terça-feira, 14 de setembro de 2010

SOBRE VÍCIOS




Instado a opinar também sobre os vícios, o médium ensejou-nos novos e importantes esclarecimentos: 


Chico Xavier:

- Não entendemos o vício como sendo um problema de criminalidade, mas como um problema de desequilíbrio nosso, diante das leis da vida. E isto não apenas no terreno em que o vício é mais claramente examinado.
Por exemplo: se falamos demasiadamente, estamos viciados no verbalismo excessivo e infrutífero. Se bebemos café excessivamente, estamos destruindo também as possibilidades do nosso corpo nos servir. Quando falamos a palavra vício, habitualmente logo nos recordamos do sexo.
Mas do sexo herdamos nossa mãe, nosso pai, lar, irmãos, a bênção da família. Tudo isto recebemos através do sexo. No entanto, quando falamos em vício, lembramo-nos do fogo do sexo e o tóxico... Mas tóxico é outro problema para nossos irmãos que se enfraqueceram diante da vida, que procuram uma fuga. Não são criminosos. São criaturas carentes de mais proteção, de mais amor. Porque se os nossos companheiros enveredaram pelo caminho do tóxico, eles procuraram esquecer algo. E esse algo são eles mesmos.
Então, precisávamos, talvez, reformular nossas concepções sobre o vício.
Há pouco tempo, perguntamos ao espírito de Emmanuel como é que ele definia um criminoso.
Ele nos disse: "O criminoso é sempre um doente, mas se ele for culpado, só deve receber esse nome depois de examinado por três médicos e três juízes".
Fonte: "O Espírita Mineiro", número 179, julho/agosto/setembro de 1979.
Publicado no livro CHICO XAVIER - MANDATO DE AMOR,
Editado abril/1993 pela União Espírita Mineira - Belo Horizonte, Minas Gerais

sábado, 11 de setembro de 2010

A base orgânica da mediunidade

RICARDO BAESSO DE OLIVEIRA
kargabrl@uol.com.br
Juiz de Fora, Minas Gerais (Brasil)







A ORIGEM DA FACULDADE MEDIÚNICA

À semelhança de Charles Richet que conceituou a mediunidade como o "sexto sentido", Allan Kardec colocou-a em pé de igualdade com os outros atributos humanos, reconhecendo nela uma função orgânica, ordinária, natural, fisiológica, inerente a todos os seres humanos, embora em gradações muito diferentes.

Qual a sua origem? Qual a sua relação com o processo evolutivo que atinge a todos os seres do globo? As opiniões não são convergentes. Ernesto Bozzano defendia a tese de que as faculdades supranormais não são e não podem ser levadas a cargo da evolução da espécie, sendo assim sentidos da personalidade humana que deverão aflorar após a desencarnação. Não teriam, então, uma função definida para a vida física, já que apenas no ambiente espiritual elas deveriam emergir.

Pesquisadores materialistas, como Amadou e Vassiliev, colocam-na à conta de uma função em extinção. As faculdades paranormais seriam resíduos de faculdades atávicas que se foram atrofiando por obra da seleção natural, visto se haverem tornado inúteis à ulterior evolução biológica da espécie. O pensamento, todavia, que vem ao encontro da posição assumida pelo benfeitor André Luiz foi expresso por J. B. Rhine. Acreditava o pai da parapsicologia que as faculdades paranormais representam outros tantos germes de sentidos novos destinados a evoluir nos séculos, até emergirem e se fixarem na espécie.

Ao examinar a questão, no livro "Evolução em Dois Mundos", André Luiz informa-nos que a faculdade mediúnica vem sofrendo através dos milênios paciente desabrochar, acompanhando o Espírito eterno em seu processo evolutivo. É, portanto, uma função do Espírito que se projeta no corpo a cada nova existência, sendo continuamente aprimorada.

A MEDIUNIDADE E O ORGANISMO

A base orgânica da mediunidade é indiscutível: "A faculdade propriamente dita é orgânica." (O Livro dos Médiuns, cap. XX.)

Quais seriam as regiões do corpo responsáveis por esse sentido? Em que setores da economia biológica vamos identificá-lo? O quadro abaixo sintetiza as principais características biológicas da mediunidade:

 


 1. Aptidão ao desdobramento perispiritual:

Uma maior facilidade ao desdobramento do corpo perispiritual é característica comum em quase todos os tipos de médiuns. Em relação à evolução do processo, André Luiz tece comentários no livro "Mecanismos da Mediunidade", sintetizados abaixo:

Em se iniciando a criatura na produção do pensamento contínuo, o sono adquiriu para ela uma importância que a consciência em processo evolutivo até aí não conhecera.

Usado instintivamente pelo elemento espiritual como recurso reparador das células físicas, semelhante estado fisiológico carreou possibilidades novas de realização.

Amadurecido para pensar e mentalizar, o homem começou a exercitar o desprendimento parcial do corpo sutil durante o sono, dando os primeiros passos na conquista do desdobramento do estado do sono.

Afastava-se do corpo mantendo-se ligado a ele por finos laços fluídicos magnéticos, levemente dilatados nos plexos e bem consistentes ao ligar-se à fossa rombóide.

Com o prosseguir evolutivo, as mentes mais afeitas à meditação e reflexão e que demonstrassem capacidades mediúnicas mais evidentes, pela comunhão menos estreita entre as células do corpo físico e do corpo espiritual, passaram do desdobramento durante o sono ao desprendimento durante a vigília, inaugurando no planeta a mediunidade sonambúlica, que está na base de quase todos os fenômenos mediúnicos.

2. Larga desarticulação das forças anímicas:

Na mediunidade de efeitos físicos haverá mobilização de elementos biológicos que André Luiz denomina de "recursos periféricos do citoplasma", que ao lado do fluido vital exteriorizado vai dar origem ao ectoplasma da terminologia científica.

André Luiz identifica nos medianeiros de todas as modalidades uma "comunhão menos estreita entre as células do corpo físico e do corpo espiritual", o que certamente facilitaria o desdobramento, que é o passo inicial na maioria dos fenômenos mediúnicos.

Sendo menos densos os elos de ligação entre os implementos físicos e espirituais, mais facilmente o medianeiro poderá exteriorizar para fora de sua individualidade as energias necessárias ao intercâmbio.

Em "Nos Domínios da Mediunidade", André Luiz colabora nessa idéia ao dizer: "Raios ectoplásmicos são raios peculiares a todos os seres vivos e é ainda na base deles que se efetuam todos os processos de materialização mediúnica, porquanto os sensitivos encarnados que os favorecem libertam essas energias com mais facilidade."

Na obra kardequiana vamos encontrar elementos que fortalecem o pensamento do autor espiritual:

"O Livro dos Médiuns", item 15:

"O Espírito tira dessas pessoas, como de uma fonte, um fluido animal de que necessita."

"O Livro dos Médiuns", item 75:

"Em algumas pessoas há uma espécie de emanação desse fluido, em conseqüência de condições especiais de sua organização, e é disso propriamente falando que resultam os médiuns de efeitos físicos."

