sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Novas Idéias e a Doutrina


Deolindo Amorim (espírito)
médium Elzio Ferreira de Souza, Brasil
(Texto extraido do livro Espiritismo em Movimento, publicado pelo Círculo Espírita da Oração de Salvador, Bahia - circulus@svn.com.br)
Acho que ninguém tem dúvida da necessidade de fortalecer o pensamento espírita. Antes, porém, de pensar nisto ou em divulgá-lo, deve todo adepto sentir a necessidade de estabelecê-lo com firmeza e precisão para que não se espalhe e divulgue, como sendo espírita, aquilo que é apenas pensamento pessoal de um ou outro confrade, idéias que, se bem respeitáveis, não podem por si representar o pensamento doutrinário; não porque possam ser colocadas de lado como visceralmente errôneas, mas pelo fato de não terem ainda amadurecido suficientemente para que possam ser aceitas como fazendo parte do conteúdo doutrinário.
É esta falta de amadurecimento, ausência de reflexão, que produz a aceitação facilitada de toda idéia que surge no campo doutrinário, exposta por oradores, ou em livros e jornais, com completo esquecimento daquelas que constituem o pensamento da Doutrina, com enraizamento na codificação.
Por outro lado, existem companheiros que têm uma completa neofobia e rejeitam qualquer idéia que já não esteja sedimentada, esquecidos de que o Espiritismo não parou no tempo, nem pode paralisar-se, que ele tem de acompanhar o progresso das relações sociais, saber enfrentá-las e compreendê-las para ajustar ao seu pensamento, a fim de poder sobreviver aos desafios que os tempos hodiernos oferecem, sem o que correria o perigo de se ver ultrapassado, quando, sem dúvida, ele possui força suficiente para oferecer soluções certeiras, contanto que não se despreze a base doutrinária, que se a estude e compreenda.
Assim a questão não é citar Kardec, muitas vezes abusivamente, sem compreendê-lo suficientemente, para defender essa ou aquela idéia, ou para combater aqueloutra. O problema é de compreensão. Não se pode apenas amarrar um galho em uma árvore e pensar que se fez enxertia válida; por outro lado, realizar um enxerto exige cuidados para que a planta não morra e a árvore se revitalize. Uma idéia nova deve ser pensada, amadurecida, testada, antes que passe a fazer parte do contexto doutrinário, aceito. Até lá, é importante que as idéias sejam discutidas, sem afogadilho, cada um colaborando no seu exame, o que naturalmente não pode ser feito com paixões e interesses em jogo, uns e outros desconhecendo as lições já centenárias do mestre lionês. Sobretudo, se nos voltarmos para a história, veremos o método seguido por Allan Kardec no estabelecimento das bases doutrinárias, método ainda perfeitamente válido, apesar do tempo decorrido. Kardec não aceitou a própria explicação espírita do fenômeno que ele podia compreender, em face do seu conhecimento do magnetismo, sem antes experimentar, pensá-la com relação a outras possíveis soluções, a fim de buscar a causa mais simples e mais ampla na explicação das mesas que se moviam; procedeu prudentemente, e podemos acrescentar cientificamente, ao procurar uma causa que pudesse abranger a maior parte dos fenômenos (1). Mas, por outro lado, soube ver que nem todos eles procediam da comunicação dos chamados "mortos", e que, em determinados casos, certos indivíduos poderiam provoca-los sem auxílio, ao menos direto, dos Espíritos. Aí, já estamos no terreno do animismo, e Kardec soube reconhecê-lo, antecipando-se, portanto, às críticas dos que, posteriormente, como Hartmann, nele criam encontrar a explicação de toda a fenomenologia espírita (2). Tudo isso foi feito com tempo, amadurecendo as idéias no silêncio da noite, sem apressuramento, sabendo modifica-las e ajustá-las à realidade. Soube assim alterar seu próprio pensamento - refiro-me ao período Rivail -, mas com isto não aderiu a tudo o que os Espíritos trouxeram, fosse qual fosse o nome subscritor da mensagem, por mais respeitável tivesse sido esse nome na Terra, ou a honra que se lhe tributasse. Em O Livro dos Espíritos, colheu de toda a parte, pois lhe interessava saber aspectos reais da vida espírita, e não apenas como pensavam os anjos já desligados das duras fases de evolução no planeta(3). Não teve preferências mediúnicas; importava saber se a mensagem poderia suportar o exame do raciocínio, num momento em que a "dona razão" sofria de uma exacerbação, muito compreensível por sinal, por terem as religiões olvidado o respeito ao homem, impingindo-lhe certos posicionamentos fideístas que escorraçavam sua própria dignidade, tornando-o um joguete do fanatismo e da ortodoxia. A inquisição pode falar historicamente sobre isto.
Pois bem, o modo de proceder do mestre deve ser seguido. Para não alongar-me mais, devo dizer que, se o movimento espírita assim proceder, terá capacidade de absorver toda idéia nova qualquer que seja sua fonte científica ou filosófica, contanto que se mostre verdadeira, depois de convenientemente testada, sem que com isto desfiguremos a Doutrina, nem a tornemos obtusa e envelhecida, voltando as costas ao progresso (4).
Meio termo em tudo. Mas se posso recomendar algo é que as lições de Kardec possam ser estudadas com mais profundidade para que se possa reconhecer seu verdadeiro pensamento.

NOTAS DE ELZIO FERREIRA DE SOUZA

(1) vide Oeuvres Posthumes - "Minha primeira iniciação no Espiritismo", p. 243 s. (retorna ao texto)
(2) Eduard Von Hartmann, um dos grandes filósofos do inconsciente ao lado de Carl Gustav Carus (1789-1869) e Arthur Schopenhauer (1788-1869), escreveu um livro intitulado O Espiritismo, publicado em 1885, em que procurou explicar os fenômenos mediúnicos com base no animismo. Alexander Aksakof replicou a tese em seu livro Animismo e Espiritismo (1890) , que foi traduzido para o português a partir da edição francesa e editado pela Federação Espírita Brasileira. Em 1869, Hartmann publicou sua famosa obra Filosofia do Inconsciente em que descreveu três estratos do inconsciente: "1) o inconsciente absoluto que constitui a substância do universo e a fonte das outras formas de inconciente; 2) o inconsciente fisiológico, que, do mesmo modo que o inconsciente de Carus, opera na origem, desenvolvimento e evolução dos seres vivos, incluindo o homem; 3) O inconsciente relativo ou psicológico, que jaz na origem de nossa vida mental consciente" (H. F. Ellenberger - El Descubrimiento del Inconsciente, p. 247).
Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, ainda que não se utilizasse do termo animismo, reportou-se aos casos de indivíduos capazes de produzir fenômenos de efeitos físicos ou intelectuais sem a intervenção de Espíritos - n.º 74, XX e n.º163 (pessoas elétricas, torpedos humanos); n.º 172 a 174 (sonâmbulos). Além de dedicar todo o capítulo XIX ao estudo da influência anímica do médium nas comunicações - "Do papel dos médiuns nas comunicações espíritas" (vide, sobretudo o n.º 223, 2.a, 3.a, 4.a e 5.a questões), ao estudar a influência moral do médium (cap. XX), referiu-se, no item n.º 230, às intervenções anímicas deste nas comunicações espirituais. Além disso, Kardec já recolhia ali o ensino dos Espíritos sobre a existência de visões que eram simples efeitos da imaginação, constituindo-se em verdadeiras alucinações sem base espiritual (n.º 113). O mesmo sobre alucinações sonoras (n.º 151). E, na Revista Espírita de maio de 1865, transcreveu uma mensagem do Espírito Georges, sob o título - "Estudo sobre a mediunidade", em que é feita a diferença entre os médiuns inspirados pelos fluidos espirituais e os que agem apenas sob o impulso do fluido corporal, fazendo, em seguida, considerações a respeito (p. 149-150).
António J. Freire (Ciência e Espiritismo, p. 155) relembrou que, já nos primórdios do Espiritismo, observadores e experimentadores, como Andrew Jackson Davis, em 1855, Metzger e outros, entre os quais o célebre médium intuitivo americano Hudson Tuttle, salientaram a origem humana de muitas mensagens.
Hudson Tuttle, um dos pioneiros da mediunidade e da literatura espírita nos Estados Unidos, em seu livro Mediumship and Its Laws, chamava, inclusive, a atenção sobre a participação anímica do médium na comunicação mediúnica; segundo as observações feitas, a comunicação obtida por cada médium tem um tom ou cor própria de cada um deles, como se fosse proveniente do seu cérebro, ou de um único controle (p. 44). "Quanto mais perfeitamente o caráter do médium concordar com o do Espírito, mais perfeitas serão as comunicações transmitidas. A eliminação da influência do médium exigiria o mais atento cuidado" (p.45).
Por sua vez, Léon Denis (No Invisível, p. 88 - 89) advertiu que a união de forças e vontade dos assistentes podia "ser suficiente para provocar efeitos físicos e mesmo fenômenos intelectuais, que vão logo sendo atribuídos à intervenção de personalidades invisíveis", sendo medida de prudência e de bom aviso "só admitir, por conseguinte, essa intervenção, quando estabelecida por fatos rigorosos'. Vide ainda p. 93 - 94. (retorna ao texto)
(3) "(...); segundo ponto, não menos importante, era conhecer o estado deste mundo, seus costumes, se assim se pode exprimir; eu vi logo que cada Espírito, em razão de sua posição pessoal e de seus conhecimentos, desvelava-me uma face, da mesma maneira que se chega a conhecer o estado de um país, interrogando-se os habitantes de todas as classes e de todas as condições, cada um podendo ensinar-nos alguma coisa, e nenhum, individualmente, podendo ensinar-nos tudo; é ao observador que cabe formar o conjunto com a ajuda dos documentos recolhidos de diferentes lados, colecionados, coordenados e conferidos uns com os outros" (Oeuvres Posthumes - "A minha primeira iniciação no Espiritismo", p. 244). Vide também - Qu' est-ce que le Spiritisme ?: 2.º diálogo ("Diversidade dos Espíritos", p. 67-71); Revista Espírita, abril de 1866, p. 103 ("Da revelação"); Le Livre des Esprits, Introdução, n.º X, XII e nota ao n.º 613. (retorna ao texto)
(4) Ensinava Kardec - "O Espiritismo não admite, pois, como princípio absoluto senão o que está demonstrado com evidência, ou o que resulta logicamente da observação. Tocando todos os ramos da economia social, às quais empresta o apoio de suas próprias descobertas, ele assimilará sempre todas as doutrinas progressistas, de qualquer ordem que sejam, alcançado o estado de verdades práticas e saídas do domínio da utopia, sem o que ele se suicidaria; em cessando de ser o que é, ele desmentiria a sua origem e o seu fim providencial." (La Genèse, cap. I:55) (retorna ao texto)
(Publicado no Boletim GEAE Número 355 de 27 de julho de 1999)

