES CIVILES ET RELIGIEUSES
Edité par Garnier freres - Paris en s.d.(ca 1883)
Auteur : DUFAUX DE LA JONCHERE (MLLE E.)
Livre : LA VIE DU VAILLANT BERTRAND DU GUESCLIN, D'APRES LA CHANSON DE GESTE DU TROUVERE CUVELIER ET LA CHRONIQUE EN PROSE CONTEMPORAINE. Edité par Garnier - Paris en 1885
Auteur : DUFAUX ERMANCE
Livre : HISTOIRE DE JEANNE D'ARC PAR ELLE MEME
Edité par Philman - Paris le 25/09/2000
Auteur : DUFAUX ERMANCE
Livre : LE SAVOIR-FAIRE DANS LA VIE ORDINAIRE ET DANS LES CEREMONIES CIVILES ET RELIGIEUSES
Paris en 1883

4) O livro de Ermance Dufaux sobre higiene e cuidados na infância teve uma tradução para o espanhol em 1888. Esta informação foi encontrada em um site de leilões: Durán Sebastas de Artes (acesso 25/09/2006):
DUFAUX DE LA JONCHERE, Erm.- "EL NIÑO Higiene y cuidados maternales dela infancia PARA USO DE LAS MADRES JOVENES Y DE LAS NODRIZAS... Versión castellana anotada y arreglada por D. Gonzalo de Lorenzo". París, Garnier Hermanos. 1888. 8º, tela edit., estamp. 475 pgs. Figuras en texto.
5) No site Gallica da Biblioteca Nacional da França está disponível para consulta e download o livro Le Saivoir-Vivre e no seu início há uma carta datada de 1883.
6) No mesmo site há outro livro dela de 1884:
Ce que les maîtres et les domestiques doivent savoir [Texte imprimé] / par Mlle E. Dufaux de la Jonchère (O que os patrões e os criados domésticos devem saber). Paris : Garnier frères, 1884. 461-36 p. Sujet: Employeur et employé (droit) -- 19e siècle.

Vários livros de autoria espiritual de Ermance Dufaux foram psicografados através do médium Wanderley Soares de Oliveira a partir de 2000. Segundo o site da Livraria Espírita Candeia, Wanderley atua em Belo Horizonte (MG) como expositor e médium. Os livros são publicados pela editora Dufaux:
Seara Bendita (2000 - em parceria com outros espíritos)
Laços de Afeto (2002)
Mereça ser Feliz (2002)
Reforma Íntima sem Martírio (2003)
Unidos Pelo Amor (2004 - em parceria com outros espíritos)
Atitude de Amor (opúsculo - em parceria com outros espíritos)
Lírios de Esperança (2005)
Escutando Sentimentos (2006)

Referências Bibliográficas
ABREU, S. C. O Livro dos Espíritos e sua Tradição Histórica e Lendária. São Paulo: Edições LFU, 1992.
BOURGEOIS, E. Traité pratique et théorique de la danse. Paris: Garnier frères, 1909. Disponível em: http://memory.loc.gov/cgi-bin/query/r?ammem/musdi:@field(DOCID+@lit(musdi235)). Acesso em 25 de setembro de 2006.
DOYLE, A. C. The History of Spiritualism - Vol I. Australia: Projeto Guttemberg, 2003. Disponível em: http://gutenberg.net.au/ebooks03/0301051.txt

DUBY. G. Histoire de La France. 3. ed. Paris: Larousse, 2003
KARDEC, A. Coleção da Revista Espírita. São Paulo: EDICEL, ?
______. Obras Póstumas (Coleção das Obras Completas de Allan Kardec - Volume XIX). São Paulo: EDICEL, 1976.
______. Obras Póstumas. Rio de Janeiro: FEB, 1993
______. Revista Espírita - 1858. Tradução Salvador Gentile. 1.a ed. São Paulo: Mundo Maior Editoria, 2003.
MORAL, A. M. El Segundo Imperio. Historia y Vida - n° 413. Barcelona (Espanha): Editora Mundo Revistas, agosto de 2002.

WANTUIL, Z.; THIESEN, F. Allan Kardec. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1979

WIKIPEDIA. Bernadette Soubirous. In: WIKIPEDIA, The Free Encyclopedia. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/St_Bernadette. Acesso em 19 de setembro de 2006.
Boletim GEAE 519

Parábola contada pelo espírito Joanna de Ângelis a Divaldo Franco.