"O Livro dos Médiuns", item 98:

"As naturezas impressionáveis, as pessoas cujos nervos vibram à menor emoção, à mais leve sensação, são as mais aptas a se tornarem excelentes médiuns de efeitos físicos. Com efeito seu sistema nervoso, quase inteiramente desprovido do invólucro refratário que isola esse sistema na maioria dos encarnados, torna-os apropriados ao desenvolvimento desses diversos fenômenos."

"O fluido vital, apanágio exclusivo dos encarnados, deve obrigatoriamente impregnar o espírito agente."

Em "Mecanismos da Mediunidade", André Luiz reforça a tese ao dizer: "Se a personalidade encarnada acusa possibilidade de larga desarticulação das próprias forças anímicas, encontramos aí a mediunidade de efeitos físicos."

3. Sistema nervoso:

O principal sistema responsável pela faculdade mediúnica é o nervoso, principalmente o cérebro.

Dr. Nubor Facure, professor titular de Neurologia na Unicamp, examinando o papel do cérebro no fenômeno, esclarece: "O fenômeno mediúnico se processa no cérebro do médium e sempre com a participação deste. É um processo de automatismo complexo, realizado através do cérebro sob a atuação de entidades espirituais que sintonizam com o médium. Dispomos no nosso cérebro de centros de atividades automáticas para as diversas atividades motoras que nos permitem, por exemplo, falar fluentemente, escrever rapidamente, pintar ou dedilhar um instrumento musical. Essas áreas expressam suas atividades com pouca participação da consciência. Desde que o médium possa destacar seu foco de consciência, o Espírito comunicante pode se ocupar dos núcleos de atividade automática do cérebro do médium e fazer transcorrer por ali conceitos da sua mensagem."

4. Epífise:

O papel da epífise ou glândula pineal passou a ser valorizado com os estudos do autor André Luiz.

A epífise é uma glândula de forma piriforme, com as dimensões de uma ervilha mediana que repousa sobre o teto do mesencéfalo.

A glândula pineal foi bastante conhecida dos antigos. A Escola de Alexandria participou ativamente dos estudos da pineal que se achavam ligados a questões religiosas. Os gregos conheciam-na como conarium, e os latinos como pinealis, semelhantes a uma pinha. Esses povos em suas dissertações localizavam na pineal o centro da vida.

Mais tarde, os trabalhos sobre a glândula pineal se enriqueceram com os estudos de De Graff, Stenon e Descartes, que em 1677 fez uma minuciosa descrição da glândula, atribuindo-lhe papel relevante. Para ele, "a alma seria o misterioso hóspede da glândula pineal".

No início do século XIX, embriologistas relacionaram a pineal ao 3º olho de alguns lacertídeos da Nova Zelândia e passaram a considerá-la como órgão vestigial abandonado pela natureza, o que atrasou em muito os estudos sobre a pineal.

Em 1954 vários estudiosos publicaram um livro com o somatório crítico de toda a literatura existente sobre a glândula, chegando a algumas conclusões:

A glândula pineal deixou de ser o órgão sensorial e passou a ser uma glândula de secreção endócrina.

A glândula pineal teria influência sobre o amadurecimento das glândulas sexuais (ovários e testículos); quando atuante, a pineal inibiria o desenvolvimento dessas glândulas; quando inativa (após os 14 anos mais ou menos), permitiria o desenvolvimento dos ovários e testículos, ocorrendo assim o aflorar da sexualidade.

Seu hormônio (melatonina) favoreceria o sono, diminuiria crises convulsivas, sendo por isso conhecida como a glândula da tranqüilidade.

Atuaria ainda como reguladora das funções da tireóide, do pâncreas e das supra-renais.

Seria ainda uma reguladora global do sistema nervoso central.

Em "Missionários da Luz", cap. I e II, André Luiz, estudando um médium psicógrafo com o instrutor Alexandre, observa a epífise do médium a emitir intensa luminosidade azulada, ao que o instrutor esclarece:

"No exercício mediúnico de qualquer modalidade, a pineal desempenha o papel mais importante."

André Luiz observa:

"Reconheci que a glândula pineal do médium expelia luminosidade cada vez mais intensa... a glândula minúscula transformara-se em núcleo radiante e ao redor seus raios formavam um lótus de pétalas sublimes. Examinei atentamente os demais encarnados e observei que em todos a pineal apresentava notas de luminosidade, mas em nenhum brilhava como no médium em serviço. Alexandre esclarece: é na pineal que reside o sentido novo dos homens, entretanto, na grande maioria, a potência divina dorme embrionária."

Em "Evolução em Dois Mundos", o autor explica a evolução da pineal, que deixou de ser olho exterior, como era nos lacertídeos na Nova Zelândia, para fazer parte do cérebro, relacionada à emoções mais sutis.

Em "Missionários da Luz", André Luiz esclarece:

"Não se trata de um órgão morto segundo as velhas suposições, é a glândula da vida mental. Ela acorda no organismo do homem, na puberdade, as forças criadoras, e em seguida continua a funcionar como o mais avançado laboratório de elementos da criatura terrestre.

Aos 14 anos aproximadamente, a glândula reajusta-se ao concerto orgânico e reabre seus maravilhosos mundos de sensações e impressões da esfera emocional. Entrega-se a criatura à recapitulação da sexualidade, examinando o inventário de suas paixões vividas em outras épocas, que reaparecem sob fortes impulsos. Ela preside aos fenômenos nervosos da emotividade, como órgão de elevada expressão no corpo etéreo. Desata de certo modo os laços divinos da Natureza, os quais ligam as existências umas às outras, na seqüência de lutas pelo aprimoramento da alma e deixa entrever a grandeza das faculdades criadoras de que a criatura se acha investida."

Observamos, então, que a pineal apresenta particularidades e funções que transcendem o posicionamento da ciência oficial.

Ela domina o campo da sexualidade, estabelece relações com o mundo espiritual, via mediunidade, transformando energia mental em estímulo nervoso e mantém contato entre o Espírito e o corpo, através do centro coronário, além de presidir aos fenômenos da emotividade.

André Luiz acrescenta:

"Segregando delicadas energias psíquicas, ela conserva todo o sistema endócrino. Ligada à mente, através de princípios eletromagnéticos do campo vital, comanda as forças subconscientes sob a determinação direta da vontade. As redes nervosas constituem-lhe fios telegráficos para ordens imediatas a todos os departamentos celulares e sob sua direção efetuam-se os suprimentos de energia a todos os órgãos."
 

O CIRCUITO MEDIÚNICO

Esclarecendo quanto ao mecanismo íntimo do fenômeno mediúnico, Kardec reproduz o pensamento de um de seus guias:

"Nossas comunicações com os espíritos encarnados se realizam unicamente pela irradiação do nosso pensamento."  (O Livro dos Médiuns, cap. XIX.)

A comunicação mediúnica é, em síntese, um processo de transferência de conteúdos mentais da dimensão espiritual para a física. A participação direta do médium e dos assistentes é indiscutível em todas as variedades mediúnicas. O desdobramento do médium quase sempre precede a captação da onda mental do Espírito comunicante, conforme mostra o esquema abaixo:

 

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

SOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS


(PRIMEIRO CENTRO ESPÍRITA DO MUNDO)

FUNDADA EM 13 DE ABRIL DE 1858

Da origem – histórico:

           O SPEE (Primeiro Centro Espírita do Planeta Terra)

Síntese da fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas...