GRAVADA MENSAGEM EM SESSÃO DE TCI NO 11º CONGRESSO ESPÍRITA DA BAHIA




Uma nítida comunicação espiritual através de instrumentos eletrônicos (transcomunicação), foi obtida no XI Congresso Espírita da Bahia, realizado pela Federação Espírita da Bahia (FEEB) nos dias 31 de outubro a 2 de novembro de 2002, no Centro de Convenções da Bahia, com a participação de 2344 pessoas, provindas de 117 cidades, de 14 Estados brasileiros.No dia 2 de novembro, durante uma sessão de Transcomunicação Instrumental (TCI), dirigida por Clóvis Nunes, foi gravada uma mensagem do espírito Astrogildo Eleutério da Silva, dirigente espírita bahiano e desencarnado há seis anos. O fato foi registrado e testemunhado por diversos congressistas que assinaram a ata da sessão, após a terceira tentativa no mesmo dia.
Foram utilizados quatro rádios, um AM, um FM, um de ondas curtas e um de válvulas, além de duas lâmpadas, uma infravermelha e outra ultravioleta e um pequeno gravador cassete, munido com fita cassete virgem. Na quarta tentativa, após o Clóvis ter evocado diversos espíritos ligados ao movimento espírita bahiano, depois de alguns minutos, a fita foi rebobinada e ouviu-se com clareza e nitidez a mensagem gravada pelo espírito Astrogildo.
Na gravação, após a evocação de Clóvis Nunes aos espíritos amigos do movimento bahiano, podemos ouvir a mensagem "Saudoso Recado" , em versos, notando grande emoção na voz do espírito comunicante:
"Hoje vejo em luz suave / Sem sofrimento, sem dores / Assistindo a este conclave / Na presença dos mentores. Aos meus contemporâneos / Que no corpo ainda está / Não demorem muitos anos / Venham logo para cá.
Minha Carminha querida / Dona dos afetos meus / Deste outro lado da vida / Os meus olhos fitam os teus. Daqui vos fala Astrogildo / Petitinga ao lado / Etiene, Deolindo e Amarildo / Com Leopoldo Machado".
Participaram e assinaram a ata pessoas idôneas da comunidade espírita bahiana e nacional.
Estiveram presentes ainda no Congresso conhecidos oradores espíritas como André Luiz Peixinho, Ednólia Peixinho (presidente da FEEB), Marcel Mariano, Alberto Almeida, Clóvis Nunes, Roberto Lúcio de Souza, Kau Mascarenhas, Ary Quadros, Élzio Ferreira de Souza, Jason de Camargo, Zalmino Zimmermann, Suely Caldas Schubert, entre outros.
Estando presente ao Congresso a Sra. Carmem Drummond da Silva, viúva de Astrogildo Eleutério da Silva, Espírito comunicante, solicitou-se a sua presença para confirmar a identificação. Após ouvir a mensagem, a Sra. Carmem relembrou que a voz do seu esposo nos últimos dias era um pouco arrastada, que ele era um grande amante da poesia, sendo inclusive médium poeta, e que havia perdido quase toda a visão no último período da vida física. A Sra. Carmem atestou positivamente a comunicação do Espírito de Astrogildo.


ATA DA SESSÃO DE TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL, REALIZADA EM 02 DE NOVEMBRO DE 2002 - SALVADOR - BAHIA - BRASIL