Em 1962, Divaldo passou por uma grande provação, ficando vários dias sem condições de conciliar o sono, hora nenhuma, o que lhe trouxera constante dor de cabeça.
Numa ocasião, não suportando mais, quando Joanna lhe apareceu, ele lhe falou:
- Minha irmã, a senhora sabe que eu estou passando por um grande problema, uma grande injustiça, e não me diz nada?
- Por isso mesmo eu não te digo nada, porque é uma injustiça. E como é uma injustiça, não tem valor, Divaldo.
- Tu és quem está dando valor e quem dá valor à mentira, deve sofrer o efeito da mentira.
Porque, se tu sabes que não é verdade, por que estás sofrendo? Eu não já escrevi por tuas mãos:
“Não valorizes o mal”?
- Não tenho outro conselho a dar-te.
- Mas, minha irmã, pelo menos me diga umas palavras de conforto moral, porque eu não tenho a quem pedir.
- Então, ela falou:
- Vou dar-te palavras de conforto. Não esperes muito.
- E contou-lhe a seguinte parábola:
Havia uma fonte pequena e insignificante, que estava perdida num bosque. Um dia, alguém por ali passando, com sede, atirou um balde e retirou água, sorvendo-a em seguida e se foi.
A fonte ficou tão feliz que disse de si para consigo:
Como eu gostaria de poder dessedentar os viandantes, já que sou uma água preciosa!
E orou a Deus:
- Ajuda-me a dessedentar!
Deus deu-lhe o poder. A fonte cresceu e veio à borda. As aves e os animais começaram a sorvê-la e ela ficou feliz.
A fonte propôs:
- Que bom é ser útil, matar a sede. Eu gostaria de pedir a Deus que me levasse além dos meus limites, para umedecer as raízes das árvores e correr a céu aberto.
Veio então a chuva, ela transbordou e tomou-se um córrego.
Animais, aves, homens, crianças e plantas beneficiaram-se dela.
A fonte falou:
- Meu Deus, que bom é ser um córrego! Como eu gostaria de chegar ao mar!
E Deus fez chover abundantemente, informando:
Segue, porque a fatalidade dos córregos e dos rios é alcançar o delta e atingir o mar. Vai!
E o riacho tomou-se um rio, o rio avolumou as águas. Mas, numa curva do caminho, havia um toro de madeira.
O rio encontrou o seu primeiro impedimento.
Em vez de se queixar, tentou passar por baixo, contornar, mas o tronco de madeira cerceava-lhe os passos. Ele parou, cresceu e o transpôs tranquilamente.
Adiante, havia seixos, pequeninas pedras que ele carregou e outras inamovíveis, cujo volume ele não poderia remover. Ele parou, cresceu e as transpôs, até que chegou ao mar. Compreendeste?
Mais ou menos.
- Todos nós somos fontes de Deus – disse ela.
- E como alguém um dia bebeu da linfa que tu carregavas, pediste para chegar à borda, e Deus, que é amor, atendeu-te.
- Quiseste atender aos sedentos, e Deus te mandou os Amigos Espirituais para tanto. Desejaste crescer, para alcançar o mar e Deus fez que a Sua misericórdia te impelisse na direção do oceano. Estavas feliz.
- Agora, que surgem empecilhos, por que reclamas?
- Não te permitas queixas.
- Se surge um impedimento em teu caminho, cala, cresce, transpõe-no, porque a tua fatalidade é o mar, se é que queres alcançar o oceano da Misericórdia Divina.
- Nunca mais lamentes a respeito de nada.


sábado, 26 de maio de 2012

Prisca e Áquila (Os amigos do jovem de Tarso)


Matéria publicada no Jornal Mundo Espírita - novembro/2005

Foi no oásis de Dan, distante mais de 50 milhas de Palmira, cidade no deserto siro-arábico, fortificada pelo rei judeu Salomão, que Saulo, que viria se tornar o Apóstolo dos gentios, os viu pela primeira vez.

Era um casal harmonioso, onde "o respeito mútuo, a perfeita conformidade de idéias, a elevada noção de deveres...e sobretudo, a alegria sã..." (5) irradiavam de seus menores gestos.

Prisca, também chamada Priscila, tinha servido, quando menina e órfã desamparada, como serva da esposa do irmão de Gamaliel, mestre de Saulo.

Bons operários, segundo o comerciante Ezequias, que os empregava, eram, quando ali chegou Saulo, para o seu exílio espontâneo de 3 anos, os únicos habitantes.

Dedicavam-se à preparação de tapetes de lã e de tecidos resistentes de pelo caprino, para barracas de viagem. Viviam ambos a mocidade e, dotados de bom ânimo, trabalhavam com expressões de alegria.

Prisca era a expressão do carinho. Apreciava entoar velhas canções hebraicas, que ressoavam no grande silêncio do deserto. Concluía as tarefas domésticas e se postava junto ao marido, nas lides do tear, até às horas avançadas do crepúsculo.

Áquila era extremamente dedicado às responsabilidades que lhe competiam, trabalhando sem descanso, à sombra das árvores acolhedoras.

Quando caía a tarde, o casal, depois acompanhado por Saulo, estudava as anotações do apóstolo Levi.