Histórico da SPEE:

            Por iniciativa de Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, surgiram em Paris-França- no ano de 1858...

            A Revista Espírita, tradicional publicação por ele dirigida até sua desencarnação em 1869... Ainda em circulação em vários idiomas.

            E, também, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE), o primeiro CENTRO ESPÍRITA DO PLANETA..

A França – tempo e espaço:

             A França, à época de Allan Kardec, vivia tempos conturbados, por isso, o funcionamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE), dependia de autorização para seu funcionamento legal, o que não seria fácil conseguir.

 Contexto social francês:

 FRANÇA - SÉCULO XIX –(3):

       Um revolucionário nacionalista italiano chamado Félix Orsini, perpetrou um atentado em 14 de janeiro de1858, contra a vida de Napoleão III – o então Imperador Francês - que, por pouco não foi assassinado, sendo ORSINI condenado à pena de morte pela guilhotina em 13 de março de 1858, isto é, quase vinte dias antes da fundação da SPEE. Este episódio provocou a sanção da Lei de Segurança Geral, que facultava ao Ministro do Interior a transladar ou exilar a qualquer cidadão francês que fosse reconhecido culpado de conspirar contra a segurança do Estado. Era uma lei rigorosa, que não se derrogou senão doze anos depois, em 1870. Os tempos então vividos eram de convulsão política; a França estava sob recente Lei de Segurança de 19 de fevereiro de 1858, sancionada em virtude daquele atentado, lei que não permitia a reunião de mais de 20 pessoas em espaço fechado. O estatuto social da SPEE devia ser submetido às autoridades (4) sob este severo regime que, ante as novas idéias, colocariam sua atenção sobre o objeto e os nomes dos seus componentes.

         Napoleão Bonaparte III - Imperador de França - no período de 1852 até 1870 era sobrinho do grande Napoleão.

Então...

       Era necessário que a SPEE obtivesse autorização para o seu funcionamento legal, dado a gravidade da situação política .
        Quem autorizou o funcionamento do primeiro Centro Espírita do planeta foi um general...
        Napoleão Bonaparte III nomeou o general Espinasse, para ser o Ministro do Interior da França o qual exerceu esse cargo entre 07 de fevereiro de 1858 até 14 de junho de 1858, exatamente 127 dias.   

         A denominação completa do cargo: Ministro do Interior e de Segurança Geral .

         Essa autoridade era quem autorizava o funcionamento de atividades que reunissem “grupos com mais de 20 pessoas...”

         Para funcionar legalmente e não ser incomodada, a SPEE precisaria transpor as dificuldades que as circunstâncias da época impunham.

Então:
    O Sr. Dufaux, que participava da SPEE, cuidou do caso, por ser amigo do Prefeito de Polícia de Paris, que seria a primeira autoridade a ser contatada. Mas, como a autorização dependia também do Ministro do Interior, foi aí que entrou em cena o general Espinasse... O então Ministro do Interior.

          Charles-Marie Esprit Espinasse – que concedeu a autorização imprescindível para o funcionamento legal da Sociedade de Paris era simpatizante da causa Espírita, sem que Kardec soubesse. Ele conseguiu a autorização, em menos de 15 dias, quando o tempo médio era de pelo menos três meses.

Nota:
          
          Alguns historiadores consideram a data de fundação da SPEE, 1º de abril de 1858, quando Allan Kardec realizou a primeira reunião para discutir e aprovar o Estatuto da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas; porém se considerarmos que a concessão para o funcionamento legal - pelo Ministro Espinasse – aconteceu em 13 de abril de 1858, data oficial da fundação da SPEE.

Autorização:

           A autorização para o funcionamento da SPEE foi conseguida em 13 de abril de 1858. O general Espinasse exerceu o cargo por mais de quatro meses – o tempo necessário para conceder a autorização de funcionamento da SPEE. Só posteriormente Kardec veio saber que o general Charles Marie Espirit Espinasse era simpatizante da causa Espírita. Kardec obteve essa informação, em entrevista mediúnica com o próprio general, seis dias após a desencarnação do mesmo. O general Espinasse faleceu em 04 de junho 1859, no terrível combate de Magenta (cidade da Província de Milão), hoje pertencente à Itália. – Onde foi homenageado com uma placa, em gratidão à sua coragem e heroísmo, demonstrados com a entrega da própria vida na batalha vitoriosa de Magenta.

Documento histórico – escrito por Kardec:

        << Ao Sr. Prefeito de Polícia da Cidade de Paris.

Sr. Prefeito:

       Os membros fundadores do Círculo Parisiense de Estudos Espíritas, que solicitaram junto a vós a autorização necessária para constituir-nos em Sociedade, têm a honra de pedir-vos que consintais permitir-nos reuniões preparatórias, enquanto esperamos a autorização regular. Com o mais profundo respeito, Sr. Prefeito, tenho a honra de ser vosso muito humilde e muito obediente servidor, H.L.D. Rivail, dito Allan Kardec. Rua dos Mártires número 8. >>

          O eminente Prof. Hippolyte-Leon-Denizand-Rivail, fez importante e corajosa identificação ao assinar a carta com seu ilustre sobrenome e com seu digno pseudônimo respectivamente (Rivail-Kardec), oferecendo certamente o seu aval de pessoa séria e respeitada ante a autoridade municipal o Prefeito de Polícia de Paris, e nacional (Ministro do Interior), especificamente para a abertura da sociedade, na qual deveriam dispor por lei de uma autorização legal e oficial para encontro de um maior número de pessoas das que se reuniam em um Círculo.



Onde e como funcionou!...

         No início, por cerca de seis meses, Kardec realizava as reuniões na própria residência, então situada à Rua dos Mártires n° 8, junto com alguns adeptos (entre 8 e 10 pessoas), sempre às terças-feiras... O espaço era reduzido, impossibilitando o crescente número de estudiosos que ali compareceriam.

     
CURIOSIDADES!...

           Posteriormente, já legalizada, passou a funcionar na Galeria de Valois, até 1º de abril do ano 1859.


      DE 1º de abril de 1859, até 1º de abril de 1860, nas sextas-feiras, a SPEE funcionou na Galeria Montpensier, mais precisamente na passagem Sant’Ana, n° 59.


OS PERSONAGENS:

1 )  Napoleão III – Imperador da França, na época em que a SPEE preparava-se para ser legalizada;

2) General Espinasse – Como autoridade  competente, foi quem autorizou o funcionamento legal, da SPEE. Foi nomeado ao importante cargo, por Napoleão III;

3) Sr. Dufaux – Por conhecer pessoalmente o Prefeito de polícia de Paris(que era a primeira autoridade a ser contatada), foi quem se encarregou do caso “autorização” para o funcionamento regular da SPEE;

4) Srtª  Ermance Dufaux – Atuava como a médium principal nas reuniões.Era filha do Sr. Dufaux;

5) Sr. Roze – Também médium, juntamente com Alfred Didier, Didier Filho, Forbes, Colein, Pécheur, Darcol, Camile Flammarion,  Léon Denis, Gabriel Delanne, além de outros;( estes são os mais citados por Kardec);

6) São Luiz –“Presidente – espiritual” da SPEE. Foi, na França, em encarnação passada, o rei Luiz IX.