Aos dois dias do mês de novembro do ano de dois mil e dois (2002), realizou-se, às dezesseis horas, no quarto andar do Centro de Convenções da Bahia, no Auditório Nanã, durante a realização do Décimo Primeiro Congresso Espírita da Bahia, uma sessão de Transcomunicação Instrumental, dirigida pelo transcomunicador Sr. Clóvis Nunes, a que estiveram presentes os senhores Clóvis Nunes, da Sociedade de Estudos Espíritas Feirense, transcomunicador, projetista técnico, graduando em Física, com RG/BA nº 1.247.633-16; Elzio Ferreira de Souza, do Círculo Espírita da Oração, Procurador de Justiça aposentado, com RG/BA nº 924.290; Marcone Rodrigues Marques, do Círculo Espírita da Oração, advogado, com RG/BA nº 08.394.060-02; Francisco Bispo dos Anjos, ex-presidente e atual vice-presidente da Federação Espírita da Bahia (FEEB) e secretário da Comissão Regional Nordeste da Federação Espírita Brasileira, funcionário aposentado do Ministério da Fazenda, RG/BA nº 2.230.815; Pedro Spínola Rosa, da Casa de Petitinga (FEEB), engenheiro civil, RG/BA nº 590.895; Rafael Damasceno dos Santos Melo, da Sociedade de Educação Espírita Fabiano de Cristo (SEEFAC), técnico em informática, RG/BA nº 08.911.607-01; Amanda Muccini Santana, SEEFAC, graduanda em Pedagogia pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), RG/BA nº 09.211.482-24; Jamille Silva Santos, da SEEFAC, estudante secundarista, RG/BA nº 12.072.518-52; Aline Cristina Evangelista Morais, da SEEFAC, estudante secundarista, RG/BA nº 08.44.079.138; Samuel Boaventura de Almeida, da SEEFAC, estudante secundarista, RG/BA nº 10.081.297-04; Antônio Campos Oliveira, da SEEFAC, estudante secundarista, RG/BA nº 04.705.275; Eduardo Oliveira de Menezes, da SEEFAC, estudante secundarista, RG/BA nº 12.863.169-44; Ricardo Vilas-Boas Gomes, da SEEFAC, graduando em Ciências Biológicas da UEFS, RG/BA nº 07.118.725-11; Alberto Rafael da Silva Novaes, da SEEFAC, estudante secundarista, RG/BA nº 13.131.420-34; Vitor Peixoto Freitas, estudante secundarista, da SEEFAC, RG/BA nº 01.807.855-34; Leandro Oliveira de Menezes, da SEEFAC, graduando em História da UEFS, RG/BA nº 08.933.095-16; Ednildo Andrade Torres, do Centro Espírita Caminho da Redenção (CECR), doutor em Energia e professor da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA), RG/BA nº 1.266.053; Márcia Spínola Rosa, da Casa de Petitinga (FEEB), secretária, RG/BA nº 590.894; Paulo Jerônimo Portela, da Casa de Petitinga (FEEB), contabilista, RG/BA nº 786.783; Ildefonso do Espírito Santo, ex-presidente e atual membro do Conselho Administrativo da FEEB, presidente da Associação de Medicina e Espiritismo da Bahia (AME-BA), médico sanitarista, RG/BA nº 138.281; Elna Leite Ávila Rosa, procuradora de Justiça do Estado da Bahia, RG/BA nº 612.499; Antoniel Campos Oliveira, da SEEFAC, cantor e compositor, RG/BA 04.705.275-95; Jaime dos Santos Batista, ex-presidente da FEEB, professor assistente aposentado da Faculdade de Odontologia da UFBA, RG/BA nº 235.046-20, que subscrevem esta ata com a finalidade de autenticar os fatos que nela ocorreram. A experiência foi realizada com a utilização de instrumentos fornecidos pelo Dr. Pedro Spinola Rosa: quatro rádios, sendo um de freqüência AM, um de Freqüência Modulada (FM), um de ondas curtas e um de válvulas; duas lâmpadas, sendo uma de infra-vermelho e outra ultra-violeta; um mini cassette recorder, marca Panasonic, VAS - Voice Activated System, modelo RQ-L319, colocado sobre uma esponja de náilon. Foi aberta uma fita virgem da marca Maxell XL II, IECII-High, 60 minutos, sob o controle do Dr. Marcone Rodrigues Marques e introduzida no aparelho à vista de todos os presentes. A sala em que foi realizada a experiência é acarpetada e dispõe de isolamento acústico nas paredes, tendo o teto revestido de isopor. As pessoas se encontravam sentadas em um semi-círculo que terminava na mesa onde se encontravam os aparelhos. Todos os instrumentos foram dispostos sobre uma mesa. No início das experiências, Clóvis Nunes fez uma breve exposição inicial, explicando a técnica a ser utilizada, a que se seguiu uma conversação informal entre os presentes, recordando a figura de alguns espíritas baianos já no mundo espiritual. Clóvis Nunes anunciou finalmente que seriam realizadas duas tentativas nesta tarde, esclarecendo ter havido também duas tentativas pela manhã, realizadas no mesmo local, às quais estiveram presentes uma parte dos que ali estavam. Feita a evocação de uma série de Espíritos ligados ao movimento espírita baiano: José Petitinga, Manoel Miranda, Artur Pires, Etienne Rocha, Leopoldo Machado, Deolindo Amorim, Alfredo Miguel, Deodato Batista, Cristóvão Silva, Luiz Gonzaga Pierre, Aloísio Reis, Juventino Ferreira de Souza, Elberto Souza, Sinésio Ramos, Abílio Silva Lima, Raquel Ribeiro, Abel Mendonça e Raul Guimarães, além dos espíritos de origem brasileira e portuguesa que trabalham pela transcomunicação instrumental, os conhecidos transcomunicadores espirituais Raudive e Techinician, e as estações de rádio do plano espiritual: Central, Zeitstrom e Landel Moura. Clóvis Nunes terminou o seu apelo, convocando qualquer um dos Espíritos presentes para, SE POSSÍVEL, comunicarem-se através dos aparelhos ali dispostos. Devemos registrar que Clóvis Nunes, ao iniciar a experiência, reportou-se à data em que estava sendo realizada como sendo um dia de domingo, e não um sábado como seria correto. Também ao referir-se ao Espírito de Elberto pronunciou por engano - "Alberto". A primeira tentativa, embora anunciada para três minutos, durou apenas um minuto e pouco, interrompida por Clóvis que não tinha feito um controle do tempo. Rebobinada a fita, verificou-se que nenhum registro foi feito pelos Espíritos. Uma quarta tentativa foi feita, anunciando Clóvis que ela duraria cinco minutos, no entanto, outra vez, ele a interrompeu antes de decorrido o tempo previsto, exatamente aos dois minutos, cinqüenta e cinco segundos e trinta e dois décimos. Antes que a fita fosse rebobinada à vista de todos os participantes da experiência, Elzio Ferreira de Souza declarou que ouvira uma pancada, reconhecida mais tarde como sendo do mesmo timbre que foram ouvidas durante a reprodução. Iniciada esta, após alguns segundos de espera, durante os quais só foram ouvidas as pancadas, escutou-se a voz de um Espírito dizendo pausadamente: "Cló-vis" . Depois de um período sem registro (somente pancadas), passou-se a ouvir nitidamente a voz do Espírito, pronunciando a mensagem, em forma poética, que aqui registramos tal como se a pode ouvir da fita gravada, sem sinais diacríticos: "Saudoso recado // Hoje vejo em luz suave / sem sofrimentos sem dores / assistindo a este conclave / na presença dos mentores // Aos meus contemporâneos / que no corpo ainda está / não demorem muitos anos / venham logo para cá // Minha Carminha querida / dona dos afetos meus / deste outro lado da vida / os meus olhos fitam os teus // Daqui vos fala Astrogildo / com Petitinga do lado / Etiene Deolindo e Amarildo / com Leopoldo Machado" . Após nova pausa, o Espírito voltou a falar, dizendo: "Possível Clóvis" . Todos os Espíritos citados na comunicação são do conhecimento da maioria dos presentes, com exceção de Amarildo, do qual não se pôde obter, no momento, qualquer identificação. Estando presente ao Congresso a Sra. Carmem Drummond da Silva, viúva de Astrogildo Eleutério da Silva, Espírito comunicante, solicitou-se a sua presença para confirmar a identificação. Após ouvir a mensagem, a Sra. Carmem relembrou que a voz do seu esposo nos últimos dias era um pouco arrastada, que ele era um grande amante da poesia, sendo inclusive médium poeta, e que havia perdido quase toda a visão no último período da vida física. A Sra. Carmem atestou positivamente a comunicação do Espírito de Astrogildo. A reunião foi encerrada, tendo sido solicitado pelo Dr. André Luiz Peixinho, coordenador geral do Congresso, ao tomar conhecimento dos fatos, que fosse lavrada uma ata com a finalidade de autenticar a experiência. Elzio Ferreira de Souza teve seu nome indicado e aprovado pelos presentes para lavrar a presente ata, na qualidade de secretário ad hoc. A reunião foi, em seguida, encerrada, tendo eu, Elzio Ferreira de Souza, secretário ad hoc, lavrado a presente ata, que, depois de lida e achada conforme, foi por todos os presentes assinada. Salvador, sábado, 02 de novembro de 2002.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

SOBRE VÍCIOS




Instado a opinar também sobre os vícios, o médium ensejou-nos novos e importantes esclarecimentos: 


Chico Xavier:

- Não entendemos o vício como sendo um problema de criminalidade, mas como um problema de desequilíbrio nosso, diante das leis da vida. E isto não apenas no terreno em que o vício é mais claramente examinado.
Por exemplo: se falamos demasiadamente, estamos viciados no verbalismo excessivo e infrutífero. Se bebemos café excessivamente, estamos destruindo também as possibilidades do nosso corpo nos servir. Quando falamos a palavra vício, habitualmente logo nos recordamos do sexo.
Mas do sexo herdamos nossa mãe, nosso pai, lar, irmãos, a bênção da família. Tudo isto recebemos através do sexo. No entanto, quando falamos em vício, lembramo-nos do fogo do sexo e o tóxico... Mas tóxico é outro problema para nossos irmãos que se enfraqueceram diante da vida, que procuram uma fuga. Não são criminosos. São criaturas carentes de mais proteção, de mais amor. Porque se os nossos companheiros enveredaram pelo caminho do tóxico, eles procuraram esquecer algo. E esse algo são eles mesmos.
Então, precisávamos, talvez, reformular nossas concepções sobre o vício.
Há pouco tempo, perguntamos ao espírito de Emmanuel como é que ele definia um criminoso.
Ele nos disse: "O criminoso é sempre um doente, mas se ele for culpado, só deve receber esse nome depois de examinado por três médicos e três juízes".
Fonte: "O Espírita Mineiro", número 179, julho/agosto/setembro de 1979.
Publicado no livro CHICO XAVIER - MANDATO DE AMOR,
Editado abril/1993 pela União Espírita Mineira - Belo Horizonte, Minas Gerais

sábado, 11 de setembro de 2010

A base orgânica da mediunidade

RICARDO BAESSO DE OLIVEIRA
kargabrl@uol.com.br
Juiz de Fora, Minas Gerais (Brasil)







A ORIGEM DA FACULDADE MEDIÚNICA

À semelhança de Charles Richet que conceituou a mediunidade como o "sexto sentido", Allan Kardec colocou-a em pé de igualdade com os outros atributos humanos, reconhecendo nela uma função orgânica, ordinária, natural, fisiológica, inerente a todos os seres humanos, embora em gradações muito diferentes.

Qual a sua origem? Qual a sua relação com o processo evolutivo que atinge a todos os seres do globo? As opiniões não são convergentes. Ernesto Bozzano defendia a tese de que as faculdades supranormais não são e não podem ser levadas a cargo da evolução da espécie, sendo assim sentidos da personalidade humana que deverão aflorar após a desencarnação. Não teriam, então, uma função definida para a vida física, já que apenas no ambiente espiritual elas deveriam emergir.

Pesquisadores materialistas, como Amadou e Vassiliev, colocam-na à conta de uma função em extinção. As faculdades paranormais seriam resíduos de faculdades atávicas que se foram atrofiando por obra da seleção natural, visto se haverem tornado inúteis à ulterior evolução biológica da espécie. O pensamento, todavia, que vem ao encontro da posição assumida pelo benfeitor André Luiz foi expresso por J. B. Rhine. Acreditava o pai da parapsicologia que as faculdades paranormais representam outros tantos germes de sentidos novos destinados a evoluir nos séculos, até emergirem e se fixarem na espécie.

Ao examinar a questão, no livro "Evolução em Dois Mundos", André Luiz informa-nos que a faculdade mediúnica vem sofrendo através dos milênios paciente desabrochar, acompanhando o Espírito eterno em seu processo evolutivo. É, portanto, uma função do Espírito que se projeta no corpo a cada nova existência, sendo continuamente aprimorada.

A MEDIUNIDADE E O ORGANISMO

A base orgânica da mediunidade é indiscutível: "A faculdade propriamente dita é orgânica." (O Livro dos Médiuns, cap. XX.)

Quais seriam as regiões do corpo responsáveis por esse sentido? Em que setores da economia biológica vamos identificá-lo? O quadro abaixo sintetiza as principais características biológicas da mediunidade:

 


 1. Aptidão ao desdobramento perispiritual:

Uma maior facilidade ao desdobramento do corpo perispiritual é característica comum em quase todos os tipos de médiuns. Em relação à evolução do processo, André Luiz tece comentários no livro "Mecanismos da Mediunidade", sintetizados abaixo:

Em se iniciando a criatura na produção do pensamento contínuo, o sono adquiriu para ela uma importância que a consciência em processo evolutivo até aí não conhecera.

Usado instintivamente pelo elemento espiritual como recurso reparador das células físicas, semelhante estado fisiológico carreou possibilidades novas de realização.

Amadurecido para pensar e mentalizar, o homem começou a exercitar o desprendimento parcial do corpo sutil durante o sono, dando os primeiros passos na conquista do desdobramento do estado do sono.

Afastava-se do corpo mantendo-se ligado a ele por finos laços fluídicos magnéticos, levemente dilatados nos plexos e bem consistentes ao ligar-se à fossa rombóide.

Com o prosseguir evolutivo, as mentes mais afeitas à meditação e reflexão e que demonstrassem capacidades mediúnicas mais evidentes, pela comunhão menos estreita entre as células do corpo físico e do corpo espiritual, passaram do desdobramento durante o sono ao desprendimento durante a vigília, inaugurando no planeta a mediunidade sonambúlica, que está na base de quase todos os fenômenos mediúnicos.

2. Larga desarticulação das forças anímicas:

Na mediunidade de efeitos físicos haverá mobilização de elementos biológicos que André Luiz denomina de "recursos periféricos do citoplasma", que ao lado do fluido vital exteriorizado vai dar origem ao ectoplasma da terminologia científica.

André Luiz identifica nos medianeiros de todas as modalidades uma "comunhão menos estreita entre as células do corpo físico e do corpo espiritual", o que certamente facilitaria o desdobramento, que é o passo inicial na maioria dos fenômenos mediúnicos.

Sendo menos densos os elos de ligação entre os implementos físicos e espirituais, mais facilmente o medianeiro poderá exteriorizar para fora de sua individualidade as energias necessárias ao intercâmbio.

Em "Nos Domínios da Mediunidade", André Luiz colabora nessa idéia ao dizer: "Raios ectoplásmicos são raios peculiares a todos os seres vivos e é ainda na base deles que se efetuam todos os processos de materialização mediúnica, porquanto os sensitivos encarnados que os favorecem libertam essas energias com mais facilidade."

Na obra kardequiana vamos encontrar elementos que fortalecem o pensamento do autor espiritual:

"O Livro dos Médiuns", item 15:

"O Espírito tira dessas pessoas, como de uma fonte, um fluido animal de que necessita."

"O Livro dos Médiuns", item 75:

"Em algumas pessoas há uma espécie de emanação desse fluido, em conseqüência de condições especiais de sua organização, e é disso propriamente falando que resultam os médiuns de efeitos físicos."

"O Livro dos Médiuns", item 98:

"As naturezas impressionáveis, as pessoas cujos nervos vibram à menor emoção, à mais leve sensação, são as mais aptas a se tornarem excelentes médiuns de efeitos físicos. Com efeito seu sistema nervoso, quase inteiramente desprovido do invólucro refratário que isola esse sistema na maioria dos encarnados, torna-os apropriados ao desenvolvimento desses diversos fenômenos."

"O fluido vital, apanágio exclusivo dos encarnados, deve obrigatoriamente impregnar o espírito agente."

Em "Mecanismos da Mediunidade", André Luiz reforça a tese ao dizer: "Se a personalidade encarnada acusa possibilidade de larga desarticulação das próprias forças anímicas, encontramos aí a mediunidade de efeitos físicos."

3. Sistema nervoso:

O principal sistema responsável pela faculdade mediúnica é o nervoso, principalmente o cérebro.

Dr. Nubor Facure, professor titular de Neurologia na Unicamp, examinando o papel do cérebro no fenômeno, esclarece: "O fenômeno mediúnico se processa no cérebro do médium e sempre com a participação deste. É um processo de automatismo complexo, realizado através do cérebro sob a atuação de entidades espirituais que sintonizam com o médium. Dispomos no nosso cérebro de centros de atividades automáticas para as diversas atividades motoras que nos permitem, por exemplo, falar fluentemente, escrever rapidamente, pintar ou dedilhar um instrumento musical. Essas áreas expressam suas atividades com pouca participação da consciência. Desde que o médium possa destacar seu foco de consciência, o Espírito comunicante pode se ocupar dos núcleos de atividade automática do cérebro do médium e fazer transcorrer por ali conceitos da sua mensagem."

4. Epífise:

O papel da epífise ou glândula pineal passou a ser valorizado com os estudos do autor André Luiz.

A epífise é uma glândula de forma piriforme, com as dimensões de uma ervilha mediana que repousa sobre o teto do mesencéfalo.

A glândula pineal foi bastante conhecida dos antigos. A Escola de Alexandria participou ativamente dos estudos da pineal que se achavam ligados a questões religiosas. Os gregos conheciam-na como conarium, e os latinos como pinealis, semelhantes a uma pinha. Esses povos em suas dissertações localizavam na pineal o centro da vida.