Ambos tinham vivido em Jerusalém e freqüentado as reuniões na Casa do Caminho. Contudo, quando se desencadearam as perseguições comandadas pelo então orgulhoso rabino de Tarso, eles foram presos.

Áquila tinha uma tenda de tecelão e seu pai, uma padaria, que era motivo da cobiça de um certo Jochaí, que várias vezes a desejara adquirir, sem êxito.

Munido de autoridade, o infeliz personagem mandou prender o casal e o pobre velho. Esse, por sua vez, nem era seguidor de Jesus, embora simpatizasse com as idéias.

Áquila e Prisca foram soltos mas o dono da padaria logo teve todos seus bens confiscados e sofreu nas mãos dos algozes as piores torturas. Quando foi devolvido à casa do filho, morreu no dia seguinte. Parecia um fantasma ao ser trazido pelos guardas: ossos quebrados, feridas abertas, o corpo lanhado pelos açoites. Apesar de tudo, o casal não odiava Saulo, pois haviam aprendido com Pedro a perdoar e abençoar o perseguidor.

Quando, passados meses, Saulo se identifica como o perseguidor Saulo de Tarso, recebe o abraço fraterno de Áquila e as melhores considerações de Prisca. Ele já lhes havia conquistado os corações, pela humildade e longos diálogos em torno da Boa Nova.

Ante as revelações do extraordinário encontro de Saulo com Jesus, às portas de Damasco, decidiram que deveriam sair do deserto para proclamar os favores de Jesus pelo mundo inteiro.

Além do Evangelho, tinham agora também as notas da visão de Jesus ressuscitado para ilustrar a sua palavra. Seu sonho maior era ir a Roma e anunciar o Cristo aos irmãos da antiga Lei.

Foi assim que deixaram o oásis, ao ensejo da passagem de uma grande caravana que os conduziu a Palmira, onde foram inicialmente acolhidos com desvelado carinho, pela família de Gamaliel.

Pelo ano 50, Áquila e Prisca tornariam a se reencontrar com Paulo, em Corinto. "Áquila e a companheira falaram longamente dos serviços evangélicos, aos quais haviam sido chamados pela misericórdia de Jesus".(4)

Conforme seu plano, haviam estado em Roma, por algum tempo, fazendo as primeiras pregações do Evangelho. Os judeus lhes haviam declarado guerra e, certa noite, contou Prisca que, estando sozinha, umgrupo de israelitas lhe invadiu a casa e a açoitaram, duramente.

Quando Áquila chegou, a encontrou banhada em sangue. Tudo narram, entre exclamações de regozijo pela honra de servir ao Cristo.

A instâncias de Paulo, empreendem esforços para a fundação de uma Igreja em Corinto.

Em 52, acompanharam Paulo a Éfeso, ali se instalando. Quando um certo Apolo, judeu eloqüente, natural de Alexandria, veio a Éfeso, foram Áquila e Prisca que lhe expuseram minuciosamente a Boa Nova, tendo ele se tornado um pregador.

Com ele, foram a Corinto e pela veemência de sua pregação, convencia publicamente os judeus, mostrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo.

De retorno a Éfeso, Áquila e Prisca sofreram novas perseguições. Sua oficina singela foi totalmente destruída, quebrados os teares, atiradas à rua as peças de couro. O casal foi preso e somente libertado, após a movimentação dos melhores empenhos de Paulo.
Renan, o autor francês, ao se referir à fundação da Igreja de Roma afirma que não se sabe, com exatidão, quem a teria fundado. Afirma, contudo, que com certeza, os membros mais antigos dessa Igreja seriam Áquila e Prisca.

Para Paulo, desde o oásis de Dan foram queridos amigos, que ele tornaria a encontrar em Roma. Chamou-os seus cooperadores em Jesus Cristo, afirmando que expuseram as suas cabeças pela vida dele.

A eles dirigiu, em suas Epístolas, inúmeras saudações, como podem ser encontradas na Primeira Epístola aos Coríntios, 16:19, na Epístola aos Romanos, 16:3-5 e na Segunda Epístola a Timóteo, 4:19.

Bibliografia:

1. MIRANDA, Hermínio C. Os amigos. In:___. As marcas do Cristo. Rio [de Janeiro]: FEB, 1984. v. 1, cap. 4, item Áquila e Prisca.
2. ROPS, Daniel. Para Roma, pelo sangue. In:___. São Paulo, conquistador de Cristo. 2. ed. Portuguesa. Porto: Tavares Martins, 1960. cap. 5, item O prisioneiro de Cristo.
3. VAN DER OSTEN, A . José. In:___. Dicionário enciclopédico da bíblia. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1985, verbetes Áquila, Palmira e Prisca.
4. XAVIER, Francisco Cândido. As Epístolas. In:___. Paulo e Estêvão. ed. especial. Rio de Janeiro: FEB, 2002. pt. II, cap. VII.
5. ______. O tecelão. Op. cit. pt. II, cap. II.