FONTES DAS INFORMAÇÕES HISTÓRICAS:


      1) Revista “O Reformador” (FEB) – Edição: Abril de 2008;
      2) Revista “ Resenha Espírita” – nº 2  - ano 2008;
      3) Mário Celso – mariocelso633@yahoo.com.br


CITAÇÕES: 

     “Onde quer que as minhas obras penetrarem e servirem de guia, o Espiritismo é visto sob o seu verdadeiro aspecto, isto é, sob um caráter exclusivamente moral.” (Allan Kardec).

     “O melhor que se pode fazer pelo Espiritismo é divulgá-lo corretamente.” (Mário Celso).

     “Ser espírita não é apenas aceitar a reencarnação; é compreendê-la como manifestação da Justiça Divina e caminho natural para a perfeição.” (Wanderley Pereira)
       

domingo, 5 de setembro de 2010

O TESTEMUNHO MORAL DE LÉON DÉNIS.

Testamento moral

No final de minha vida, nesta hora crepuscular em que uma nova etapa termina, em que as sombras crescem sem cessar e cobrem todas as coisas com seu manto melancólico, recordo o caminho percorrido desde minha infância; depois, dirijo meu olhar para adiante, para essa porta que brevemente se abrirá para mim, para o Além e suas eternas claridades.
Nessa hora, minha alma se recolhe e se desprende, antecipadamente, dos liames terrenos; ela vê e compreende o objetivo da vida.
Consciente de seu papel neste mundo, reconhecida pelos benefícios divinos, sabendo por que veio e por que atuou, bendiz a vida por todas as alegrias, todas as dores, todas as provas salutares que experimentou e agradece os instrumentos de sua educação e de seu progresso.
Bendiz a vida terrena, convencida, quando a deixar, de que retornará mais tarde, numa nova existência, para ainda trabalhar, sofrer, aperfeiçoar-se e contribuir, por seus esforços, para o progresso deste mundo e da humanidade.
Consagrei esta existência ao serviço de uma grande causa: O Espiritismo ou Espiritualismo Moderno, que será, certamente, a crença universal, a religião do futuro.
Consagrei à sua divulgação todas as minhas forças, toda a minha capacidade e todos os recursos de meu espírito e meu coração.
Tenho sido sempre, e poderosamente, sustentado por meus amigos invisíveis, por aqueles a quem irei juntar-me, brevemente.
Pela causa do Espiritismo, renunciei a todas as satisfações materiais, mesmo as da vida familiar e da vida pública, aos títulos, às honrarias e funções, vagando pelo mundo, muitas vezes só e triste, porém, no fundo, feliz de assim pagar minha dívida do passado e de me aproximar dos que me aguardam, no Além, na Luz Divina.
Abandonando a Terra, quero que os recursos por mim deixados sejam consagrados ao serviço dessa mesma causa. É com este pensamento e com esta firme vontade que organizei a lista de meus herdeiros.
Inicialmente, com o objetivo de propaganda doutrinária, deixo ao Sr. Jean Meyer, residente na Vila Montmorency, Avenida des Tilleuls, 11, Paris, 16º, a propriedade de minhas obras que figuram na Biblioteca de Filosofia Espiritualista Moderna e das Ciências Psíquicas, que ele fundou.
Além disso, deixo ao dito Jean Meyer, todos os volumes e brochuras em depósito na tipografia Arrault, em Tours, assim como os clichês, impressões e anexos referentes a essas obras.
Se, por morte do Sr. Jean Meyer, o funcionamento de sua biblioteca, acima designada, se achar comprometido, minhas obras cairão no domínio público e todos os interessados poderão reproduzi-las, com a condição de seguirem escrupulosamente o texto de cada última edição, sob o controle e vigilância de meus executores testamentários.[i]
Léon Dénisfonte:Instituto Léon Dénis