Mais tarde, os trabalhos sobre a glândula pineal se enriqueceram com os estudos de De Graff, Stenon e Descartes, que em 1677 fez uma minuciosa descrição da glândula, atribuindo-lhe papel relevante. Para ele, "a alma seria o misterioso hóspede da glândula pineal".

No início do século XIX, embriologistas relacionaram a pineal ao 3º olho de alguns lacertídeos da Nova Zelândia e passaram a considerá-la como órgão vestigial abandonado pela natureza, o que atrasou em muito os estudos sobre a pineal.

Em 1954 vários estudiosos publicaram um livro com o somatório crítico de toda a literatura existente sobre a glândula, chegando a algumas conclusões:

A glândula pineal deixou de ser o órgão sensorial e passou a ser uma glândula de secreção endócrina.

A glândula pineal teria influência sobre o amadurecimento das glândulas sexuais (ovários e testículos); quando atuante, a pineal inibiria o desenvolvimento dessas glândulas; quando inativa (após os 14 anos mais ou menos), permitiria o desenvolvimento dos ovários e testículos, ocorrendo assim o aflorar da sexualidade.

Seu hormônio (melatonina) favoreceria o sono, diminuiria crises convulsivas, sendo por isso conhecida como a glândula da tranqüilidade.

Atuaria ainda como reguladora das funções da tireóide, do pâncreas e das supra-renais.

Seria ainda uma reguladora global do sistema nervoso central.

Em "Missionários da Luz", cap. I e II, André Luiz, estudando um médium psicógrafo com o instrutor Alexandre, observa a epífise do médium a emitir intensa luminosidade azulada, ao que o instrutor esclarece:

"No exercício mediúnico de qualquer modalidade, a pineal desempenha o papel mais importante."

André Luiz observa:

"Reconheci que a glândula pineal do médium expelia luminosidade cada vez mais intensa... a glândula minúscula transformara-se em núcleo radiante e ao redor seus raios formavam um lótus de pétalas sublimes. Examinei atentamente os demais encarnados e observei que em todos a pineal apresentava notas de luminosidade, mas em nenhum brilhava como no médium em serviço. Alexandre esclarece: é na pineal que reside o sentido novo dos homens, entretanto, na grande maioria, a potência divina dorme embrionária."

Em "Evolução em Dois Mundos", o autor explica a evolução da pineal, que deixou de ser olho exterior, como era nos lacertídeos na Nova Zelândia, para fazer parte do cérebro, relacionada à emoções mais sutis.

Em "Missionários da Luz", André Luiz esclarece:

"Não se trata de um órgão morto segundo as velhas suposições, é a glândula da vida mental. Ela acorda no organismo do homem, na puberdade, as forças criadoras, e em seguida continua a funcionar como o mais avançado laboratório de elementos da criatura terrestre.

Aos 14 anos aproximadamente, a glândula reajusta-se ao concerto orgânico e reabre seus maravilhosos mundos de sensações e impressões da esfera emocional. Entrega-se a criatura à recapitulação da sexualidade, examinando o inventário de suas paixões vividas em outras épocas, que reaparecem sob fortes impulsos. Ela preside aos fenômenos nervosos da emotividade, como órgão de elevada expressão no corpo etéreo. Desata de certo modo os laços divinos da Natureza, os quais ligam as existências umas às outras, na seqüência de lutas pelo aprimoramento da alma e deixa entrever a grandeza das faculdades criadoras de que a criatura se acha investida."

Observamos, então, que a pineal apresenta particularidades e funções que transcendem o posicionamento da ciência oficial.

Ela domina o campo da sexualidade, estabelece relações com o mundo espiritual, via mediunidade, transformando energia mental em estímulo nervoso e mantém contato entre o Espírito e o corpo, através do centro coronário, além de presidir aos fenômenos da emotividade.

André Luiz acrescenta:

"Segregando delicadas energias psíquicas, ela conserva todo o sistema endócrino. Ligada à mente, através de princípios eletromagnéticos do campo vital, comanda as forças subconscientes sob a determinação direta da vontade. As redes nervosas constituem-lhe fios telegráficos para ordens imediatas a todos os departamentos celulares e sob sua direção efetuam-se os suprimentos de energia a todos os órgãos."
 

O CIRCUITO MEDIÚNICO

Esclarecendo quanto ao mecanismo íntimo do fenômeno mediúnico, Kardec reproduz o pensamento de um de seus guias:

"Nossas comunicações com os espíritos encarnados se realizam unicamente pela irradiação do nosso pensamento."  (O Livro dos Médiuns, cap. XIX.)

A comunicação mediúnica é, em síntese, um processo de transferência de conteúdos mentais da dimensão espiritual para a física. A participação direta do médium e dos assistentes é indiscutível em todas as variedades mediúnicas. O desdobramento do médium quase sempre precede a captação da onda mental do Espírito comunicante, conforme mostra o esquema abaixo:

 

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

SOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS


(PRIMEIRO CENTRO ESPÍRITA DO MUNDO)

FUNDADA EM 13 DE ABRIL DE 1858

Da origem – histórico:

           O SPEE (Primeiro Centro Espírita do Planeta Terra)

Síntese da fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas...

Histórico da SPEE:

            Por iniciativa de Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, surgiram em Paris-França- no ano de 1858...

            A Revista Espírita, tradicional publicação por ele dirigida até sua desencarnação em 1869... Ainda em circulação em vários idiomas.

            E, também, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE), o primeiro CENTRO ESPÍRITA DO PLANETA..

A França – tempo e espaço:

             A França, à época de Allan Kardec, vivia tempos conturbados, por isso, o funcionamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE), dependia de autorização para seu funcionamento legal, o que não seria fácil conseguir.

 Contexto social francês:

 FRANÇA - SÉCULO XIX –(3):

       Um revolucionário nacionalista italiano chamado Félix Orsini, perpetrou um atentado em 14 de janeiro de1858, contra a vida de Napoleão III – o então Imperador Francês - que, por pouco não foi assassinado, sendo ORSINI condenado à pena de morte pela guilhotina em 13 de março de 1858, isto é, quase vinte dias antes da fundação da SPEE. Este episódio provocou a sanção da Lei de Segurança Geral, que facultava ao Ministro do Interior a transladar ou exilar a qualquer cidadão francês que fosse reconhecido culpado de conspirar contra a segurança do Estado. Era uma lei rigorosa, que não se derrogou senão doze anos depois, em 1870. Os tempos então vividos eram de convulsão política; a França estava sob recente Lei de Segurança de 19 de fevereiro de 1858, sancionada em virtude daquele atentado, lei que não permitia a reunião de mais de 20 pessoas em espaço fechado. O estatuto social da SPEE devia ser submetido às autoridades (4) sob este severo regime que, ante as novas idéias, colocariam sua atenção sobre o objeto e os nomes dos seus componentes.

         Napoleão Bonaparte III - Imperador de França - no período de 1852 até 1870 era sobrinho do grande Napoleão.

Então...

       Era necessário que a SPEE obtivesse autorização para o seu funcionamento legal, dado a gravidade da situação política .
        Quem autorizou o funcionamento do primeiro Centro Espírita do planeta foi um general...
        Napoleão Bonaparte III nomeou o general Espinasse, para ser o Ministro do Interior da França o qual exerceu esse cargo entre 07 de fevereiro de 1858 até 14 de junho de 1858, exatamente 127 dias.   

         A denominação completa do cargo: Ministro do Interior e de Segurança Geral .

         Essa autoridade era quem autorizava o funcionamento de atividades que reunissem “grupos com mais de 20 pessoas...”

         Para funcionar legalmente e não ser incomodada, a SPEE precisaria transpor as dificuldades que as circunstâncias da época impunham.

Então:
    O Sr. Dufaux, que participava da SPEE, cuidou do caso, por ser amigo do Prefeito de Polícia de Paris, que seria a primeira autoridade a ser contatada. Mas, como a autorização dependia também do Ministro do Interior, foi aí que entrou em cena o general Espinasse... O então Ministro do Interior.

          Charles-Marie Esprit Espinasse – que concedeu a autorização imprescindível para o funcionamento legal da Sociedade de Paris era simpatizante da causa Espírita, sem que Kardec soubesse. Ele conseguiu a autorização, em menos de 15 dias, quando o tempo médio era de pelo menos três meses.