Joana d’Arc

Enviado por Maria Aparecida Romano
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Durante o período da Idade Média, o reino da França era constituído por feudos – propriedades territoriais governadas por um senhor.
Detendo os ingleses a maior parte deles, o fato originou múltiplos conflitos, gerando a Guerra dos Cem Anos entre os dois países. No ano de 1429, quando a guerra atravessava um momento decisivo, com as forças inglesas ocupando grande parte do território francês, a cidade de Órleans, um dos últimos bastiões da resistência e já sitiada, poderia cair a qualquer momento nas mãos dos invasores estrangeiros.Curvados ao invasor inglês e sem ânimo para se reerguerem, os soldados franceses eram poucos e o moral estava enfraquecido pelas sucessivas derrotas. Além do mais, faltava um
chefe, alguém capaz de conduzir as tropas e fazê-las acreditar na possibilidade de sua vitória. Refugiado na localidade de Chinon, o príncipe Carlos hesitava em tomar decisões, tinha sua autoridade contestada ao ser declarado bastardo por tantos compatriotas que negavam ser ele o legítimo herdeiro do trono da França. Naquela altura, jamais se acreditaria que a iniciativa de encetar uma campanha decisiva para renovar a confiança do povo francês para uma resistência aos ingleses partisse de uma jovem que se investiu de tão importante missão. Seu nome: Joana D’Arc. Nascida no ano de 1412 no vilarejo de Domrèmy, Joana foi criada no seio de uma família de camponeses com três irmãos e uma
irmã. Ao lado deles, auxiliava o pai no trabalho da terra tomando conta dos carneiros no pasto. Não aprendeu a ler nem a escrever. Freqüentando assiduamente a igreja do vilarejo, que ficava junto à sua casa, a menina Joana aprendeu o Pai-Nosso, tornando-se muito piedosa.
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Recebendo as tarefas.
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Já adolescente, caia em profundos êxtases, durante os quais afirmava ter visões fantásticas de uma luz viva e que ouvia vozes celestiais a lhe ordenarem duas tarefas: salvar a pátria e coroar o rei. A história de suas visões fantásticas se espalhara rapidamente e, embora despertando controvérsias, o povo passou a acreditar na possível missão da jovem. Enquanto muitos a viam como santa, outros
acreditavam que a jovem poderia ser uma enviada do mal.Embora a notícia da guerra já tivesse se estendido por quase toda a França, a jovem só soube pela pri-meira vez o real significado de uma guerra quando as tropas inglesas estavam bem perto da cidade onde morava. Domrèmy era afastada dos campos de batalha e as notícias andavam bem devagar. Só se sabia de algum fato quando passava um cavaleiro bem informado. Como os caminhos eram ruins, o cavaleiro levava semanas para andar poucos quilômetros.A guerra atingira um momento crítico. Órleans, a última cidade em poder
dos franceses, estava cercada e a França não tinha um rei para defendê-la. Joana, que até então vivera angustiada e indecisa, resolveu procurar o Capitão de Baudricourt, pedindo-lhe uma carta de apresentação e uma escolta para acompanhá-la até o Delfim. Como a população estava ao lado da jovem, o capitão acabou cedendo ante a insistentes pedidos e, com o dinheiro de uma coleta, conseguiram-lhe uma armadura.Mal cabendo na pesada armadura, a jovem camponesa de 17 anos de idade partiu no dia 23 de fevereiro de 1429, na direção de Chinon. Viajou dez dias decidida a
procurar o príncipe herdeiro, com a missão de levá-lo ao trono como rei e salvar a França, prestes a sucumbir totalmente ao peso da invasão inglesa. A sua partida fez nascer uma nova esperança no povo místico da época. Deus a teria enviado para terminar com as guerras e misérias.
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A revelação ao príncipe.
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No Palácio de Chinon, a notícia foi recebida com espanto. Desconfiado daquela menina que se apresentava como salvadora, contando histórias fantásticas, o príncipe resolveu se divertir aplicando um teste na recém-chegada para comprovar a veracidade dos seus relatos. Vestindo-se como um súdito qualquer, entrou por uma porta lateral, misturando-se entre os nobres. Na condição de simples
camponesa, a jovem jamais poderia conhecer-lhe a fisionomia, porém, Joana D’Arc não vacilou. Caminhando até um canto dos salões onde alguns nobres fingiam conversar distraídos, ajoelhando-se aos pés do Delfim, diz-lhe humildemente: “Gentil Senhor, em nome de Deus, eu posso dizer que sois filho do rei e herdeiro legítimo do trono da França”. A aparente dissipação da grande dúvida que pairava em torno da legitimidade do seu nascimento, pela qual o filho de um pai desconhecido não poderia ser o herdeiro do trono, deixou o príncipe aturdido, pedindo a vários bispos e cardeais que interrogassem Joana. Em pouco tempo, a segurança e a simplicidade das respostas dadas pela
jovem acabaram por convencer a todos, inclusive o soberano, que, após manter com ela uma conversa cujo teor nunca seria revelado e convencido de que era preciso agir com rapidez, outorgou-lhe o título de “Chefe da Guerra” e, ao mesmo tempo, o comando de uma pequena tropa.Mas faltava uma espada. Segundo a tradição, a jovem ouvira vozes que lhe indicaram uma excelente espada escondida atrás do altar de Santa Catarina. Enviado até lá, um pagem voltou com uma velha espada, completamente enferrujada. Contam que bastou encostar nela um pano para que a arma ficasse brilhante no mesmo instante. A primeira vitória contra os inglesesLiderando a tropa, Joana D’Arc partiu imediatamente com a missão de furar o cerco de Órleans e levar víveres para abastecer os soldados já famintos. Levando nas mãos um estandarte onde, ao lado de Deus, figuravam os nomes de Jesus e Maria e o símbolo do reino (a flor-de-lis), ordenou com sua voz firme uma incursão aos ingleses, devolvendo a confiança a seus compatriotas. Naquele momento, oficiais e soldados recobraram a esperança de vitória perante o exemplo de coragem daquela jovem. Depois de algumas investidas, tomou as principais bases de apoio do inimigo, que, surpreso, levantou o cerco em retirada.A tropa de Joana entrou triunfante na cidade. Finalmente Órleans estava libertada, marcando a partir daí uma nova fase na Guerra dos Cem Anos. Julgando sua tarefa encerrada, quis se retirar, mas teve de ceder às súplicas do príncipe para dar continuidade à luta. Numa campanha rápida e fulminante, venceu os ingleses nas cidades de Patay
e Troyes, apresentando ao soberano as chaves das cidades conquistadas.Mas isto, para Joana, foi apenas a primeira etapa. Com profundo senso político, sentiu que chegara o momento de coroar solenemente o príncipe na Catedral de Reims. Ocorria que Reims estava situada em território controlado pelos ingleses e, para chegar lá, seria necessário enfrentar os batalhões dos invasores. Joana estava decidida a lutar e acabou convencendo o príncipe. Em apenas um mês de campanha, o exército comandado pela jovem, depois de infligir uma sucessão de derrotas aos ingleses, penetrou em Reims em 16 de julho de 1429. O príncipe Carlos torna-se reiNa época, a entrada triunfal numa cidade era o maior símbolo de uma vitória e, enquanto a população nas ruas aplaudia a cavalaria e o estandarte dos vencedores, Joana aproveitou para unir essa festa a uma outra. No dia seguinte, realizou-se solenemente na Catedral de Reims a sagração de Sua Majestade, Carlos VII, como rei da França. De pé, ao lado do rei, tendo na mão seu estandarte, ficou a “Chefe da Guerra” Joana D’Arc. Terminada a cerimônia, tomando a mão do novo soberano diz-lhe: “Gracioso rei, está cumprida a vontade de Deus. Órleans de volta ao reino e Vossa Majestade coroado como único e legítimo rei da França”.Joana chegou ao apogeu da glória, porém, não estava satisfeita. A França não poderia ser considerada livre se Paris continuava governada por um regente inglês. Mas as coisas mudaram. Na condição de rei coroado, Carlos VII estava finalmente numa posição de força e não mostrava entusiasmo por outras
aventuras. Alegava que a missão da jovem estava concluída e que não se poderia confiar eternamente na heroína, tratando-se de uma mulher.
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Conspirações contra Joana
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Assim, a guerreira passou a se tornar uma personagem incômoda. Entretanto, ante a sua insistência, o soberano acabou lhe concedendo uma pequena tropa para conquistar Paris. A fama de Joana D’Arc era enorme e os ingleses temiam também o prestígio do novo rei. Para impedir que a jovem, de algum modo, cativasse a população de Paris, do outro lado da muralha foi preparada uma longa resistência. Cinqüenta mil pessoas desfilaram de tochas acesas nas mãos, afirmando que Joana D’Arc era instrumento das forças do mal.Quando o ataque começou, os ingleses deram uma resposta fulminante: a própria Joana é atingida por uma flecha que lhe varou a coxa, abalando muito seu prestígio, sendo necessário retirá-la do campo de batalha, pois ela não queria recuar de modo algum. Mal havia se recu perado de sua ferida, recomeçou a luta na tentativa de libertar Compiègne, enquanto Carlos VII decidiu conciliar os inimigos.Inicialmente, mandou a jovem evacuar o Castelo de Compiègne, missão sem grande importância, mas perigosa. A jovem penetra no castelo e começa a proteger a retirada
das tropas. De repente, quando quase todos haviam saído, a ponte do castelo foi levantada. Joana D’Arc estava prisioneira. Encerrada no alto de uma torre, ficou totalmente só, talvez teria sido traída por seus próprios compatriotas. Na tentativa de escapar, caiu no fosso do castelo.Foi quando decidiram vendê-la aos ingleses por 10 mil escudos.
Colocada numa jaula de ferro, os pés e as mãos amarradas “como uma enviada do mal”, foi entregue
para o mais elevado tribunal da Igreja existente na França. Condenada pela inquisiçãoA permanência de Joana D’Arc na Terra deu-se na Idade Média, em pleno advento do Cristianismo. Contudo, a Igreja já se deparava com o aparecimento de novas seitas e o misticismo surgia como força importante. Como em religião o sentimento místico e o sentimento religioso acabam se confundindo, havia uma grande preocupação da Igreja em manter os dogmas de fé e um ideal moral, sentindo haver na época uma forte tendência em se acreditar no sobrenatural.Para patentear sua força, a Igreja precisava de um órgão mais eficaz que os tradicionais tribunais de conventos e acabou encontrando no Tribunal da Santa Inquisição, existente em todas as partes da Europa da Idade Média, um meio de punir os hereges, como eram chamados todos aqueles que, sob qualquer forma, faziam oposição a uma verdade de fé ou a um dogma já firmado. A morte na fogueira tornou-se a punição. Em diversas vezes, a severidade com que as normas foram aplicadas levou à fogueira pessoas inocentes declaradas hereges.Joana foi entregue ao Tribunal da Santa Inquisição objetivando-se provar que a guerreira não era nada, nem mesmo uma enviada do mal. Sob a presidência de Pierre Cauchon, bispo de Beauvois e aliado dos ingleses, liderando um juri composto por 70 conselheiros religiosos, o tribunal reuniu-se em fevereiro de 1431. Sob a acusação de usar roupas masculinas e dar um cunho de revelação divina às suas visões e
profecias, o interrogatório da acusada foi uma verdadeira tortura mental, destinado a confundi-la e levá-la ao desespero.
A jovem enfrentou com inteligência e coragem seus inquisidores, sustentando até o fim que as vozes não a haviam enganado.Considerados os representantes de Deus na Terra, os membros do Tribunal da Santa Inquisição jamais aceitariam o fato de uma mulher obedecer diretamente a vozes celestiais sem o devido respeito à Igreja. Declarada bruxa e herética, foi condenada à morte na fogueira, sob a alegação de que só pelas chamas se destrói uma feiticeira. Carlos VII, o príncipe que ela conduziu ao trono da França, nada fez para libertá-la. Uma santa guerreira poderia ser uma personagem incômoda às combinações diplomáticas.No dia 30 de maio de 1431, uma grande multidão se aglomerou na Praça Vieux de Marché, em Rouem, palco do suplício de Joana D’Arc. Embora na época a execução se constituisse num espetáculo público, os membros do tribunal, temendo uma manifestação favorável à condenada, tomaram as devidas precauções. Escoltada por 120 homens armados com lanças e espadas, a brava guerreira, com a cabeça raspada, foi conduzida até a praça e amarrada a um poste. Para seus juizes, queimando-a e espalhando suas cinzas estariam destruindo o símbolo da resistência francesa. Naquele momento, o olhar da jovem, mais do que cansaço, demonstrava a dignidade conferida a todos aqueles que são conscientes do dever cumprido. Heroína nacional e santaÀ medida que a nação francesa foi se formando, a figura da guerreira foi cada vez mais sendo glorificada. No ano de 1450, decorridos 37 anos de seu desencarne, concretizou-se o objetivo de Joana D’Arc: Paris reocupada por Carlos VII e os ingleses expulsos de toda a França, determinando o fim da Guerra dos Cem Anos. Porém, a nação só se consolidaria com a Revolução Francesa de 1789.O reconhecimento do governo e do povo francês veio em 1803, quando foi proclamada heroína nacional. Nesse ano, o imperador Napoleão Bonaparte inaugurou um monumento como justa homenagem àquela considerada a glória mais pura da história da França.Também a Igreja repararia seu erro. Embora desde a Idade Média, Joana D’Arc tenha sido objeto de veneração popular, somente no ano de 1909 foi beatificada. No ano de 1929 foi canonizada e proclamada Santa Padroeira da França, por decisão do Vaticano.Para os ingleses, ela continuaria por muito tempo sendo considerada “a bruxa” que os expulsou da França. Entretanto, quase seis séculos após seu martírio, aqueles que visitarem a Catedral de Westminster, em Londres, verão colocada num local de honra uma estátua da santa guerreira. Certamente, é o último lugar onde a camponesa de Domrèmy um dia pensaria estar. Um dos prepostos da codificaçãoA passagem de Joana D’Arc pela Terra apresentou traços característicos tão diversificados
que, de imediato, parecem fugir do currículo normal das faculdades humanas. Suas visões e pressentimentos, a viagem para Chinon, a autoridade no comando das tropas, a audácia para os padrões femininos da época, a notável inteligência e a coragem perante a morte tornaram-na, ao longo dos tempos, a personagem histórica que mais sofreu estudos contraditórios.Para os mais crentes, Joana seria venerada como uma santa. Os estudiosos preferiram reconhecê-la como uma valorosa guerreira que representou a personificação do patriotismo popular francês da época, conseguindo arrancar os ingleses da terra natal. Já os indiferentes, embora admirassem a sua figura de certa forma
sobrenatural, preferiram ignorar os verdadeiros objetivos de sua missão.No século XIX, o codificador da doutrina espírita, Allan Kardec, de naturalidade francesa como Joana, trouxe para o mundo um novo conceito do sobrenatural, revelando que somos espíritos eternos e imortais. Desde a sua criação, o espírito percorre uma trajetória evolutiva, habitando sucessivamente dois planos: o visível (encarnado) e o invisível (desencarnado). Como há necessidade da comunicação entre os dois planos, ela é feita por intermediários conhecidos como “médiuns”. Essa comunicação é conhecida como “fenômeno mediúnico”. A partir dessas revelações, constatou-se que Joana D’Arc está bem longe de ser um mistério.A mediunidade é um talento do qual todos os espíritos são dotados indistintamente
a partir da criação e acompanha a sua evolução. Portanto, todos somos médiuns em potencial e os fenômenos mediúnicos sempre existiram em todas as épocas e lugares, independentemente da cultura ou da classe social. Na sua estada terrena como espírito encarnado, Joana D’Arc foi muito mais que uma intrépida guerreira, apresentou faculdades mediúnicas já caracterizadas, mas até então incompreendidas e, por essa razão, rejeitadas. Representando um papel de suma importância para o Espiritismo, tornou-se um de seus prepostos.A sua vidência se manifestava quando via seus interlocutores, através da audiência ouvia vozes, por pressentimento reconheceu Carlos VII e, sobretudo, provou que inteligência, fé, perseverança e dinamismo são atributos do espírito. Saindo da obscuridade, cumpriu um mandato mediúnico confiado pelo plano superior, que lhe delegou a responsabilidade de direcionar seu povo. Sem renegar sua missão e suas crenças, apresentou em julgamento a firmeza de todos aqueles espíritos evoluídos que encarnaram com tarefa definida, dando um exemplo não só para a França, mas para a humanidade em geral.
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Artigo publicado na Revista
Cristã de Espiritismo, edição 12. Ao reproduzir o texto, favor citar os autores e a fonte.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