Nota:
          
          Alguns historiadores consideram a data de fundação da SPEE, 1º de abril de 1858, quando Allan Kardec realizou a primeira reunião para discutir e aprovar o Estatuto da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas; porém se considerarmos que a concessão para o funcionamento legal - pelo Ministro Espinasse – aconteceu em 13 de abril de 1858, data oficial da fundação da SPEE.

Autorização:

           A autorização para o funcionamento da SPEE foi conseguida em 13 de abril de 1858. O general Espinasse exerceu o cargo por mais de quatro meses – o tempo necessário para conceder a autorização de funcionamento da SPEE. Só posteriormente Kardec veio saber que o general Charles Marie Espirit Espinasse era simpatizante da causa Espírita. Kardec obteve essa informação, em entrevista mediúnica com o próprio general, seis dias após a desencarnação do mesmo. O general Espinasse faleceu em 04 de junho 1859, no terrível combate de Magenta (cidade da Província de Milão), hoje pertencente à Itália. – Onde foi homenageado com uma placa, em gratidão à sua coragem e heroísmo, demonstrados com a entrega da própria vida na batalha vitoriosa de Magenta.

Documento histórico – escrito por Kardec:

        << Ao Sr. Prefeito de Polícia da Cidade de Paris.

Sr. Prefeito:

       Os membros fundadores do Círculo Parisiense de Estudos Espíritas, que solicitaram junto a vós a autorização necessária para constituir-nos em Sociedade, têm a honra de pedir-vos que consintais permitir-nos reuniões preparatórias, enquanto esperamos a autorização regular. Com o mais profundo respeito, Sr. Prefeito, tenho a honra de ser vosso muito humilde e muito obediente servidor, H.L.D. Rivail, dito Allan Kardec. Rua dos Mártires número 8. >>

          O eminente Prof. Hippolyte-Leon-Denizand-Rivail, fez importante e corajosa identificação ao assinar a carta com seu ilustre sobrenome e com seu digno pseudônimo respectivamente (Rivail-Kardec), oferecendo certamente o seu aval de pessoa séria e respeitada ante a autoridade municipal o Prefeito de Polícia de Paris, e nacional (Ministro do Interior), especificamente para a abertura da sociedade, na qual deveriam dispor por lei de uma autorização legal e oficial para encontro de um maior número de pessoas das que se reuniam em um Círculo.



Onde e como funcionou!...

         No início, por cerca de seis meses, Kardec realizava as reuniões na própria residência, então situada à Rua dos Mártires n° 8, junto com alguns adeptos (entre 8 e 10 pessoas), sempre às terças-feiras... O espaço era reduzido, impossibilitando o crescente número de estudiosos que ali compareceriam.

     
CURIOSIDADES!...

           Posteriormente, já legalizada, passou a funcionar na Galeria de Valois, até 1º de abril do ano 1859.


      DE 1º de abril de 1859, até 1º de abril de 1860, nas sextas-feiras, a SPEE funcionou na Galeria Montpensier, mais precisamente na passagem Sant’Ana, n° 59.


OS PERSONAGENS:

1 )  Napoleão III – Imperador da França, na época em que a SPEE preparava-se para ser legalizada;

2) General Espinasse – Como autoridade  competente, foi quem autorizou o funcionamento legal, da SPEE. Foi nomeado ao importante cargo, por Napoleão III;

3) Sr. Dufaux – Por conhecer pessoalmente o Prefeito de polícia de Paris(que era a primeira autoridade a ser contatada), foi quem se encarregou do caso “autorização” para o funcionamento regular da SPEE;

4) Srtª  Ermance Dufaux – Atuava como a médium principal nas reuniões.Era filha do Sr. Dufaux;

5) Sr. Roze – Também médium, juntamente com Alfred Didier, Didier Filho, Forbes, Colein, Pécheur, Darcol, Camile Flammarion,  Léon Denis, Gabriel Delanne, além de outros;( estes são os mais citados por Kardec);

6) São Luiz –“Presidente – espiritual” da SPEE. Foi, na França, em encarnação passada, o rei Luiz IX.


FONTES DAS INFORMAÇÕES HISTÓRICAS:


      1) Revista “O Reformador” (FEB) – Edição: Abril de 2008;
      2) Revista “ Resenha Espírita” – nº 2  - ano 2008;
      3) Mário Celso – mariocelso633@yahoo.com.br


CITAÇÕES: 

     “Onde quer que as minhas obras penetrarem e servirem de guia, o Espiritismo é visto sob o seu verdadeiro aspecto, isto é, sob um caráter exclusivamente moral.” (Allan Kardec).

     “O melhor que se pode fazer pelo Espiritismo é divulgá-lo corretamente.” (Mário Celso).

     “Ser espírita não é apenas aceitar a reencarnação; é compreendê-la como manifestação da Justiça Divina e caminho natural para a perfeição.” (Wanderley Pereira)
       

domingo, 5 de setembro de 2010

O TESTEMUNHO MORAL DE LÉON DÉNIS.

Testamento moral

No final de minha vida, nesta hora crepuscular em que uma nova etapa termina, em que as sombras crescem sem cessar e cobrem todas as coisas com seu manto melancólico, recordo o caminho percorrido desde minha infância; depois, dirijo meu olhar para adiante, para essa porta que brevemente se abrirá para mim, para o Além e suas eternas claridades.
Nessa hora, minha alma se recolhe e se desprende, antecipadamente, dos liames terrenos; ela vê e compreende o objetivo da vida.
Consciente de seu papel neste mundo, reconhecida pelos benefícios divinos, sabendo por que veio e por que atuou, bendiz a vida por todas as alegrias, todas as dores, todas as provas salutares que experimentou e agradece os instrumentos de sua educação e de seu progresso.
Bendiz a vida terrena, convencida, quando a deixar, de que retornará mais tarde, numa nova existência, para ainda trabalhar, sofrer, aperfeiçoar-se e contribuir, por seus esforços, para o progresso deste mundo e da humanidade.
Consagrei esta existência ao serviço de uma grande causa: O Espiritismo ou Espiritualismo Moderno, que será, certamente, a crença universal, a religião do futuro.
Consagrei à sua divulgação todas as minhas forças, toda a minha capacidade e todos os recursos de meu espírito e meu coração.
Tenho sido sempre, e poderosamente, sustentado por meus amigos invisíveis, por aqueles a quem irei juntar-me, brevemente.
Pela causa do Espiritismo, renunciei a todas as satisfações materiais, mesmo as da vida familiar e da vida pública, aos títulos, às honrarias e funções, vagando pelo mundo, muitas vezes só e triste, porém, no fundo, feliz de assim pagar minha dívida do passado e de me aproximar dos que me aguardam, no Além, na Luz Divina.
Abandonando a Terra, quero que os recursos por mim deixados sejam consagrados ao serviço dessa mesma causa. É com este pensamento e com esta firme vontade que organizei a lista de meus herdeiros.
Inicialmente, com o objetivo de propaganda doutrinária, deixo ao Sr. Jean Meyer, residente na Vila Montmorency, Avenida des Tilleuls, 11, Paris, 16º, a propriedade de minhas obras que figuram na Biblioteca de Filosofia Espiritualista Moderna e das Ciências Psíquicas, que ele fundou.
Além disso, deixo ao dito Jean Meyer, todos os volumes e brochuras em depósito na tipografia Arrault, em Tours, assim como os clichês, impressões e anexos referentes a essas obras.
Se, por morte do Sr. Jean Meyer, o funcionamento de sua biblioteca, acima designada, se achar comprometido, minhas obras cairão no domínio público e todos os interessados poderão reproduzi-las, com a condição de seguirem escrupulosamente o texto de cada última edição, sob o controle e vigilância de meus executores testamentários.[i]
Léon Dénisfonte:Instituto Léon Dénis