RETRATO DE JESUS

 (ESCRITO POR EMMANUEL EM SUA ENCARNAÇÃO NA ÉPOCA DE CRISTO) Retrato de Jesus feito por Publius Lentulus
Retrato de Jesus feito por Publius Lentulus, procônsul da Galiléia, a Tibério César, imperador romano.
O presente documento foi encontrado no arquivo do Duque de Cesadini, em Roma. Essa carta, onde se faz o retrato físico e moral de Jesus, foi mandada de Jerusalém ao Imperador Tibério César, em Roma, ao tempo de Jesus.
Publius era senador romano e fez esse retrato de Jesus por ocasião da doença de sua filha Flávia, quando foi diretamente à presença de Cristo e pediu que a curasse da lepra.
Respondendo à pergunta de Tibério César – Quem é este homem Jesus?, Publius Lentulus escreveu:
“Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, existe nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é o filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado.
“Em verdade, ó César, cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, em uma só palavra.
“É um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto. Há tanta majestade em seu rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo.
“Tem os cabelos da cor da amêndoa bem madura; são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas; são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio de sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso pelos nazarenos.
“O seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno. Nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face, de uma cor moderada. O nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, separada pelo meio. Seu olhar é muito afetuoso e grave; tem os olhos expressivos e claros. O que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar. Faz-se amar e é alegre com gravidade.
“Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos. Na palestra, contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele se aproxima, verifica-se que é muito modesto na presença e na pessoa.
“É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua Mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo jamais visto por estas partes uma mulher tão bela.
“Porém, se a Majestade Tua, ó Cesar, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dai-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível.
“De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes.
“Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus. Muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de Tua Majestade. Eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus.
“Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo: aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido.
“Vale, da Majestade Tua, fidelíssimo e obrigadíssimo. ..” Publius Lentulus, presidente da Judéia.
Lindizione setima, luna seconda”.
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terça-feira, 6 de julho de 2010

Anjos e Demônios

Sérgio Biagi Gregório



SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. História do Demônio. 4. A Igreja Católica e a sua Dogmática: 4.1. Hierarquia dos Anjos; 4.2. Lúcifer e Satã; 4.3. Demonologia. 5. Anjos e Demônios na Ótica Espírita: 5.1. Anjos; 5.2. Demônios; 6. O Pensamento e as Influências Espirituais: 6.1. As Idéias e o Pensamento; 6.2. As Influências Espirituais: 6.3. Decisão das Trevas. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.



1. INTRODUÇÃO



O que se entende por anjo? E por demônio? Há diferença entre a posição católica e a espírita? Nosso objetivo é fazer um estudo comparativo, no sentido de melhor entender as relações entre esses dois temas e os seus correlatos: Satanás, Diabo e Lúcifer.



2. CONCEITO



Anjo – Ser espiritual que exerce o ofício de mensageiro entre Deus e os homens. A palavra anjo desperta geralmente a idéia da perfeição moral; não obstante, é freqüentemente aplicada a todos os seres, bons e maus, que não pertencem à Humanidade.



Demônio – 1. Nas crenças da Antiguidade e no politeísmo, gênio inspirador, bom ou mal, que presidia o caráter e o destino de cada individuo; alma, espírito. 2. Nas religiões judaicas e cristãs, anjo mau que, tendo-se rebelado contra Deus, foi precipitado no Inferno e procura a perdição da humanidade; gênio ou representação do mal; espírito maligno, espírito das trevas, Lúcifer, Satanás, Diabo. 3. Cada um dos anjos caídos ou gênios maléficos do Inferno, sujeitos a Lúcifer ou Satanás. (Dicionário Aurélio)



3. HISTÓRIA DO DEMÔNIO



A história de uma palavra mostra-nos as suas transformações ao longo do tempo. O termo demônio não fugiu à regra. Nas crenças populares gregas da antiguidade, era usada para designar os espíritos dos falecidos, que dispunham de forças sobrenaturais, intervindo de modo extraordinário na natureza e na vida dos homens, e contra os quais os homens deviam se defender através da magia. Os filósofos gregos o elevou à esfera do divino, por isso o daimon socrático. O termo demônio não é citado no AT, onde só aparece, nos últimos livros. Ele existe no Novo Testamento, onde os Evangelistas confundem os demônios com Satã. Quer dizer, o demônio só surge com a influência grega.



Na época do Novo Testamento, as almas dos mortos, assimiladas às das divindades, foram confundidas com as manes, os lares e os gênios latinos. Estas concepções penetram a Palestina. Com a vinda dos romanos, o Demônio grego transforma-se em Diabo, cujo significado passou a ser "espírito da mentira" ou "caluniador".



O Daimon grego passa a ser o Diabolus romano. Na Baixa Idade Média, o Diabolus romano ganha força. Como o Diabolus romano era um "espírito mau", passou a designar o espírito mau hebraico, Satã. Para explicar a sua presença como tentador do mundo, os padres da Igreja recorreram à lenda da revolta do anjo Azazel, dos Livros de Enoque, que eram apócrifos. (Sampaio, 1976)



4. A IGREJA CATÓLICA E A SUA DOGMÁTICA



4.1. HIERARQUIA DOS ANJOS



A fonte da angelologia medieval é o texto do Pseudo-Dionísio, o Areopagita, Sobre a Hierarquia Celeste (séc. V). A hierarquia celeste é constituída por nove ordens de anjos agrupados em disposições ternárias. A primeira é a dos Serafins, dos Querubins e dos Tronos; a segunda é a das Dominações, das Virtudes e das Potestades; a terceira, a dos Principados, dos Arcanjos e dos Anjos. Essa doutrina foi aceita por S. Tomás e adotada por Dante no Paraíso. (Abbagnano, 1970)



4.2. LÚCIFER E SATÃ



Lúcifer - o Príncipe dos Demônios - não é referendado na Bíblia (VT e NT). Apresenta-se como sinônimo de Diabo, Demônio e Satanás. Este nome surgiu na Baixa Idade Média, baseado numa divindade associada ao planeta Vênus. Os teólogos, para criar o termo, recorreram ao Livro de Enoque, considerado apócrifo, do qual restam vestígios na Bíblia, em Gênesis, 6.



"Lúcifer, produto da teologia cristã, foi associado aos "diabos" Satã, ao conceito de "demônio" dos gregos e ao princípio do dualismo Bem e Mal do Zoroatrismo, entre outras tradições".







Satã significa "o adversário", "o acusador". O termo "acusador" existia no Império Persa, cuja função era a de percorrer secretamente o reino e fiscalizar tudo o que estava sendo feito de mal no sentido de apresentar denúncias diante do Imperador, que mandava chamar os funcionários faltosos e os castigava.



Com a evolução da doutrina religiosa judaica, Satã acabou se convertendo, de um acusador dos pecados dos homens, num deus secundário, oposto a Javé.



Satã não é Lúcifer. Ele não é um anjo que se revoltou contra o Senhor. Ele é apenas um acusador., ou seja, um dos olhos do Senhor, que anda pela Terra e comparece perante o Senhor para acusar. (Sampaio, 1976)



4.3. DEMONOLOGIA



Na Idade Média surge a Demonologia, ciência dos demônios, cujo objetivo era fazer um tratado sobre os demônios.



Lúcifer-Satã-Diabo-Demônio, ao cair, levou muitos consigo. 19 anjos principais e uns 200 liderados que teriam “caído”.



A 1.ª medida da demonologia foi o recenseamento do Inferno, no sentido de estabelecer o número de demônios que ali habitavam. Foram contados 7.045.926 demônios.



Havia também movimentos políticos no inferno. Satã, o diabo grosseiro, da luxúria e da gula, dos defeitos capitais dá um golpe de estado, depondo lúcifer do comando. (Sampaio, 1976)



5. ANJOS E DEMÔNIOS NA ÓTICA ESPÍRITA



5.1. ANJOS



P.128 - Os seres que chamamos anjos, arcanjos, serafins, formam uma categoria especial, de natureza diferente da dos outros Espíritos?