Joana d’Arc

Enviado por Maria Aparecida Romano
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Durante o período da Idade Média, o reino da França era constituído por feudos – propriedades territoriais governadas por um senhor.
Detendo os ingleses a maior parte deles, o fato originou múltiplos conflitos, gerando a Guerra dos Cem Anos entre os dois países. No ano de 1429, quando a guerra atravessava um momento decisivo, com as forças inglesas ocupando grande parte do território francês, a cidade de Órleans, um dos últimos bastiões da resistência e já sitiada, poderia cair a qualquer momento nas mãos dos invasores estrangeiros.Curvados ao invasor inglês e sem ânimo para se reerguerem, os soldados franceses eram poucos e o moral estava enfraquecido pelas sucessivas derrotas. Além do mais, faltava um
chefe, alguém capaz de conduzir as tropas e fazê-las acreditar na possibilidade de sua vitória. Refugiado na localidade de Chinon, o príncipe Carlos hesitava em tomar decisões, tinha sua autoridade contestada ao ser declarado bastardo por tantos compatriotas que negavam ser ele o legítimo herdeiro do trono da França. Naquela altura, jamais se acreditaria que a iniciativa de encetar uma campanha decisiva para renovar a confiança do povo francês para uma resistência aos ingleses partisse de uma jovem que se investiu de tão importante missão. Seu nome: Joana D’Arc. Nascida no ano de 1412 no vilarejo de Domrèmy, Joana foi criada no seio de uma família de camponeses com três irmãos e uma
irmã. Ao lado deles, auxiliava o pai no trabalho da terra tomando conta dos carneiros no pasto. Não aprendeu a ler nem a escrever. Freqüentando assiduamente a igreja do vilarejo, que ficava junto à sua casa, a menina Joana aprendeu o Pai-Nosso, tornando-se muito piedosa.
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Recebendo as tarefas.
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Já adolescente, caia em profundos êxtases, durante os quais afirmava ter visões fantásticas de uma luz viva e que ouvia vozes celestiais a lhe ordenarem duas tarefas: salvar a pátria e coroar o rei. A história de suas visões fantásticas se espalhara rapidamente e, embora despertando controvérsias, o povo passou a acreditar na possível missão da jovem. Enquanto muitos a viam como santa, outros
acreditavam que a jovem poderia ser uma enviada do mal.Embora a notícia da guerra já tivesse se estendido por quase toda a França, a jovem só soube pela pri-meira vez o real significado de uma guerra quando as tropas inglesas estavam bem perto da cidade onde morava. Domrèmy era afastada dos campos de batalha e as notícias andavam bem devagar. Só se sabia de algum fato quando passava um cavaleiro bem informado. Como os caminhos eram ruins, o cavaleiro levava semanas para andar poucos quilômetros.A guerra atingira um momento crítico. Órleans, a última cidade em poder
dos franceses, estava cercada e a França não tinha um rei para defendê-la. Joana, que até então vivera angustiada e indecisa, resolveu procurar o Capitão de Baudricourt, pedindo-lhe uma carta de apresentação e uma escolta para acompanhá-la até o Delfim. Como a população estava ao lado da jovem, o capitão acabou cedendo ante a insistentes pedidos e, com o dinheiro de uma coleta, conseguiram-lhe uma armadura.Mal cabendo na pesada armadura, a jovem camponesa de 17 anos de idade partiu no dia 23 de fevereiro de 1429, na direção de Chinon. Viajou dez dias decidida a
procurar o príncipe herdeiro, com a missão de levá-lo ao trono como rei e salvar a França, prestes a sucumbir totalmente ao peso da invasão inglesa. A sua partida fez nascer uma nova esperança no povo místico da época. Deus a teria enviado para terminar com as guerras e misérias.
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A revelação ao príncipe.
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No Palácio de Chinon, a notícia foi recebida com espanto. Desconfiado daquela menina que se apresentava como salvadora, contando histórias fantásticas, o príncipe resolveu se divertir aplicando um teste na recém-chegada para comprovar a veracidade dos seus relatos. Vestindo-se como um súdito qualquer, entrou por uma porta lateral, misturando-se entre os nobres. Na condição de simples
camponesa, a jovem jamais poderia conhecer-lhe a fisionomia, porém, Joana D’Arc não vacilou. Caminhando até um canto dos salões onde alguns nobres fingiam conversar distraídos, ajoelhando-se aos pés do Delfim, diz-lhe humildemente: “Gentil Senhor, em nome de Deus, eu posso dizer que sois filho do rei e herdeiro legítimo do trono da França”. A aparente dissipação da grande dúvida que pairava em torno da legitimidade do seu nascimento, pela qual o filho de um pai desconhecido não poderia ser o herdeiro do trono, deixou o príncipe aturdido, pedindo a vários bispos e cardeais que interrogassem Joana. Em pouco tempo, a segurança e a simplicidade das respostas dadas pela
jovem acabaram por convencer a todos, inclusive o soberano, que, após manter com ela uma conversa cujo teor nunca seria revelado e convencido de que era preciso agir com rapidez, outorgou-lhe o título de “Chefe da Guerra” e, ao mesmo tempo, o comando de uma pequena tropa.Mas faltava uma espada. Segundo a tradição, a jovem ouvira vozes que lhe indicaram uma excelente espada escondida atrás do altar de Santa Catarina. Enviado até lá, um pagem voltou com uma velha espada, completamente enferrujada. Contam que bastou encostar nela um pano para que a arma ficasse brilhante no mesmo instante. A primeira vitória contra os inglesesLiderando a tropa, Joana D’Arc partiu imediatamente com a missão de furar o cerco de Órleans e levar víveres para abastecer os soldados já famintos. Levando nas mãos um estandarte onde, ao lado de Deus, figuravam os nomes de Jesus e Maria e o símbolo do reino (a flor-de-lis), ordenou com sua voz firme uma incursão aos ingleses, devolvendo a confiança a seus compatriotas. Naquele momento, oficiais e soldados recobraram a esperança de vitória perante o exemplo de coragem daquela jovem. Depois de algumas investidas, tomou as principais bases de apoio do inimigo, que, surpreso, levantou o cerco em retirada.A tropa de Joana entrou triunfante na cidade. Finalmente Órleans estava libertada, marcando a partir daí uma nova fase na Guerra dos Cem Anos. Julgando sua tarefa encerrada, quis se retirar, mas teve de ceder às súplicas do príncipe para dar continuidade à luta. Numa campanha rápida e fulminante, venceu os ingleses nas cidades de Patay
e Troyes, apresentando ao soberano as chaves das cidades conquistadas.Mas isto, para Joana, foi apenas a primeira etapa. Com profundo senso político, sentiu que chegara o momento de coroar solenemente o príncipe na Catedral de Reims. Ocorria que Reims estava situada em território controlado pelos ingleses e, para chegar lá, seria necessário enfrentar os batalhões dos invasores. Joana estava decidida a lutar e acabou convencendo o príncipe. Em apenas um mês de campanha, o exército comandado pela jovem, depois de infligir uma sucessão de derrotas aos ingleses, penetrou em Reims em 16 de julho de 1429. O príncipe Carlos torna-se reiNa época, a entrada triunfal numa cidade era o maior símbolo de uma vitória e, enquanto a população nas ruas aplaudia a cavalaria e o estandarte dos vencedores, Joana aproveitou para unir essa festa a uma outra. No dia seguinte, realizou-se solenemente na Catedral de Reims a sagração de Sua Majestade, Carlos VII, como rei da França. De pé, ao lado do rei, tendo na mão seu estandarte, ficou a “Chefe da Guerra” Joana D’Arc. Terminada a cerimônia, tomando a mão do novo soberano diz-lhe: “Gracioso rei, está cumprida a vontade de Deus. Órleans de volta ao reino e Vossa Majestade coroado como único e legítimo rei da França”.Joana chegou ao apogeu da glória, porém, não estava satisfeita. A França não poderia ser considerada livre se Paris continuava governada por um regente inglês. Mas as coisas mudaram. Na condição de rei coroado, Carlos VII estava finalmente numa posição de força e não mostrava entusiasmo por outras
aventuras. Alegava que a missão da jovem estava concluída e que não se poderia confiar eternamente na heroína, tratando-se de uma mulher.
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Conspirações contra Joana
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Assim, a guerreira passou a se tornar uma personagem incômoda. Entretanto, ante a sua insistência, o soberano acabou lhe concedendo uma pequena tropa para conquistar Paris. A fama de Joana D’Arc era enorme e os ingleses temiam também o prestígio do novo rei. Para impedir que a jovem, de algum modo, cativasse a população de Paris, do outro lado da muralha foi preparada uma longa resistência. Cinqüenta mil pessoas desfilaram de tochas acesas nas mãos, afirmando que Joana D’Arc era instrumento das forças do mal.Quando o ataque começou, os ingleses deram uma resposta fulminante: a própria Joana é atingida por uma flecha que lhe varou a coxa, abalando muito seu prestígio, sendo necessário retirá-la do campo de batalha, pois ela não queria recuar de modo algum. Mal havia se recu perado de sua ferida, recomeçou a luta na tentativa de libertar Compiègne, enquanto Carlos VII decidiu conciliar os inimigos.Inicialmente, mandou a jovem evacuar o Castelo de Compiègne, missão sem grande importância, mas perigosa. A jovem penetra no castelo e começa a proteger a retirada
das tropas. De repente, quando quase todos haviam saído, a ponte do castelo foi levantada. Joana D’Arc estava prisioneira. Encerrada no alto de uma torre, ficou totalmente só, talvez teria sido traída por seus próprios compatriotas. Na tentativa de escapar, caiu no fosso do castelo.Foi quando decidiram vendê-la aos ingleses por 10 mil escudos.
Colocada numa jaula de ferro, os pés e as mãos amarradas “como uma enviada do mal”, foi entregue
para o mais elevado tribunal da Igreja existente na França. Condenada pela inquisiçãoA permanência de Joana D’Arc na Terra deu-se na Idade Média, em pleno advento do Cristianismo. Contudo, a Igreja já se deparava com o aparecimento de novas seitas e o misticismo surgia como força importante. Como em religião o sentimento místico e o sentimento religioso acabam se confundindo, havia uma grande preocupação da Igreja em manter os dogmas de fé e um ideal moral, sentindo haver na época uma forte tendência em se acreditar no sobrenatural.Para patentear sua força, a Igreja precisava de um órgão mais eficaz que os tradicionais tribunais de conventos e acabou encontrando no Tribunal da Santa Inquisição, existente em todas as partes da Europa da Idade Média, um meio de punir os hereges, como eram chamados todos aqueles que, sob qualquer forma, faziam oposição a uma verdade de fé ou a um dogma já firmado. A morte na fogueira tornou-se a punição. Em diversas vezes, a severidade com que as normas foram aplicadas levou à fogueira pessoas inocentes declaradas hereges.Joana foi entregue ao Tribunal da Santa Inquisição objetivando-se provar que a guerreira não era nada, nem mesmo uma enviada do mal. Sob a presidência de Pierre Cauchon, bispo de Beauvois e aliado dos ingleses, liderando um juri composto por 70 conselheiros religiosos, o tribunal reuniu-se em fevereiro de 1431. Sob a acusação de usar roupas masculinas e dar um cunho de revelação divina às suas visões e
profecias, o interrogatório da acusada foi uma verdadeira tortura mental, destinado a confundi-la e levá-la ao desespero.
A jovem enfrentou com inteligência e coragem seus inquisidores, sustentando até o fim que as vozes não a haviam enganado.Considerados os representantes de Deus na Terra, os membros do Tribunal da Santa Inquisição jamais aceitariam o fato de uma mulher obedecer diretamente a vozes celestiais sem o devido respeito à Igreja. Declarada bruxa e herética, foi condenada à morte na fogueira, sob a alegação de que só pelas chamas se destrói uma feiticeira. Carlos VII, o príncipe que ela conduziu ao trono da França, nada fez para libertá-la. Uma santa guerreira poderia ser uma personagem incômoda às combinações diplomáticas.No dia 30 de maio de 1431, uma grande multidão se aglomerou na Praça Vieux de Marché, em Rouem, palco do suplício de Joana D’Arc. Embora na época a execução se constituisse num espetáculo público, os membros do tribunal, temendo uma manifestação favorável à condenada, tomaram as devidas precauções. Escoltada por 120 homens armados com lanças e espadas, a brava guerreira, com a cabeça raspada, foi conduzida até a praça e amarrada a um poste. Para seus juizes, queimando-a e espalhando suas cinzas estariam destruindo o símbolo da resistência francesa. Naquele momento, o olhar da jovem, mais do que cansaço, demonstrava a dignidade conferida a todos aqueles que são conscientes do dever cumprido. Heroína nacional e santaÀ medida que a nação francesa foi se formando, a figura da guerreira foi cada vez mais sendo glorificada. No ano de 1450, decorridos 37 anos de seu desencarne, concretizou-se o objetivo de Joana D’Arc: Paris reocupada por Carlos VII e os ingleses expulsos de toda a França, determinando o fim da Guerra dos Cem Anos. Porém, a nação só se consolidaria com a Revolução Francesa de 1789.O reconhecimento do governo e do povo francês veio em 1803, quando foi proclamada heroína nacional. Nesse ano, o imperador Napoleão Bonaparte inaugurou um monumento como justa homenagem àquela considerada a glória mais pura da história da França.Também a Igreja repararia seu erro. Embora desde a Idade Média, Joana D’Arc tenha sido objeto de veneração popular, somente no ano de 1909 foi beatificada. No ano de 1929 foi canonizada e proclamada Santa Padroeira da França, por decisão do Vaticano.Para os ingleses, ela continuaria por muito tempo sendo considerada “a bruxa” que os expulsou da França. Entretanto, quase seis séculos após seu martírio, aqueles que visitarem a Catedral de Westminster, em Londres, verão colocada num local de honra uma estátua da santa guerreira. Certamente, é o último lugar onde a camponesa de Domrèmy um dia pensaria estar. Um dos prepostos da codificaçãoA passagem de Joana D’Arc pela Terra apresentou traços característicos tão diversificados
que, de imediato, parecem fugir do currículo normal das faculdades humanas. Suas visões e pressentimentos, a viagem para Chinon, a autoridade no comando das tropas, a audácia para os padrões femininos da época, a notável inteligência e a coragem perante a morte tornaram-na, ao longo dos tempos, a personagem histórica que mais sofreu estudos contraditórios.Para os mais crentes, Joana seria venerada como uma santa. Os estudiosos preferiram reconhecê-la como uma valorosa guerreira que representou a personificação do patriotismo popular francês da época, conseguindo arrancar os ingleses da terra natal. Já os indiferentes, embora admirassem a sua figura de certa forma
sobrenatural, preferiram ignorar os verdadeiros objetivos de sua missão.No século XIX, o codificador da doutrina espírita, Allan Kardec, de naturalidade francesa como Joana, trouxe para o mundo um novo conceito do sobrenatural, revelando que somos espíritos eternos e imortais. Desde a sua criação, o espírito percorre uma trajetória evolutiva, habitando sucessivamente dois planos: o visível (encarnado) e o invisível (desencarnado). Como há necessidade da comunicação entre os dois planos, ela é feita por intermediários conhecidos como “médiuns”. Essa comunicação é conhecida como “fenômeno mediúnico”. A partir dessas revelações, constatou-se que Joana D’Arc está bem longe de ser um mistério.A mediunidade é um talento do qual todos os espíritos são dotados indistintamente
a partir da criação e acompanha a sua evolução. Portanto, todos somos médiuns em potencial e os fenômenos mediúnicos sempre existiram em todas as épocas e lugares, independentemente da cultura ou da classe social. Na sua estada terrena como espírito encarnado, Joana D’Arc foi muito mais que uma intrépida guerreira, apresentou faculdades mediúnicas já caracterizadas, mas até então incompreendidas e, por essa razão, rejeitadas. Representando um papel de suma importância para o Espiritismo, tornou-se um de seus prepostos.A sua vidência se manifestava quando via seus interlocutores, através da audiência ouvia vozes, por pressentimento reconheceu Carlos VII e, sobretudo, provou que inteligência, fé, perseverança e dinamismo são atributos do espírito. Saindo da obscuridade, cumpriu um mandato mediúnico confiado pelo plano superior, que lhe delegou a responsabilidade de direcionar seu povo. Sem renegar sua missão e suas crenças, apresentou em julgamento a firmeza de todos aqueles espíritos evoluídos que encarnaram com tarefa definida, dando um exemplo não só para a França, mas para a humanidade em geral.
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Artigo publicado na Revista
Cristã de Espiritismo, edição 12. Ao reproduzir o texto, favor citar os autores e a fonte.