- Não; são Espíritos puros: estão no mais alto grau da escala e reúnem em si todas as perfeições.

A palavra anjo desperta geralmente a idéia da perfeição moral; não obstante, é freqüentemente aplicada a todos os seres, bons e maus, que não pertencem à Humanidade. Diz-se: o bom e o mau anjo; o anjo da luz e o anjo das trevas; e nesse caso ele é sinônimo de Espírito ou de gênio. Tomamo-lo aqui na sua boa significação.



P.129 - Os anjos também percorrem todos os graus?



- Percorrem todos. Mas, como já dissemos: uns aceitaram a sua missão sem murmurar e chegaram mais depressa; outros empregaram maior ou menor tempo para chegar à perfeição.



P. 130 – Se a opinião de que há seres criados perfeitos e superiores a todos os outros é errônea, como se explica a sua presença na tradição de quase todos os povos?



- Aprende que o teu mundo não existe de toda a eternidade, e que muito antes de existir há havia Espíritos no grau supremo; homens, por isso, acreditaram que eles sempre haviam sido perfeitos.



5.2. DEMÔNIOS



P.131 - Há demônios, no sentido que se dá a essa palavra?



- Se houvesse demônios, eles seriam obra de Deus. E Deus seria justo e bom, criando seres infelizes, eternamente voltados ao mal?



A palavra demônio não implica a idéia de Espírito mau, a não ser na sua acepção moderna, porque o termo grego daimon, de que ele deriva, significa gênio, inteligência, e se aplicou aos seres incorpóreos, bons ou maus, sem distinção.

Os homens fizeram, com os demônios, o mesmo que com os anjos. Da mesma forma que acreditaram na existência de seres perfeitos, desde toda a eternidade, tomaram também os Espíritos inferiores por seres perpetuamente maus. A palavra demônio deve portanto ser entendida como referente aos Espíritos impuros, que freqüentemente não são melhores do que os designados por esse nome, mas com a diferença de ser o seu estado apenas transitório. São esses os Espíritos imperfeitos que murmuram contra as suas provações e por isso as sofrem por mais tempo, mas chegarão por sua vez à perfeição quando se dispuserem a tanto. (Kardec, 1995)



5.3. HÁ LÓGICA NA DOUTRINA DOS ANJOS DECAÍDOS?



Não. Ora, como pode um Espírito que atingiu uma luz espiritual da perfeição retrogradar e ficar numa posição de inferioridade. O progresso é uma lei natural, compulsória e inexorável, que nos impulsiona sempre para frente. Em A Gênese, Allan Kardec reporta-se ao Paraíso Perdido, em que Espíritos de outros mundos vieram reencarnar na Terra. Cita o caso dos exilados de Capela, orbe semelhante ao da Terra, situado na Constelação de Cocheiro, que estava passando por um período de transformação, semelhante ao que estamos verificando no Planeta Terra. Embora tenham reencarnado num mundo inferior, eles não perderam o progresso adquirido, não regrediram moralmente e intelectualmente, apenas tiveram que fazer as suas experiências num mundo mais hostil, justamente para se equilibrarem no campo moral.



6. O PENSAMENTO E AS INFLUÊNCIAS ESPIRITUAIS



6.1. AS IDÉIAS E O PENSAMENTO



O tema anjos e demônios leva-nos a refletir sobre a nossa condição humana, especificamente na relação que temos com o conhecimento da verdade. Em nosso dia-a-dia produzimos idéias. As idéias formam o nosso pensamento. O pensamento dirige-se à verdade das coisas. A percepção da verdade das coisas está subordinada ao nosso grau de evolução espiritual e intelectual. Por isso, diz-se que somente atingiremos a verdade quando pudermos ter um perfeito relacionamento entre o sujeito e o objeto, ou seja, somente quando o objeto refletir-se fielmente na mente do sujeito. Para que isso se dê, temos que desobstruir a nossa mente dos preconceitos e das diversas idiossincrasias automatizados em nosso subconsciente.



6.2. AS INFLUÊNCIAS ESPIRITUAIS



Os anjos e os demônios simbolizam as influências que recebemos dos Espíritos que nos acompanham. De acordo com a instrução de diversos Espíritos, somos monitorados por uma avalanche deles. Nesse sentido, há os Espíritos bons que nos incentivam ao bem e os maus que induzem ao mal. Aceitar ou não suas sugestões é um trabalho que depende de nossa vontade e de nossa perseverança. É preciso tomar cuidado, porque há sempre um primeiro momento, um primeiro convite, principalmente no que diz respeito à entrada pela porta larga da perdição. Na Revista Espírita de 1862, Voltaire faz uma mea culpa sobre os desvios que permitiu a si mesmo quando esteve encanado no século XVIII, em França. Conta-nos que tinha recebido toda as inspiração necessária para ser um dos divulgadores de idéia de Deus e do Evangelho de Jesus e perdeu-se por sua vaidade, ou seja, por querer ver o seu nome estampado nos anais de ciência e da filosofia terrena.



6.3. DECISÃO DAS TREVAS



Este é o título do capítulo 38 de Contos desta e de outra vida, pelo Espírito Irmão X. Relata-se o diálogo entre o ORGANIZADOR DE OBSESSÕES e os seus sequazes, cujo objetivo era impedir o avanço do Espiritismo, no que tange aos novos horizontes que este abria na mente humana. Eles agem como Cristo na Antiguidade: não há meio de isolá-los na prece inativa; em vez de se ajoelharem, caminham. É indispensável encontrar um meio de esmagá-los, destruí-los...



O obsessor exaltado, o obsessor violento, o malfeitor recruta, o obsessor confusionista, o malfeitor antigo e o obsessor fabricange de dúvidas dão suas sugestões, mas são rechaçadas pelo Líder. Por último, surge o VAMPIRIZADOR EXPERIENTE, que sugere: “Será fácil treinar alguns milhares de companheiros para a hipnose coletiva em larga escala e faremos que os espíritas se acreditem santos de carne e osso... Creio que, desse modo, enquanto estiverem preocupados em preservar a postura e a máscara dos santos, não disporão de tempo algum para os interesses do espírito”.



ORGANIZADOR DE OBSESSÕES – Excelente, excelente! Ponhamos mãos à obra. (Xavier, 1978)



7. CONCLUSÃO



Os anjos e os demônios, como vimos, significam respectivamente os bons e os maus Espíritos. Eles estão sempre ao nosso derredor. Saibamos elevar os nossos pensamentos através da prece e da prática da caridade para que os bons venham ao nosso encontro e os maus sejam rechaçados.



8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA



ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.



FERREIRA, A. B. de H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, [s. d. p.]



KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.



SAMPAIO, Fernando G. A História do Demônio: da Antiguidade aos nossos Dias. Porto Alegre: Garatuja, 1976.



XAVIER, F. C. Contos Desta e Doutra Vida, pelo Espírito Irmão X. Rio de Janeiro: FEB, 1978.



São Paulo, maio de 2005